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Drilling Challenges in Deepwater and Arctic regions

2.3 Natural Gas Hydrates as a Drilling Hazard

2.3.1 Drilling Challenges in Deepwater and Arctic regions

Eu não me atrevo a nomear este capítulo como conclusão porque dediquei as cem páginas anteriores à descrição e justificativa de uma prática aberta para a buscar a mudança e a construção do novo. Minha crítica reside justamente naquele diagnóstico desprovido de visão terapêutica que cristaliza e imobiliza a identidade e a vivência do sujeito em suas possibilidades e alternativas como se não houvesse mais nada a ser feito além de observar e registrar. Pelicciolli (pág. 107, 2004) concluiu seu mestrado pontuando que a conclusão em si é muito perigosa porque “os fechamentos teóricos e éticos geralmente nos conduzem para uma espécie de enclausuramento do qual dificilmente queremos sair devido a sua comodidade”. Portanto, eu pretendo expor algumas reflexões e expectativas, marcando que este trabalho não marca uma conclusão, mas o início de uma nova fase profissional.

O acompanhamento terapêutico em grupo surge como uma alternativa que atende a proposta de Minkowski (1927) que o trabalho terapêutico em saúde mental não utilize ocupações e atividades repetitivas, mas que abra espaço para que o indivíduo possa se colocar como sujeito e construir sentidos para si através de suas produções nessas atividades. O retorno à rua é a alternativa para retirar o indivíduo do isolamento do manicômio onde resta apenas a necrose social descrita por Mailhiot (1970) como a completa estagnação social e a impossibilidade de satisfação das próprias necessidades

sociais. A rua oferece um campo-social vivo e rico, repleto de possibilidades onde possa investir em relacionamentos, sentir-se acolhido, escutado, e possa inclusive, oferecer a escuta e acolhimento.

O passeio facilita, ou intensifica alguns fatores envolvidos na gênese e manutenção do grupo ao expor os participantes às ruas da cidade. O grupo se evidencia em contato com a população nos ônibus, nos shoppings e nas exposições de arte. Mesmo os casos individuais que citei surgiram a partir de um convívio de grupo, e duvido que pudesse comparecer em outras espaços ou settings terapêuticos de forma tão evidente e regular como pôde ser trabalhado no passeio. Tenho a convicção que minha aproximação com Içá se intensificou a partir dos passeios, pois nosso contato transcendeu os contatos corporais restrito a abraços e acrescentou diálogos sobre os lugares e situações que vivemos juntos.

Acredito que a presença dos estagiários dinamiza o ambiente terapêutico do centro de convivência. A rotatividade ajuda a marcar a passagem do tempo dentro da clínica, pois a cada seis meses entra uma nova turma e sai a turma mais antiga que completou um ano e meio. Como grupo, todos (terapeutas, pacientes e estagiários) se mobilizam para se adaptar à entrada dos novos membros e saída daqueles que concluíram a especialização. Para os pacientes é mais uma oportunidade para satisfazer as necessidades interpessoais, treinar suas habilidades sociais dentro do grupo e lidar com os temas envolvidos com a separação dos estagiários que saem. Os novos estagiários abrem espaço para o estabelecimento de novas relações transferenciais que podem proporcionar situações terapêuticas importantes.

Diante dos visíveis efeitos terapêuticos não apenas do passeio, mas das outras oficinas oferecidas pelo hospital-dia onde realizei minha especialização clínica. Marco a minha crença na importância de capacitar profissionais para uma prática de saúde

mental humanizada e crítica para evitar o exercício da clínica enclausurada pelas certezas teóricas e éticas. Pessoalmente, a experiência do passeio e do hospital-dia modificou a minha postura clínica devido às intensas trocas interpessoais dentro de um campo-social onde encontrei espaço para questionar e transformar minha pratica profissional. Creio que o contraste entre minha melodia pessoal (Minkowski, 1937) e as melodias das pessoas que conheci ao longo dessa experiência evidenciaram minha música de forma que eu pudesse compreender mais de mim.

Próximo de concluir minha dissertação, deparei-me com uma série de questionamentos ainda em aberto, e recordei de uma fala de meu orientador Norberto no capítulo de conclusão de sua tese de doutoramento:

“Tentei escapar do ritmo industrial imposto à produção acadêmica. Com quem devo “explicar-me” se concluo esse trabalho com o sentimento de não ter atingido a síntese entre êxtase e forma, sem o que não há dança?” (Abreu e Silva, pág 110, 1988)

Mesmo que o próprio exercício da escrita tenha proporcionado reflexões importantes, a expectativa de aprofundar minha caminhada dentro do estudo da fenomenologia na clínica não foi plenamente satisfeita e permanece em aberto. Na verdade, fica a sensação de ainda engatinhar enquanto meu élan vital (Minkowski, 1970) continua me guiando em direção à possível concretização de minhas expectativas de vida e acadêmicas.

Cito uma fala do cineasta Tarkovski sobre o tempo:

“O tempo em que a pessoa vive dá-lhe a oportunidade de se conhecer como ser moral, engajado na busca da verdade: no entanto, esse dom que o homem tem nas mãos

é ao mesmo tempo delicioso e amargo. E a vida não é mais que a fração de tempo que lhe foi concedida, durante a qual ele pode (e, na verdade, deve) moldar seu espírito de acordo com seu próprio entendimento dos objetivos da existência humana. No entanto, a rígida estrutura na qual ela se insere torna nossa responsabilidade para conosco e para com os outros ainda mais flagrantemente óbvia. A consciência humana depende do tempo para existir”. (Tarkovski, pág 65, 2002)

O trecho é parte de uma reflexão sobre a natureza e a função do tempo na existência humana onde o cineasta expõe e justifica sua crença quanto a necessidade de utilizar e apresentar o tempo no cinema como uma dimensão da existência humana. A opinião do artista sintetiza minha percepção quanto ao atravessamento do tempo na constituição dos sentidos pessoais e profissionais na minha existência.

Portanto, eu encerro esse texto mais pela exigência formal dos prazos estabelecidos, pois meus desejos permanecem os mesmos que motivaram minha entrada no mestrado, além da consciência quanto à complexidade e impossibilidade de aprofundar em todas as possibilidades do trabalho de acompanhante terapêutico em grupo. Marco meu desejo que o acompanhamento terapêutico em grupo ganhe mais espaço e reconhecimento no universo acadêmico para que as discussões possam evoluir e explorar as possibilidades dessa tecnologia ainda pouco divulgada da reforma anti- manicomial.