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Há muitos séculos as pessoas são submetidas a testes para provar suas capacidades. Apesar de as avaliações fazerem parte da vida e terem um papel importante é surpreendente que sua prática seja tão pouco compreendida. Os estudos sobre esse assunto são vistos como obscuros e remotos e os testes produzidos são tipicamente associados a sentimentos negativos como ansiedade e

falta de capacidade, tanto as avaliações de língua como as demais. (MCNAMARA, 2000)

Segundo McNamara (2000), normalmente, avaliação remete a uma sala, papel, caneta e uma briga contra o relógio ou, ainda, a uma cadeira com um entrevistador e uma vítima nervosa esperando ser chamado para uma conversa. Com o tempo, no entanto, novas formas de avaliação foram sendo estabelecidas, com instrumentos menos imposicionais.

É importante ressaltar, ainda, que avaliações de língua têm um poderoso papel na vida de muitas pessoas, podendo servir para diferentes propósitos, como porta de entrada em importantes momentos de transição da educação, em relação a emprego, a mudança de país, entre outros. (MCNAMARA, 2000)

Quanto aos propósitos do teste, segundo Hughes (2003) um teste que serve para um propósito (exame de entrada, por exemplo) pode não servir para outro, pois cada situação é única e envolve vários fatores como o contexto, os participantes, entre outros. Além disso, o autor define como o teste ideal o que avalia a habilidade desejada, tem um efeito positivo no ensino e é econômico em termos de tempo e custo.

Nesse sentido, McNamara (2000) elenca alguns tipos de testes utilizados para avaliação de línguas e, segundo o autor, é importante que se conheça cada um deles, para que se selecione o mais adequado ao propósito desejado, o qual deve ser bastante claro. O propósito do teste, por sua vez, pode variar, mas é fundamental que se atente para que o tipo de exame não interfira negativamente no resultado. A principal distinção relacionada ao propósito de um teste de língua está entre os exames de rendimento e os de proficiência.

O exame de proficiência refere-se ao uso futuro da língua, não se referindo a nenhum curso específico. Com isso, visa-se avaliar a capacidade do candidato em utilizar a língua adequadamente em situações possíveis futuras, não visando reformular currículo nem detectar lacunas. (HUGHES, 2003; MCNAMARA, 2000)

O exame de rendimento, por outro lado, é aplicado ao longo ou ao final do processo de ensino/aprendizagem, por exemplo, de cursos, e permite a revisão do planejamento caso alguma lacuna seja notada. Com ele, o objetivo é avaliar se

houve progresso relacionado aos objetivos de aprendizagem. Ou seja, o exame de rendimento está diretamente relacionado a um curso e é baseado no seu planejamento. Com isso, é importante que o planejamento seja de qualidade, senão todo o processo pode ser comprometido. (HUGHES, 2003)

Hughes (2003) afirma que uma avaliação de rendimento deve abranger uma amostra significativa do conteúdo, mas não todo o conteúdo, para que não fique excessivamente extenso.

Ainda sobre os exames de rendimento Scaramucci (2001) afirma que muitas vezes há um total desencontro entre os objetivos de ensino e a avaliação, assim como a falta de coerência entre a abordagem de ensinar e de avaliar, também citada por Duboc (2007).

Além disso, segundo Scaramucci (na obra citada) a falta de planejamento é bastante comum e isso interfere nas demais fases do ensino, inclusive na avaliação. Essa, por sua vez, é vista com frequência como uma fase distinta e independente do processo de ensino e aprendizagem, o que tende a aumentar a incoerência entre ensino e avaliação. Consequentemente, a função de identificação de falhas no processo de ensino e aprendizagem dessa avaliação fica deixada de lado.

Quanto ao exame de rendimento, ele pode tanto ser interno como externo. O exame interno é aquele elaborado e aplicado pelo educador responsável pela disciplina. Por outro lado, o exame de rendimento externo é elaborado por uma ou mais pessoas externas à sala de aula, por exemplo, com o propósito de avaliar a situação da educação, como é o caso do ENEM.

O ENEM, ao se tornar exame de entrada de diversas universidades federais, não deixou de ter o papel de exame de rendimento externo. No entanto, como o propósito de exame de entrada tem consequências mais diretas sobre os examinandos, esse propósito passou a ser mais valorizado.

Por fim, neste trabalho, não abordaremos detalhadamente as avaliações como a de proficiência e a de nivelamento, por não ser nosso propósito. No entanto, de forma adaptada, transcrevemos a seguir a tabela de Rauber (2012) que aborda essas avaliações, além do exame de entrada e de rendimento, de forma resumida:

TIPO DE TESTE PROPÓSITO EXEMPLOS

Rendimento Utilizado para informar o que foi aprendido ao longo de determinado currículo ou programa

Teste aplicado pelo professor durante ou ao final de um curso. Pode, também, ser externo à sala de aula. Proficiência Utilizado para avaliar o

uso futuro da língua por um indivíduo

TOEFL; Celpe-Bras4

Acesso ou entrada Utilizado para

selecionar alunos para determinado programa ou instituição de ensino ENEM; Vestibular Classificação ou nivelamento Utilizado para identificar o nível de proficiência de um indivíduo para colocá-lo em um curso ou nível apropriado

Exame para colocar o aluno em determinado nível, em um instituto de idiomas.

Concluímos nossa discussão teórica a respeito da avaliação de línguas e passamos, então, a discutir a avaliação em leitura, por ser essa a habilidade privilegiada na prova de inglês do ENEM. Para a análise, então, será apresentada uma revisão da literatura da área, iniciando com os modelos de leitura e a visão que a eles subjazem, e relacionando-os à avaliação de leitura e seus diferentes métodos.