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1. TEORI

1.5 B EHANDLING AV VALUTA

Procurámos indagar junto dos actores educativos os processos através dos quais vivenciaram as mudanças quer as relacionadas com a flexibilidade curricular, quer as relacionadas com a introdução das TIC. Isto é, como se posicionavam em relação aos desafios que foram lançados, como os interpretaram e que efeitos eram visíveis nas aprendizagens dos alunos.

Como refere Andy Hargreaves (1998) “as pessoas estão sempre a querer que os professores mudem. Raramente isso foi tão verdadeiro como o tem sido nos últimos tempos. Como todos os momentos de crise económica, os tempos actuais de competitividade global estão a gerar um imenso pânico global sobre a maneira como estamos a preparar as gerações do futuro nos nossos países” (1998: 13). É, pois, muito provável que seja esta a razão pela qual só uma professora entrevistada referiu claramente que se sente bem na mudança e que gosta de ensaiar novas práticas pedagógicas (A1). Uma outra professora, não utilizadora, disse que a “actual reforma” representou um abanão em relação à paralisia em que se encontrava a escola (A6). Alguns dos professores dizem que já não se revêem no “sistema antigo”, isto é, sem o apoio dos serviços de informática e sem a “actual reforma”. Dizia um professor utilizador quando lhe foi perguntado o que aconteceria à escola sem a reforma:

“Aconteceria o que desde sempre aconteceu – o abandono precoce pela maioria dos alunos. A escola limitava-se a leccionar a alunos dentro de parâmetros normais para uma escolaridade básica” (A4).

Esta opinião é corroborada pelo Presidente do Conselho Executivo que afirma que o alargamento da escolaridade trouxe novos problemas à escola obrigando-a a “readaptar-se e a dar respostas, porque os alunos já não eram aqueles que estavam intrinsecamente motivados para estudar, eram todos” (B9). Como se pode observar, os professores manifestaram opiniões em relação ao “estado” da escola anterior à mudança. O sentimento que perpassou é de que o “sistema antigo” já não se coadunava com os problemas actuais da escola para os quais era urgente encontrar uma resposta.

Na generalidade, os professores consideraram que a mudança foi para melhor, que impregnou a escola de uma dinâmica diferente, que todos (alunos e professores e até os encarregados de educação) beneficiaram, embora se sentissem desorientados, expectantes e em fase de adaptação. Na opinião de uma professora não utilizadora “quando há uma inovação, a nossa classe tem um pouco a tendência para ser conservadora de início, e às vezes uns desmotivam os outros” (A6). Outra professora, identificada como adoptante, disse o seguinte:

“Quando se muda de escola para escola o professor tem que se adaptar dentro de uns determinados parâmetros mais ou menos iguais. Sinceramente nesta é tudo diferente e não me estou a adaptar” (A3).

A itinerância dos docentes portugueses permite-lhes identificar assim que chegam a uma nova escola, a sua cultura, havendo quase sempre aspectos comuns mínimos que permitem ao professor rapidamente adaptar-se ao novo ambiente com

maior ou menor facilidade. As mudanças foram também interpretadas pelos entrevistados em termos organizacionais. Por exemplo, disseram que o trabalho do Director de Turma ficou mais facilitado porque o liberta para o contacto com os alunos e Encarregados de Educação, bem como facilita o trabalho dos Conselhos de Turma, uma vez que a escola possuiu um programa informático que permite a gestão da assiduidade e das avaliações de alunos. Os professores destacaram a melhoria a nível das infra-estruturas e dos equipamentos, sendo disso exemplo a sala de informática (Infoteca) aberta durante os tempos lectivos. Na perspectiva de alguns dos entrevistados, esta é uma melhoria considerável em termos do que a escola pode oferecer aos seus alunos, dadas as características sócio-económicas do meio envolvente. Outro dos destaques foi para a presença de um computador na sala dos professores com ligação à Internet. Outra vantagem referida foi a de permitir a pesquisa na Internet em ambiente de sala de aula.

O Presidente do Conselho Executivo da escola da inevitabilidade das novas tecnologias de informação e comunicação nos dias de hoje e na Educação, quando afirma que

“O nosso objectivo é fazer com que a Educação de hoje não seja uma Educação em que se usem ferramentas de ontem mas também uma Educação em que se utilizem as ferramentas de hoje e essencialmente ferramentas que preparem os meninos para o amanhã, para o futuro. Isto porque as ferramentas de trabalho ao nível social não serão exactamente aquelas que se usaram no passado, serão outras mais eficientes e mais modernas. Por isso, é importante que a escola acompanhe não só esse ritmo, mas preveja e prepare, digamos, a integração social dessas formas, dessas novas tecnologias” (B9).

Na perspectiva da maioria dos professores entrevistados, a mudança permitiu que a escola se adaptasse às necessidades dos alunos. Estes processos deram visibilidade social à escola. Uma professora não adoptante afirmou que “esta escola é um achado e em lado nenhum encontramos o que temos aqui” (A8).

Segundo os entrevistados, estes processos de mudança começaram por iniciativa do Conselho Executivo da escola, acompanhado por um grupo de professores que, ao nível da sala de aula, procurou inovar e integrar as TIC no processo de ensino-aprendizagem. De acordo os entrevistados, foram os professores mais jovens que aderiram com maior facilidade à inovação e à introdução das TIC, sendo os mais resistentes os que estavam há mais tempo no sistema, apresentando maiores dificuldades e desconforto em relação à mudança. Os processos de adopção mencionados pelos professores foram sobretudo a auto-formação e a aprendizagem informal, isto é, o apoio de colegas mais experientes. Uma professora identificou os professores de Matemática e de Física como os primeiros a aderir. Outros ainda referiram que quem as acolheu em primeiro lugar foram os alunos e que terão sido eles que motivaram os professores. No entanto, a inovação implicou quebrar rotinas e motivar pessoas para o que foi necessário formação e empenho.

Quando os professores foram indagados directamente sobre o impacte que as mudanças tiveram nos alunos com maior ou menor sucesso nas suas aprendizagens, duas professoras referiram que os alunos com mais dificuldades continuam em desvantagem e que isso é fruto do meio sócio-económico e cultural, inferindo que basta que os alunos não tenham computador em casa para que o impacte seja diferente (A1 e

A3). A associação entre as dificuldades de aprendizagem e o nível sócio-económico dos alunos foi referida com alguma frequência. Diz uma professora não utilizadora chegou a afirmar que “os [alunos] que têm mais capacidade querem sempre mais e os que têm menos, têm menos capacidade, começam a perder a vontade” (A8), querendo dizer que os alunos com menor sucesso têm sempre dificuldade em acompanhar os restantes, apesar de poderem encontrar mais motivação. Por isso, concluíram que quem recorre ao computador são os melhores alunos. Um professor utilizador chega mesmo a afirmar que

“[…] é crucial o seguinte: à medida que os anos vão passando aumentam as dificuldades de aprendizagem e as tecnologias aumentam ainda mais essas dificuldades. Aqui [nesta escola] beneficiam mais os alunos que têm menos dificuldades porque aqui têm tudo” (A4).

Este depoimento é interessante, pois associa as TIC a uma espécie de intensificação do trabalho dos alunos e a um aumento inevitável das suas competências. De qualquer modo, os professores não interpretam linearmente as TIC como capazes de incrementar o nível de aprendizagens, por si só, dos alunos, tendo identificado outros factores que contribuem para isso.