3 INTUITION IN PSYCHOLOGY
3.4 Dual Process Theories
A institucionalização da disciplina de Sociologia em âmbito escolar sempre esteve relacionada à forma como foram conduzidas as políticas educacionais brasileiras ao longo de seu período republicano. Segundo Santos (2002), a inserção da disciplina no ensino brasileiro foi marcada por um processo pendular de inclusão e exclusão durante três períodos na história da educação brasileira.
Essa separação em três períodos é importante para que se possa visualizar os sentidos que o Estado atribuiu ao conhecimento sociológico escolar no decorrer de sua história. Ao analisar o trabalho de Santos (2002), Ferreira (2011) mostra uma preocupação do Estado em apresentar a disciplina de acordo com o contexto histórico, político e econômico do país.
De modo geral, o que se tem é a contextualização da noção de conhecimento escolar de Sociologia, que antes já fora entendida, em momentos distintos, como instrumento de adaptação e depois de reflexão para se compreender as transformações da sociedade que se industrializava, agora, passa a representar um meio de aproximação do conhecimento com os ideais de democracia e cidadania. (FERREIRA, 2011, p. 53).
O primeiro período de institucionalização da disciplina de Sociologia, de 1891 a 1941, é caracterizado pela influência da tradição bacharelesca, seja ligada às
34 reformas educacionais de cunho positivista, ou ao ideal escolanovista30, que
representava um modelo educacional ligado às elites31. É importante perceber que a
função atribuída ao conhecimento escolar de Sociologia, está relacionada às finalidades que o Ensino Médio irá apresentar.
Em um segundo período, de 1942 a 1981, a disciplina esteve ausente de forma oficial do currículo da Educação Básica, muito se deve às vicissitudes pelo qual passavam as políticas públicas direcionadas para o Ensino Médio. De acordo com Krawczyc (2014), essa transição gerou uma dualidade entre as finalidades do Ensino Médio, gerando uma tensão entre políticas públicas que hora buscavam priorizar a formação geral, hora a formação profissional.
A falta de consenso em torno da dualidade na identidade do Ensino Médio (formação geral e/ou profissional); os movimentos constantes de reforma na sua estrutura, ao longo do século XX, passando de uma organização única a uma organização com orientações e vice-versa; e as demandas constantes para inclusão e/ou exclusão de novos conteúdos no currículo são exemplos das tensões em torno desse nível nos diferentes países. (KRAWCZYC, 2014, p.17).
Neste contexto a disciplina de Sociologia sai do currículo escolar por não atender à demanda de uma política educacional permeada por essa dualidade entre a formação geral propedêutica e o ensino técnico profissionalizante.
Essa relação com o modelo educacional vigente irá produzir uma nova faceta para o conhecimento escolar de Sociologia. De 1982 até os dias atuais, temos um período de reinserção gradativa da Sociologia no Ensino Médio. É o período de redemocratização do Estado brasileiro, onde os profissionais da área ganham destaque no cenário político nacional, fomentando a fundação de associações e sindicatos, que tomam a frente na luta política em torno de uma legislação específica
30 Durante este período o conhecimento escolar de Sociologia se assemelha aos ideais positivistas a partir do momento em que os estudantes tivessem “contato com os princípios reguladores do comportamento racional e científico necessários à consolidação da nova forma de organização social.” (FERREIRA, 2011, p. 50). Além disso, houve forte influência dos intelectuais do movimento Escola Nova, que entendiam que “a Sociologia contribuiria para a formação de jovens com a capacidade de investigar e propor soluções para os problemas nacionais. Esses jovens imbuídos de um espírito científico e prático conduziriam as transformações da realidade brasileira”. (SANTOS apud FERREIRA, 2011, p. 50).
31 “No caso específico do Brasil, o ensino médio (antigo ensino secundário) constitui-se como espaço de ensino das elites. O ensino profissionalizante surgiu sob a forma de cursos de curta duração e só muito mais tarde foram aos poucos aparecendo escolas médias profissionalizantes.” (KRAWCZYC, 2014, p. 16-17).
35 para o ensino de Sociologia, a partir da nova lei de diretrizes e bases para a educação (LDB Lei nº 9394/96).
De acordo com Ferreira (2011), a visão que se tem da disciplina está associada ao exercício da cidadania e a formação para o trabalho, características desse novo contexto de Ensino Médio que, diferente das versões anteriores, anuncia-se como etapa final da Educação Básica.
O novo Ensino Médio, nos termos da lei, de sua regulamentação e encaminhamento, deixa de ser, portanto, simplesmente preparatório para o ensino superior ou estritamente profissionalizante, para assumir necessariamente a responsabilidade de completar a Educação Básica. Em qualquer de suas modalidades, isso significa preparar para a vida, qualificar para a cidadania e capacitar para o aprendizado permanente, em eventual prosseguimento dos estudos ou diretamente no mundo do trabalho. (BRASIL, 2002, p. 08-09).
Ao trazer um ideal de mudança, enquanto política educacional, o novo Ensino Médio é implementado num contexto de mudanças significativas na sociedade brasileira, que produzem em seu público alvo uma nova demanda quanto a utilização e instrumentalização dos conhecimentos escolares.
Mas é preciso considerar que algumas mudanças mais amplas podem ser observadas na última década, ou seja, a partir do início do século XXI, embora a profundidade, a direção e a sua qualidade sejam ainda objeto de controvérsia. Maiores possibilidades de consumo e de melhoria de renda de segmentos significativos da população brasileira, ao lado da facilidade de crédito, programas sociais e índices de desemprego decrescentes, certamente redefinem o quadro de expectativas populares para as demandas em relação à escolaridade. (SPOSITO; SOUZA, 2014, p. 41).
A disciplina de Sociologia ressurge de forma oficial nos currículos escolares em meio a esse contexto de mudanças, relacionadas a condução de políticas públicas educacionais. Com a nova legislação educacional, surge outra finalidade para a utilização desse conhecimento escolar para atender as demandas educacionais.
Com efeito, os princípios que compõem a natureza da modalidade de ensino em questão, incide diretamente na forma como o conhecimento sociológico é utilizado, em tese, pelos jovens egressos da Educação Básica. Tal caracterização acaba por fomentar um saber especifico, construído dentro da instituição escolar. Dessa maneira, para compreender a forma como esse conhecimento é produzido e
36 operacionalizado em três diferentes instituições de ensino, é necessário refletir sobre o sentido de Sociologia enquanto conhecimento escolar.
Para tal reflexão irei me apoiar no estudo realizado por Ferreira (2011), no intuito de empreender semelhante estudo em escolas de Ensino Médio do Ceará, relacionado ao sentido que a disciplina adquire via documentação oficial e à realidade construída em cada instituição de ensino.
3.2 O currículo de Sociologia e os documentos oficiais: Parâmetros