4.6 Development of modal verbs
4.7.1 Comparison between E.’s MLUW and her development of article use
Neste tópico pretende-se apresentar as evidências que tornam as universidades e institutos de pesquisa como o lócus privilegiado, embora não único, de definição do mercado de trabalho acadêmico no Brasil. Aqui serão analisados os dados que demonstram haver uma identificação aparentemente natural entre a formação doutoral e o desenvolvimento de uma trajetória acadêmica, na condição de docente pesquisador junto a uma universidade ou instituto de pesquisa. Inicialmente, serão analisados os mecanismos de agregação de mestres e doutores junto a universidades e institutos de pesquisa no Brasil, desde 1990 até 2009, um período, portanto, de 20 anos. Pretende -se avaliar as condições que permitiram a consolidação deste nicho e as evidências de tal processo.
Cerca de 90% dos doutores formados no Brasil têm como destino as universidades e institutos de pesquisa (VIOTTI, 2010). Embora seja este um caminho reconhecido como natural, uma visão mais aproximada evidencia que não se trata de um evento isolado ou destituído de relações com outros
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fenômenos. Já durante o processo de formação dos doutores é possível encontrar os mecanismos que promovem este desembocar na academia. Cientistas e pesquisadores são forjados a partir de processos de socialização que valorizam e priorizam certos aspectos que são tipicamente característicos do ethos acadêmico.
Velloso e Velho demonstraram que as universidades, enquanto objetivos de atuação profissional, estão presentes nos planos da grande maioria dos postulantes a um curso de mestrado e de doutorado. Segundo os autores, ―O horizonte profissional dos mestrandos e doutorandos é a academia‖ (2001, 99).
Isto pode ser determinado pelo fato de que há uma demanda por doutores no ensino superior público no país, ainda não atendida. Entre o total de docentes em atuação no ensino superior do Brasil em 2009, um surpreendente percentual de 74% não possuíam a titulação de doutor. Considerados apenas os docentes em atuação nas instituições públicas, algo em torno de 46% não eram doutores, conforme se pode observar na Tabela 14. São dados significativos não somente de uma situação vigente nas universidades, mas levam a questionamento quanto ao destino dos 10 mil doutores formados no Brasil em 2008.
Tabela 14, Brasil, Funções docentes por organização acadêmica e grau de formação, total e percentual (do’s) 2009
Total S/Grad. Grad. Esp. Mest. Dos. %
DO’S Brasil 359.089 201 31.069 104.314 130.614 92.891 25,92 Pública 131.302 78 15.805 18.211 36.740 60.468 46,05 Federal 77.574 53 11.748 6.145 20.344 39.284 50,64 Estadual 45.791 23 3.604 8.972 13.241 19.951 43,56 Municipal 7.937 2 453 3.094 3.155 1.233 15,53 Privada 227.787 123 15.264 86.103 93.874 32.423 14,23 Particular 172.756 92 11.518 71.915 69.143 20.088 11,62 Comun/Confes 55.031 31 3.746 14.188 24.731 12.335 22,21 Fonte: Inep/MEC
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Tabela 15, Docentes na pós-graduação e alunos matriculados – 1987-2003
Se buscarmos a origem dessa tendência de encontrarmos os doutores majoritariamente nas universidades, vamos encontrá-la no mesmo processo que institucionaliza a pós-graduação no Brasil ainda nos anos 60 do século passado. Nascida para alimentar o sistema de ensino superior com profissionais docentes e reproduzir sua força de trabalho, a pós-graduação criou um modelo que tende a formar quadros para os próprios programas, com base em critérios de excelência que tendem a ignorar tudo o que se encontra para além dos muros das universidades.
No Brasil, há uma grande dificuldade em se promover algum tipo de aproximação entre as universidades e empresas do setor privado. As razões para este distanciamento são múltiplas e com variadas motivações. Empresas e universidades são universos diferentes, com diferentes motivações para o trabalho e distintos entendimentos quanto aos seus objetivos. Mas há indícios, de que o cenário apresenta perspectivas de mudança no médio prazo, mesmo considerando-se que os processos culturais arraigados no interior da academia
Docentes (1/) [D] Mestrado[Mm] Doutorado[Md] Equivalente Doutor M=Md+Mm/3 1987 13.349 29.281 7.914 17.674 1,32 1988 15.374 31.451 8.441 18.925 1,23 1989 16.323 32.472 9.671 20.495 1,26 1990 17.542 37.789 11.210 23.806 1,36 1991 17.726 37.865 12.219 24.841 1,40 1992 18.405 38.459 13.689 26.509 1,44 1993 19.044 39.509 15.625 28.795 1,51 1994 20.243 43.612 17.912 32.449 1,60 1995 21.247 46.152 20.095 35.479 1,67 1996 23.644 45.622 22.198 37.405 1,58 1997 25.354 47.788 24.528 40.457 1,60 1998 24.412 50.816 26.828 43.767 1,79 1999 28.026 57.044 29.998 49.013 1,75 2000 27.528 61.614 33.004 53.542 1,95 2001 27.766 65.309 35.134 56.904 2,05 2002 30.014 68.340 37.728 60.508 2,02 2003 32.354 72.001 40.213 64.213 1,98 (1/)
1987-1995: Docente permanente. 1996-2003: Total de docentes. Fonte: CAPES/MEC. Ano Alunos Matriculados (dezembro) Relação [M]/[D]
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demandam tempo para qualquer tipo de mudança. Esta é uma realidade tipicamente associada ao país e o aumento do contato com realidades externas pode ser um fator que envide mudanças.
A Tabela 16 evidencia as diferenças culturais entre o Brasil e os Estados Unidos no tocante ao destino dos profissionais, neste caso ―cientistas e engenheiros‖ (s&e). Enquanto no Brasil, 72% dos cientistas e engenheiros em atividade no ano de 1996 estavam nas universidades, apenas 13% desses profissionais podiam ser encontrados nas universidades norte-americanas. Por outro lado, os centros de pesquisa sediados em empresas privadas nos EUA concentravam naquele ano 79% dos cientistas e engenheiros, ao passo que no Brasil apenas 23% de tais profissionais estavam nos laboratórios privados.
Tabela 16, Percentual de cientistas e engenheiros (c&e) em atividade no Brasil, por modelo de instituição, 1996.
Modelo Institucional País
Brasil(%) USA(%) Universidades 72 13 Centros de pesquisa s/ fins lucrativos 5 7 Centros de pesquisa de empresas privadas 23 79
Adaptado de BRITO CRUZ, C. H.; PACHECO, C. A. Conhecimento e Inovação: Desafios do Brasil no Século XXI, 1996.
Em complementação à informação acima, o Gráfico 6 apresenta a percentagem dos doutores titulados no Brasil, em dois períodos considerados, 1996 e 2006, que estavam empregados em 2008 nas cinco seções da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que mais empregam doutores: indústria de transformação, saúde, atividades profissionais de ciência e tecnologia, administração pública e educação. Embora estes setores não contemplem a totalidades dos profissionais titulados, são responsáveis diretos por um número considerável de postos de trabalho.
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Gráfico 7, Percentagem dos doutores titulados no Brasil em 1996 e em 2006 que estavam empregados em 2008 nas cinco seções da Classificação Nacional de Atividades Econômicas
(CNAE) que mais empregam doutores
Embora se possa observar um considerável recuo no percentual de doutores empregados em atividades de educação, que passa de 81,13% para 71,00%, este ainda é o setor com maior número de doutores empregados. A administração pública aparece em segundo lugar e experimenta um aumento considerável, passando de 8,53% para 13,92%, um avanço de 5,39 pontos percentuais. As atividades de gestão em ciência e tecnologia também evoluíram, indo de 3,70% para 4,01%, assim como a área da saúde, que varia de 2,75% para 2,84%. Embora muito pouco representativa em termos absolutos, o setor da indústria de transformação é o que observa a maior variação relativa, indo de 0,95% para 1,98%, um crescimento superior a 100%.
São números bastante expressivos e trazem à discussão as mudanças que ocorreram na própria estrutura social e econômica do Brasil, ao longo do período de análise. O que se pode daí extrair é o retrato de um país cujo perfil vai se aproximando daquele que é encontrado nos países desenvolvidos, onde os processos de diversificação das atividades econômicas é pautado por um maior investimento em tecnologia, principalmente por parte do setor produtivo.
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Quadro 3,Docentes com doutorado Brasil, estados da federação, por 100 mil habitantes
No contexto da velha e extemporânea discussão entre os que defendem a importação de tecnologia, por um lado, e, por outro, os que entendem que o país deve buscar o seu pleno desenvolvimento tecnológico por meio do fomento à criação de uma tecnologia própria, percebe-se que os primeiros vão perdendo espaço ao longo destes últimos anos e as consequências disto deverão ser observadas com maior nitidez nos anos vindouros.
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3.2.1 Mercado de trabalho acadêmico e trajetória acadêmica
O fator que determina o caminho seguido por um profissional no contexto da academia, indo da condição de estudante para a de pesquisador ao longo de um período que varia em torno de dez a quinze anos é o que se pode denominar como trajetória acadêmica. Mais que um percurso, a trajetória acadêmica é pautada por escolhas fundamentadas na busca por referenciais de trabalho, crédito como cientista ou pesquisador e no estabelecimento d o indivíduo no campo científico, em uma condição que lhe garanta o reconhecimento por parte dos outros membros do campo.
As orientações percebidas no interior do campo científico (BOURDIEU, 1983), vão informar sobre as melhores alternativas no posicionamen to do indivíduo frente às opções que lhe são dadas. As opções são avaliadas quanto às reais possibilidades que têm de garantir ao pesquisador o crédito e a credibilidades necessários ao entendimento, de sua parte e dos outros pesquisadores de que suas escolhas são adequadas, são corretas, são eficazes. Isto é importante para que o pesquisador consiga realizar de modo mais efetivo o seu trabalho, por meio da garantia dos recursos necessários para tal, seja na forma de recursos financeiros, laboratórios melhor equipados e equipes com pessoal mais capacitado.
Assim, pode-se definir a trajetória acadêmica como o caminho percorrido pelo pesquisador, cujo percurso é determinado pelas informações quanto aos aspectos que são importantes na sua consolidação enquanto cientista. Não são escolhas feitas de maneira aleatória e nem ao acaso, mas, pelo contrário, são determinadas por um ethos que vai se construindo ao longo de um processo de formação que tem início ainda nos primeiros anos do ensino de graduação.
Institucionalmente, o universo acadêmico criou uma série de instrumentos que favorecem a reificação deste ethos. Tal se dá por meio de programas de treinamento para jovens cientistas (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, Programa Especial de Treinamento etc.), premiações (Prêmio Jovem Cientista, Sociólogo do Futuro) e participação em
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pesquisas com cientistas já estabelecidos no campo. Trata-se de um ambiente amparado em uma cultura altamente endógena e mesmo os espaços onde se pode observar uma maior permeabilidade para com o universo externo, são alguns indivíduos, em geral pesquisadores cuja carreira já alcançou os maiores patamares no campo, os escolhidos para estabelecer as pontes entre os dois mundos (Latour, 2000)44.
Finalmente, há os vocacionados, para os quais não há sequer uma outra opção que não a academia. O alerta de Max Weber quanto às dificuldades em se estabelecer neste campo não os assusta e os percalços resultantes da convivência com indivíduos menos capacitados e que conseguem alcançar os melhores postos de forma mais rápida não os incomodam. Para estes, não há como não olhar com um certo respeito e admiração, considerando as, por vezes difíceis, condições em que se faz a ciência no Brasil.