1.5 PELING UNDER FYLLING
1.5.7.3 Eksempel på dimensjonering - Generelt
A análise de conteúdo (AC) é um conjunto de técnicas de análise de comunicações. Em seu livro, Bardin (2011) apresenta basicamente três grandes partes temáticas: a primeira, contando sobre a história da metodologia de análise de conteúdo; a segunda, cita três exemplos de aplicações práticas da AC pela análise de respostas a questões abertas, entrevistas de inquérito ou a comunicações em massa. A terceira e última parte, se refere ao método em si e suas subdivisões de etapa.
As diferentes fases da AC organizam-se em torno de três polos cronológicos: 1) a pré-análise;
2) a exploração do material;
3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
As etapas e seus desdobramentos são ilustrados de maneira estrutural na figura a seguir.
FIGURA 9 - Etapas da análise de dados qualitativa segundo Bardin.
Fonte: VOSGERAU et al., 2016.
Na pré- análise, a organização do material a ser analisado tem por objetivo torná- lo operacional, sistematizando as ideias preliminares. Essa organização também possui um protocolo de quatro etapas: a leitura flutuante (etapa a), na qual se estabelece o contato com os documentos coletados, e busca-se um entendimento do material que o pesquisador tem em seu poder para que então possa realizar a escolha dos documentos (etapa b), que consiste na delimitação do que será analisado; por meio dessa leitura também ocorre a formulação das hipóteses e dos objetivos (etapa c), como também a referenciação dos índices e elaboração de indicadores (etapa d), que envolve a determinação de indicadores por meio de recortes de texto nos documentos de análise (VOSGERAU et al., 2016).
Durante a pré-análise desta pesquisa, houve a preparação de todo o material a ser analisado, dessa maneira todas as entrevistas realizadas foram transcritas e relidas (leitura flutuante) para confirmar se todos os documentos (corpus) atendiam aos requisitos mencionados por Bardin (2011), como:
– Exaustividade e não-seletividade: não se pode deixar de fora qualquer um dos elementos por esta ou por aquela razão (dificuldade de acesso, impressão de não-interesse), que não possa ser justificável no plano do rigor;
– Representatividade: A análise pode efetuar-se em uma "amostra" desde que o material a isso se preste (a amostragem diz-se rigorosa se a amostra for uma parte representativa do universo inicial);
– Homogeneidade: os documentos retidos devem ser homogêneos, ou seja, devem obedecer a critérios precisos de escolha e não apresentar demasiada singularidade fora desses critérios de escolha;
– Pertinência: os documentos retidos devem ser adequados, enquanto fonte de informação, de modo a corresponderem ao objetivo que suscita a análise.
No caso dos documentos lidos, todo o corpus foi utilizado, não havendo necessidade de se realizar a análise por amostragem, pois todos os documentos são homogêneos e pertinentes.
Após as etapas “a” e “b” serem realizadas, a etapa “c” foi finalizada ao se definir o objetivo e se formular as hipóteses das análises. Essa etapa foi aplicada aos dois universos de análises presentes nesta pesquisa: as entrevistas com os profissionais de Ergonomia e; as entrevistas com os atores sociais da pesquisa piloto:
TABELA 4 - Objetivos e hipóteses da análise de dados da pesquisa, segundo metodologia de análise de conteúdo.
Universo analisado Objetivos Hipóteses
Entrevistas com profissionais de Ergonomia
Identificar através das falas dos participantes, quais tipos de ações ergonômicas são desenvolvidas em seus locais de trabalho e quais são suas visões sobre a certificação de gestão em Ergonomia.
– A maioria dos entrevistados seriam terceirizados (consultores) e não funcionários das empresas;
– A maioria atuaria em programas de ergonomia que atendem basicamente à NR-17 e seu manual de aplicação, como elaboração de AET;
– Os ergonomistas teriam uma visão muito positiva sobre uma possível certificação em gestão de Ergonomia. Entrevistas com
atores sociais da empresa
Identificar a opinião e percepção dos atores entrevistados sobre a certificação em Ergonomia conquistada pela empresa.
Os atores teriam opiniões positivas em relação à certificação em Ergonomia.
Fonte: AUTORA, 2016.
Na última etapa da pré-análise, a etapa “d”, a partir da definição dos objetivos, os indicadores foram definidos:
1. Programas bem estruturados: com maior número de ações e pontuações, o que pode indicar uma gestão de ergonomia bem estruturada;
2. Programas básicos: com menor números de ações ou menor pontuação, o que indicam gestões ainda pouco consolidadas;
3. Relação entre os programas bem estruturados X vínculo dos profissionais.
A exploração do material representa a segunda fase, que compreende a exploração do material com a definição de categorias (sistemas de codificação) e a identificação das unidades de registro (unidade de significação a codificar corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade base, visando à categorização e à frequência) e das unidades de contexto nos documentos (unidade de compreensão para codificar a unidade de registro que corresponde ao segmento da mensagem, a fim de compreender a significação exata da unidade de registro). Essa exploração do material é uma etapa importante, pois pode viabilizar ou não a riqueza das interpretações e inferências. É considerada a fase da descrição analítica, a qual diz respeito ao corpus submetido a um estudo detalhado, orientado pelas hipóteses e referenciais teóricos. Dessa forma, a codificação, a classificação e a categorização são elementos necessários nessa fase (VOSGERAU et al., 2016).
Para a etapa de análise de dados referente às entrevistas com profissionais de Ergonomia, as categorias e unidades de registro foram identificadas e codificadas. Foi possível identificar que dos 13 profissionais entrevistados, nem todos consideraram que suas atuações fazem parte de um programa de Ergonomia. Para esses casos, a análise feita em suas respostas foi uma análise qualitativa, assim como a análise dos dados coletados nas entrevistas com os atores sociais da Samsung.
A abordagem quantitativa fundamenta-se na "frequência" de aparição de certos elementos da mensagem. A abordagem não quantitativa, recorre a indicadores não frequenciais susceptíveis de permitir inferências; por exemplo, a "presença" (ou a "ausência"), pode constituir um índice tanto (ou mais) frutífero que a frequência de aparição (BARDIN, 2011).
A abordagem quantitativa e a qualitativa não têm o mesmo campo de ação. A primeira, obtém dados descritivos por meio de um método estatístico. Graças a um desconto sistemático, essa análise é mais objetiva, mais fiel e mais exata, visto que a observação é mais bem controlada. Sendo rígida, ela é, no entanto, útil nas fases de verificação das hipóteses (BARDIN, 2011).
A segunda corresponde a um procedimento mais intuitivo, mas também mais maleável e mais adaptável a índices não previstos ou à evolução das hipóteses. Esse tipo de análise, deve ser então utilizado nas fases de lançamento das hipóteses, já que permite sugerir
possíveis relações entre um índice da mensagem e uma ou mais variáveis do locutor (ou da situação de comunicação) (BARDIN, 2011).
Em contrapartida, para a maioria dos profissionais que considerou atuar em programas de Ergonomia, a análise dos dados foi feita pelas categorias e codificações, conforme apresentado na tabela 5.
Segundo Bardin (2011), a definição das unidades de registros, executam-se por meio de certos recortes no nível semântico, o “tema”, por exemplo, enquanto que outros se efetuam em um nível aparentemente linguístico, como por exemplo, a “palavra” ou a “frase”. A autora cita também outras unidades como personagens, documentos, objetos ou acontecimentos.
No caso desta pesquisa, as unidades de registro foram separadas de acordo com os temas mencionados pelos participantes em suas respostas. A noção de tema, largamente utilizada em análise temática, é característica da análise de conteúdo. Na verdade, o tema é a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura (BARDIN, 2011).
O tema é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas às questões
abertas, as entrevistas (não diretivas ou mais estruturadas) individuais ou de grupo, de inquérito ou de psicoterapia, os protocolos de testes, as reuniões de grupos, os psicodramas, as comunicações de massa, etc., podem ser, e são frequentemente, analisados tendo o tema por base (BARDIN, 2011).
De acordo com a metodologia AC, é necessário fazer a distinção entre a unidade de registo – o que se conta – e a regra de enumeração – o modo de contagem. Sabendo-se que a lista de referência, estabelecida a partir de um conjunto de textos, ou segundo uma norma, é "a", "b", "c", "d", "e", "f," é possível utilizar diversos tipos de enumerações (BARDIN, 2011):
– A presença (ou ausência): neste mesmo “texto”, estão presentes os elementos "a", "b", "c", "d" e "e", presença esta que pode ser significativa, funcionando nesse caso como um indicador. No entanto, a ausência de elementos (relativamente a uma certa provisão) pode, em alguns casos, veicular um sentido. Aqui, os elementos "c" e "f" estão ausentes. Com efeito, para certos tipos de mensagens, como para certos objetivos de análise, a ausência constitui a variável importante;
– A frequência: a frequência é a medida mais usada geralmente. Corresponde ao postulado (válido em certos casos e em outros não) seguinte: a importância de uma unidade de
registo aumenta com a frequência de aparição. Uma medida frequencial em que todas as aparições possuem o mesmo peso; postula que todos os elementos têm uma importância igual;
– A frequência ponderada: se supusermos que a aparição de determinado
elemento tem maior importância do que um outro, podemos recorrer a um sistema de ponderação. Por exemplo, se considerarmos que a aparição de "b" e "d" possui uma importância dupla de "a", "c" e "f", afetam-se todos os elementos com coeficientes, no momento da codificação. Obtém-se, por conseguinte, resultados diferentes daqueles que foram obtidos na medida de frequência não ponderada;
– A intensidade: a medida de intensidade com que cada elemento aparece, é indispensável na análise dos valores (ideológicos, tendências) e das atitudes. Para facilitar a avaliação do grau de intensidade a codificar, pode-se apoiar em critérios precisos: intensidade (semântica) do verbo, tempo do verbo (condicional, futuro, imperativo), advérbios de modo, adjetivos e atributos qualificativos;
– A direção: A ponderação da frequência traduz um caráter quantitativo (intensidade) ou qualitativo, a direção. A direção pode ser favorável, desfavorável ou neutra (eventualmente ambivalente), em um caso de um estudo de favoritismo/desfavoritismo;
– A ordem: a ordem de aparição das unidades de registo (por exemplo, em uma entrevista ou em um relato) pode ser o índice pertinente;
– A co-ocorrência: é a presença simultânea de duas ou mais unidades de registo, em uma unidade de contexto. Existem duas possibilidades para tomarmos uma decisão sobre a unidade de contexto.
Ao se analisar as unidades de registro identificadas na análise dos dados das entrevistas com os profissionais de Ergonomia, foi possível ponderar a aparição das unidades, visto que as mesmas não bastavam estar presentes ou ausentes, mas sim, apresentavam pesos diferentes para a análise.
TABELA 5 - Categorização e codificação das unidades de registro dos dados analisados.
Categoria Unidades de registro Codificação das unidades de registro a. Levantamento de
dados
1, Realizado de maneira superficial 2, Realizado de maneira elaborada b. Elaboração de
Análise da Situação de Trabalho (AST)
1, Realizada através de modelos próprios da empresa
2, Realizada Análise Ergonômica do Trabalho (AET), de acordo com metodologia Guerin/NR-17
Ações em gestão de Ergonomia
c. Melhorias ergonômicas
1, Proposição de melhorias, sem execução ou acompanhamento ou programa de ideias dos próprios operadores
2, Proposição e execução de melhorias, parceira com outras áreas
d. Acompanhamento das melhorias recomendadas
1, Quando solicitado
2, Faz parte da proposta de trabalho, é sempre feito
e. Validação das melhorias realizadas
1, Não
2, Sim, com participação dos operadores
f. Avaliação cinesiológica
1, Como requisito utilizado em exames admissionais
2, Como parte integrante da análise ou investigação de queixas
g. Tratamento fisioterápico
1, Ação pontual
2, Ação como parte de um programa h. Investigação de
queixas ambulatoriais
1, Realizada por profissional não qualificado ou de maneira simples (somente conversa em campo)
2, Realizada por profissional da Ergonomia ou área médica
i. Projetos de concepção
1, Não realizado
2, Realizado, em parceria com engenharia, fornecedores ou outras áreas
j. Treinamentos
1, Somente para os integrantes do comitê
2, Para todos os funcionários, frequentemente
k. Presença de comitê
1, Somente com alguns polos sociais da empresa
2, Com representantes de todos os polos sociais da empresa
l. Readaptação ou reabilitação profissional
1, Acompanhamento simples (somente conversa em campo, sem formulários ou fluxograma do processo)
2, Realizado de forma estruturada, em parceria com área médica
m. Suporte à perícias judiciais
0, Ausência 1, Presença
Fonte: AUTORA, 2016.
O uso das pontuações apresentadas na tabela acima será observado na tabela 7 no próximo capítulo.
A terceira e última fase da AC diz respeito ao tratamento dos resultados, inferência e interpretação. É nessa etapa que os resultados são tratados, é nela que ocorre a condensação e a ênfase das informações para análise, resultando nas interpretações inferenciais. É o momento de intuição, de análise reflexiva e crítica (VOSGERAU et al., 2016).
Essa etapa referente à tratativa e análise dos dados da pesquisa é apresentada a seguir, para que no capítulo seguinte, sejam discutidas as inferências observadas a partir dos resultados.
4 RESULTADOS DAS ENTREVISTAS E ESTUDO DE CASO EXPLORATÓRIO
Esse capítulo apresenta uma análise dos resultados encontrados tanto nas entrevistas com os profissionais ergonomistas, quanto no estudo de caso exploratório.