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Effects of Thermal Activation on the Vibrational and Electronic

5.2 Experimental Instruments and Methods

5.3.1 Effects of Thermal Activation on the Vibrational and Electronic

As aulas da Itá-Ara são ministradas por professores que foram denominados como professor categoria 1 e professor categoria 2. O professor categoria 1 é responsável pelas disciplinas de português, matemática, ciências, história e geografia. O professor categoria 2 são responsáveis pelas disciplinas de cultura, religião, artes e expressão corporal. As disciplinas regulares da Itá-Ara são ministradas pelo professor 1 e pouco se relacionam com algum conhecimento específico da cultura Pitaguary.

As disciplinas estudadas na Itá-Ara são as mesmas das outras escolas do ensino público da região, seguindo o que é estipulado nas diretrizes pela SEDUC. Apenas em poucos momentos, e nas disciplinas de português e história, foram feitos comentários sobre a cultura dos Pitaguary e, mesmo assim, estando amarrada muito à forma como o professor transmite sua aula.

Como exemplo dessa inserção da cultura Pitaguary em uma das matérias regulares da Itá-Ara, citamos a disciplina de história ministrada pela professora A.Cl., na turma de quarto ano do ensino fundamental no dia 09.06.2015. Essa turma era composta por 8 (oito) alunos; destes, apenas 2 (dois) são da etnia Pitaguary. Em seu plano de aula para esse dia, o primeiro objetivo seria narrar uma história que estimulasse a curiosidade dos alunos sobre a Mangueira Sagrada dos Pitaguary; em seguida, apresentaria o texto “A mangueira centenária”, com uma atividade interativa em sequência e, por fim, um trabalho individual.

Em sala de aula, minha presença não passava despercebida, mas já era menos estranha do que nas primeiras observações nessa turma. Sempre havia o momento em que recebia a atenção dos olhares dos alunos. Alguns menos inibidos continuavam a fazer suas atividades e brincadeiras sem nenhuma preocupação com minha presença, parecia até que estar no local e assistir à aula estimulava alguns a fazer suas traquinagens, como disse a professora C, em determinada ocasião: “Isso é só porque o André tá aqui, é?”.

A turma do quarto ano usava a sala que era conjugada com o laboratório de informática (LAI). Essa sala do LAI passava a impressão de ser uma antessala, ou mesmo uma “antissala”, pois os alunos ficam em uma área exígua, tendo, antes de entrar em sua turma, de atravessar a sala do laboratório, que estava com mais cadeiras do que o necessário, algumas ficando sobrepostas, permanecendo nessa situação por três meses.

Na realização do plano de aula, a preceptora falou um pouco sobre um dos principais eventos dos Pitaguary, solicitando aos discentes que fossem, junto com ela, tentando trazer das informações estudadas em aulas anteriores qual seria esse evento – os alunos iam aos poucos descobrindo que se tratava da festa da Mangueira Sagrada. Logo em seguida, leu o texto sobre a mangueira centenária. A escolha por esse tema nessa época era consequência da Festa da Mangueira Sagrada, que ocorreria no dia 12 de junho daquela semana.

Como forma de avaliação sobre o que foi lido em sala, aplicou para os alunos a atividade interativa. Essa atividade consiste em elaborar algumas perguntas com respostas de múltipla escolha, que possam mensurar o que foi apreendido durante a exposição. Esse exercício segue o seguinte modelo:

1. Falamos de:

( ) Serra ( )Mangueira ( ) Açude 2. Quem maltratava os índios? 3. O que os índios pedem a natureza?

4. Qual data comemoramos a festa da Mangueira? 5. Onde os índios eram trancados?

6. Onde se localiza a Mangueira?

7. O que havia dentro do tanque onde os índios eram jogados?

A resposta a essas indagações necessitou da intervenção oral da preceptora, pois alguns discentes não conseguiram finalizar esse exercício. Isso motivou à preceptora fazer uma repreensão verbal à turma, uma vez que já fora lido anteriormente outro texto retratando a mangueira, sendo “uma história conhecida dos Pitaguary”. Na fala da professora A.Cl, expõe que a Mangueira é um assunto recorrente: “já era para ter aprendido pelo menos um pouco sobre a Mangueira”. Esse tipo de citação dito durante a aula me fez refletir sobre a

Mangueira Sagrada como uma memória construída, que se estrutura tanto para os da etnia como para os alunos não índios, marcando a fronteira dessas populações que vivem na mesma área (BARTH, 2011). Essas distinções, que são seleções de elementos comuns ao grupo étnico, servem como marco referencial da afirmação de ser Pitaguary, que ao serem elencados oralmente, remetem a sua memória coletiva; há “pontos de referência”, mesclando as memórias de cada um a uma memória coletiva (POLLAK, 1989) que pontua sua fronteira.

A aula prossegue e a professora corrige as respostas de cada aluno. Alguns estudantes fazem a ponta do lápis e não se mostram interessados em concluir o exercício interativo, enquanto outros rapidamente o concluem. Depois de um tempo, a preceptora fez a correção da atividade e, em seguida, deu início ao trabalho individual. Essa nova tarefa objetivava a criação de uma redação que abordasse o seguinte tema: Como você imagina que será a festa da Mangueira Sagrada? Alguns fizeram pequenas redações e desenhos sobre o assunto proposto. Esse modelo de exercício é recorrente nas aulas do terceiro ao quinto ano, sendo notado sua frequência durante o ano de 2015 e 201669.

Ao assistir aula de matemática, trabalhada pela professora Rb, percebi ser esta uma apresentação pensada de modo tradicional e regular, não contendo nenhum elemento que faça referência à etnia. Quando indaguei as professoras de matemática sobre o Referencial Curricular Nacional Para as Escolas Indígenas (RCNEI), fui informado que “apesar dele dar boas ideias de como se trabalhar com os alunos” determinados conceitos étnicos relacionados a cálculos, o material didático que os professores recebem é o tradicional. Rb complementou ainda que “nunca recebeu nenhum material da SEDUC que tivesse um conteúdo diferenciado para o ensino indígena”. Isso denota que determindas disciplinas pouco revelam sobre os Pitaguary e dificilmente cabem alguma reflexão sobre a sua aldeia, como pensado pelo RCNEI.