• No results found

Electronic Article Surveillance

In document Power Harvesting Microelectronics (sider 24-27)

2.2 Systems and applications

2.2.1 Electronic Article Surveillance

Assim como no início da introdução, flexionei os verbos na primeira pessoa do singular, tomo a liberdade de fazer o mesmo com estas breves considerações finais. Simplesmente, não consegui escrever na forma oculta, tão pouco na primeira pessoa do plural.

Muitas foram às dificuldades para terminar este escrito, tomou uma forma que eu não imaginava e a angústia da proposta tomou forma de dissertação.

Falar sobre a profissão, aquela pela qual me apaixonei desde a mais tenra infância, numa visão romântica de guerrilheira, não é tarefa fácil. Não foi pra mim. Desistir para um caminho mais seguro não foi uma opção. Falar de formação profissional e sentimentos é antes de tudo falar daquilo que permeia minha vida.

Desta forma algumas pontuações são necessárias, nosso projeto de formação profissional está diretamente ligado com a nossa construção identitária. Aquilo que imaginamos ser e enquanto categoria passa necessariamente por toda a grade curricular e todo escopo teórico que nos aproximamos durante a graduação.

Contudo, esta graduação está impregnada de valores do mercado e da sociedade em que estamos inseridos. Por mais que se tenha chegado ao curso de Serviço Social com uma concepção de identidade distorcida ou devido a uma imagem socialmente reproduzida, é neste período que o profissional recebe a maior carga de elementos teóricos sobre a profissão. São aproximadamente quatro anos imersos no contexto teórico do Serviço Social e é fato que nossa formação tem falhado em vários aspectos. Faz-se necessário urgentemente trazer a tona os questionamentos dos acadêmicos e realmente ouvi-los, dar voz e tentar compreender que lacuna é essa. Não se pode mais aceitar que a instituição de ensino, responsável pela formação seja um espaço que tolha estudantes que decidem por outras vertentes. Fala como estas das assistentes sociais que participaram da pesquisa são gritos no vazio, mas é nosso dever dar visibilidade a elas.

Os sujeitos desta pesquisa são Assistentes Sociais corajosas, que assumem o quanto ainda precisam aprender, que buscam saber mais e dar continuidade ao processo de formação (todas estão inseridas novamente no contexto universitário, seja através do curso de mestrado ou das residências multiprofissionais em Saúde), romperam com o silêncio, assumiram as dificuldades da formação, declararam a

existência de lacunas, mesmo que não tenhamos conseguido decifrá-las, foram expostas suas existências.

A contemporaneidade exige cada vez mais profissionais qualificados, dotados de conhecimentos especializados e atualizados, flexibilidade intelectual no encaminhamento de diferentes situações e capacidade de análise para decodificar a realidade social, mas o que devemos sempre nos questionar é pra quem direcionamos nossa prática, quem tem interesse nesse constante aperfeiçoamento. Quem lucra com ele, ou até mesmo por quem o fazemos.

O estágio tem uma importância significativa no ensino e aprendizagem profissional, esta importância é reconhecida pela categoria, pelos estudantes e docentes, contudo não podemos negar que este também é momento de grande dificuldade dentro da academia. Atualmente temos dificuldades em conseguir campos de estágios, os estudantes acabam por fazê-lo na área em que conseguem vaga e não na que realmente os interessa, devido a grande demanda por locais de estágio, normalmente os estudantes tem vivencia em apenas um campo, onde elaboram a analise institucional, o projeto de intervenção e prática do mesmo. Frente aos levantamentos feitos na pesquisa há necessidade de se rever este procedimento.

Reforçou a importância do estágio para a formação profissional, ressaltando que o mesmo contribui de sobremaneira para a construção dos processos identitários dos assistentes sociais, embora em tempos de contrarreforma universitária venha sofrendo desgastes. As experiências ocorridas durante o estágio contribuíram para a construção dos processos identitários destes profissionais, principalmente por representar a conexão entre a teoria e prática da profissão, o estágio foi referenciado como lócus desta unidade. E talvez essa seja a conexão mais importante, o estágio contribui para a formação identitária do futuro assistente social, pois dá vazão a prática, dá cor e forma a teoria, traz para a realidade aquilo que está enquadrado na academia. Muitas entrevistadas referem que seus exemplos de profissionais são suas supervisoras de campo, pois nela visualizaram o fazer da profissão. Aquele fazer escondidos em falas e termos difíceis dos textos acadêmicos. Trouxeram sentido para as leis e pressupostos estudados, mas ainda longe de definir o que é essencialmente do serviço social. O que é específico da profissão, o que é essa matéria do Serviço Social.

um profissional, tanto acadêmica e quanto de campo e tem como um dos princípios que fundamentam a formação profissional a indissociabilidade entre estágio e supervisão.

O estágio é concebido como processo de qualificação e treinamento teórico- metodológico, técnico-operativo e ético-político do aluno, inserido no campo profissional, em que realiza sua experiência de aprendizagem sob a supervisão direta de um assistente social, que assume a função de supervisor de campo. O acompanhamento acadêmico do estágio é uma atividade realizada por um(a) professor(a) de Serviço Social (...) que assume o papel de supervisor acadêmico. (Iamamoto, 1998, p. 290)

Ao analisar as concepções referentes às perspectivas ideológicas, teórica e política ficou clara a intenção crítica da formação e o cunho político da profissão, embora houvesse dificuldades em nomear alguns conceitos, principalmente vinculados a tendência em apresentar a profissão com o que se faz, remetendo-se sempre ao agir, tendo a prática como definidora da identidade.

A ideologia na relação universidade e sociedade é produzida no âmbito da infra-estrutura, das relações de produção material e se torna dominante para o conjunto da sociedade. Nesse sentido, a universidade passa a ser também um instrumento de produção ideológica, utilizada pelo grupo fundamental dominante, para transmitir as representações de valores, conceitos e padrões a serem incutidos para a realização de seus projetos políticos conforme vimos no segundo capítulo desta dissertação.

Na sociedade de classe o direito à educação é defendido como algo inalienável, contudo a educação que se propõe é alicerçada na formação moral e intelectual com vistas à preparação para o trabalho, ou melhor, para o mercado de trabalho. Preparação de mão-de-obra: controlada pela estrutura educacional formal, legalizada pelo Estado e valorizada pelos detentores do capital, a fim de manter o

status quo, da dominação burguesa. O poder do capital é exercido com tal força

opressora que a transformação da educação em mercadoria faz parte da engrenagem de manutenção deste sistema.

Em tempos de contrarreforma universitária, o discurso da educação para todos vem moldado nos programas de ampliação e democratização de acesso aos segmentos mais pobres da população brasileira através de programas focalizados como o PROUNI e FIES mascarando os grandes incentivos e financiamentos para o setor privado da educação, que tem tido muitos ganhos financeiros com esta estratégia, atendendo ao real interesse do mercado do ensino superior.

Num contexto de desmonte de direitos sociais e de lógica mercantil universitária, o poder do mercado em flexibilizar as diretrizes curriculares, expondo Projetos Pedagógicos e Grades Curriculares aos seus interesses fica evidente. A categoria trava uma luta cotidiana para garantir uma formação profissional de qualidade, generalista, com enfoque na totalidade da realidade social, balizada em valores emancipatórios e na consciência de transformação societária tornou-se um imenso desafio.

Quanto ao tema identidade, pode-se perceber o desejo que há por parte dos profissionais em definir um conceito para a profissão, bem como de definir uma especificidade para a mesma, não foi possível tratar o tema da especificidade, embora o mesmo tenha surgido enquanto categoria emergente.

Só posso terminar reforçando sua fala, minha colega de profissão: QUEREMOS!!

Quero poder pensar no que essa formação colabora pra minha identidade, porque a maior carga teórica que recebi da profissão indiscutivelmente foram nesses quatro anos e meio, por mais que eu vá continuar me atualizando, vá fazer uma pós, vá fazer alguma outra coisa, não se compara a esses quatro anos e meio. Esses quatro anos e meio bebi da fonte da profissão, então se a gente bebe da fonte e não sai com tanta certeza assim, algo nessa fonte esta errado... não está errado, algo está faltando nessa fonte, mas a sensação que a gente tem, e é que a falha está na gente. Muito engraçado a gente conversando aqui, é que tem coisa que a gente não pode dizer que a gente não sabe e daí a gente acaba usando um discurso que é o teórico metodológico, ético-político, e coloca algumas frases de efeito já pra definir tudo na tua vida acadêmica, as categorias do método. A gente começa a falar difícil que é pra ninguém nos perguntar muito. Mas eu não quero mais que seja assim.... quero pensar sobre a profissão como alguém que pode colaborar com ela, e não apenas sentir que repito conceitos.(AS 4)

In document Power Harvesting Microelectronics (sider 24-27)