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―A pós-graduação no Brasil: formação e trabalho dos mestres e doutores no país‖ é resultado de uma pesquisa que envolveu uma equipe de renomados pesquisadores31, coordenado por Jacques Velloso, e que teve início no final dos anos 90, com apoio financeiro da Capes e da Unesco.

O objetivo foi mapear a trajetória profissional de mestres e doutores, tendo como pano de fundo o processo de formação dos mesmos. Realizada em

31 Tomaram parte na pesquisa: Anete Brito Leal Ivo, Arabela Campos Oliven, Bráulio Pôrto de Matos, Carlos Benedito Martins, Clarissa Eckerth Baeta Neves, Elisabeth Balbachevsky, Gláucia Villas Boas, Helena Sampaio, Inaiá Moreira de Carvalho, Maria Lígia de Oliveira Barbosa, Mauro Mendes Braga, Sergio de Azevedo, Silke Weber e Yvone Maggie.

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três etapas, foram analisadas 16 áreas do conhecimento32, envolvendo 9.000 mestres e doutores formados no país a partir de 1990.

A proposta do trabalho foi identificar quem eram os mestres e doutores titulados no país, o que faziam quando se inscreveram para o curso e que atividades estariam desenvolvendo no momento em que a pesquisa foi realizada. Coordenada pelo professor Jacques Velloso, a pesquisa resultou em um extenso mapa do trabalho dos egressos da pós-graduação brasileira e foi publicada em dois volumes, em 2002 e 2003, respectivamente.

Embora o trabalho como um todo, considerando os seus dois volumes, contenham um total de 29 artigos distintos, é possível encontrar neles uma linha comum de pensamento e um objetivo claramente definido. Esta linha de pensamento informa que há uma relação próxima entre o processo de formação de um pesquisador, mestre ou doutor, e sua trajetória profissional. O objetivo seria definir quão maior ou menor seria esta relação, segundo a área do conhecimento e o nível de titulação.

Não é uma questão de menor importância. A pós-graduação brasileira vem alcançando níveis de qualidade de padrão internacional e isto é fruto de um grande esforço realizado pelas agências de fomento, mas, sobretudo, pelas instituições de ensino e pesquisa, por meio dos programas de pós-graduação. Para se chegar a isto, muito se conhece sobre esta política e suas ações.

Pesquisas como esta, conduzida por Velloso, são importante na medida em que podem contribuir, por meio das informações que trazem para os operadores das políticas públicas para a melhoria das condições de operacionalização dos cursos e programas. Tais informações podem ser instrumentos importantes nas avaliações de tais políticas a partir de um processo de autocrítica dos próprios programas e dos gestores da política de pós-graduação.

As Tabelas 11 e 12 trazem informações sobre a operacionalização da pesquisa em sua primeira fase, as áreas pesquisadas, universos, amostras e

32 Foram as seguintes as áreas do conhecimento pesquisadas: Administração, Agronomia, Bioquímica, Clínica Médica, Direito, Economia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Física, Geociências, Odontologia, Psicologia, Química e Sociologia.

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questionários aplicados por Jacques Velloso e a equipe de pesquisadores que atuou na pesquisa.

Tabela 11, Mestres: universos, amostras e questionários aplicados por área do conhecimento Áreas Universos e amostras (a) Questionários aplicados (b) % (c)=(b)/(a) Admnistração (1) 1.049 730 69,6 Agronomia (2) 613 476 77,7 Bioquímica (3) 422 257 60,9 Clínica Médica (4) 227 184 81,1 Engenharia Civil (5) 370 313 84,6 Engenharia Elétrica (6) 1.059 597 56,4 Física (7) 550 314 57,1 Química (8) 684 361 52,8 Sociologia (9) 428 342 79,9 Total 5.402 3.574 66,2

Notas: (1) FGV/SP, UFBA, UFMG, UFRGS, UFRJ, UnB, USP (2) UFBA, UFRGS, UFRPE, UFRRJ, UFV, UnB, USP-Piracicaba (3) UFMG, UFPE, UFRGS, UFRJ, USP

(4) UFBA, UFPE, UFRGS, UFRJ, USP-Ribeirão Preto (5) UFMG, UFPE, UFRGS, UFRJ, UnB, USP (6) UFMG, UFPE, UFRJ, UFSC, UnB, USP (7) UFMG, UFPE, UFRGS, UFRJ, UnB, USP (8) UFBA, UFMG, UFRGS, UFRJ, UnB, USP

(9) IUPERJ/UCAM, UFBA, UFMG, UFPE, UFRGS, UnB, USP.

Fonte: Adaptado de VELLOSO, J. (org.). A Pós - Graduação no Brasil: formação e trabalho de mestres e doutores no país. Brasília: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2002, (2 vols.).

Tabela 12,. Doutores: universos, amostras e questionários aplicados por área do conhecimento Áreas Universos e amostras (a) Questionários aplicados (b) % (c)=(b)/(a) Admnistração (1) 173 114 65,9 Agronomia (2) 294 275 93,5 Bioquímica (3) 302 211 69,9 Clínica Médica (4) 131 114 87,0 Engenharia Civil (5) 269 219 81,4 Engenharia Elétrica (6) 203 169 86,3 Física (7) 326 246 75,5 Química (8) 460 310 67,4 Sociologia (9) 199 156 78,4 Total 2.357 1.814 77,0 Notas: (1) FGV/SP, USP

(2) UFRGS, UFV, USP-Piracicaba (3) UFMG, UFRGS, UFRJ, USP

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(4) UFBA, UFRGS, UFRJ, USP-Ribeirão Preto (5) UFRGS, UFRJ, USP

(6) UFRJ, UFSC, USP

(7) UFMG, UFPE, UFRGS, UFRJ, USP (8) UFMG, UFRJ, USP

(9) IUPERJ/UCAM, UnB, USP.

Fonte: Adaptado de VELLOSO, J. (org.). A Pós - Graduação no Brasil: formação e trabalho de mestres e doutores no país. Brasília: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2002, (2 vols.).

O trabalho realizado por Velloso é bastante indicativo da necessidade de se conjugarem as ações de planejamento das políticas de pós -graduação, em torno da inserção dos profissionais mestres e doutores no mercado de trabalho, seja na esfera especificamente ―acadêmica‖, seja em outras esferas, tais como o setor público e as empresas privadas.

A pesquisa resultou em um acervo de informações que permite uma clara compreensão da situação da pós-graduação brasileira, por meio da definição de indicadores objetivos, bem como da análise de tais indicadores, feitas por experientes pesquisadores as áreas das ciências sociais, ciência política e da educação.

O estudo conclui que a academia é o destino preferencial dos egressos da pós-graduação no Brasil. No entanto, já há indícios de que há um espaço a ser ocupado por tais egressos na administração pública e no setor privado.

Embora o estudo tenha sido conduzido por um grupo de pesquisadores com trajetórias distintas e sediados em instituições também diversas, observa -se uma grande uniformidade no trato com as questões propostas. Isto pode ser creditado ao fato de que as variáveis definidas para o trabalho foram claramente delimitadas, conforme se pode observar na Figura 2.

A análise comparativa dos dados coletados pela pesquisa lev ou os pesquisadores a perceberem mudanças relevantes no contexto dos egressos da pós-graduação, sejam eles mestres ou doutores. Em primeiro lugar, já transparece uma percepção quanto ao interesse dos profissionais em relação às expectativas existentes fora da academia. Esta percepção é mais claramente observável junto aos mestres, uma vez que os doutores vão cumprir, em maior número o que deles se espera, já que esta é a tônica de seu processo de treinamento, voltando-se para às atividades acadêmicas.

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Isto pode ser considerado um indício de que a pós-graduação vem sendo efetiva para a missão de formar quadros para a pesquisa e, de modo bastante endógeno, para os próprios programas. Mas, ao mesmo tempo, esta suposta eficácia pode ser questionada, uma vez que pode gerar um excesso de oferta de profissionais com titulação em algumas áreas do conhecimento em detrimento de outras, onde haveria escassez de mão-de-obra com alta titulação. Isto devido a um investimento maior em áreas com maior representatividade no interior das agências.

Figura 2, Variáveis pesquisadas por Velloso

É o caso, por exemplo, das engenharias, onde a oferta de doutores não tem acompanhado o crescimento da demanda por estes profissionais, tanto na academia quanto no setor privado, o que tem levado as agências a buscarem programas de indução do crescimento nesta área. Ocorre, no entanto, que a questão não se situa somente na questão da formação, mas também no fato de que, mesmo em uma área com um viés fortemente tecnológico, caso das engenharias, o processo de treinamento do futuro doutor ainda privilegia uma formação que induz à academia33.

33 Segundo o PNPG 2011-2020, ―O número proporcionalmente inferior de alunos nos cursos de pós- graduação nas engenharias está relacionado com a falta geral de engenheiros no País. O Brasil vive hoje

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