• No results found

Discrete optimal control of linear dynamic systems

In document OPTIMAL MODEL BASED CONTROL: (sider 100-108)

Introdução

Tem sido argumentado que determinadas especificidades políticas e culturais da Suíça influenciam as percepções que os cidadãos suíços têm do seu país e das instituições internacionais – percepções essas tidas como diferentes das dos cidadãos de outros países europeus. Esta perspectiva permite formular as hipóteses que passamos a enunciar.

Uma vez que a Suíça é um Estado federal com diversas línguas e cul- turas, os suíços deverão sentir-se mais fortemente ligados à sua região ou comunidade local do que ao país globalmente considerado. Por outro lado, essa ligação regional ou local deve ser mais intensa na Suíça do que nos países formados com base em critérios exclusivamente nacionais.

A prosperidade económica do país e as suas tradições de democracia directa, a nível interno, e neutralidade, a nível externo, sedimentaram a ideia de que a Suíça é um Sonderfall, uma excepção.1Por isso, a identidade nacional suíça poderá ser diferente de outras identidades nacionais.

A pressão externa contribuiu para a formação de uma consciência na- cional helvética. Exemplo disto foi a preocupação com a manutenção

1O conceito de Sonderfall é de origem alemã. Tomada à letra, a expressão significa

«caso especial»; mas é empregue com um sentido mais específico e complexo para referir a Suíça enquanto país cujas tradições de federalismo, democracia directa e neutralidade o excluem, supostamente, do destino comum dos restantes países – uma entidade ex- cepcional cujas características devem ser preservadas. A particular relevância da expressão no caso suíço deve-se, provavelmente, ao peso que ela adquire no debate político, sobre- tudo quando há referendos sobre a Europa.

da neutralidade aquando da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, o tratamento dado, após o conflito, aos fundos judeus – assunto que ainda recentemente foi alvo das atenções internacionais – suscita também a questão do relacionamento com as superpotências e da genuinidade da independência de pequenos países, como a Suíça. Neste contexto, e ainda em reacção às pressões externas, a percepção do relacionamento com as instituições internacionais, nomeadamente a União Europeia, será, pro- vavelmente, mais negativa na Suíça do que noutros países.

Poder-se-á esperar que a identidade nacional e as percepções de cida- dania sejam moldadas por estes factores. Além disso, a imigração desem- penha um papel importante no campo da identidade nacional, e a imi- gração na Suíça apresenta duas características que importa salientar.

Já no início do século XX15% da população da Suíça era constituída por estrangeiros e a percentagem actual chega aos 20%. Com excepção do período entre as duas guerras mundiais, a população estrangeira tem marcado uma presença constante e significativa. Registaram-se, no en- tanto, alterações profundas na composição dessa população, quer ao nível das nacionalidades, quer das características demográficas. Assim, à inicial preponderância de imigrantes oriundos de países próximos sucedeu um aumento contínuo de imigrantes provenientes de regiões remotas; e a um afluxo estritamente determinado pelo mercado de trabalho seguiu-se uma imigração muitas vezes motivada pela existência de laços familiares.

Por outro lado, o debate político sobre a imigração e as supostamente necessárias restrições tem também uma longa história. Data dos anos 1970 a defesa pública, por alguns movimentos cívicos, do argumento do «barco cheio»2(Häsler 1967), argumento este que ainda hoje é esgrimido na agenda política suíça.3

Uma vez que existe na Suíça uma abundante literatura quer sobre a identidade nacional, quer sobre a imigração, e dado que estes conceitos estão no centro do debate político4(Kriesi et al. 1999), o nosso objectivo

2Esta expressão foi introduzida por Alfred Häsler no seu livro Das Boot ist voll: die

Schweiz und die Flüchtlinge 1933-1945 (1967) – edição em francês La barque est pleine: la Suisse, terre d’asile?: la politique de la Confédération envers les réfugiés, de 1933 à 1945 (1968). M. Imhof realizou um filme com o mesmo título, estreado em 1981.

3Os dados obtidos pela investigação sobre eleições e referendos na Suíça têm inva-

riavelmente confirmado a relevância das questões associadas à imigração. O tratamento deste tema está, aliás, fortemente associado aos êxitos eleitorais dos partidos populistas, a começar pelo Schweizerische Volkspartei (Partido Popular Suíço). V., por exemplo, Kriesi (2005) e o número especial dedicado às eleições suíças da Swiss Political Science Review (vol. 12, n.º 4, 2006).

será estudar a relação entre a identidade nacional e as atitudes face à imi- gração no contexto actual. Identidade nacional e imigração são temas in- terligados na medida em que ambos permitem aos suíços definirem-se a si mesmos perante «outros», seja para construir a imagem de um estran- geiro, seja para formar um endogrupo – o que implica a existência de um exogrupo (Esses et al. 2005). Mais concretamente, há duas linhas de re- flexão que importa explorar.

Tendo em conta que o debate sobre a participação da Suíça na cons- trução da Europa envolve a ideia de um Sonderfall, com a consequente preservação do estatuto de neutralidade, do federalismo e da democracia directa, em que medida pode tal debate reflectir-se na identidade nacional e nas atitudes face à imigração decorrentes da maior abertura de frontei- ras?

No contexto da construção europeia, a tensão entre interesses ideoló- gicos e interesses económicos desempenhou um papel crucial tanto na discussão sobre a imigração na Suíça como no debate político que en- volveu várias eleições. Será a integração na Europa encarada como uma situação abstracta sobre a qual as pessoas terão meramente uma opinião favorável ou desfavorável? Ou será antes vista como uma medida instru- mental que pode ou não levar a uma melhoria do bem-estar material das pessoas ou da situação económica do país?

Assim, importa explorar a eventual existência de particularidades da Suíça quanto às relações entre a identidade nacional, as atitudes face à integração na União Europeia e a imigração. Para este fim utilizaremos os dados do International Social Survey Programme (ISSP-2003). Abordare- mos, especificamente, dois tipos de questões.

Na primeira parte deste capítulo investigamos se, e em que medida, a Suíça se destaca como um caso especial, quando comparada com outros países europeus, em termos de identidade nacional, atitudes face à imi- gração e abertura a outros países.

A segunda parte do capítulo centra-se na própria Suíça e analisa a in- fluência que a identidade nacional e as atitudes face à imigração e à abertura a outros países têm no apoio à integração da Suíça na União Europeia.

In document OPTIMAL MODEL BASED CONTROL: (sider 100-108)