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4. CHAPTER 4: METHODOLOGY AND DATA COLLECTION

4.4 A NALYSIS METHODS

4.4.1 Discourse analysis

Os resultados da evolução anual do TSI de Carlson (Fig. 35) sugerem uma melhor qualidade de água na lagoa no ano de 2007, à excepção dos 3 primeiros meses de 2005, em que, de acordo com os três componentes do TSI, apresentou melhores valores de qualidade da água.

A partir daí a água da lagoa de Pataias 2007 passou a exibir sempre melhor qualidade. Os componentes TP e SD do TSI apresentaram valores próximos e de evolução semelhante, sendo por isso indicadores preferenciais do estado trófico (Fig. 35). Em 2005 o componente SD do TSI sugeria uma influência das partículas em suspensão na transparência (Quaresma, 2006). O mesmo componente (SD), em Abril de 2006 indicou uma melhoria da qualidade da água (Fig. 36), tendo sido sugerido (ainda no estudo anterior), que se tratou do resultado da ausência de C. carpio (Quaresma, 2006). Tal como em 2006, em 2007 também não se registou a presença de C. carpio e, concomitantemente, o seu impacto também não se registou. Ainda assim, e para o mesmo componente, registou-se uma melhoria na qualidade da água em Abril de 2007 relativamente a Abril de 2006 (Fig. 36).

Quanto ao componente TP do TSI (talvez a mais correcta comparação de TSI para os dois anos), reforçou as duas observações anteriores, dando conta que a qualidade da água da lagoa de Pataias em 2005 foi pior que em 2007 (Fig. 35).

Relativamente à comparação do mês de Abril em 2005, 2006 e 2007: dos três, 2007 foi o que apresentou melhores resultados, portanto melhor qualidade ecológica da água (Fig. 36). No entanto, em Abril de 2007 a lagoa apresentava pelo menos mais um metro (ou 50 %) de profundidade de água relativamente a Abril de 2006, sendo os parâmetros considerados para o cálculo do TSI facilmente modificados por diluição. Também podem ter sido influenciados pelo regime de chuva aquando do reenchimento da lagoa.

Ao longo de 2007, e à imagem de 2005, a evolução do TSI reflectiu a redução da profundidade da lagoa e a influência cada vez maior do fundo na superfície, à medida que se passava de dois metros de profundidade em Janeiro, para lagoa vazia em Agosto (Fig. 35).

48 Maior diversidade de zooplâncton = água de melhor qualidade

Houve menos cladóceros no total (tabela 4 e 5), muito menos (o máximo de 2007 é aproximadamente 1/5 do valor mínimo registado em 2005), e ainda que o tamanho dos cladóceros de 2007 (até porque foram quase sempre Daphnia) seja maior do que o de Bosmina longirostris (2005) não se sabe se os baixos valores do componente CHL-a do TSI registados em 2007 se devem à maior capacidade filtradora dos cladóceros em 2007. A composição, abundância e dinâmica das populações de zooplâncton são influenciadas por várias variáveis físicas e químicas que, por sua vez, são largamente afectadas pela amplitude das flutuações do nível da água (Wetzel, 2001). Em albufeiras, variações no volume de água podem explicar em parte alguma abundância e a composição das comunidades zooplanctónicas. No entanto, é plausível que outros factores como a idade da albufeira e interacções bióticas possam também desempenhar um papel importante na estruturação da comunidade (Pinel-Alloul & Méthot, 1984; Robarts et al., 1992). O papel das flutuações do “volume de água prende-se com os mecanismos de disponibilização de nutrientes, resultando, geralmente, no aumento do estado trófico. Na lagoa de Pataias, uma vez que o volume de água não sofreu grandes variações (2007), os mecanismos que desencadeiam um aumento da disponibilização de nutrientes serão outros. A decomposição de algas na coluna de água e junto ao fundo serão os mecanismos de reciclagem de nutrientes, contudo será a circulação da água o vector de transporte até à zona eufótica. Deste modo o regime de vento e temperatura são preponderantes para a condição ecológica da lagoa. É fácil compreender a influência do aumento da temperatura combinada com a velocidade do vento (particularmente nos períodos mais quentes do ano) no aumento do estado trófico em lagos pouco profundos.

Geraldes & Boavida (2004a,b) observaram que a composição do zooplâncton na sucessão sazonal era fortemente influenciada pela temperatura. O rácio de copépodes calanoida para ciclopoida frequentemente declina com a eutroficação (Hurlbert & Mulla, 1981; Gulati, 1984; Muck & Lampert, 1984). Herbívoros calanoida dominam em águas oligotróficas (C. numidicus tem vantagem especialmente quando as algas se encontram em concentrações baixas), enquanto copépodes predadores dominam em águas mais eutróficas (o ciclopoide A. robustus apresenta taxa de desenvolvimento mais elevada em ambientes eutróficos) (Caramujo & Boavida, 1999; Caramujo & Boavida, 2000). No entanto, reduções na diversidade e aumento da densidade de crustáceos (cladóceros e copépodes), também podem estar associados à idade do lago. (Popp et al., 1996).

49 Gannon & Stemberger (1978) estudaram a qualidade da água através da comunidade de crustáceos e rotíferos e, de acordo com Baião & Boavida (2005), vários estudos foram apontados nas últimas décadas que reportaram alterações na estrutura da comunidade ao longo de gradientes tróficos. Nesse artigo, as autoras apontaram a substituição do domínio dos copépodes por rotíferos, como indicação da evolução do estado trófico. Embora usualmente considerados pouco importantes em termos de biomassa, os rotiferos desempenham um papel importantíssimo na transferência de energia e reciclagem de nutrientes (Park & Marshall, 2000a; Wetzel, 2001) e a sua contribuição pode aumentar com a eutroficação (Zánkai, 1984; Park & Marshall, 2000b). E Baião & Boavida (2005) também associaram a estados tróficos distintos alguns géneros, entre os quais:

Mesotrófico: Polyarthra sp., K. quadrata, Brachionus sp. Eutrófico: Polyarthra sp., K. cochlearis

Parece, então, ter havido um efeito de pêndulo relativamente ao estado trófico da lagoa de Pataias durante a segunda parte do estudo, onde se registou uma composição da comunidade zooplanctónica (Fig. 37) de acordo com as flutuações do TSI de Carlson (Fig. 35). Contudo, a evolução trófica da lagoa de Pataias ao longo do ano parece favorecer a eutroficação, e à medida que vai ficando mais eutrófica, a composição da comunidade zooplanctónica vai evoluindo também em conformidade. Assim, a lagoa de Pataias parece padecer de envelhecimento precoce, ou então será apenas a manifestação da flutuação do estado trófico (evolução/retrocesso) e subsequente adaptação das populações.

Relativamente ao estudo anterior da Lagoa de Pataias (2005), a estrutura da comunidade zooplanctónica sofreu claramente uma redução de diversidade, ao mesmo tempo que se registou o domínio e aumento da densidade do crustáceo B. longirotris (tabela 3). Boavida & Caramujo (2000) reportaram a presença de B. longirotris em ambientes eutróficos. Paralelamente, os dados comparativos (figura 35) apresentaram uma melhoria (para todos os componentes) do índice do estado trófico da lagoa relativamente a 2005. Considero ter sido importante o escoamento de água e A. filiculoides (acompanhando o movimento da água), via topo do paredão de cimento. Pois num ecossistema rico em nutrientes (e à data rico em A. filiculoides) traduziu-se:

1. Na remoção de nutrientes autóctones

50

3. E na minimização da introdução (após senescência da A. filiculoides) de

compostos azotados.

Considero menos positivo a não remoção (por vezes de uma semana para a outra) de sacos cheios de A. filiculoides da margem da lagoa. Este procedimento negligente e pouco eficiente possibilitou a lixiviação de nutrientes de volta para a lagoa, o que segundo Wetzel (2001) acontece em poucas horas. Não terá sido preponderante para a condição ecológica da lagoa, mas foi mais uma contribuição.

Segundo o estudo encomendado pela Comissão Temporária das Alterações Climáticas do Parlamento Europeu, a redução da disponibilidade de água no sul da Europa será igual à soma da quantidade de água utilizada, actualmente, na agricultura, indústria e uso de doméstico (http://sol.sapo.pt). A confirmar-se a previsão, a maior ameaça à qualidade da água da lagoa de Pataias é, sem dúvida, o cenário das Alterações Climáticas.

Tendo conhecimento do cenário das Alterações Climáticas e o investimento de 2005, devem as autoridades competentes continuar a acompanhar e monitorizar (agora mais do que nunca) a evolução da lagoa de Pataias.

Conclusão

Será a água da lagoa de Pataias em 2007 melhor que a de 2005?

• Com base em todas as comparações possíveis verificou-se que, efectivamente, a

água da lagoa de Pataias em 2007 é de melhor qualidade do que a verificada, na mesma lagoa e para os mesmos parâmetros, em 2005.

• Possivelmente já o era em Abril de 2006, no entanto, a escassez de água ou o padrão de distribuição da precipitação (relativamente a 2007) podem ter influenciado negativamente a avaliação da qualidade ecológica da água. Ainda assim, Abril de 2007 a qualidade da água (relativamente a Abril 2006) foi melhor.

• Há sazonalidade dos períodos mais produtivos.

• A qualidade da água tende a agravar-se ao longo do ano.

• A qualidade da água é importante para uma boa condição ecológica da lagoa, quer

seja diluindo solutos ou reduzindo a influência do fundo na superfície. Prova disso é o estudo de 2005, em que a lagoa em Janeiro apresentava dois metros de profundidade (com boas indicações para a qualidade da água), degradando-se consideravelmente nos meses seguintes, à medida que mais e mais volume de água era perdido, até se encontrar seca oito meses depois.

51

• Na lagoa de Pataias as flutuações de densidade ao longo da coluna de água podem

separar e aproximar camadas de água adjacentes ciclicamente como resposta à variação de temperatura. Esses períodos de aproximação e segregação, renovam, esgotam ou impedem o desenvolvimento de fitoplâncton.

• Nos períodos classificados como eutróficos registam-se espécies características desse estado trófico.

• A eutroficação, sazonalmente, está a acelerar a ontogenia da lagoa de Pataias.

• Num lago pouco profundo, sujeito a ventos fracos e com uma diferença

significativa da densidade da água (à superfície e no fundo), é possível que a coluna de água funcione por fluxos laminares imiscíveis, mesmo que temporariamente.

• As Alterações Climáticas são, ao mesmo tempo, a maior ameaça/oportunidade

à/para a existência da lagoa de Pataias.

• Estes resultados sublinham, reforçam e substanciam a melhoria da qualidade

ecológica da lagoa e o sucesso da medida de gestão ambiental/biomanipulação de 2005.

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57

Anexo

I

58

Índice de tabelas e figuras

Figura 1 - pág. 13 - Variação da concentração de clorofila a de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 2 - pág. 13 - Variação da transparência de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 3 - pág. 14 - Variação da temperatura do ar, superfície, um metro, dois metros e no fundo de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 4 - pág. 14 - Variação da temperatura do ar, superfície, um metro, dois metros e no fundo de 22-01-2007 a 29-06 - 2007.

Figura 5 - pág. 15 - Variação da razão SRP/TP de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 6 - pág. 15 - Variação dos valores absolutos de SRP e TP de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 7 - pág. 15 - Saturação de oxigénio para a temperatura registada à superfície e um metro de 22-01-2007 a 29-06- 2007.

Figura 8 - pág. 15 - Variação da concentração de oxigénio dissolvido à superfície, um metro, dois metros e no fundo de 22-01-2007 a 29-06-2007.

Figura 9 - pág. 17 - Variação da cor (unidades Pt) ao longo da primeira parte do estudo. A azul, a evolução das duas últimas amostragens antes de 25/05/2007 (indicação da degradação).

Figura10 - pág. 17 - Variação da transparência da água na primeira parte do estudo. A azul, a evolução das duas

últimas amostragens antes de 25/05/2007 (indicação da degradação).

Figura 11 - pág. 17 - Variação da CHL-a na primeira parte do estudo. A azul, a evolução da última amostragem até

25/05/2007 (indicação da degradação).

Figura 12 - pág. 17 - Variação da quantidade de SRP e TP na primeira parte do estudo. A azul, a evolução das duas últimas amostragens antes de 25/05/2007 (indicação da degradação).

Figura 13 - pág. 18 - Evolução da concentração de clorofila a ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da

primeira e segunda partes.

Figura 14 - pág. 18 - Variação de SRP no TP ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 15 - pág. 18 - Evolução da transparência ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 16 - pág. 18 - Evolução da temperatura do ar, à superfície, 1 m, 1,5 m, 2 m e fundo ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 17 - pág. 18 - Evolução da condutividade à superfície, 1 m, 1,5 m, 2 m e fundo ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 18 - pág. 19 - Concentração de oxigénio à superfície, 1 m, 1,5 m, 2 m e fundo ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 19 - pág. 19 - Evolução do pH à superfície e um metro ao longo do estudo. Assinalada a data de separação da primeira e segunda partes.

Figura 20 - pág. 19 - Evolução da CHL-a ao longo do estudo. A linha vertical assinala 29/06/2007. Setas verdes “picos”

setas vermelhas “depressões”.

Figura 21 - pág. 19 - Evolução da transparência ao longo do estudo A linha vertical assinala 29/06/2007. Figura 22 - pág. 20 - Variação de SRP e TP, na segunda parte do estudo.

Figura 23 - pág. 20 - Variação da clorofila a na segunda parte do estudo.

Figura 24 - pág. 20 - Evolução da CHL-a ao longo do ano. Indicação da data 06-07-2007 (primeiro bloom).

Figura 25 - pág. 20 - Evolução do pH à superfície e um metro ao longo do estudo. Indicação da data 06-07-2007

(primeiro bloom).

Figura 26 - pág. 21 - Variação da concentração de CHL-a ao longo do estudo. Assinalado (linha vertical) as duas

excepções. A azul, evolução da amostragem anterior e posterior às excepções.

Figura 27 - pág. 21 - Variação pH ao longo do ano do estudo. Assinalado (linha vertical) as duas excepções. A azul, evolução da amostragem anterior e posterior às excepções.

Figura 28 - pág. 22 - Transparência ao longo do estudo. Assinaladas as datas das duas excepções (linha vertical) e a evolução (azul) antes e depois das datas assinaladas.

Figura 29 - pág. 25 - Evolução da velocidade do vento km/h/dia na segunda parte do estudo. Figura 30 - pág. 25 - Evolução da cor ao longo do estudo. Indicação da data 21/08/2007.

59

Figura 31 - pág. 26 - Variação da temperatura do Ar, e ao longo da coluna de água de 22/01/2007 a 19/10/2007. As

setas marcam as elevações da concentração da CHL-a (blooms).

Figura 32 - pág. 26 - Variação da concentração de CHL-a. As setas marcam as elevações da concentração da CHL-a

(blooms).

Figura 33 - pág. 27 - Produtividade medida em mg/O2/h em três datas distintas.

Figura 34 - pág. 28 - Biomassa, medida em mg/L de CHL-a ao sétimo e décimo quarto dias.

Figura 35 - pág. 30 - Variação das três componentes do índice de Carlson (PT, CHL-a e SD) nos anos de 2005 e 2007.

Figura 36 - pág. 30 - Representa os valores de TSI para cada um dos componentes (PT, CHL-a e SD) para o mês de

Abril em 2005, 2006 e 2007.

Figura 37 - pág. 32 - Densidade das espécies de zooplâncton encontradas na comunidade da Lagoa de Pataias de 06/02/2007 a 19/10/2007.

Figura 38 - pág. 35 - Variação de pH entre valores viáveis e menos viáveis para o desenvolvimento da comunidade de