O retorno dos resultados aos sujeitos será feito logo após defesa deste trabalho através do jornal da cidade, este vai ser distribuído com informações sobre os dados de cada USF, para com isso sensibilizar a população quanto à importância da prevenção para a diminuição das Infecções e DST’s, e para mostrar também a importância de se procurar ajuda profissional nas USF’s para realização do exame de Papanicolau.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apresentados neste trabalho foram obtidos a partir dos livros de registros dos resultados dos exames de Papanicolau, das Unidades de Saúde da Família Vila Rica e Campina município de Arenápolis - MT, no período de Janeiro de 2009 a Junho de 2011. Foram pesquisadas as faixas etárias entre 25 e 60 anos cuja realização do exame é preconizada pelo ministério da saúde. Toda mulher deve realizar o referido exame a partir do início da sua atividade sexual como forma de prevenção do Câncer de colo do útero e detecção de outras Patologias (DST’s e Infecções) que tratadas no início diminuem o risco de complicações.
TABELA 01. Distribuição e Percentual de Microorganismos detectados através dos Exames de Colpocitologia Oncótica realizados na USF Vila Rica no município de Arenápolis entre a faixa etária 25 a 60 anos, entre os anos de Janeiro/2009 à Junho/2011.
Frequência
Faixa Etária 25 a 31 32 a 38 39 a 45 46 a 52 53 a 60 Resultados %
Microoganismos Gardnerellavaginalis 10 03 14 12 07 46 20,35 Trichomonasvaginalis 01 00 01 01 00 03 1,32 Cândida albicans 01 00 01 01 00 03 1,32 Bacilos de dordelein 58 32 55 39 34 218 96,46 Cocos 04 04 02 00 04 14 6,19 HPV 00 00 00 00 00 00 00 Inflamação 40 21 34 25 29 149 65,92 NDA 00 00 01 00 00 01 0,44 Total de Exames 59 33 57 39 38 226
TABELA 02. Distribuição e Percentual de Microorganismos detectados através dos Exames de Colpocitologia Oncótica realizados na USF Campina no município de Arenápolis entre a faixa etária de 25 a 60 anos, entre os anos de Janeiro/2009 à Junho/2011.
Frequência
Faixa Etária 25 a 31 32 a 38 39 a 45 46 a 52 53 a 60 Resultados %
Microorganismos Gardnerellavaginalis 13 12 12 11 16 64 28,31 Trichomonasvaginalis 00 01 04 00 00 05 2,21 Cândida albicans 00 00 00 00 00 00 00 Bacilos de dordelein 39 45 55 38 39 216 95,57 Cocos 00 01 02 01 01 05 2,21
31
HPV 00 00 00 00 00 00 00
Inflamação 29 34 29 19 32 143 63,27
NDA 00 00 00 00 00 00 00
TOTAL 39 46 57 40 44 226
Foram verificados 452 resultados de exames CCO nas duas Unidades de Saúde pesquisadas, os quais foram tabulados e calculados os percentuais relativos a descrição dos mesmos.
Tabela 01 - Na Unidade de Saúde Vila Rica foram observados os seguintes resultados: Bacilos de Doderlein (96,46%), inflamação (65,92%), Gardnerellavaginalis (20,35%),Cocos (6,19%), Cândida albicans e Trichomonasvaginalis(1,32%) e em (0,44%) dos exames foram negativos, nenhum dos exames realizados nessa faixa etária teve como resultado o HPV, objetivo do CCO. Mas pode ser observado também que DSTscomo aTricomoníase não apareceram em grande quantidade.
Tabela 02 – Correspondente a Unidade de Saúde Campina foram observados os seguintes resultados: Bacilos de Doderlein (95,57%), inflamação (63,27%), Gardnerellavaginalis (28,31%), Cocos (2,21%), Cândida albicans (0%) e Trichomonasvaginalis(2,21%) e nenhum dos exames foram negativos e não apresentaram resultados de HPV nestas faixas etárias entre esses anos. Mas pode ser observado também que DSTs como a Tricomoníase teve uma percentual maior que o da tabela 01.
Segundo INCA 2006, o aparecimento de Bacilos de Doderlein no exame de Papanicolaué considerado normal, pois estes fazem parte da microbiota vaginal e não caracterizam infecções que necessitem de tratamento.Foram encontrados Bacilos de Doderleinem (96,01%) dos exames, a presença destes microrganismos propicia uma acidez adequada (pH 4,5) do ambiente vaginal, dificultando a proliferação da maioria dos patógenos. Embora a presença dos lactobacilos seja considerada normal, as queixas ginecológicas devem ser consideradas.
As queixas ginecológicas não só devem ser valorizadas, mas solucionadas, considerando que os laudos do exame citológico, na maioria das vezes, mencionam agentes microbiológicos,que quando associados às queixas clínicas merecem tratamento específico(INCA, 2006,p26).
A mulher pode reclamar de corrimentos vaginais, pruridos, algias em relação sexual ou mesmo na região da genitália ou outras manifestações à equipe de saúde deve saber lidar com estas situações buscando identificar e solucionar o problema da cliente, podendo usar recursos complementares ou encaminhar a mesma para serviços específicos.
A microbiologia vaginal é composta por ecossistema bastante complexo, sendo constituída por bactérias aeróbias e anaeróbias, porém com predomínio dos lactobacilos de Döderlein. Tais lactobacilos, em condições fisiológicas, produzem substâncias importantes para a manutenção do delicado equilíbrio microbiano e a manutenção do pH vaginal ácido, um dos fatores limitantes para a proliferação de outras bactérias. Portanto, conclui-se que a flora vaginal fisiológica constitui-se principalmente por lactobacilos, embora possam ser encontradas outras bactérias aeróbias e anaeróbias. Assim, o isolamento de bactérias em meios de cultura é destituído de valor na prática, se o resultado não for analisado em conjunto com a avaliação dos bacilos de Döderlein através da bacteriocopia com coloração pelo método de Gram (JACINTO, 2009).
Pelo que demostraram os exames de Papanicolau dasUSF’s a presença de Cocos foi de (4,20%) dos resultados encontrados. Mais conforme o INCA 2006, esses Cocos fazem parte da microbiota vaginal normal das mulheres, mas quando aparecem no exame de Papanicolau deve ter ocorrido um aumento nestes microrganismos. Mas se a mulher reclamar de algum incômodo deve ser solicitado um encaminhamento para serviço especializado.
Conforme o INCA 2006, quando no resultado do exame de CCO aparece inflamação, pode-se caracterizar presença de alterações celulares epiteliais, muitas vezes por agentes físicos podendo ser mecânicos, térmicos ou radiativos, e com medicamentos abrasivos ou cáusticos, quimioterápicos e acidez vaginal sobre o epitélio glandular. Nos exames realizados nas USF esse aparecimento de Inflamação teve uma percentagem de (64.60%) mostrando um elevado número de casos. Isso pode também vir a acontecer se a mulher estiverfazendo o uso de (DIU) um dispositivo intra-uterino que ocasiona alterações em células endometriais. Casos especiais do tipo de exsudato linfocitário ou reações alérgicas representadas pela presença de eosinófilos podem ser observados.A conduta para tratamento quando houver uma queixa da mulher deve seguir o rastreamento de prurido, leucorréia entre outros.
Mais conforme foi visto quando uma mulher tem os Bacilos de Dordelein, significa que a vagina está em equilíbrio normal, por se trata de um protetor vaginal contra outras agentes, mais fica uma dúvida e um questionamento porque um elevado
33 número no percentual da inflamação (64,60%) e na maioria dos exames os bacilos se apresentam em (96,01%), mais como esta sendo a proteção dos bacilos contra esses outros agentes infecções sobre a genitália feminina.
Quando apresentado o resultadopara Gardnerellavaginalis(24,33%) dos exames revelaramum aumento excessivo dessas bactérias, sabe-se que as mesmas fazem parte da flora vaginal normal, no entanto, quando o exame de Papanicolau mostra o aparecimento da Gardnerellavaginalisa mulherdeve ser encaminhada para realizar um tratamento com cremes vaginais para diminuição dos sintomas que costumam aparecer e que de certa forma incomodam a mulher. Segundo Brunner e Suddarth, 2009, o crescimento excessivo destas bactérias,já pode ser evidenciando no exame clínico pelo fato de apresentarem um odor semelhante a peixe, que também pode ser percebido no momento da relação sexual ou na menstruação.
Conforme Tortora, et al, 2005, o diagnóstico para infecção vaginal baseia-se em um pH acima de 4,5 e um corrimento espumante e abundante.
O protozoárioTrichomonasvaginalisfoi identificado em(1,76%) dos exames, a presença deste protozoário é caracterizada porum corrimento abundante, amarelo- esverdeado ou cinzento, odor de peixe muitas das vezes com edema e hiperemia da mucosa. Por se tratar de uma DST pode ser porta de entrada para outras doenças. Deve ser tratado o mais rápido possível e ambos parceiros devem ser tratados.
OTrichomonasvaginalis é um protozoário flagelado que causa uma vaginite comum, usualmente transmitida por via sexual, que, com frequência, é chamada de trich. Pode ser transmitida por um portador assintomático que aloja o organismo no trato urogenital. Pode aumentar o risco de HIV a partir de um parceiro infectado e desempenha algum papel no desenvolvimento da neoplasia cervical, infecções pós-operatórias, resultados adversos da gravidez, doença inflamatória pélvica (DIP) e infertilidade (BRUNNER E SUDDARTH, 2009, p.1408).
Segundo Tortora,et al, 2005, o diagnóstico de tricomoníase é feito pelo exame microscópico e identificação dos organismos presentes no corrimento. Esse patógeno
pode ser encontrado nos homens no sêmen ou na urina sendo uma porta de transmissão em relações sexuais.
As infecções por fungos como oCândidaalbicansapresentaram (0,66%) dos casos demonstrados nos exames de CCO nas faixas etárias de 25 a 60 anos, embora tenha-se observado uma prevalência baixa, deve-se levar em conta por ser um fungo de distribuição cosmopolitae que causa na mulher um incômodo diário.
Conforme Tortora, et al, 2005, as lesões da Cândida albicanscausam um prurido intenso, um corrimento espesso, amarelado (semelhante ao queijo), um odor de mofo ou nenhum odor. Trata-se de um patógeno oportunista e o seu tratamento pode ser através do uso de drogas antifúngicas.
Candidíase é uma micose de importância em saúde pública, incluída também como DST. São diversas as espécies já reconhecida como agentes causais, embora a mais bem estudada seja a C. albicans, já que é mais confirmado seu isolamento e sua identificação. As diferentes espécies, com características sutis ou maiores que as diferenciam, apresentam manifestações clínicas e micromorfologias similares, com flexibilidade para adaptar-se em diferentes sítios anatômicos que, dependendo de condições predisponentes do hospedeiro, podem causar ampla gama de danos ao paciente (BARBEDO E SGARBI,2010 p.34).
OPapilomavírus humano conhecido como HPV é o vírus causador de uma DST de grande relevância, caracterizada como a principal porta de entrada para o Câncer do Colo do Útero no mundo, e por este motivo o trabalho de prevenção desta patologia deve ser intenso principalmente nas USF’s ondese cria o primeiro contato direto com a população.O uso de preservativos nas relações sexuais é uma das maneiras de prevenção, mas não é seguro porque o vírus pode ser transmitido através do contato direto com a verruga e por este motivo toda pessoa que iniciou sua vida sexual deve ter orientações de como se prevenir não só desta patologia como de outros exemplos o HIV, Sífilis, Hepatites e até uma gravidez indesejada.
A infecção pelo HPV normalmente causa verrugas de tamanhos variáveis. No homem, é mais comum na cabeça do pênis (glande) e na região do ânus. Na mulher, os sintomas mais comuns surgem na vagina, vulva, região do ânus e colo do útero. As lesões também podem aparecer na boca e na garganta. Tanto o homem quanto a mulher podem estar infectados pelo vírus sem apresentar sintomas (MINISTÉRIO DA SAÚDE,2005).
35 No presente estudo o percentual encontrado para HPV foi de (0%), mostrando que nenhumas das mulheres apresentaramesse vírus, embora não tenham sido identificados exames positivos para HPV, observou-se um grande percentual de inflamações (64,60%)que podem influenciar na interpretação do exame.
Segundo o MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, em 95% dos casos com diagnóstico para o Câncer do Colo do Útero todos tem um envolvimento com o vírus do HPV, fazendo com que ele seja o maior vilão dessa patologia que leva muitas mulheres a retirada do útero ou até mesmo a morte. É o segundo câncer que mais atinge mulheres atualmente e a forma mais utilizada para a descoberta do mesmo é através do exame de Papanicolau periodicamente ou sempre que indicado. Mas, o Ministério também preconiza e ressalta que a presença de colpites, corrimentos ou colpocervicites podem alterar e comprometer a interpretação do exame de Papanicolau, quando são evidenciadas essas alterações, deve-se primeiro tratar a infecção ou DST para só depois realizar uma nova coleta.Muitas vezes a equipe colhe o exame para não perder a cliente e quando o exame vem com resultado positivo para alguma alteração o tratamento é realizado, logo após é feita uma nova coleta.Porém o que acontece em muitos casos não é o preconizado, onde a mulher faz o tratamento para a infecção ou DST e retorna para o próximo exame após um ano ou mais, escondendo muitas das vezes a sua real situação de diagnóstico, levando a uma falso-positivo, e não se tratando o que de fato deve ser cuidado.
O Papilomavírus Humano (HPV) é um DNA-vírus não cultivável do grupo papovavírus. Atualmente são conhecidos mais de 100 tipos, 20 dos quais podem infectar o trato genital. Estão divididos em 2 grupos, de acordo com seu potencialde oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico, quando associados a outros co-fatores, têm relação com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino, da vulva, da vagina e da região anal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, p 71).
De acordocom o INCA, 2009, aproximadamente o número de casos esperados para o câncer do colo do útero no Brasil em 2010 foi o de 18.430 casos, estimando 18 casos a cada 100 mil mulheres. No mundo tem uma estimativa de 500 mil novos casos a cada ano, sendo que destes números 230 mil desses casos levam a mulher a óbito, e isso é maior em países menos desenvolvidos. Hoje em dia o causador crucial para o câncer é o HPV mais ele não esta sozinho no desenvolvimento deste tumor vem acompanhado
com fatores como o tabagismo, multiplicidade de parceiros sexuais, uso de contraceptivos orais, multiparidade, baixa ingestão de vitaminas, iniciação sexual precoce e coinfecção por agentes infecciosos como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e Chlamydiatrachomatis.Se ocorrer um rastreamento entre as mulheres com faixa etária ente 25 a 65 anos esses números na mortalidade causada pelo Câncer pode ser em cerca de 80%, através de um método barato e disponível em rede pública que é o exame de Papanicolau.
O HPV deve ser tratado assim que diagnosticado e a mulher deve ser orientada a comunicar ao parceiro ou parceiros, para que se possa diminuir o risco de transmissão e de nova contaminação. A equipe de saúde deve fazer uma busca ao parceiro ou parceiros para realizarem o tratamento. Deve ser explicado também aos portadores da DST que esse vírus pode ficar incubado por anos sendo que a sua transmissão não necessariamente tenha sido através do parceiro atual, e deve ser orientado também que o seu reaparecimento muitas vezes pode ser normal ou nos casos em que a pessoa tem uma imunidade baixa, por isso deve-se fazer exames com maior frequência depois de descoberto o vírus, principalmente as mulheres que podem ter verrugas na parte interna do canal vaginal ou no colo do útero e isso só pode ser visualizado com o exame especular.
3.1 RESULTADOS DA ENTREVISTA REALIZADA COM OS ENFERMEIROS