Este grupo, como vimos no capítulo metodologia, é formado apenas por dois alunos que preferem trabalhar sempre em dupla. Nesta fase, apresentam um conhecimento básico e homogêneo das ferramentas de autoria e heterogêneo quanto ao emprego de recursos de linguagem. O resumo1 que apresentaram pode ser visto na Figura 23, a seguir.
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Figura 23: resumo do grupo 1
Em relação aos significados organizacionais, este grupo distribuiu as informações apenas em uma página, construindo uma arquitetura linear. Houve a tentativa de construção de navegação, mas os links propostos, de indicação para referências bibliográficas, não funcionam quando acessados. Os textos são divididos apenas por um espaço maior entre eles e pelos títulos, que estão no início da tela e centralizados. Segundo Kress e van Leeuwen (1996), como vimos anteriormente, nossa referência para a organização de elementos nas imagens segue o padrão ocidental da escrita, em que as informações novas estão à direita, as dadas à esquerda, as potenciais na parte superior e as reais na parte inferior da imagem. Neste caso, então, os títulos estão em posição não marcada para textos acadêmicos: potencial, como pode ser visto na Figura 23.
Quanto aos significados orientacionais, o grupo não foge ao padrão do texto acadêmico: os participantes interativos, isto é, emissor e receptor, não são
representados (Kress e van Leeuwen, 1996), provocando um efeito de distanciamento. Não é oferecida nenhuma possibilidade de interferência no conteúdo ou na estrutura ao usuário, que tem como demanda rolar a página para receber a informação que lhe é oferecida. As únicas opções de interatividade de seleção oferecidas, não funcionam quando acessadas, o que frustra a expectativa do usuário.
Já em relação aos significados representacionais, o grupo faz escolhas verbais que se aproximam das escolhas típicas do discurso acadêmico, tais como a opção de empregar a terceira pessoa para nomear os participantes representados e não nomear os participantes interativos, como já observamos. Apenas os autores comentados no texto são representados, mas sem a indicação de referências bibliográficas. O grupo, estranhamente, não é nomeado em nenhum lugar do trabalho: não há créditos.
Segundo Thompson (1996), é na escolha da nomeação dos participantes que podemos perceber uma intersecção entre as metafunções ideacional e interpessoal (respectivamente, representacional e orientacional). É nesse momento que atribuímos escolhas lexicais para nomear os participantes das interações em que nos envolvemos. Ao nomearmos os participantes (interativos ou representados) estamos atribuindo papéis que serão desempenhados por esses participantes ao longo de uma interação. Quando os participantes interativos são nomeados, portanto, passam a ser representados na interação, cria-se um efeito de proximidade do leitor/falante/usuário. Quando, ao contrário, não há nomeação dos participantes interativos o efeito é de afastamento e prioridade do tópico abordado sobre as relações interpessoais.
As maiores alterações representacionais em relação ao resumo impresso são as representações visuais e gráficas: os textos seguem uma formatação própria, isto é, não seguem nem o padrão para textos na web e nem para o texto acadêmico: sem parágrafos, justificado, espaço simples. Mas está na escolha das
cores o maior diferencial. O grupo optou por empregar fonte branca, sobre fundo preto, escolhas marcadas em relação ao texto acadêmico, mas que são comuns na web, principalmente, em sites alternativos e voltados para um público mais jovem, como os sites de bandas de rock, como pode ser visto na Figura 24, a seguir.
Figura 24: detalhe de resumo do grupo 1
1.2.2. Resultados da perspectiva exploratória do grupo 2
Este grupo é composto por seis integrantes com características heterogêneas quanto ao conhecimento de ferramentas de autoria e quanto ao domínio de recursos de linguagem. Nesta fase, apresentam conhecimento tecnológico básico e um domínio de produção de textos maior em relação à turma como um todo.
Em relação aos significados organizacionais, podemos perceber que o grupo tenta construir a organização das informações levando em conta os recursos do ambiente digital. As informações verbais são distribuídas em seis páginas diferentes, com a seguinte organização:
Título do texto resumido, autora e grupo Título dos 3 capítulos Integrantes do grupo Configurando uma outra textualidade
O autor Intersecção com as
teorias do contemporâneo
Figura 25: Distribuição das informações do resumo do grupo 2
Nesta organização há uma divisão do conteúdo em duas páginas diferentes, que acaba por criar duas páginas distintas de apresentação para chegar à informação desejada. Na primeira (Figura 26), são disponibilizados, em lista, o título da tese, a autora e o grupo. Clicando sobre o título, há acesso à página com os títulos dos capítulos (Figura 27) que ocupam a página inteira e funcionam como entradas para as três sessões do site.
Figura 26: página inicial de resumo do grupo 2 Figura 27: página 2 de resumo do grupo 2
Os títulos estão centralizados e ordenados em lista, sugerindo um caminho ao usuário: entrar em cada sessão pela ordem em que os títulos aparecem, mesmo que não estejam numerados. A alternativa de caminho oferecida na abertura do site leva apenas para a página com o nome dos integrantes do grupo.
A organização visual das informações segue escolhas não marcadas em relação ao texto acadêmico impresso: títulos centralizados, acima do texto. Os textos “Configurando uma outra textualidade” e “Intersecção com as teorias do
contemporâneo” também seguem a formatação padrão do impresso. O texto “O autor” está escrito em forma de lista, o que remete mais a um “fichamento” do
texto do que a um resumo. Não há imagens e os links são paratáticos de
expansão: extensão (Halliday, 1994; Lemke, 2002a), escolha que indica haver a
preocupação do grupo em oferecer informações adicionais ao leitor e de exercitar as possibilidades da escrita hipertextual, adicionando informações de maneira não seqüencial (Figura 28).
Figura 28: página de terceiro nível do resumo do grupo 2
Já em relação às escolhas orientacionais, também já há uma tentativa de criar uma certa interatividade própria do ambiente digital. Para acessar os textos resumidos e as lexias oferecidas nesses textos, o usuário tem como demanda clicar nos links para receber informações. Para navegar o usuário deve usar os botões do navegador, já que o caminho de volta não é oferecido.
Não há ferramentas de interatividade e os caminhos sugeridos pelos links não permitem muitas opções de escolha ou qualquer tipo de interferência do usuário na estrutura ou no conteúdo. As escolhas visuais de representação (fonte preta sobre fundo violeta) acabam comprometendo a credibilidade do texto, já que criam distanciamento em relação ao padrão do discurso acadêmico.
Quanto ao percurso e à navegação oferecidos, o resumo apresenta links disjuntivos, isto é, que abrem em outra página, e com uma navegação circular que obriga o usuário a sempre voltar para uma página central se quiser seguir caminho
diferente do escolhido previamente. Mesmo assim, o usuário deve usar os botões do navegador para voltar, porque não há caminho de volta disponível. Com as marcas de links acessados o usuário sabe, pelo menos, o caminho que já foi percorrido.
As escolhas de representação verbal, por sua vez, remetem ao resumo impresso. O grupo é nomeado, por nomes próprios em ordem alfabética, em página especial. No texto, não há nomeação de participantes interativos, escolha que traz um efeito de distanciamento próprio do discurso acadêmico, como já vimos. Os únicos participantes representados são os autores citados no resumo. Para essas representações embora tenham sido usados nomes próprios, não foram indicadas as referências bibliográficas, escolha que está fora dos padrões de citação. A autora do texto fonte também é nomeada apenas na página inicial.
Por fim, no âmbito das escolhas de representação visual, encontramos as escolhas que mais se afastam do texto acadêmico impresso e se aproximam do padrão de sites da web. Os títulos estão em negrito, caixa alta, com bordas (escolha que não é própria de nenhum dos dois contextos). Os textos têm fonte verdana 12 preta (escolha padrão para web), fundo violeta e bordas marcadas nas páginas. Os links estão em fonte azul, negrito e sublinhado, quando acessados passam a roxo, também uma escolha considerada não marcada para a web. Parece haver uma intenção de dar um tratamento diferenciado ao texto acadêmico para transmutá-lo para o ambiente digital, mas nessa tentativa, apenas as cores de fundo e elementos da formatação foram alterados, como no exemplo do grupo anterior.