Imatge 1. Relació composició dels membres del CE en centres públic i privats, segons LOMCE
4.5. Els agents de la comunitat educativa: funcions i dificultats de la participació
“Toda consciência é antecipaçao do futuro. ”
Bergson
O lobo frontal designa a parte do cérebro situada na frente da fissura de Rolando. Ele compreende:
- o giro central (circunvolução frontal ascendente) à beira da fissura de Rolando e que constitui a área m otora (área 4 de Brodmann);
- o córtex pré-m otor'ou área de associação motora, situado na frente da área m otora e que com preende as áreas 6,. 8, 44 (área de Broca), 45, bem com o a área m otora suplem entar na face interna do hem isfério;
- o córtex pré-frontal, na frente do anterior, córtex granular cujas lesões
provocam manifestaçâos designadas com o nom e de síndrom e frontal e que é dividido em três partes:
• um a porção dorsolateral no nível da convexidade cerebral (áreas 9, 10, 46),
® um a porção orbitária ou ventral (áreas 11, 12, 25, 32, 47),
s> um a porção interna ou mesial, constituída do giro do cíngulo, incluso no sistem a lím bico e constituído das áreas 24 e 32, bem co m o da parte interna das áreas 6, 8, 9, 10.
O córtex pré-frontal. que representa entre um quarto e um terço da m assa do córtex, e que não é nem a partida das vias m otoras, nem o lugar de chegada das vias sensoriais, tem múltiplas conexões, quase sem pre recíprocas, com inúm eras regiões do cérebro. As conexões com as áreas sensoriais não afe tam as áreas prim árias e sim as áreas associativas tem porais, parietais e occipitais, o que indica que as aferências frontais têm relação com as infor m ações já elaboradas, sejam elas sensitivas, auditivas ou visuais. O córtex pré-frontal é a única localização neocortical das inform ações que circulam pelos circuitos lím bicos e ele m antém conexões com o hipocampo, com a am ígdala, com o tálam o (sobretudo com o núcleo dorsom edial), com o córtex lím bico para-hipocam pal e cirígular, com o hipotálam o e com o tegm ento mesencefálico. Logo, é possível dizer que ele se com porta como um a interface entre a cognição e os sentimentos. E preciso acrescentar que ele está im pli cado na m em ória por interm édio do sistem a lím bico e nos processos da, atenção pelo tálamo, ele próprio ligado com a substância reticulada, pelos núcleos intralam inares. As conexões entre o córtex e núcleos cinzentos cen trais (gânglios de base) são organizadas em cinco circuitos que chegam ao tálamo, passando pelo striatum, pelo pálido e pela substância negra (ver Fig. 18.1): um deles, motor, sai da área m otora suplementar; o outro, ocu- lomotor,. sai das áreas oculom otoras frontais (área 8); os outros três, im plica dos nas funções cognitivas e na regulação em ocional e m otivacional, saem,
N e u ro p s ic o lo g la d o lo bo tro n tn l I !í t
respectivam ente, do córtex pré-frontal dorsolateral, do córtex fronto orblliil r do córtex frontal interno, no nível do giro do cíngulo. Esses circuiUis sim percursos que, partindo do tálam o, se projetam de m aneira recorrente sobiv 11
córtex pré-frontal. O córtex pré-frontal tam bém recebe aferências provenien tes das áreas olfativas da base do cérebro e tam bém está ligado, peio tálam o e suas conexões descendentes, ao sistem a nervoso autônomo.
Entretanto, apesar do volum e do lobo frontal e da riqueza de suas conexões, foi difícil desligar a noção de síndrome frontal de um a abordagem unicista dos distúrbios mentais na ocorrência de tum ores cerebrais, o que fez com que tam bém fosse recusado ao lobo frontal um a sem iologia original e, ainda com mais razão, específica. "
C ontudo, em 1875, Ferrier notou que depois da ablação da área órbito- frontal do m acaco, os anim ais continuavam a se mexer, a ver, a ouvir, a sentir cheiros, a sentir gosto... a procurar com ida. No entanto, um a “obser vação mais atenta mostrou que, de fato, os anim ais haviam passado por uma grande mudança: eles não m anifestavam interesse por coisa alguma..! fica vam estupidam ente calm os e pareciam haver perdido o dom da observação inteligente e atenta” . Os trabalhos de Jacobsen, nos anos trinta, m ostraram que as lesões experim entais do córtex dorsal pré-frontal do m acaco altera vam as tarefas de respostas tardias, ou seja, as tarefas durante as quais o estím ulo era subtraído da visão do anim al por m enos de cinco segundos, por um a tela corrediça. E ssas'tarefas precisavam da ação de vários tratam entos cognitivos: atenção às coordenadas espaciais dos estím ulos, mem orização das inform ações e escolha da resposta com capacidade de inibir as respos tas inexatas. Jacobsen tam bém notou que o chim panzé, que sofrera um a dupla lobotom ia pré-frontal, deixara de apresentar um a agitação ansiosa provocada pelas, dificuldades das tarefas- a que era subm etido (que o autor cham ava de “neurose experim ental”) e tornava-se equânim e, o que deu a E gas M oniz a idéia de utilizar a lobotom ia pré-frontal para tratam ento terapêutico.
No hom em , o triste acidente de Phineas G age passou a ser um exemplo: em 1848, esse em pregado da ferrovia, com petente e eficaz; detonou desajeita dam ente um a carga explosiva, e um a barra de ferro que ele segurava atra vessou sua face esquerda, o lobo frontal esquerdo e a convexidade craniana. A parentem ente curado, tornou-se evidente que sua personalidade havia sido profundam ente afetada: tornou-se grosseiro, cheio de caprichos, instável e falava-se que “G age não era m ais o G age”. Ele perdeu o trabalho e passou a vida m udando de em prego, instabilidade profissional. A despeito de algu mas teorizações sobre as funções frontais,,foi preciso aguardar os trabalhos de Luria para renovar a análise sem iológica dos distúrbios relacionados às lesões dos lobos frontais; essa abordagem desem bocou num a concepção tripartite do cérebro: um a zona basal que integra o tronco cerebral e o siste m a lím bico e qye gera um “tônus cortical” responsável pela atenção e pela m em orização; um a zona posterior reservada ao tratam ento das inform ações sensoriais; um a região anterior que assegura a regulação seqüencial e a planificação da atividade cerebral, seja ela m otora ou m ental, com tudo o que essas funções im plicam nas escolhas a fazer e a adaptar, com o nas resoluções de problem as e na capacidade estratégica para selecionar os com portam entos necessários à realização dos projetos que tecem a vida huma-
na. A m aior parte das funções do lobo frontal está reunida sob o term o em inglês correspondente a “função executiva” , em português, o que não quer dizer que o lobo frontal seja encarregado de funções de execução: o lobo frontal está encarregado do controle da ação (executive cognitive control, es creveu Benson) por antecipação, da escolha dos objetivos a serem atingidos, da planificação, da seleção adequada (que subtende a escolha de um a resposta e a inibição de outras respostas) da vigilância do desenrolar e da verificação do resultado obtido. Esse controle pré-frontal dorsal das ações tam bém está ligado à motivação subtendida pela região frontal medial (em especial o giro do cíngulo) e à capacidade de prever a sucessão de ações a fazer, denom inada por Ingvar de “m em ória do futuro” . No doente, a alteração das funções do lobo frontal é acom panhada de um a perda da autocrítica, de um a incapacidade para avaliar os próprios desem penhos, da subestim ação ou da inconsciência do caráter m órbido de seu estado.
158 N e u ro p s ic o lo g ia d o lo b o fro n ta l
A P E R S O N A L ID A D E FR O N TA L
Os distúrbios da personalidade se devem às ligações do lobo frontal com o sistem a lím bico e às estruturas que regulam as m anifestações autonôm icas da vida em ocional (quadro 13.1).
Q u a d ro . 13.1. P r in c ip a is s in a is d e d is f u n ç ã o p r é - f r o n t a l d e a c o rd o co m a s trê s g ra n d e s s u b d iv is õ e s do lo b o p ré -fro n ta l. C ó rte x d o rs o la te ra l C ó r te x fro n ta l in te r n o C ó r te x ó rb ito - fro n ta t Afasia transcortical motora (lesão esquerda)
Redução da fluência
Apatia, abulia, inércia, distraibilidade
Depressão Apatia, às vezes Moria
Distúrbios da organização dinâ intensa Euforia
mica dos atos motores Acinesia Desinibição
Ecopraxia Mutismo Irritabilidade
Perturbações do controle executi acinético (lesões Estado maníaco
vo com dano: bilaterais) Impulsividade
- d a planificação Distraibilidade
- da memória prospectiva Dependência do
- da flexibilidade mental na resolu meio ambiente
ção de problemas Sociopatia
O hum or pode ser, na vertente eufórica, expansivo, de um a sim plicidade pueril e despreocupada, às vezes com um comportamento hipomaníaco, crian do a “m oria” com seu cortejo de brincadeiras bobas (“Vocêperguntou como... Sim, eu como, não bebo. Ah! quando eu como não fa lo ”... “Como eu vou! Ah!
N e u ro p s lc o lo g ln d o lo bo tm n tn l I !>!)
vou bem mal... bem mal, não é bem fem inino para ser bem iiinl" ) nu
cáusticos, muitas vezes eróticos ou grosseiros ("Você me perguntou t/iiriu e o
governador ah! ah! governa... a dor, ora bolas\”). O com portam ento pode
ser do tipo psicopático ou agitado e ineficaz. Esse lado exaltado da persona lidade frontal é mais encontrado nas lesões da porção orbitária do lobo fronlal, O com portam ento de m icção, e até de defecação em lugares não apropriados é, regra geral, observado nas lesões mediais bilaterais dos lobos frontais e deve estar ligado à perda das influências inibidoras exercidas pelas regiões frontais. Ele deixa o doente indiferente ou zom beteiro.
O hum or pode ser depressivo (consultar p. 225) ou pseudo-depressivo, sen do que o com portam ento se caracteriza por inércia, apragm atism o, abulia, placidez em ocional, sem a dor moral dos estados depressivos. U m a certa confusão reina na literatura ao atribuir o lado apático-abúlico da personalidade frontal ora à síndrom e dorsolateral pré-frontal, ora à síndrom e cingular ante rior. A m bas podem com portar um a perda da capacidade de iniciativa e de entusiasmo psíquico (drive, dos autores anglo-saxões), inércia, lentidão ideatória e m otora, desinvestim ento das atividades cotidianas, relativa indiferença e distraibilidade. Os estados apáticos mais profundos, às vezes qualificados de acinéticos, são observados na síndrom e cingular anterior, e sua form a extrem a é representada pelo mutismo acinético observado nas lesões frontais internas bilaterais, por exem plo, no caso de um infarto das duas veias cerebrais ante riores lesar os giros do cíngulo e criar um estado de im obilidade acordada e silenciosa.
A personalidade, sob influência de um a lesão ventrom edial (particularm ente direita), tam bém pode desorganizar-se num modo que D am asio designou de “sociopatia adquirida” , para descrever um a analogia sem iológica com a so- ciopatia do DSM III, ou desequilíbrio mental, que é um a anom alia do desen volvim ento da personalidade. Então, alguns sujeitos, adaptados e estáveis no plano profissional e afetivo, desenvolvem , depois de um a lesão fronlal, um a instabilidade profissional e afetiva, acom panhada de incapacidade de tomar decisões que são, então, suscitadas pelo acaso, quer se trate de um a escolha aparentem ente sim ples com o a seleção de um prato do cardápio de um restau rante ou de decisões que envolvam a vida profissional e afetiva. Esse estado estaria ligado ao defeito de ativação d emarcadores somáticos que, ao longo da existência, unem “situações” (estím ulos) e suas repercussões em ocionais vi vidas pelo corpo sob o im pulso do sistem a nervoso autônom o, ou sob um a form a positiva, atraente, ou sob um a form a negativa, repulsiva (constrição da faringe, mal-estar geral etc). Diante de uma escolha, a ativação dos m arcadores funciona com o um sinal em ocional corporal de ajuda para a decisão. O córtex frontal é o centro de convergência das percepções vindas do m undo e dos sinais em ocionais que elas veiculam. Privado dessa assistência em ocional na decisão, o sujeito não consegue selecionar as escolhas positivas, mesmo que reconheça o sentido das situações sociais e im agine as respostas possíveis. Segundo L aplane, esse tipo de com portam ento poderia resultar de uma perda de “auto-ativaçâo psíquica” , acom panhada de m anifestações obssessivas, dem onstradas não só pela incapacidade de escolher, mas também de alivida-
160 N e u ro p s ic o lo g ia d o lo bo fro n ta l
des m entais estereotipadas (como as atividades de contar) que ocupam o “vazio m ental” : essa interpretação semiológica será abordada no capitulo que trata da neuropsicologia dos núcleos cinzentos centrais (capítulo 18), porque essa síndrom e foi observada, sobretudo, na patologia dos núcleos lentiformes,