• No results found

Charge pumps

In document Power Harvesting Microelectronics (sider 58-61)

Voltage boosting

5.2 Charge pumps

Muitas vezes imperceptível para o jovem, a mídia está presente em múltiplos aspectos como formadora de opiniões no que se refere não à aquisição de bens e serviços. Ela exerce seu poder, sobretudo, nas linguagens que elabora para seduzir esse público avaliado como promissor. São sujeitos que possuem uma sociabilidade comum a essa faixa etária, podendo atuar de maneira espontânea como divulgadores naqueles produtos que conquistam sua simpatia. A utilização das linguagens virtuais reflete hoje a realidade dos adolescentes, sujeitos profundamente identificados com a personalização dos bens produzidos. Um tênis não é somente um tênis, através da forma, cor e, sobretudo da marca ele vislumbra uma agregação de valores promovidos sabiamente pela empresa que o produziu.

Por detrás de uma marca de um objeto comercializado existem conceitos elaborados com esmero e cuidado, nada é despropositado nos inúmeros anúncios que se comprimem nas laterais da tela do computador. Ainda que o adolescente refira não prestar atenção ou não haver sido seduzido pela propaganda, os efeitos minuciosamente estudados encontrarão ao menos um pequeno espaço em sua memória e para alguns desses produtos ele dispensará sua atenção como consumidor um dia.

A profunda identificação que o adolescente possui com os meios virtuais representa hoje um dos fenômenos sociais, talvez o mais significativo de todos, em sua formação social, e em muitos casos, como ferramenta no desenvolvimento das capacidades e habilidades. É uma geração autodenominada “geração internet”, pois, nasceram junto com a rede internacional de computadores, desenvolvem-se na mesma proporção que surgem novos recursos tecnológicos. O convívio diário com o surgimento de infindáveis recursos e novidades virtuais, aliadas à suas habilidades naturais em apreendê-las, faz com que eles se tornem agentes ativos da sua própria qualificação através das linguagens virtuais. O setor econômico não está alheio a esse importante fato, e mantêm seu olhar voltado para esse público não somente como consumidor, mas, sobretudo como nova força de trabalho, “antenada” com as

novas posturas exigidas pelo mercado. Afinal, o adolescente de hoje tem introjetado em si, através dos produtos que consome os valores necessários à reprodução do capital.

A nova realidade econômica é cada vez mais sensível a atributos educativos como visão de conjunto, autonomia, iniciativa, capacidade de resolver problemas, flexibilidade. Formação básica torna-se mais estratégica que especialização profissional, já que o processo produtivo tem sua qualidade e competitividade condicionadas à capacidade de organização processual, prevenção de falhas, incremento qualitativo de processos e etapas, reinterpretação de situações, exigindo raciocínio analítico, habilidade e rapidez para processar informação e tomar decisões. (DEMO, 1993, p.24).

Os recursos tecnológicos disponibilizam no meio virtual, todo o conhecimento humano a um toque no teclado. A realidade concreta de intensas disputas sociais, econômicas e políticas passam aos olhos adolescentes como meras notícias acumuladas em pequenas resenhas sobrepostas, às quais nem sempre tem a sua atenção.

A mídia encontra-se irremediavelmente imbricada nas relações estabelecidas pelo adolescente contemporâneo, posto que seja imagem e fala simbólica quase todo o conteúdo que ele acessa e ao qual está exposto de maneira quase sempre subliminar. Desta forma, as constantes transformações do mundo do trabalho e as relações capitalistas de produção vêm moldando um consumidor que se compraz em ser consciente em suas escolhas, e um futuro trabalhador sequioso por demonstrar um perfil com total identificação com a filosofia da empresa.

O processo hegemônico do capitalismo se completa quando ele atinge esse patamar, quanto mais atravessa imperiosamente os sujeitos, mais se apresenta perverso. Em se tratando da sua participação na formação da subjetividade dos adolescentes não há mais divisão entre os papéis de consumidor e trabalhador. A mídia se encarrega de transformá-los em sujeitos que desejam participar desse processo. A internalização de relações sociais dentro do contexto capitalista é, portanto, a coisificação do sujeito pela introjeção de valores nas linguagens que ele apreende e reproduz, seja na roupa que adquire na marca por ele divulgada na rede social ou nas palavras que fragmenta. Porém, muitas vezes, o meio virtual é a arena onde os sujeitos organizam movimentos sociais e posicionam-se politicamente. As linguagens virtuais contribuem para que o sujeito concretize o projeto capitalista de alienação, aceitando e incorporando o papel de sujeito consumidor, mas também

pode utilizar esse meio virtual como um espaço de luta pelos direitos e onde ele possa compreende o processo pelo qual é subsumido.

O adolescente, como qualquer outro sujeito na sociedade, reproduz em sua linguagem o processo reificante do capitalismo. A valorização do objeto fetichizados e encontra presente em todos os aspectos nas linguagens do meio virtual. Seja nos anúncios de produtos direcionados para seu consumo, ou nos modismos a ditarem qual a musica que ele irá ouvir, que roupa usar, quais as novas gírias para se expressar, são todos componentes que incidem no processo de formação desse sujeito dentro da realidade concreta contemporânea.

As determinações e a precarização das relações de trabalho refletem no adolescente mesmo antes dele ser inserido no mundo do trabalho. Em uma época de escassez de ofertas de trabalho, do aumento dos empregos informais ou dos subempregos, aliado ao consumo intensamente imposto coloca os jovens em uma encruzilhada: o acesso à Educação e, consequentemente ao Trabalho, vem sendo dificultado ou negado, e ainda assim o jovem é superestimulado a consumir para obter valor de si e perante aos outros.

É nesse espaço que o indivíduo se socializa, aprende a responder às necessidades práticas imediatas, assimila hábitos, costumes e normas de comportamento. Se é verdade que o hábito faz o monge, também pode ser certo que, embora a sociedade de classes conte com um sistema moral dominante e que a influência do ethos dominante seja um dado muito relevante em nossa análise, seja possível dizer não aos valores morais quando eles não correspondem às necessidades de emancipação, quando eles expressam a alienação e promovem a desumanização (BARROCO, 2008, p.68).

O mundo do trabalho, através da mídia e das relações de consumo, atinge o sujeito negando e impondo o acesso aos bens que promove. Estas são hoje uma das maiores razões para que o acesso ao ambiente virtual com uma base de valores éticos, sem o qual, o exercício das linguagens virtuais se constituirá em um processo de formação de um sujeito alienado.

5. A PESQUISA: ABREVIANDO PALAVRAS, AMPLIANDO OS

In document Power Harvesting Microelectronics (sider 58-61)