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3. ANALYSEDEL

3.1 I DENTIFISERING AV AVVIK

A utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos alunos faz emergir desde logo um conjunto de questões: Que usos fazem os alunos? Quais são os alunos que mais usufruem? Em que contextos utilizam? Com que frequência? De que forma?

Foi muito interessar constatar que os professores que não estão muito convencidos, tal como Bromley, do argumento comum de que as TIC “beneficiam todos os estudantes igualmente, como um instrumento neutral sem nenhuma ligação com a desigual distribuição de poder ao longo de linhas de género, raça, classe, religião e etnicidade; que o acesso a esta tecnologia é uma garantia de mobilidade social ascendente” (Bromley, 1998: 2), embora tenham considerado quetodos os alunos tiram partido delas. Isto é, não constatámos que houvesse um consenso sobre quem beneficia mais, se são os alunos mais favorecidos economicamente se os menos, embora os professores tenham referido que uns alunos tiram mais partido do que outros. Aos professores entrevistados pareceu-lhes que os alunos menos favorecidos economicamente utilizavam as TIC, embora fizessem uma utilização mais básica como o processador de texto e alguma pesquisa. O especialista disse:

“À primeira vista poderia parecer que seriam os alunos com mais facilidades, de estratos sócio-económicos mais favorecidos que tirariam maior partido na escola, por outro lado, sabemos que há alunos carenciados que não as têm em casa, utilizam-nas na escola, o que traduz uma certa equidade e uma certa não reprodução das desigualdades.” (C10).

Porém, pareceu a um dos professores entrevistados que a questão pode ser mais complexa, já que, no seu entender, o aluno que não tira partido é aquele

“que está desmotivado e a quem a escola não diz nada, que não tem objectivos a longo prazo. São alunos que lutam contra outros problemas que ultrapassam a própria escola” (A1).

Por isso, a quase todos os professores entrevistados pareceu que as TIC beneficiam mais os alunos que têm uma situação sócio-económica favorecida, porque, na opinião de uma professora não adoptante (A6), têm computador em casa e porque são os “têm mais perspectiva de estudo” (A4). Outra professora utilizadora reforçou que são os alunos com menos dificuldades que utilizam mais (A3).

O professor especialista (C10) disse inclusivamente que seria necessário um outro estudo que esclarecesse essas dúvidas dado que as duas possibilidades podem ser verdadeiras: quem tem em casa utiliza mais na escola, “quem não tem procura com avidez”. Porém, na perspectiva, do Presidente do Conselho Executivo todos os alunos utilizam indistintamente, mesmo sem a solicitação dos professores. Segundo ele, as 3 salas equipadas (Biblioteca, Infoteca e Ludoteca) já não chegam para as suas solicitações dos alunos. O Presidente do Conselho executivo (B9) chega mesmo a afirmar que se não fosse o currículo flexível, não seria possível chegar a todos os alunos da escola e assim evitar a info-exclusão, acrescentando que se alguns alunos são auto- aprendizes, outros há que não têm qualquer apetência. Por isso, afirmou, na escola e na hora do Director de Turma, fez-se formação aos alunos sobre Internet e correio electrónico.

Os docentes entenderam também que há algumas diferenças na utilização das TIC entre rapazes e raparigas. Eles preferem os canais de conversação (vulgo chat’s) e os jogos e são mais curiosos, nomeadamente nas pesquisas na Internet e parecem ser frequentadores mais assíduos da Infoteca. Elas concentram-se mais nos trabalhos de investigação e nas pesquisas, segundo um professor utilizador (A1).

Curiosamente, os professores já não referiram diferenças entre quem utiliza mais as TIC, se os alunos com maior ou os alunos com menor sucesso. Argumentaram que o acesso aos computadores é livre em qualquer dos espaços e não se distinguem os alunos do ponto de vista do sucesso educativo, embora tenham considerado que podem haver diferenças no tipo de utilização. Consideraram que, de uma maneira geral, todos os alunos gostam de ir trabalhar para o computador e de desenvolver actividades lúdicas.

Os professores consideraram que o computador é mais motivador, estimula a autonomia e é mais divertido. Dizia uma professora que acompanha o projecto “Uma Aventura em Construção”

“[o computador é] um instrumento diferente do tradicional, por ser novidade desperta muito interesse e pode dar respostas mais atraentes que um manual” (A1). “As TIC têm, de facto, trazido alguma vantagem para os alunos. Estão mais motivados, sempre que digo vamos para a sala dos computadores eles estão com outra disposição. Sentem-se mais entusiasmados e despertos” (A1).

Os professores, em geral, disseram que não ensinam os alunos a trabalhar com as TIC, porque consideram que não estão devidamente preparados para isso e porque

acham que o nível de utilização dos alunos é já razoável, que são autónomos, movimentam-se bem, sabem procurar informação, embora não saibam utilizar programas específicos nem analisar criticamente o material que recolhem. Repare-se nesta frase inesperada de uma professora não adoptante:

“Como eles fazem não sei. Apresento-lhes o trabalho, eles vão para a sala de informática e a funcionária ajuda-os a encontrar, orienta-os e apresentam os resultados que eu pretendo” (A5).

Esta visão contrasta com as das professoras adoptantes que consideram importante acompanhar e formar os alunos. Contrasta igualmente com a opinião dos alunos. Estes referiram que gostam de utilizar as tecnologias e de pesquisar na Internet, apesar de considerarem que não percebem muito. Um aluno considerou que deveria haver “um professor com tempo livre que ensinasse” (D12). A questão que aqui tem a ver com o que Gustavo Cardoso diz a propósito da pesquisa na Internet:

“Ao contrário das bibliotecas públicas, a Internet é um espaço onde não basta ler para aceder à informação. Na Internet a pesquisa de informação pressupõe a capacidade de utilizar computadores e software necessário para navegar nesse espaço e, também, uma capacidade analítica e relacional compatível com a cultura em que a informação é formada e disponibilizada. Por outras palavras, a Internet também implica uma literacia para os novos media, que não é apenas instrumental – o uso da máquina e do software – mas também cultural” (Cardoso, 2003: 53).

Os tipos de trabalhos que os professores disseram que pedem aos alunos limitavam-se às consultas, à pesquisa, exploração de software e ao processador de texto. Exceptuaram-se as duas professoras adoptantes e envolvidas na construção do conto (história colaborativa). Curiosamente, a utilização do computador pode ser uma das formas de resolver a questão do mau comportamento na sala de aula. Um professor

adoptante mencionou que “quando um aluno se porta mal vai para a Biblioteca fazer recolha e elaborar um trabalho de síntese passado a computador” (A4). Embora se tenha registado a franqueza deste depoimento, não deixa de ser questionável o procedimento…

Outra professora dizia que nunca iria substituir o papel e a caneta pelo computador porque dá muita importância à caligrafia (A2), embora seja professora utilizadora. Uma outra professora corroborou esta posição:

“[…] acho que uma pesquisa que se resuma a computador só fica incompleta. Eles precisam de ler, de escrever, de calcular. Se for só computador é exagerado. É um complemento como outro qualquer” (A7).

De acordo com os entrevistados, os alunos frequentam nos tempos livres os diferentes espaços com computadores. Quase nenhum dos entrevistados requisitou a Infoteca para leccionar. Por isso, imaginam que os alunos gastam entre uma hora a cinco horas, por semana, em trabalho no computador, sendo um trabalho desenvolvido preferencialmente em grupo, no qual os alunos que sabem mais ajudam os restantes. Sobre a utilização da Internet não identificaram abusos como a navegação em páginas da Internet menos próprias e consideram os alunos responsáveis.

Por seu lado, os alunos referiram que nunca utilizaram as TIC nas aulas, exceptuam-se apenas dois alunos que disseram ter trabalhado em Matemática com gráficos no Excel, no 5º ano. Na altura, no 6º ano, estavam a estudar geometria através da exploração de um CD-ROM. Estes dois alunos (D12 e D14) participaram na construção do conto.

Os alunos disseram que utilizam as TIC entre duas a três vezes por semana, excepto o aluno com menos sucesso, que só refere que utiliza uma vez por semana. Este mesmo aluno referiu que tem vindo a utilizar mais utilizar mais porque os amigos estão sempre na Infoteca e porque “agora tem mais coisas e dá para ir à Internet” (D17). Segundo os alunos, é por sua própria iniciativa que fazem a utilização ou então no âmbito de um trabalho para uma disciplina que inclua a pesquisa na Internet, a redacção e a impressão. Porém, como os alunos só acedem nos seus tempos livres, consideram que o horário da Infoteca deveria ser mais compatível como os seus.

Os professores tiveram oportunidade de tecer algumas considerações sobre o modo como tornar a utilização das TIC ser mais eficaz pelos alunos. Em primeiro lugar referiram que eles próprios têm que se sentir mais incentivados, despender mais atenção e começar a enveredar por esse caminho, até por causa das solicitações dos alunos, “porque a vontade deles é um aspecto importante para esta mudança” (A1). Por outro lado, segundo dois professores utilizadores, é também uma questão de recursos humanos:

“Tem que haver alguém destacado para o efeito, nomeadamente uma redução da carga lectiva para a equipa que se mostrar interessada em realizar projectos relacionados com as TIC” (A2).

“Penso que é um problema de consciência dos professores para uma nova aprendizagem, para as novas atitudes. O que tem que mudar são as atitudes” (A4).

Em simultâneo, deveria haver um grupo de trabalho com experiências diversificadas, que fizesse formação e que divulgasse os projectos em que a escola está

envolvida. Os restantes professores consideraram que as turmas deveriam ser mais pequenas e que o ideal seria haver um computador em cada sala de aula.

Na opinião dos alunos entrevistados, para tornar a sua utilização das TIC mais eficaz, o que deveria acontecer era o seguinte:

“Os alunos melhorariam com pequenos cursos de informática e uma disciplina de informática. Ou então um professor com tempo livre e que ensinasse” (D12). “Nós precisamos de ter um computador para ter um emprego, acho que uma pessoa necessita de saber mexer com o computadores. A empregada não ensina, mas ajuda. Poderia até dar uma aula. Assim, estava mais atento, ver como eles mexem, ver para que são as teclas” (D18).

“A quantidade é suficiente, temos informática, a Infoteca e a Ludoteca. O dinheiro também não cai das árvores!” (D18)

Portanto, os alunos reconheceram que dominar as tecnologias de informação e comunicação é importante para o seu futuro, por isso, gostariam que a escola lhes proporcionasse mais momentos de aprendizagem a este nível, até porque consideraram que a escola está bem equipada no que concerne ao equipamento informático. Referem também como positivo o facto de a Infoteca ter permanentemente uma funcionária que presta apoio aos alunos.

Os professores e os alunos revelam nos seus discursos que os usos das TIC não são os mesmos por todos os alunos e que não basta que os recursos estejam disponíveis para todos para que sejam usufruídos de igual modo, tal como referem Bromley (1998) e Tedesco (2001).