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Actividad enzimática del suelo

AHULUQ 15 Extracto húmico total (%)

4.2.6. Diseño experimental

Gutierrez (1999, p.15) coloca que depois de duas décadas de ativismo ambiental, no contexto dos anos 90, percebeu-se que houve um descompasso entre a prática e a teoria. e então, impulsionar novos espaços sociais que propiciem o nascimento de uma nova forma de fazer política, que desperte a coragem civil que leva cada indivíduo associar-se e a construir sua representação frente ao Estado e frente aos poderes econômicos, contribuiria para integração da América Latina, partindo de uma humanização de sua sociedade e de uma apropriação de sua soberania sobre o uso de seus recursos naturais e ambientais.

Conforme Reigota (2010, p.10), para o Brasil e América Latina a proposta de EA seria baseada na filosofia da ciência, da política e da educação, uma proposta

que visa a participação da sociedade nas discussões e decisões sobre a questão ambiental e a utilização racional dos recursos naturais.

Com as perspectivas desanimadoras do quadro da educação e do meio ambiente na América Latina, Reigota concluiu que é necessário que a EA enfrente desafios de mudança de mentalidade sobre as ideias de modelo de desenvolvimento, baseado na acumulação econômica, no autoritarismo político, no saque aos recursos naturais, no desprezo às culturas de grupos minoritários e aos direitos fundamentais do homem.

Então EA seria uma educação política fundamentada em uma filosofia política, da ciência e da educação antiautoritária, pacifista e utópica, no sentido de exigir e chegar aos princípios básicos de justiça social, buscando uma “nova aliança” (Prigogine e Stengers) com a natureza através de práticas dialógicas pedagógicas. (REIGOTA, 2010, P.63).

Para Reigota (2010, p.11), partindo do princípio de que a EA é uma proposta de uma educação que visa a participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre a questão ambiental, o que se deseja cumprir através dela está baseado no pensamento de Prigogine e Stengers para o estabelecimento de uma “nova aliança” entre a humanidade e a natureza; o estímulo à ética nas relações econômicas e sociais; uma EA baseada no diálogo entre gerações e culturas em busca de tripla cidadania local, continental e planetária e liberdade para uma sociedade mais justa mundialmente.

Então seria importante o estabelecimento de uma filosofia de EA que possibilitasse a realização de EA dentro de paradigmas contemporâneos da ciência, da política, da psicologia e da educação, analisando diferentes áreas de conhecimento. As bases educacionais pós-modernas foram relacionadas com teorias S. Moscovici (representações sociais e meio ambiente); Prigogine e Stengers (representações sociais e a Nova Aliança) e de J. Rawis (representações sociais e a justiça).

O entendimento de meio ambiente seria através das representações sociais que estão relacionadas com as pessoas que atuam fora da comunidade científica, mas podem estar presentes nela. Como não existe um consenso na comunidade científica sobre o que seja meio ambiente, a noção é que ele pode ser uma

representação social, que para Moscovici (1976) “é um senso comum que se tem sobre um determinado tema, onde se incluem os preconceitos, ideologias e características específicas das atividades cotidianas (sociais e profissionais) das pessoas” (REIGOTA apud MOSCOVICI, 2010, p.12).

A definição de meio ambiente para fundamentar a EA é a seguinte:

Um lugar determinado e/ou percebido onde estão em relação dinâmica e em constante interação os aspectos naturais e sociais. Essas relações acarretam processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e políticos de transformação da natureza e da sociedade. (REIGOTA; PRADO, 2008, p.181).

A definição acima é de 1988, e se aplica à experiência do IAPAV, porém, como enfatiza Reigota (2009, p.37):

O processo pedagógico da Educação Ambiental como educação política enfatiza a necessidade de se dialogar sobre e com as mais diversas definições existentes, para que o próprio grupo possa construir junto uma definição que seja a mais adequada para se abordar a problemática que se quer conhecer e , se possível , resolver.

Então a ”nova aliança” é a contribuição da filosofia da ciência à EA, de Prigogine e Stengers, onde se discutem avanços científicos no mundo contemporâneo, pela via de uma comunicação com a natureza. A ciência contemporânea (ciência do complexo) relativiza o conhecimento e desestabiliza o poder “das verdades científicas”. Prigogine e Stengers estabelecem diálogos teóricos com a literatura, a poesia e o teatro sobre seus argumentos científicos. Eles dão importância aos sentidos e significados (sobre “escuta poética da natureza”). Concluindo, a compreensão das diferentes representações deve ser a base da busca de negociação e solução dos problemas ambientais (REIGOTA, 2010, p.16). A utopia, autonomia, cidadania e justiça social são as contribuições da filosofia política à EA. Para Reigota, citando Mannheim (1986), as utopias sempre existiram na história, a prova disso é o pensamento ambientalista. Então as propostas ambientalistas que buscam a autonomia da sociedade civil frente ao

Estado e à realização de uma sociedade mais justa (não só pelos aspectos econômicos) são as que melhor podem contribuir para realização de EA (idem, p.21).

Para Reigota (2010, p.16), EA como educação política é crítica aos sistemas autoritários, tecnocráticos e populistas. A prática de EA se sustenta e justifica quando esta educação colabora na busca e construção de alternativas sociais baseadas em princípios ecológicos, éticos e de justiça para as gerações atuais e futuras. Quanto à contribuição da filosofia da educação à EA, precisa-se saber qual a concepção de meio ambiente para praticá-la, e conhecer as representações de meio ambiente das pessoas envolvidas no processo pedagógico para praticar a EA. A prática pedagógica teve origem nos trabalhos pioneiros de Paulo Freire (ibidem p.26).

No trabalho com os (as) extensionistas rurais no Amapá e com professores (as) da rede pública de educação do Rio Grande do Sul de 2000 a 2002, Reigota e Prado (2008, p.173) reconheceram que o conhecimento de lugares com culturas e meio ambiente diferenciados resultou no aprofundamento e na avaliação de noções, teorias e da definição de EA como educação política elaborada em 1988, havendo necessidade de enfatizar como as noções de cultura se relacionam com a problemática ecológica e em particular com a Educação Ambiental:

Consideramos que se referir à cultura(s) e dar a ela(s) devida importância exige a tomada de uma clara posição política e especificar o referencial adotado. A nossa opção política e teórica privilegia as expressões dos anônimos e procura trazê-las aos espaços públicos de discussão acadêmica de políticas e alternativas de intervenção cidadã que considera e reivindica como fundamental a validade das singularidades culturais que se manifestam no cotidiano e que são expressas e produzidas pelos anônimos, não como produto cultural a ser consumido, mas sim como expressão de uma forma de viver/estar/ser/intervir e se posicionar no mundo.

A respeito da noção de meio ambiente citada anteriormente (de 1988), afirma que tem procurado buscar as inconsistências e fragilidades diante das representações de meio ambiente que prevalecem no senso comum e de outras definições encontradas na produção teórica e científica sobre o tema. Neste sentido,

a noção de meio ambiente adotada nesta pesquisa corrobora o que afirmam Reigota e Prado (2008, p.181):

Corremos o risco de afirmar que a noção de MA que adotamos no nosso trabalho não esgotou suas possibilidades, quando encontramos similaridades nas noções dos/as extensionistas e professores/as e ao observarmos suas relações com as práticas pedagógicas e sociais.

No que se refere à dimensão política da utopia e práxis, a perspectiva política continuará sendo a descentralização do poder e das decisões e enfatizar a dimensão política da intervenção cotidiana dos cidadãos e cidadãs na construção de uma sociedade justa, democrática e sustentável.

Por fim, o trabalho com os extensionistas rurais indicou que o processo de formação em EA evidencia e torna público aspectos da Amazônia para além das fronteiras e limites dessas práticas cotidianas e pessoais (idem, p.181-187).

3.1.2.3 A Educação Ambiental como educação política

A Educação Ambiental está relacionada com o pensamento pedagógico de Paulo Freire, que enfatiza antes a questão “por que fazer” do que “como fazer”. Para Reigota (2009, p.14), a EA é uma educação política e relacionar-se com o pensamento de Paulo Freire significa que ela tende a “questionar as políticas atuais (mesmo as consideradas de “esquerda”) e a própria educação escolar e extraescolar, quando preocupadas em transmitir conteúdos científicos que terão utilidade apenas para concursos e exames”.

Ana Maria de Araújo Freire18, quando perguntada sobre se Paulo Freire desenvolveu um “método de alfabetização”, uma “concepção de educação” ou uma “teoria de conhecimento” esclareceu que Freire não criou apenas um método de alfabetização, mas sim “uma certa compreensão de educação”, nas palavras dele próprio. Uma compreensão teórica que foi testada na prática e voltou à teoria e foi

18 Ana Maria de Araújo Freire (Nita), nasceu em Recife(PE) em 13 de novembro de 1933, filha de educadores. Casou-se com Paulo Freire em segundas núpcias. É mestre e doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ( PUC/São Paulo). Esta é uma das perguntas contidas na entrevista de Nita Freire, concedida à Márcia Aparecida Luna Rodrigues Germano, para sua dissertação de mestrado em Educação, na Pontifícia Universidade de Sorocaba. Para mais informações ver referências.