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Avaliação é a coleta de evidências, a partir das quais será feito um juízo de valores e será tomada uma ou mais decisões. (LUCKESI, 2010) Quanto à avaliação da aprendizagem e rendimento, então, pode-se afirmar que é a coleta de evidências acerca do processo de ensino e aprendizagem, para que decisões sejam tomadas no decorrer desse processo, com a intenção de torná-lo mais eficaz.

A avaliação educacional é, atualmente, objeto de diversas pesquisas, com diferenciados enfoques como política, filosofia, sociologia, tecnologia, entre outros. Dentre tais pesquisas, um apontamento relevante mostra que a educação atual é bastante voltada para os exames. (LUCKESI, 2010)

Segundo Luckesi (2010) vivemos na pedagogia do exame, cujos focos são resultados, notas, conceitos, aprovação e seleção, coerentes à avaliação somativa e em oposição à avaliação formativa. Essa situação torna-se ainda mais evidente ao final do ensino médio, quando o preparo para os vestibulares é bastante intenso e pratica-se com frequência a resolução de exames anteriores, por exemplo, como uma forma de treinamento.

No entanto, essa situação não se restringe ao ensino médio, porque a pedagogia do exame pode ser notada durante toda a educação básica, com alunos preocupados em serem promovidos de série, sendo essa também a preocupação dos pais, com atenções voltadas aos boletins, mesmo que muitas vezes, não se entenda como a nota foi obtida e o que ela realmente significa. O foco, que deveria estar no processo de ensino e aprendizagem, volta-se exclusivamente para os resultados. Nota-se, assim, um reflexo da Psicometria, na qual o foco encontra-se nos resultados e não no processo de ensino e aprendizagem.

A pedagogia do exame, segundo Luckesi (na obra citada) tem consequências em diversos âmbitos: no pedagógico, ele afirma que a avaliação passa a ser utilizada de forma inadequada, deixando de lado seu real papel de identificar dificuldades e buscar corrigi-las; no psicológico, é utilizada como instrumento de ameaça, para forçar alunos a realizarem as atividades e a terem bom desempenho na avaliação; no sociológico, a avaliação é utilizada como seletiva e pode ter até consequências sociais, distanciando classes, de certa forma.

Ao invés de a avaliação ser utilizada para tomada de decisões que busquem o aprimoramento do aprendizado, ela passa a ser utilizada equivocadamente como instrumento classificatório e que acaba por rotular os alunos como bons, médios ou fracos. Luckesi (na obra citada) afirma que, dessa forma, a avaliação passa a ser utilizada como instrumento estático, e não como um instrumento que possibilita a reflexão acerca da aprendizagem.

A escola, por sua vez, normalmente não considera as diferenças dos alunos, sejam elas no ritmo de desenvolvimento, gosto, classe social, entre outras. Perrenoud (1998) afirma que seria interessante que tais diferenças tivessem um tratamento diferenciado no sentido de promover o aprendizado, respeitando e incentivando o desenvolvimento do aluno desde seus primeiros momentos na escola.

Como consequência disso pode-se ter alunos desinteressados e com sentimentos bastante negativos relacionados à avaliação, uma vez que o aluno tende a ter dificuldades e, consequentemente, maus resultados frustrando a si e aos outros. Além disso, maus resultados anteriores em avaliações podem ter consequências negativas no seu desempenho em exames externos, por exemplo, pois mesmo que ele saiba o conteúdo cobrado, o ambiente de teste o faz ter queda no desempenho. Nesse sentido, a experiência que o aprendiz tem de ser avaliado durante a educação básica pode trazer sérias consequências futuras, que vão além da nota numérica no seu histórico escolar.

Quando se pensa, então, em inovar, buscando um aprendizado mais efetivo, esbarra-se em obstáculos que muitas vezes parecem intransponíveis, sem sê-los, como por exemplo, alunos buscam notas, numéricas ou conceituais, ainda que compreendam equivocadamente seu significado; a avaliação é cercada de chantagem, o que dificulta a relação entre professor e aluno, como se estivessem em uma batalha; a necessidade de se atribuir notas, tão esperadas por alunos, pais, diretores, de forma geral; a busca de professores, pais e alunos pela exatidão, com pouco entendimento dos reais propósitos da avaliação, do que está sendo avaliado realmente. (PERRENOUD, 1998)

Perrenoud (1998) acredita que mudar a avaliação isoladamente não mudaria a educação, como se deseja, mas que qualquer mudança deve considerar as práticas de avaliação, integrando-as e modificando-as.

O autor propõe, nesse sentido, que a avaliação utilizada seja a formativa, sendo esta “toda avaliação que ajuda o aluno a aprender e a se desenvolver, ou melhor, a avaliação que participa da regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto educativo” (PERRENOUD, 1998, p.4). Para ele, o termo avaliação é comumente associado à classificação, boletim, informações codificáveis. Nesse sentido, o termo observar parece mais adequado, pois é a partir dessa observação que se pode construir uma representação realista da aprendizagem, considerando que esta seja um processo que envolve métodos de trabalho, atitudes, aspectos cognitivos, afetivos, entre outros.

De tais observações tendem a vir as intervenções para auxiliar o aluno a progredir, como por exemplo, com o professor fornecendo explicações diversas,

propondo novas tarefas, devolvendo ao aluno a confiança, mostrando razões de aprender, alterando o ritmo de trabalho, e assim por diante.

Perrenoud (1998) afirma que em uma avaliação somativa o interesse do aluno é o de esconder suas falhas e valorizar seus pontos fortes. Na avaliação formativa, espera-se que o aluno queira aprender e queira ajuda para isso, permitindo-se revelar suas dúvidas e lacunas.

Ainda em relação à avaliação, Hoffmann (2011) aborda duas visões divergentes, as quais podem esclarecer muitas práticas atuais: a visão liberal (coerente com a somativa) e a visão libertadora e mediadora (coerente com a formativa). É importante que se entenda cada uma delas, para entender a forma como a avaliação é praticada.

Segundo a autora, na visão liberal a avaliação é uma ação individual e competitiva, tem uma concepção classificatória, tem a intenção de reprodução das classes sociais, tem postura disciplinadora, privilegia a memorização, entre outros.

Por outro lado, a avaliação segundo a visão libertadora/mediadora é uma ação coletiva e consensual, tem uma concepção investigativa e reflexiva, tem a proposição de conscientização das desigualdades sociais e culturais, tem um postura cooperativa entre os educadores e todos os envolvidos na ação educativa, privilegia a aprendizagem significativa e propõe uma consciência crítica e responsável de todos, referindo-se ao cotidiano.

Dessa forma, concluindo esta seção do trabalho, buscamos elencar teorias e visões que embasam a avaliação, permitindo uma compreensão mais aprofundada acerca desse tema. Na sequência, então, passamos a discutir a avaliação de línguas, mais especificamente, de acordo com os objetivos deste trabalho.