• No results found

Disruptive technology

5. Litteratur som kan knyttes til Open Innovation

5.4 En tilnærming til arkitektonisk innovasjon

5.4.2 Disruptive technology

Ao referenciar recorrentemente a casa dos ouvintes como o espaço adequado para a audição de música, a publicidade relativa à fonografia elétrica não deixava de emitir juízos de valor a respeito dessa esfera espacial. Levando-se em consideração que o elemento convencimento assume um papel importante em reclames de qualquer tipo, era necessário aos anunciantes convencer o ouvinte/cliente de que a melhor maneira de experimentar uma boa escuta musical seria na sua própria casa.

Para tal, seriam necessários argumentos de natureza técnica (acústica e arquitetura) e econômica, ao passo que os instrumentos reprodutores demandavam apenas um investimento inicial. Importantes e extremamente relevantes, tais argumentos, porém, não se mostravam suficientes na batalha de convencimento dos ouvintes que acontecia em duas frentes distintas. Primeiro era necessário fazer o consumidor abandonar os dispositivos oriundos do sistema mecânico e optar pelos elétricos. Na sequência, era preciso convencê-lo a abandonar a prática de escuta de música em teatros, cinemas e outros espaços que ofereciam música executada em tempo real, e optar pela escuta promovida pelos fonógrafos e gramofones, que se apresentava como doméstica.

Nesse sentido, mostrava-se indispensável para que a estratégia de convencimento funcionasse um julgamento positivo da casa e do espaço doméstico

enquanto lugares para apreciação musical. O anúncio da Electrola Victor que exibimos abaixo, o qual trazia junto do texto publicitário a imagem de um homem sentado em uma cadeira e falando ao telefone, nos dá indícios para entender a casa como um elemento utilizado pela publicidade em suas tentativas de fazer do seu público alvo um consumidor potencial de algum artigo oriundo na fonografia elétrica.

- Sairmos? Mas para aonde, querida?

- Ao theatro. A temporada lyrica... Ouvir boa música

- Mas não seria preferivel que viesses aqui e ficassemos a ouvir essa boa musica que desejas na nossa ELECTROLA VICTOR? Não precisarias vestir-te com toilette de luxo, ficaríamos a vontade, conversando, longe de olhares indiscretos, num encantador tête-a- tête...

- Talvez tenhas razão.

- ... e este instrumento maravilhoso, com a mesma perfeição, dar-te-á tudo o que as melhores vozes te poderiam dar no theatro, far-te-a ouvir com a máxima nitidez, como um sonho deslumbrante, tudo o que quiseres em qualquer parte do mundo, e isso aqui, sem sahirmos, os dois sós...

- Espera-me. Vou immediatamente!99

O anúncio em questão deixa evidente a oposição já discutida anteriormente entre o público e o privado. Ao ser convidado pela sua querida para a “temporada lyrica”, o nosso personagem oferece outra opção: a sua própria casa. Seu argumento não é fundamentado numa crítica à música oferecida pelo teatro, que não entra em questão, mas ao fato de que em casa, os dois desfrutariam de uma série de benefícios não experimentáveis no teatro. Para ele, permanecendo em casa seria possível ouvir música sem o desconforto causado pelas roupas necessárias à ida ao teatro, sem a interferência de outras pessoas e com a certeza de uma qualidade sonora assegurada.

Mais uma vez, são destacadas as possibilidades de usufruir de músicas de diversas partes do mundo sem precisar sair de casa. A Electrola Victor tornava-se o passaporte do ouvinte que passava a ter a possibilidade de experimentar e ouvir estilos e artistas que antes só poderiam ser ouvidos pelos viajantes. A sala de estar tornava-se a porta de entrada para o mundo, ao mesmo tempo em que a privacidade era mantida, já que, segundo o anuncio, poder-se-ia ouvir “tudo o que quiseres em qualquer parte do mundo, e isso aqui, sem sahirmos, os dois sós...”

O elemento flerte está evidente no anúncio, ao passo que o nosso personagem- galã-entusiasta da Electrola Victor insinua, não apenas para a moça a quem pretende,

mas para todos os dispostos a adquirir o novo lançamento da Victor, que tal instrumento tocador de música possibilita entre outras tantas benesses a possibilidade de um romance bem sucedido.

Mas, fosse o téte-a-téte romântico ou a busca pela escuta de boa música, a casa seria o palco ideal para as duas experiências, porque era nessa esfera espacial que os ouvintes ou amantes poderiam desfrutar do conforto ou da intimidade necessários para a música ou para o amor.

A experiência da audição de música a partir da fonografia elétrica foi utilizada com uma freqüência recorrente pela publicidade como elemento simbólico que poderia interferir no sucesso de relações amorosas. Em outro anúncio da Victor, a Electrola é decisiva na boa relação entre genro e sogro.

O pai entra e, consultando o relógio, admira-se de encontrar o genro e a filha tranquilamente em casa. Logo encontra a explicação, porém: a maravilhosa Electrola Victor recém adquirida que representou para o seu lar um poema de tranqüilidade, prazer e harmonia.

Acabaram-se os theatros, os passeios, as saidas diarias. Aquelle lar antes agitado é agora só felicidade e bem-estar. E tudo aquillo que muitos não conseguem com a fortuna, conseguiram-no com a modica despesa de sua Electrola Victor - o instrumento ideal, perfeito, admiravel, que diverte e instrue, proporcionando ao mesmo tempo um illimitado conforto. Nenhum lar pode dispensar uma Electrola Victor.100

Muito provavelmente o anúncio acima tinha como público alvo os pais que estavam insatisfeitos com a presença de suas filhas fora de casa. Mesmo com o objetivo do reclame sendo a divulgação do produto da Victor, vemos mais uma vez uma concepção da casa como refúgio à vida exterior e, dessa vez, como refúgio moral, ao passo que além da função de domicílio propriamente dita, servia também como espaço para a reclusão feminina, num momento em que a sua aparição pública com companhias masculinas era moralmente interditada à mulher.