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Diskusjon vedrørende kriterier for valg av rensemetode

4. Kriterier og metoder for valg av rensemetode

4.4. Diskusjon vedrørende kriterier for valg av rensemetode

Como em outras pesquisas do NEGRI, nesta dissertação a opção foi pela hermenêutica de profundidade (HP) como referencial metodológico, pois esse instrumental permite ao (à) pesquisador(a) analisar as formas simbólicas em contextos estruturados.

Thompson (2009) delineia a HP como marco metodológico apoiando-se na hermenêutica. A tradição da hermenêutica define que muitos fenômenos sociais são formas simbólicas e essas, como construções significativas, apresentam problemas distintos de compreensão e de interpretação.

O autor destaca que, para a tradição da hermenêutica, no caso da investigação social, os problemas são efetivamente diferentes daqueles considerados pelas ciências naturais dado que, na investigação social, o objeto de investigação é, em si, um território pré-interpretado.

Thompson (2009) desenvolve um referencial metodológico que se fundamenta na hermenêutica enquanto método para a investigação sócio-histórica. Para tanto, elege escritos de Paul Ricoeur para afirmar que a hermenêutica pode oferecer tanto uma reflexão filosófica sobre o ser e a compreensão, quanto uma reflexão metodológica da natureza e tarefas da interpretação na pesquisa social.

Thompson (2009) se aproxima da idéia subjacente da HP com vistas a delinear um referencial metodológico para a interpretação das formas simbólicas e transformação interpretativa da ―doxa‖ 13. Tal metodologia afirma o objeto de análise

como uma construção simbólica significativa e propõe uma interpretação/reinterpretação de fenômenos significativos (THOMPSON, 2009). Esse

13 Opiniões, compreensões e crenças sustentadas e partilhadas por indivíduos constituintes do mundo

arcabouço metodológico é constituído por três fases: análise sócio-histórica, análise formal ou discursiva e interpretação/reinterpretação.

A primeira fase da HP é denominada por Thompson (2009) de análise sócio- histórica, tendo como objetivo a reconstrução das condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das formas simbólicas sob análise, dado que estas não subsistem em um vácuo. Tanto as formas simbólicas quanto as condições sociais e históricas recortadas serão adequadamente examinadas, variando de um estudo para outro, conforme os objetos e circunstâncias particulares de pesquisa. O autor distingue aspectos básicos dos contextos sociais e sugere que cada um desses aspectos defina um nível de análise diverso:

espaço-temporais — relacionados aos tempos e espaços específicos em que as pessoas que produzem e recebem as formas simbólicas estão situadas;

campos de interação — são o locus das trocas simbólicas e podem ser analisados como espaços de posições, assim como um conjunto de trajetórias que paralelamente definem algumas das relações entre pessoas e oportunidades a que essas têm acesso;

instituições sociais — podem ser consideradas como conjuntos relativamente estáveis de regras e recursos, juntamente com relações sociais estabelecidas pelas próprias instituições sociais — fazem parte e são constitutivas dos campos de interação;

estrutura social — refere-se às assimetrias e às diferenças relativamente estáveis características das instituições sociais e campos de interação; meios técnicos de construção de mensagens e de transmissão — concedem às formas simbólicas certas características e determinado grau de fixidez e reprodutividade, bem como possibilidade de participação aos indivíduos que utilizam o meio de comunicação. Nas pesquisas do NEGRI, a análise sócio histórica se materializa na revisão da literatura focalizando os contextos sócio-históricos de produção, circulação e recepção de formas simbólicas que variam conforme o objeto de investigação. Nesta dissertação os temas privilegiados para analisar o contexto sócio-histórico foram: a EI - particularmente a creche - e a formação inicial de pedagogos em nível superior.

Thompson (2009) denomina a segunda etapa da HP como análise formal ou discursiva na qual se estudam as formas simbólicas como construções complexas que possuem uma estrutura articulada. As especificidades dessas construções simbólicas exigem uma fase analítica com foco na organização interna das formas simbólicas, suas características estruturais, padrões e relações.

A maneira ou forma de conduzir a análise formal ou discursiva depende do objeto ou das circunstâncias de investigação (THOMPSON, 2009). O autor enumera algumas formas de condução do processo analítico:

análise semiótica — estudo dos elementos constitutivos da forma simbólica, das relações entre esses elementos oriundos de sistemas mais amplos. Implica geralmente numa abstração metodológica das condições sócio-históricas de produção e recepção das formas simbólicas;

análise da conversação — estuda as instâncias da interação linguística nas situações concretas em que estas emergem e as formas como estão organizadas. Realça algumas características sistemáticas ou estruturais da interação lingüística;

análise sintática — atenta para a sintaxe ou a gramática presente nos discursos do cotidianos;

análise da estrutura narrativa — busca identificar efeitos narrativos específicos que ocorrem em uma narrativa peculiar ou esclarecer seu papel na narração histórica;

análise argumentativa — visa a reconstruir e explicitar os padrões de inferência que caracterizam o discurso.

Nesta dissertação foram eleitas as técnicas de análise de conteúdo (BARDIN, 1977; ROSEMBERG, 1981) para balizar a análise das peças discursivas (texto de transcrição de entrevistas e planos de ensino).

A última fase da HP é nomeada interpretação/reinterpretação. Esses processos, segundo Thompson (2009), ocorrem de maneira concomitante. A interpretação é, ao mesmo tempo, um processo de reinterpretação, conforme assinala Thompson (2009), a saber:

(...) no sentido de que é a reinterpretação — mediada pelas fases da hermenêutica de profundidade — de um objeto-domínio que já está

interpretado e compreendido pelos sujeitos que constituem um mundo sócio-histórico (p.34).

A análise do contexto sócio-histórico (análise formal), nesta pesquisa, terá como cerne os discursos de três professoras do curso de Pedagogia sobre a pequena infância e a creche. Tal instrumental dar-se-á em dois eixos distintos que se entrecruzam: políticas e práticas de EI para crianças pequenas; políticas e práticas de formação de professores. O segundo eixo será subdivido em formação de professores de ensino superior e formação de professores de EI.

Seguindo as etapas propostas por Thompson (2009), o próximo passo será apresentar uma análise do contexto sócio-histórico de produção, circulação e recepção das formas simbólicas que analisamos.