5. Strategisk Analyse:
5.1. Eksternanalyse
O encontro era iniciado com a aplicação do impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam chegando, e em seguida prosseguíamos com as atividades propostas para o grupo- escolhas das carinhas.
1º Momento - Aquecimento: Pensamento positivo - O encontro foi introduzido com uma técnica de relaxamento: foi colocada uma música instrumental (Johann Strauss – El Danúbio Azul) e se pediu para os adolescentes fecharem os olhos, sentirem a música, e mentalizarem coisas que eles gostavam para estimular pensamentos positivos, agradáveis (5 minutos); em seguida pedimos para cada um falar sobre o que eles pensaram/sentiram. Pontos verbalizados: ambientes de que gostavam e achavam bonitos (praia, cidades interioranas, sítios), relataram sobre passeios e viagens, brincadeiras, encontros familiares, andar de bicicleta, estar com quem gostavam, se sentir livre.
2º Momento - Dar e receber
Objetivo: Trabalhar sobre sonhos, perspectivas e afetividade. Técnica aplicada - O presente
Foi entregue para cada integrante do grupo duas folhas de papel ofício, cada uma contendo desenho de um presente. Solicitamos que na primeira folha o adolescente escrevesse e/ou desenhasse coisas que gostaria de ganhar de presente e na segunda folha escrevesse e/ou desenhasse coisas que gostaria de dar de presente e para quem. Após a produção, foi pedido que cada um falasse sobre o que gostaria de ganhar e por que, assim como também para quem gostaria de dar um presente e o por quê do que escolheu (20 minutos).
3º Momento - Fechamento / Avaliação: Discutimos em grupo o que significou para cada um o que foi abordado no encontro (10 minutos).
Finalizamos com uma mensagem que transmite que sonhos podem se tornar realidade e que palavras e gestos também são presentes, não precisa ser algo material para dizer que é um presente.
Como proposta para o próximo encontro os adolescentes referiram que gostariam de falar mais sobre eles.
Para finalizar era aplicado novamente o impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam saindo após o encontro.
Nesta técnica (O presente), os adolescentes em seus desenhos expressaram sobre o que gostariam de ganhar. A maior parte abordou coisas materiais, como: casa, carro, roupas, maquiagens, sapatos, computador, televisão, brinquedos; mas de forma bem sutil também expressaram sobre saúde, transplante, fistula arteriovenosa, carinho, voltar a estudar.
Em relação a quem gostariam de presentear: cinco adolescentes relataram a mãe; um adolescente, a avó; um adolescente, o avô; e um adolescente a técnica de Enfermagem que cuidava dela. Os desenhos abordavam coisas materiais (eletrodomésticos, casa, roupas), mas também expressões de carinho e agradecimento (abraços, beijos) e rosas. Eles falaram de forma bastante carinhosa sobre os presentes que gostariam de poder dar, mas destacaram que isso dependia da condição financeira. Pode-se perceber que eles relacionavam o fato de presentear com algo ligado preponderantemente à condição financeira, e isso tanto pode acontecer por ser um valor bastante divulgado pela sociedade capitalista, mas também por conta de estarem num momento de vida (adolescência) onde é comum ter estes tipos de desejos, sonhos. Mas isso não fez eles esquecerem que também existem valores que não se
compram e que não dependem da condição econômica, mas isso é um pouco difícil de eles visualizarem como presentes que estão ao seu alcance.
Ao falarem sobre quem eles gostariam de presentear, sempre relatavam que gostariam muito de poder realmente fazer isso, porque seria uma maneira de dizer para essas pessoas o quanto gostavam delas e que queriam agradecer por todo o apoio, paciência e carinho que recebiam e que eram importantes para eles. Queriam poder deixar um pouco estas pessoas felizes.
Na avaliação eles relataram que foi bom este momento, pois tiveram a oportunidade de falar coisas que geralmente não falavam (sentimentos, agradecimentos, desejos, sonhos) e poder mostrar para os outros que eles valorizavam as pessoas que os ajudavam a enfrentar tudo isso.
De acordo com os adolescentes foi bom demonstrar o carinho e amor que sentem, pois muitas vezes eles não tem oportunidade e coragem de falar para as pessoas e, por não falar, parece que eles não valorizam essas pessoas. Foi interessante a fala de uma adolescente (A3) que expressou que é comum ela exigir muito da mãe dela e ficar cobrando muitas coisas, mas que faz isso porque sabe que pode contar com ela, e nunca nem diz obrigada, mas, se não tem coragem para falar, faz alguma coisa que demonstre isso, e o que ela fez naquele dia mostrou que não podemos ficar assim, e que não é tão difícil fazer diferente, difícil é querer.
Como resposta ao instrumento (APÊNDICE H) que lhes permitia manifestar como estava chegando e saindo do grupo, foi possível realizar uma avaliação relacionada a oficina, pois este tinha como finalidade coletar os sentimentos dos adolescentes antes e após a realização dos encontros, conforme tabela abaixo:
Tabela 2 - Representação dos adolescentes relativo a como estavam se sentindo antes e após a participação nas oficinas vivenciais. Fortaleza-CE, 2012.
Oficina Como estou chegando (nº de adolescentes)
Como estou saindo (nº de adolescentes)
2 5 2 1 - - 8
Como resposta a esse instrumento (como estou chegando), cinco escolheram o rosto que significa mal, chateado e/ou triste, dois registraram que estavam indiferentes, normais ou
mais ou menos, apenas um registrou que estava bem, alegre e/ou feliz. Os motivos relatados para não estar bem foram: sono, passando mal, estar impaciente e cansaço. Os adolescentes que responderam que estavam indiferentes escreveram as palavras: desanimado, cansado, tranquilo, sem saco. E o adolescente que respondeu estar bem justificou que estava disposto e tranquilo.
Em relação aos sentimentos ao sair: todos os adolescentes registraram que estavam saindo bem, alegres e/ou felizes e justificaram com as seguintes palavras: divertido, diferente, feliz, alegre, muito bem, apoio e animado.
Este encontro trabalhou aspectos relacionados a valores e sentimentos por meio da tecnologia leve aplicada, o que possibilitou a discussão sobre valorização de quem estava próximo deles, ajudando no cuidado, assim como fez cada adolescente refletir sobre seu comportamento e o que era necessário mudar para facilitar suas relações com os outros.
A família representa um apoio psicológico fundamental e observamos isso por meio do que foi socializado, pois os adolescentes que se sentiam apoiados pelos familiares expressaram que aceitavam melhor a doença e aderiam melhor ao tratamento, se comparados àqueles que não sentiam esse apoio.
Elsen, Marcon e Silva (2002)concluiram que a família é um tipo de sistema de saúde para seus membros, e esse sistema tem um conjunto de valores, conhecimentos e práticas que a família emprega para minimizar os agravos ao doente. Os membros da família utilizam diversas ações na promoção da saúde de seus membros, na prevenção e no tratamento da doença.
Frequentemente a equipe de saúde não vê o paciente como alguém que está em uma fase de intensas adaptações em sua vida e que tanto as alterações fisiológicas quanto as psicológicas causam muita revolta e ansiedade. Somando-se a isso, o pouco conhecimento leva à não adesão ao tratamento, que está relacionada com a negação da doença como mecanismo de defesa,disfarçando assim suas angústias, tristezas e medos (MEIRELES; GOES; DIAS, 2004).
A pobreza tem sido descrita como uma condição especialmente geradora de estresse e sofrimento. A pobreza, bem como pertencer a grupos minoritários, significa estar exposto a situações que provocam uma deterioração. Essa condição significa um grande risco para a saúde e bem-estar físico, mental e social da criança e também pode afetar a estabilidade e o bom desenvolvimento das relações familiares (CHEN; MATTHEWS; BOYCE 2002).
É fato a associação entre pobreza e adversidade. A pobreza é um fator de risco para a saúde e bem-estar do indivíduo em nível físico, mental e social. As crianças e adolescentes
pobres apresentam um maior risco, pois estão, com maior frequência, expostas a situações de doenças físicas, estresse familiar, suporte social insuficiente e depressão parental, especialmente da mãe (MASTEN, 2001).
O estatuto socioeconômico tem um profundo impacto na saúde. Frequentemente, associado ao estatuto socioeconômico encontram-se diversos fatores, tais como: níveis baixos de educação dos pais, desemprego dos pais (ou de um dos pais), habitação em bairros de zonas urbanas carentes, agregado familiar numeroso e pertença a uma minoria étnica (CHEN; MATTHEWS; BOYCE 2002).
Na situação pesquisada, observamos que, além do fato da dificuldade financeira ser um aspecto que pode interferir na saúde mental, temos associados a isso a insuficiência renal crônica terminal e o período da adolescência, sendo necessário repensar e aplicar estratégias neste contexto que busquem amenizar os reflexos desta condição vivenciada cotidianamente.