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ICN eksemplifisert ved Named Data Networking (NDN) – hvordan virker NDN på prinsipielt nivå?

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4 Information Centric Networking

4.1 ICN eksemplifisert ved Named Data Networking (NDN) – hvordan virker NDN på prinsipielt nivå?

A Colometria de Aristófanes pode ser quase que totalmente reconstruída a partir dos escólios das comédias de Aristófanes. Os escólios de Paz detêm a maior porção da referida obra. Os escólios de Acarnenses ficam em segundo lugar no que diz respeito à extensão da porção que preserva da tal obra de Heliodoro. Em terceiro, estão os escólios de Cavaleiros. Os escólios de Nuvens e Vespas preservam as menores porções daquela obra. Nos escólios das demais peças, quase não se encontra nada da Colometria de Aristófanes (DICKEY, 2007, p. 29).

Tudo indica que Heliodoro estruturou sua Colometria de Aristófanes em seções ligadas às diversas comédias de Aristófanes. Em uma seção, ele tratou da colometria de Paz; em outra, a colometria de Acarnenses; e assim por diante. Portanto, os escólios de Paz conservam

a seção em que Heliodoro expôs a colometria dessa comédia; os escólios de Acarnenses, por sua vez, preservam a colometria de Acarnenses; etc. (THIEMANN, 1869; WHITE, 1912).

Embora seja possível evitar esta delimitação, para ficarmos restritos ao objeto de análise desta Tese, falaremos somente sobre a colometria de Acarnenses, que é a segunda seção mais extensa da Colometria de Aristófanes, escrita por Heliodoro.

A colometria de Acarnenses analisa essa comédia na íntegra, levando em consideração os vários tipos de versos específicos de cada uma de suas partes estruturais: prólogo; párodo;

agón; parábase; episódios intercalados com estásimos; e êxodo. Heliodoro, na verdade,

comenta cada uma das subseções – sizígia, prelúdio, estrofe, antístrofe, ode, antode, epirrema e antepirrema – dessas seis seções de Acarnenses.

No total, Heliodoro examinou metricamente cerca de quarenta conjuntos de versos de

Acarnenses, dos quais apenas nove não estão presentes nos escólios dessa comédia: vv. 234-

41; vv. 280-3; vv. 497-556; vv. 572-625; vv. 692-718; vv. 736-835; vv. 1018-36; vv. 1047- 142; e vv. 1190-209. A análise de todos os demais pode ser encontrada nos escólios de

Acarnenses (THIEMANN, 1869, p. 17-21).

Portanto, como afirmamos há pouco, os escólios de Acarnenses constituem o principal substrato de reconstituição de uma das duas principais seções da Colometria de Aristófanes: aquela que analisa a métrica de Acarnenses.

Embora a mencionada seção analise a comédia Acarnenses, a contribuição dos escólios de Acarnenses para a reconstrução daquela obra de Heliodoro é totalmente independente da peça Acarnenses em si. Esse fato concede aos escólios de Acarnenses uma significativa importância intrínseca. Essa importância aumenta com o fato de Σ Ac. ser o único substrato de reconstituição da seção da Colometria de Aristófanes que comenta Acarnenses.

Vejamos então a colometria de Acarnenses, escrita por Heliodoro por volta do ano 100 d.C. (DICKEY, 2007, p. 29), reconstituída a partir dos escólios de Acarnenses (THIEMANN, 1869; WHITE, 1912).

3.3.1.1 Substrato da colometria do prólogo de Acarnenses (vv. 1-203)

O primeiro trecho de Acarnenses analisado por Heliodoro foi o prólogo, formado pelos vv. 1-203. Quase todos esses versos, levando-se em consideração a edição de Olson (2002), são metricamente idênticos. O escólio que precede Ac. 1 preserva aquilo que Heliodoro afirmou sobre esse conjunto de versos:

ἡ εἴσθεσις τοῦ δράματος ἄρχεται ἐκ συστηματικῆς περιόδου καὶ ἑξῆς ἐκ προσώπων ἀμοιβαίων. οἱ δὲ στίχοι εἰσὶν ἰαμβικοὶ τρίμετροι ἀκατάληκτοι σα΄, ὧν τελευταῖος “ἐγὼ δὲ φεύξομαί γε τοὺς Ἀχαρνέας”. ὁ μέντοι μγ΄ κομμάτιον ἀπ᾿ ἐλάσσονος καὶ ρκα΄ πενθημιμερής. ἐξαιρείσθωσαν καὶ αἱ παρεπιγραφαί.

A introdução da peça começa com um conjunto de períodos e depois com alternâncias de personagens. Duzentos e um versos são trímetros iâmbicos acatalécticos, dos quais o último é [este]: “Mas eu, sem dúvida, fugirei dos acarnenses!” (Ac. 203). Sem dúvida, o [v.] 43 é um kommation do subsequente e o [v.] 121 é pentemímere. As notas explicativas foram colocadas ao lado [dos versos].

De acordo com esse texto preservado por Σ Ac., Heliodoro subdivide o prólogo de

Acarnenses em duas partes: a introdução e a apresentação alternada dos personagens. Para o

metricista, a introdução do prólogo corresponde ao solilóquio de Diceópolis (vv. 1-42), que é formado por “um conjunto de períodos”. Em relação à métrica e à retórica, περίοδος (‘período’) corresponde ao que chamamos gramaticalmente de “sentença”, “período”, “frase”. Em sua Arte retórica, Aristóteles (1976, p. 165, 1409a.35) diz o seguinte:

λέγω δὲ περίοδον λέξις ἔχουσα ἀρχὴν καὶ τελευτὴν αὐτὴν καθ᾿ αὑτὴν καὶ μέγεθος εὐσύνοπτον.

Eu chamo de período uma sentença que contém início e fim em si mesma e [tem] uma extensão fácil de alcançar com um só olhar.

A segunda divisão do prólogo sugerida por Heliodoro é a que se constitui das recitações alternadas que alguns personagens fazem. Essa seção, que vem logo após o solilóquio de Diceópolis, é formada pelos vv. 43-203.

Heliodoro, conforme o texto conservado por Σ Ac., afirma que 201 versos (στίχοι) do prólogo de Acarnenses são trímetros iâmbicos acatalécticos (x –  – x –  – x –  –). Na verdade, segundo a edição de Olson (2002), o prólogo tem 200 versos trímetros iâmbicos acatalécticos: vv. 1-42; vv. 44-60; vv. 62-122; e vv. 124-203. No prólogo da edição de Olson (2002), apenas os vv. 43, 61 e 123 não são trímetros iâmbicos acatalécticos, dois dos quais Heliodoro também analisou.

Para Heliodoro, o v. 43 é um kommation do v. 44. Nesse contexto, o termo kommation não se refere ao pequeno trecho inicial da parábase, como vemos em Σ Ac. 625; mas significa apenas “uma pequena oração” (BAILLY, 2000) ou “a menor sentença do cólon” (LSJ, 1996). Tanto na parábase quanto em outro contexto qualquer, o kommation é utilizado como uma espécie de introdução ao que se segue. Aqui, o v. 43 é um kommation do v. 44. Para Starkie (1909, p. lxxxi), o v. 43, se não estiver em prosa, é um monômetro iâmbico hipercataléctico.

Já o v. 123 – que na edição de Acarnenses usada por Heliodoro correspondia ao v. 121 – é classificado pelo metricista de pentemímere, ou seja, tem a sua cesura após a quinta posição (x –  – x |). No que diz respeito ao v. 61, Heliodoro não apresentou comentários. Mas ΣAld

Ac. classifica-o de heftemímere: que possui a cesura na sétima posição (x –  – x –  |). No

entanto, essa classificação só se aplica ao texto da Aldina, na qual temos (Ac. 61): οἱ παρὰ βασιλέως πρέσβεις (‘Os embaixadores do Rei’).

3.3.1.2 Substrato da colometria do párodo de Acarnenses (vv. 204-346)

Assim como o prólogo, o párodo de Acarnenses também foi colometricamente analisado por Heliodoro. Na comédia grega antiga, o párodo é a seção em que ocorre a entrada do coro com suas primeiras recitações e danças. Em Acarnenses, o párodo é formado pelos vv. 204-346. São 143 versos contendo várias subseções, das quais a grande maioria foi analisada por Heliodoro.

Ac. 204-33 é o primeiro trecho do párodo analisado por Heliodoro. As considerações de

Heliodoro acerca desses trinta versos foram preservadas pelos escoliastas que comentaram Ac. 204. Eis as palavras de Heliodoro preservadas por Σ Ac. 204:

κορωνίς. εἰσέρχεται γὰρ ὁ χορὸς διώκων τὸν Ἀμφίθεον, καὶ ἔστι μεταβολικὸν μέλος ἐκ δύο μονάδων μονοστροφικῶν, ὧν ἡ μὲν πρώτη ιδ΄ κώλων ἔχει τὰς περιόδους· ὧν δ΄ μὲν ἐν εἰσθέσει εἰσὶ τροχαϊκαὶ καὶ καταληκτικαὶ τετράμετροι. εἶτα ἐν ἐκθέσει κῶλα παιωνικὰ ἕνδεκα κρητικοῖς ἐπιμεμιγμένα, καὶ τὸ ς΄ καὶ τὸ ὄγδοον καὶ δέκατον δίρρυθμα, τὰ δ᾿ ἄλλα τρίρρυθμα.

Há uma corônis. Pois o coro entra perseguindo Anfíteo e há um canto coral variável de duas unidades monostróficas. A primeira delas, certamente, contém os períodos, os catorze cólons, dos quais quatro, na introdução, são tetrâmetros trocaicos e catalécticos. Depois, na exposição, há onze cólons de peônicos misturados com créticos; tanto o sexto quanto o oitavo e o décimo são de dois compassos, mas os demais são de três compassos [sic].

Antes de qualquer análise, Heliodoro marca o início do párodo com uma corônis, um sinal crítico, que nos escólios de Acarnenses marca a entrada ou o reaparecimento dos atores e do coro em cena. A corônis foi usada diversas vezes por Heliodoro (cf. Σ Ac. 204, 242, 719, 836, 860, 971, 1143 e 1174).

Depois de utilizar a corônis, o metricista afirma que a entrada do coro, perseguindo Anfíteo, acontece acompanhada por um canto coral, que ele assevera ser composto de duas monóstrofes: a estrofe (vv. 204-18) e a antístrofe (vv. 219-33). Como essas monóstrofes são metricamente iguais, Heliodoro só comenta os cólons da primeira. Essa postura se repete ao longo de toda a colometria de Acarnenses. Raramente, o metricista apresenta comentários para uma estrofe e sua antístrofe. Ele só o faz quando algum detalhe diferencia uma da outra.

Para Heliodoro, na primeira monóstrofe do párodo de Acarnenses (vv. 204-18), existem quatorze cólons (κῶλα), que não devem ser confundidos com versos (στίχοι). Os quatro

primeiros cólons da introdução (vv. 204-7), que formam o epirrema dessa estrofe, foram corretamente classificados de tetrâmetros trocaicos catalécticos. O esquema abaixo mostra a exatidão da análise de Heliodoro:

(1) τῇδε πᾶς ἕπου, δίωκε, καὶ τὸν ἄνδρα πυνθάνου –  –  –  –  –  –  –  – | 4tr^ (2) τῶν ὁδοιπόρων ἁπάντων· τῇ πόλει γὰρ ἄξιον 205 –  –  –  – – –  –  –  – | 4tr^ (3) ξυλλαβεῖν τὸν ἄνδρα τοῦτον. ἀλλά μοι μηνύσατε, –  –  –  –  –  – – –   4tr^ (4) εἴ τις οἶδ᾽ ὅποι τέτραπται γῆς ὁ τὰς σπονδὰς φέρων. –  –  –  – – –  – – –  – | 4tr^

Ainda de acordo com Heliodoro (apud Σ Ac. 204), os demais cólons da estrofe (vv. 208- 18) compõem a sua exposição. Trata-se da ode dessa primeira estrofe do párodo de

Acarnenses. O metricista assevera com bastante exatidão que essa ode contém onze cólons

peônicos (–  ) misturados com créticos (–  –). Por outro lado, afirmar que o sexto cólon (v. 213), o oitavo (v. 215) e o décimo (v. 217) são de dois compassos parece ser um equívoco. Afinal os onze cólons a que se refere o metricista só contêm vinte e cinco compassos, e não vinte e sete, como é sugerido. Não é possível verificar tais detalhes métricos no texto de Ac. 208-18 encontrado na edição de Olson (2002). Observe-se o esquema abaixo:

(1) ἐκπέφευγ᾽ οἴχεται φροῦδος. οἴ- –  – –  – –  – |35 3cr (2) μοι τάλας τῶν ἐτῶν τῶν ἐμῶν. –  – –  – –  – | 3cr 210 (3) οὐκ ἂν ἐπ᾽ ἐμῆς γε νεότητος, ὅτ᾽ ἐ- –   –   –   | 3p (4) γὼ φέρων ἀνθράκων φορτίον –  – –  – –  – | 3cr (5) ἠκολούθουν Φαΰλλῳ τρέχων, –  – –  – –  – | 3cr (6) ὧδε φαύλως ἂν ὁ –  – –  – | 2cr 215 (7) σπονδοφόρος οὗτος ὑπ᾽ ἐμοῦ τότε δι- –   –   –   | 3p (8) ωκόμενος ἐξέφυγεν –   –   | 2p (9) οὐδ᾽ ἂν ἐλαφρῶς ἂν ἀπεπλίξατο. –   –   –   | 3p (10) ? (11) ?

35 Com poucas exceções, nos esquemas métricos apresentados ao longo deste tópico (3.3), cada linha contém um só cólon, cujo final foi sinalizado com uma barra vertical (|).

Como se pode notar, com base na edição de Olson (2002), não é possível asseverar que as linhas 6, 8 e 10 têm dois compassos e as demais linhas, três. Isso faria com que a ode em questão tivesse apenas nove cólons, e não onze.

Diante dessa realidade, devemos ter cautela no momento de fazermos um juízo de valor acerca da obra de Heliodoro. Pois é possível que o problema não esteja em sua obra, mas no trabalho do escoliasta. É provável que Σ Ac. 204 tenha cometido um lapso simples no processo de transcrição do comentário de Heliodoro: inverteu a posição das palavras δίρρυθμα (‘dois compassos’) e τρίρρυθμα (‘três compassos’).

Thiemann (1869) estava tão convencido desse erro do escoliasta que trocou a possição de tais palavras na sua edição da Colometria de Aristófanes. Quando se inverte a posição dessas duas palavras, chega-se a uma análise colométrica possível de ser verificada nas edições disponíveis de Acarnenses. Obervemos o esquema abaixo, fundamentado na edição de Olson (2002): (1) ἐκπέφευγ᾽ οἴχεται –  – –  – | 2cr (2) φροῦδος. οἴμοι τάλας –  – –  – | 2cr (3) τῶν ἐτῶν τῶν ἐμῶν. –  – –  – | 2cr 210 (4) οὐκ ἂν ἐπ᾽ ἐμῆς γε νεό- –   –   | 2p (5) τητος, ὅτ᾽ ἐγὼ φέρων –   –  – | p cr (6) ἀνθράκων φορτίον ἠκολού- –  – –   –  – | 3cr (7) θουν Φαΰλλῳ τρέχων, –  – –  – | 2cr (8) ὧδε φαύλως ἂν ὁ σπονδοφόρος –  – –  – –   | 2cr p 215 (9) οὗτος ὑπ᾽ ἐμοῦ τότε δι –   –   | 2p (10) ωκόμενος ἐξέφυγεν οὐδ᾽ ἂν ἐλα- –   –   –   | 3p (11) φρῶς ἂν ἀπεπλίξατο. –   –   | p cr

Agora, sim, é possível verificar que o sexto cólon (linha 6), o oitavo (linha 8) e o décimo (linha 10) têm três compassos e que os demais (linhas 1-5, 7, 9 e 11) têm apenas dois compassos. É plausível acreditar que, de fato, houve um erro de transcrição por parte do escoliasta que comentou Ac. 204.

Como já antecipamos, Heliodoro ou, pelo menos, os escoliastas que preservaram seus comentários não analisavam os trechos que tinham seus correspondentes já analisados. Ou seja, a análise métrica de um epirrema dispensava a do antepirrema, a de uma ode desobrigava a da antode, etc. Por esse motivo, os escólios de Acarnenses não contêm a

colometria dos vv. 219-33, que são antepirrema (vv. 219-22) e antode (vv. 223-33) do

epirrema (vv. 204-7) e ode (vv. 208-18) cujos comentários métricos acabamos de apresentar.

Os vv. 234-41 compõem o primeiro trecho de Acarnenses que não teve seus comentários colométricos preservados pelos escoliastas dessa comédia. Esse excerto do párodo contém duas partes correspondentes: vv. 234-7 ~ vv. 238-41. Quase todos os versos desse trecho são tetrâmetros trocaicos catalécticos (–  – x –  – x –  – x –  – ), que

dispensam comentários, devido à simplicidade métrica. As exceções são os vv. 237 e 241, que são extramétricos. Starkie (1909, p. lxxxi) acredita que esses dois versos estão em prosa.

A não preservação da colometria desse trecho do párodo de Acarnenses se deve possivelmente ao fato de ele conter dois versos extramétricos e seis com métrica bastante simples.

Ac. 242-62 é o próximo trecho do párodo de Acarnenses a ter sua análise colométrica

preservada nos escólios de Acarnenses. O comentário de Heliodoro acerca desses versos foi conservado por Σ Ac. 242. Eis o texto conservado pelo referido escoliasta:

διπλῆ δὲ μετὰ κορωνίδος, ὅτι εἰσίασιν οἱ ὑποκριταὶ, καὶ εἰσὶν ἰαμβεῖα.

Há uma diple com uma corônis, porque os atores entram e os [versos] são iâmbicos.

Como se pode ler, antes de analisar o trecho em questão, Heliodoro sinaliza-o com duas marcas críticas: a diple e a corônis. Mostramos há pouco que, nos escólios de Acarnenses, a corônis marca a entrada ou o reaparecimento dos atores e do coro em cena. A diple (), por sua vez, é um sinal crítico que ressalta alguma observação em relação à encenação ou ao tipo de metro do verso. Heliodoro fez uso de várias diples na sua Colometria de Acarnenses (cf. Σ

Ac. 263, 284, 336, 347, 358, 490, 566, 659, 665-6, 929-30, 948, 952 e 1214).

Depois de sinalizar o trecho comentado com a diple e a corônis, Heliodoro apresenta a classificação dos vv. 242-62. De maneira bastante objetiva e precisa, o metricista afirma que esses versos são iâmbicos. A diple junto de Ac. 242 está ressaltando a mudança dos versos trocaicos e extramétricos (vv. 234-41) para os iâmbicos. Ac. 242-62 contêm vinte e um trímetros iâmbicos acatalécticos (x –  – x –  – x –  –).

Na sequência do párodo de Acarnenses, vem o canto fálico (vv. 263-79) entoado por Diceópolis. Coube aos escoliastas que comentaram Ac. 263 e 274 a tarefa de preservar a análise métrica que Heliodoro fez sobre o tal canto. Σ Ac. 263 conservou a primeira parte da explicação do metricista acerca do referido grupo de cólons:

διπλῆ καὶ μέλος, οὗ ἡγεῖται περίοδος. ἡ περικοπὴ κώλων ιζ΄ τοῦ ὑποκριτοῦ, ἧς πρῶτα μέν εἰσιν η΄. ἐν εἰσθέσει ἰαμβικὰ δίμετρα ἀκατάληκτα μὲν β΄, τὸ δὲ γ΄ καταληκτικόν. τὰ δὲ ἄλλα ε΄ καταληκτικά.

Há uma diple e um canto rítmico, ao qual o período comanda. A perícope contém dezessete cólons do ator, cujos principais, certamente, são oito. Na introdução, enquanto os dois [primeiros cólons] são dímetros iâmbicos acatalécticos, o terceiro é cataléctico. Os outros cinco também são catalécticos [sic].

Nessa primeira parte do comentário, Heliodoro usa a diple para indicar o começo do canto fálico, que tem cólons com compassos específicos. Em seguida, o metricista faz referência a uma περικοπή (‘perícope’), que na colometria grega é um sistema de estrofes desiguais. A referida perícope é formada por duas estrofes desiguais: o canto fálico entoado por Diceópolis (vv. 263-79) e a recitação do coro (vv. 280-3).

Para Heliodoro, dos dezessete cólons do canto fálico, os oito primeiros (vv. 263-70) são os mais importantes. Ainda segundo a sua análise, os vv. 263-4 são dímetros iâmbicos acatalécticos e o v. 265, cataléctico. A exatidão da análise desses três cólons pode ser comprovada no esquema abaixo:

(1) Φαλῆς, ἑταῖρε Βακχίου,  –  –  –  – | 2ia (2) ξύγκωμε νυκτοπεριπλάνη- – –  –    – | 2ia

(3) τε μοιχὲ παιδεραστά,  –  –  –  | 2ia^ 265 De acordo com o texto preservado por Σ Ac. 263, Heliodoro afirma que os outros cinco cólons da introdução do canto fálico (vv. 266-70) são dímetros iâmbicos catalécticos. Essa classificação, contudo, está equivocada. Na verdade, tais cólons são acatalécticos, e não catalécticos, o que pode ser comprovado no seguinte esquema:

(4) ἕκτῳ σ᾽ ἔτει προσεῖπον εἰς – –  –  –  – | 2ia (5) τὸν δῆμον ἐλθὼν ἄσμενος, – –  – – –  – | 2ia (6) σπονδὰς ποιησάμενος ἐμαυ- – –  –    – | 2ia (7) τῷ, πραγμάτων τε καὶ μαχῶν – –  –  –  – | 2ia

(8) καὶ Λαμάχων ἀπαλλαγείς. – –  –  –  – | 2ia 270 Não é fácil crer que Heliodoro tenha cometido esse erro colométrico tão elementar. É mais fácil acreditar que o equívoco tenha vindo do escoliasta. Não é incoerente imaginar que Σ Ac. 263, por distração, tenha deixado de copiar o alfa (α) de ἀκαταληκτικά (‘acatalécticos’). Já vimos antes que Σ Ac. 204 pode ter cometido um equívoco maior, invertendo a posição das palavras δίρρυθμα (‘dois compassos’) e τρίρρυθμα (‘três compassos’).

O restante do comentário colométrico de Heliodoro sobre o canto fálico (Ac. 263-79) foi preservado por Σ Ac. 274. Heliodoro, de acordo com o texto preservado pelo escoliasta, escreveu o seguinte:

ἐν εἰσθέσει κῶλα τρία ἰσάριθμα, ὧν τὰ δύο ἰαμβικὰ δίμετρα, τὸ δὲ ἓν μονόμετρον. Na introdução, três cólons têm o mesmo compasso, dois dos quais são dímetros iâmbicos e um é monométrico.

Nessa segunda parte do comentário de Ac. 263-79, Heliodoro examina especificamente os vv. 274-6. De acordo com sua opinião, esses três cólons foram todos escritos com o mesmo compasso: o iâmbico (x –  –). Os vv. 274-5 são dois dímetros iâmbicos ou, como preferia Dindorf (1842, p. 327), um tetrâmetro acataléctico; mas o v. 276 é um monômetro iâmbico. No esquema abaixo, podemos verificar a precisão dessa análise do metricista:

(1) μέσην λαβόντ᾽ ἄραντα κατα-  –  –  –   2ia

(2) βαλόντα καταγιγαρτίσαι.  –    –  – 2ia 275

(3) Φάλης Φάλης.  –  – ia

Com esse comentário preservado por Σ Ac. 274, Heliodoro encerra sua análise acerca do canto fálico entoado por Diceópolis (vv. 263-79), que é a primeira estrofe da perícope mencionada em Σ Ac. 263.

Em relação à segunda estrofe da perícope em análise, isto é, a recitação do coro em Ac. 280-3, os escoliastas não conservaram os comentários métricos de Heliodoro. Restou apenas a inferência que já mostramos em Σ Ac. 263: ἡ περικοπὴ κώλων ιζ΄ τοῦ ὑποκριτοῦ (‘A perícope contém dezessete cólons do ator’). A menção da perícope remete à existência de uma estrofe metricamente distinta do canto fálico, que no caso é a recitação feita pelo coro nos vv. 280-3 (WHITE, 1912, p. 89, § 234).

O próximo trecho do párodo de Acarnenses a ter efetivamente conservada a sua colometria é formado pelos vv. 284-302. Tais versos compõem a segunda ode do párodo. A explicação métrica de Heliodoro sobre Ac. 284-302 foi preservada por Σ Ac. 284, que diz:

διπλῆ, εἶτα ἕπεται δυὰς μονοστροφικὴ ἀμοιβαία τὰς περιόδους ἔχουσα δεκακώλους ἐκ στίχων δύο τροχαϊκῶν τετραμέτρων καταληκτικῶν, καὶ κώλων η΄, ὧν τοὺς μὲν στίχους ὁ ὑποκριτὴς λέγει, τὰ δὲ κῶλα ὁ χορός. πρῶτος τοίνυν ἐστὶν ἐν ἐκθέσει κατὰ τὸ ἴσον τοῖς χορικοῖς, ἃ ποιεῖ δοχμὸν συζυγίαν καὶ παίωνας τρεῖς καὶ διαίρεσιν. τῷ δὲ δικώλῳ τούτῳ τὸ μὲν πρῶτόν ἐστιν “ἀπολεῖς ἄρα τὸν ἥλικα τόνδε φιλανθρακέα.” τὸ δὲ τῆς δευτέρας “οὑτοιί σοι χαμαί”. ἕπεται δὲ τοῖς δυσὶ κώλοις στίχος τροχαῖος ὅδε “ἀντὶ ποίας αἰτίας”. καὶ ἐν εἰσθέσει τὰ λοιπὰ κῶλα ς΄ παιωνικὰ δίρρυθμα. Há uma diple, depois segue-se um par monóstrofico alternado que contém os períodos – dez cólons – com dois versos tetrâmetros trocaicos catalécticos e ainda oito cólons, dos quais o ator recita os versos e o coro, os cólons. Primeiro, certamente, existe na exposição abaixo a [monóstrofe] idêntica a estes cólons do

coro, os quais formam um par defeituoso, três péans e uma diérese. O início [da

antode coral], por um lado, está nestes dois cólons: “Então matarás este

companheiro, este amigo dos carvoeiros?” (Ac. 336). Por outro lado, o da segunda [monóstrofe da antode] é: “Estão aí no chão, junto a ti.” (Ac. 342). Este verso troqueu segue-se aos dois cólons [do começo da ode]: “Por qual motivo...” (Ac. 286). Ainda na introdução [da ode], os seis cólons restantes são peônicos de dois compassos.

Como se pode notar, Heliodoro primeiramente sinaliza a segunda ode do párodo de

Acarnenses com uma diple, indicando que seus versos (στίχοι) e cólons (κῶλα) têm

características métricas específicas. Em seguida, afirma que ela tem duas monóstrofes alternadas: a estrofe (vv. 284-92) e sua antístrofe (vv. 293-302). Ele as classifica de alternadas porque nelas obviamente se alternam as recitações de Diceópolis e do coro.

Para Heliodoro, a estrofe (vv. 284-92) dessa ode é constituída de dez cólons, dois dos quais são versos (στίχοι) tetrâmetros trocaicos catalécticos: vv. 284 e 286, que são recitados por Diceópolis. Os demais cólons (vv. 285, 287-92) são recitados pelo coro. Ainda segundo o metricista, após o v. 286, os seis cólons recitados pelo coro (vv. 287-92) são peônicos de dois compassos. A exatidão dessa análise pode ser conferida no esquema métrico abaixo:

(1) Δι. Ἡράκλεις. τουτὶ τί ἐστι; τὴν χύτραν συντρίψετε. –  – – –  –  –  – – –  4tr^ (2) Χο. σὲ μὲν οὖν καταλεύσομεν,  –  –  (3) ὦ μιαρὰ κεφαλή. –  –  – 285 (4) Δι. ἀντὶ ποίας αἰτίας, ὦχαρνέων γεραίτατοι; –  – – –  – – –  –  –  – | 4tr^ (5) Χο. τοῦτ᾽ ἐρωτᾷς; ἀναί- –  – –  – 2cr (6) σχυντος εἶ καὶ βδελυρὸς, –  – –   cr p (7) ὦ προδότα τῆς πατρίδος, –   –   2p (8) ὅστις ἡμῶν μόνος –  – –  – | 2cr 290 (9) σπεισάμενος εἶτα δύ- –   –   2p (10) νασαι πρὸς ἔμ᾽ ἀποβλέπειν. –   –  – | p cr

Como se vê, de fato, a primeira monóstrofe dessa ode possui dez cólons (linhas 1-10). Também está nítido que os dois versos recitados por Diceópolis (linhas 1 e 4) são tetrâmetros trocaicos catalécticos e que os vv. 287-92 são seis cólons peônicos de dois compassos (linhas 5-10), nos quais vemos metros créticos (–  –) e peônicos (–  ), que são metricamente equivalentes.

Ainda segundo Σ Ac. 284, Heliodoro também apresenta algumas informações sobre a antístrofe (vv. 293-302) da segunda ode do párodo de Acarnenses. Na opinião do metricista, a

primeira monóstrofe (vv. 284-92) dessa ode corresponde à sua introdução; enquanto a segunda (vv. 293-302), que é a antístrofe da primeira, equivale à exposição36. Para ele, os cólons dessa antístrofe formam um par defeituoso (δοχμὸν συζυγίαν37) com os da estrofe. De fato, metricamente, a estrofe (vv. 284-92) e a antístrofe (vv. 293-302) da segunda ode do párodo de Acarnenses não formam um par perfeito. Existe uma correspondência perfeita entre todos os versos das duas, exceto entre o v. 285 e o v. 295. Enquanto aquele apresenta uma pentapodia anapéstica, este, como enfatizou Heliodoro (apud Σ Ac. 284), tem três péans e uma diérese, que na métrica grega antiga é o fim de palavra no final de um metro. O esquema abaixo mostra a diferença métrica entre esses dois cólons:

(1) σὲ μὲν οὖν καταλεύσομεν, ὦ μιαρὰ κεφαλή. 285  –  – –  –  – |

σοῦ γ᾽ ἀκούσωμεν; ἀπολεῖ. κατά σε 295 –  – –   –   cr 2p

Como se pode notar, o v. 295 (linha 2) realmente contém três péans (–  ), sendo que o primeiro deles, por ter uma longa resolvida, equivale a um crético (–  –). A diérese desse cólon também é bastante evidente: o pronome σε (‘te’) coincide exatamente com o final do último péan.

Ainda de acordo com Σ Ac. 284, depois de apresentar essas informações sobre a segunda ode (vv. 284-302) do párodo de Acarnenses, Heliodoro faz dois apontamentos básicos sobre a sua antode (vv. 335-46). No primeiro, ele destaca os dois cólons que iniciam a recitação do coro (vv. 336, 338-40) na primeira monóstrofe dessa antode: ἀπολεῖς ἄρα τὸν ἥλικα τόνδε φιλανθρακέα38 (‘Então matarás este companheiro, este amigo dos carvoeiros?’:

Ac. 336). No segundo, Heliodoro aponta o começo da segunda monóstrofe da antode: οὑτοιί

σοι χαμαί (‘Estão aí no chão, junto a ti’: Ac. 342), que é antístrofe da primeira.

Deve-se admitir que a compilação que Σ Ac. 284 fez do comentário de Heliodoro ficou confusa. Contudo, com alguma atenção é possível perceber que estão sendo analisadas a segunda ode (vv. 284-302) do párodo de Acarnenses e sua antode (vv. 335-46).

36 Em relação à colometria, εἰσθέσει (‘introdução’) é o nome dado ao conjunto de cólons recitado pelo coro em meia evolução: movimento, por exemplo, da direita para a esquerda. Já ἐκθέσει (‘exposição’) é a recitação da outra meia evolução: movimento na direção contrária, da esquerda para a direita. O movimento completo do coro, de um lado para o outro, é composto pela introdução e exposição.

37 Em relação à colometria grega, o sintagma δοχμὸν συζυγία geralmente é traduzido como ‘dipodia docmíaca’. Contudo, no presente contexto, traduzir esse sintagma assim resultaria em equívocos colométricos. Por tal motivo, preferimos traduzir cada termo com um dos seus sentidos primários, já que δοχμός e συζυγία também significam respectivamente ‘oblíquo, tortuoso, defeituoso’ – como pode ser constatado na Ilíada (12.148), em Teócrito (Idílio 22.120), Eurípides (Orestes 1261; Alcestes 575) e no Reso (372) – e ‘dipodia, par’.

Na sequência, a colometria de Acarnenses escrita por Heliodoro passa a comentar os vv. 303-334. As observações métricas de Heliodoro acerca do mencionado excerto foram preservadas por Σ Ac. 303, que diz:

ἕπεται τῇ δυάδι δίστιχον, ὃ τοῖς μέλεσιν ἐξ ἔθους ὑπάγουσιν, ὅπερ ἐστὶ τετράμετρον τροχαϊκὸν καταληκτικόν.

A este par [monostrófico] segue-se um dístico, que eles conduzem com os cantos rítmicos habituais e que certamente é tetrâmetro trocaico cataléctico.

De acordo com esse breve comentário, Heliodoro afirma que depois das duas monóstrofes da segunda ode do párodo segue-se um dístico (Ac. 303-4) que faz parte e se liga, melódica e metricamente, à sequência de 10 estrofes com dois versos (Ac. 303-22), nas quais se alternam as falas de Diceópolis e do coro. Por esse motivo, diversas edições de Acarnenses (HALL; GELDART, 1906; COULON, 1958; OLSON, 2002) separam esses dois versos dos cinco anteriores.

Ainda de acordo com Σ Ac. 303, Heliodoro destaca que os vv. 303-34, situados entre a segunda ode e a segunda antode do párodo, formam um canto rítmico totalmente composto de versos tetrâmetros trocaicos catalécticos (–  – x –  – x –  – x –  – ). Tais versos

constituem o segundo epirrema (vv. 303-18) do párodo de Acarnenses e seu antepirrema (vv. 319-34).

O próximo trecho comentado por Heliodoro, em sua Colometria de Aristófanes, é Ac.

In document 19-00940 (sider 25-28)