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6 Discussion

6.1 Interpretation of main results

6.1.3 EF and Early Literacy

De acordo com o exposto e com a postura teórica assumida, utilizamos algumas estratégias e instrumentos de pesquisa, na tentativa de revelar o que é significativo para os sujeitos investigados. Essas estratégias podem ser organizadas nas seguintes etapas:

1ª etapa – coleta e sistematização de dados fornecidos pela COMPERVE e pela Pró-Reitoria de Graduação da UFRN, com o objetivo de obter os dados dos processos seletivos da UFRN, sobretudo em relação ao Vestibular de 2006, com o mapeamento dos estudantes candidatos e aprovados da rede pública de ensino, e dentre estes os favorecidos com o argumento de inclusão;

2ª etapa – sistematização dos dados coletados na COMPERVE e Pró-Reitoria de Graduação, a fim de identificar o perfil socioeconômico dos estudantes aprovados no processo seletivos e os cursos os quais estão matriculados, além dos contatos dos mesmos. Nessa etapa, entramos

em contato com os estudantes já citados e combinamos os encontros para a realização das entrevistas (1ª parte do estudo);

3ª etapa – realização de entrevista com o total de 20 estudantes. A entrevista teve como objetivo identificar quais os mecanismos e estratégias fizeram parte da trajetória escolar dos estudantes e contribuíram com as escolhas e a aprovação dos mesmos no vestibular; assim como investigar o que dizem sobre sua experiência enquanto estudantes universitários, após o primeiro ano de ingresso na universidade, suas impressões e expectativas. O roteiro da entrevista seguiu o modelo semiestruturado (anexo 1).

4ª etapa – Obtenção de dados junto à Pró-Reitoria de Ensino sobre o desempenho e a situação dos estudantes na universidade no último ano de curso (foi após a sistematização desses dados que pensamos na aplicação de um grupo focal, mas que não foi possível, como já explicamos, e optamos pela aplicação de um questionário);

5ª etapa – Elaboração e aplicação de um questionário com perguntas abertas e fechadas, online, com o objetivo de compreender os sentidos atribuídos pelos estudantes à universidade e a si próprios enquanto estudantes. O questionário foi enviado por email para os estudantes e respondidos online, com as informações sendo hospedadas diretamente em um banco de dados no site da COMPERVE/UFRN.

Ao longo de todo o processo de desenvolvimento da pesquisa realizamos uma vasta revisão da literatura sobre a temática do estudo, tendo sido pesquisados livros, documentos, jornais, revistas e periódicos, impressos e digitais, que estão listados ao final desta tese, nas referências.

Sendo assim, a partir de uma gama de informações sobre as experiências desses estudantes ao longo de sua trajetória escolar e universitária, acreditamos estar utilizando uma combinação de instrumentos e procedimentos que, a nosso ver, forneceram um número suficiente de informações, permitindo identificar fatores que contribuem ou não para a o acesso e a inclusão dos estudantes na cultura acadêmica da universidade.

As informações socioeconômicas e acadêmicas foram importantes para a caracterização do perfil dos estudantes e para a análise dos elementos da trajetória escolar e acadêmica destacados pelos mesmos. As entrevistas, por sua vez, forneceram dados referentes a fatos, ideias, crenças, maneiras de pensar, opiniões, sentimentos, que influenciaram nas decisões e escolhas dos estudantes, assim como no comportamento e ações realizadas pelos mesmos no percurso entre a escola e a universidade. Como coloca Minayo (1999):

O que torna a entrevista instrumento privilegiado de coleta de informações para as ciências sociais é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos (sendo ela mesma um deles) e ao mesmo tempo ter a magia de transmitir, através de um porta-voz, as representações de grupos determinados, em condições históricas, socioeconômicas e culturais específicas (Minayo, 1999, p. 109- 110).

Optamos pela entrevista semiestruturada, pois, de acordo com a autora, o pesquisador fica liberto de formulações pré-fixadas, para introduzir perguntas ou fazer intervenções que visam a abrir o campo de explanação do entrevistado ou a aprofundar o nível de informações ou opiniões. Além disso, “...a ordem dos assuntos abordados não obedece a uma sequência rígida, e sim, é determinada frequentemente pelas próprias preocupações e ênfases que os entrevistados dão aos assuntos em pauta” (Minayo, 1999, p. 122).

O roteiro da entrevista realizada após o primeiro ano dos estudantes na universidade, portanto, foi organizado em dois grandes blocos temáticos. O primeiro diz respeito à trajetória escolar dos estudantes, buscando compreender os mecanismos e as estratégias empregadas pelos mesmos, na tentativa de vencer a barreira do Vestibular. O segundo bloco temático do roteiro da entrevista diz respeito à trajetória universitária dos estudantes, buscando compreender o que pensam sobre suas experiências na universidade após o primeiro ano de estudos, o que mudou em suas vidas após o ingresso, quais as dificuldades que enfrentam.

Para o tratamento das informações, após a transcrição e digitação de todas as 20 entrevistas, construímos um banco de dados com as entrevistas transcritas e a ajuda de um programa de análise de dados estatísticos, o Modalisa15. Para a análise das entrevistas, usamos a técnica da análise de conteúdo, proposta por Bardin (2004) e também por Guerra (2006). Inicialmente, fizemos uma codificação dos sujeitos que integraram a pesquisa, com a preocupação de manter o anonimato das respostas, e também, facilitar o trabalho de organização das informações. Após a transcrição e digitação dessas respostas, foram categorizadas no próprio programa Modalisa. A categorização, segundo Bardin,

15

Software desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Paris 8 – França, e cedido à Base de Estudos e Pesquisas sobre Formação e Profissionalização Docente para fins de suporte às pesquisas.

É uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos (BARDIN, 2004, p.111).

Nesse sentido, para o autor, a categorização tem como primeiro objetivo fornecer, por condensação, uma representação simplificada dos dados brutos. As categorias consistem em rubricas significativas ou classes que juntam, sob uma noção geral, elementos do discurso. Classificar elementos em categorias impõe a investigação do que cada um deles tem em comum com outros. O que vai permitir o seu agrupamento é a parte comum existente entre eles.

No processo de categorização que adotamos na pesquisa, o sistema de categorias foi definido previamente, e foi a partir dele que as questões da entrevista foram estruturadas. No entanto, após a sistematização inicial dos dados, as categorias foram reconstruídas a partir do resultado da classificação analógica e progressiva dos elementos dos discursos dos sujeitos, assim como dos sentidos e significados atribuídos pelos sujeitos aos temas e questões suscitados por nós nas entrevistas. O título conceitual de cada categoria só foi definido no final da operação, e ainda, as categorias terminais foram provenientes do reagrupamento progressivo de categorias com uma generalidade mais fraca. Para Bardin, uma categoria é considerada pertinente:

... quando está adaptada ao material de análise escolhido, e quando pertence ao quadro teórico definido. O sistema de categorias deve refletir as intenções da investigação, as questões do analista e/ou corresponder às características das mensagens (BARDIN, 2004, p.114).

Após a categorização do material coletado, pudemos confrontar a sistematização desses dados com os trechos selecionados das entrevistas e o referencial teórico elegido para a fundamentação do estudo, procedimento que foi realizado a partir dos resultados gerados pelo Modalisa em formatos de fichas, conforme modelo apresentado no anexo 4, e também na leitura e releitura dos trechos das entrevistas originais, na tentativa de compreender melhor os sentidos e significados das falas dos estudantes.

Em relação ao Questionário com perguntas abertas e fechadas, o mesmo foi elaborado com o objetivo de conhecer o que pensam os estudantes sobre a universidade e a

sua experiência enquanto estudantes, as dificuldades dos mesmos no decorrer do curso, entre outras. Assim, tentamos descobrir mecanismos e estratégias que fizeram parte da trajetória universitária e contribuíram (ou não) para a inclusão dos estudantes na universidade. Como já explicamos, a ideia inicial era complementar os dados coletados nas entrevistas, com os estudantes aprovados com o argumento de inclusão no ano de 2006. Entretanto, com a ampliação da amostra, tivemos uma gama maior de informações, e precisamos estabelecer critérios de organização e análise dos dados, conforme explicitado nos resultados.

De acordo com Laville & Dionne (1999), a abordagem mais usual do questionário consiste em preparar uma série de perguntas sobre o tema visado, perguntas escolhidas, em nosso caso, em função dos objetivos do estudo e das respostas suscitadas nas entrevistas realizadas inicialmente. Para cada uma dessas perguntas, como explicam os autores supracitados, oferece-se aos interrogados uma opção de repostas, definida a partir de indicadores, pedindo-lhes que assinalem a que corresponde melhor à sua opinião. Ou então, outra forma possível de questionário é proposta por enunciados, cada um acompanhado de uma escala, uma série de campos que lhe permite precisar se, por exemplo, estão em total desacordo, em desacordo, de acordo ou totalmente de acordo com o enunciado considerado.

No questionário que elaboramos, tanto formulamos questões com escalas de medição da opinião do estudante (6 primeiros itens/questões), como também questões com opções de respostas possíveis (3 itens/questões posteriores). Nestas últimas, sempre deixamos uma opção em branco, caso a resposta do mesmo não contemple nenhuma das opções sugeridas de respostas.

Para o tratamento dos dados coletados nos questionários, inicialmente sistematizamos as respostas organizadas em um banco de dados, juntando com o banco de dados da COMPERVE (perfil socioeconômico), a partir da matrícula da universidade informada pelos estudantes no questionário. Em seguida, com a ajuda do software Modalisa e do Excel, realizamos o tratamento das informações coletadas, que serviram como base estatística para a análise teórica dos resultados.