Esta pesquisa foi realizada com o objetivo principal de investigar as crenças e ações relacionadas à autonomia na aprendizagem dos estudantes universitários de língua japonesa com baixo aproveitamento acadêmico. Para alcançar esse objetivo, três perguntas foram estabelecidas e delimitadas para nortear a investigação, a saber.
a) Quais são as crenças sobre a autonomia na aprendizagem de língua japonesa dos estudantes no curso de licenciatura de japonês do nível intermediário com baixo aproveitamento acadêmico?
De acordo com o capítulo analítico (cf. seção 4.1), há variedade das crenças relacionadas à autonomia na aprendizagem dos estudantes que participaram desta pesquisa. Ao ver os dados de crenças de acordo com os aspectos: planejar e refletir sua aprendizagem no dia a dia, os participantes evidenciam a crença que não possuem habilidades relacionadas à autonomia na aprendizagem.
Entendemos que, em parte, essa crença pode ocorrer uma vez que esses estudantes não possuem convivência ou não conhecem esses termos. Os dados dos três participantes mostram a preferência de realização de aprendizagem com colega e/ou professor do que buscar aprender sozinho. Em alguma medida, as crenças dos estudantes recebem influências do contexto de aprendizagem na sala de aula bem como do contato com colegas do curso.
b) Quais são as ações relacionadas à autonomia na aprendizagem de língua japonesa dos referidos estudantes?
De acordo com os dados discutidos e analisados na seção 4.2, observamos em comum haver a ação de aprendizagem de japonês voltada para a repetição de escrita de palavras e/ou
kanji (ideograma) com o significado de atividades relacionadas à autonomia na aprendizagem de língua japonesa. Nesse sentido, entendemos que, de acordo os dados e as análises realizadas, há necessidade uma variedade maior de ações de aprendizagem.
Após as análises dos dados, chegamos ao entendimento que as atividades de estudo de língua japonesa, para os participantes desta pesquisa, podem ser entendidas em dois contextos: o de Atividades Livres (AL) e o de Atividades Obrigatórias (AO). Conforme afirmado anteriormente, as AL são aquelas que não possuem uma consequência direta e/ou imediata no rendimento acadêmico. Por sua vez, a análise dos dados também evidenciou que AO representam outro contexto relevante, pois referem-se àquelas atividades que possuem consequência direta no rendimento acadêmico. Essas AO são demandadas nas disciplinas do curso de graduação em língua japonesa e, muitas vezes, referem-se a trabalhos ou a atividades preparatórias para as provas definidas pelos professores.
c) Quais os pontos de convergências e divergências entre as crenças e as ações relacionadas à autonomia na aprendizagem dos estudantes com baixo aproveitamento acadêmico?
Os resultados obtidos revelam convergências e divergências entre as crenças e ações dos estudantes relacionadas à autonomia na aprendizagem tanto no contexto das AL bem como das AO.
Os dados dos três participantes, mesmo revelando a crença de que possuem certas habilidades, mostram crenças de que a emoção ou fatores da própria personalidade prejudicam a realização do estudo de língua japonesa. A esse respeito, entendemos que esses estudantes não compreendem ainda que suas crenças são dinâmicas e que essas crenças possuem importantes relações com suas ações de aprendizagem que podem, inclusive, ser objeto de reflexão.
Entre os dados dos participantes da pesquisa, foi possível evidenciar uma tendência que todos eles possuem a crença de que não realizam ações com autonomia na aprendizagem. Porém, como mostram as análises na seção 4.2, isso não significa necessariamente haver uma coerência entre essa crença e as ações apontadas pelos participantes, como mostra a síntese no quadro a seguir:
QUADRO 15 – RELAÇÃO ENTRE CRENÇAS, AÇÕES NO CONTEXTO DAS ATIVIDADES COM RELAÇÃO DIRETA NO RENDIMENTO ACADÊMICO
Relação entre crenças e ações Divergente Convergente
Contexto da Atividade Atividades Obrigatórias (AO) Atividades (AO) Obrigatórias Os dados sobre as crenças mostram que ... Tem a crença que possui a
habilidade de exercer determinada ação
Tem a crença que não possui a habilidade de realizar com autonomia na aprendizagem.
Os dados sobre as ações Habilidade não
evidenciada nos dados sobre ação
Habilidade não evidenciada nos dados sobre ação
Participantes LIPI, REBECA e LUÍSA
Fonte: elaboração nossa.
Chegamos ao entendimento, por meio das análises dos dados, que as Atividades Livres (AL) que não possuem uma consequência direta no rendimento acadêmico. Por esse motivo, conforme já explicitado, não destacamos as AL nesse quadro e nas Ilustrações 2 e 7.
Para o contexto das Atividades Obrigatórias (AO), os dados dos participantes revelaram duas possibilidades. Primeiramente, os dados revelam a crença de que possuem habilidade de realizar com autonomia na aprendizagem certas ações; porém, essa habilidade não foi confirmada nas ações. Em segundo lugar, os dados também mostram que pode haver a crença dos participantes de que não possuem a habilidade de realizar com autonomia certas ações, o que é confirmado nos dados sobre as ações. Em suma, para as AO, os dados dos participantes desta pesquisa com baixo rendimento acadêmico não sugerem a autonomia na aprendizagem justamente no contexto dessas atividades que possuem uma relação direta com o rendimento acadêmico da língua japonesa no curso de licenciatura.
Conforme as análises no capítulo anterior, os dados evidenciaram a autonomia na aprendizagem no contexto das AL. De acordo com essas evidências e considerando inclusive o conteúdo de excertos dos participantes, chegamos ao título deste trabalho de pesquisa registrado aqui nesta dissertação: “NÃO ME CONSIDERO UM APRENDIZ AUTÔNOMO EM RELAÇÃO
À LÍNGUA JAPONESA: CRENÇAS E AÇÕES DE APRENDIZAGEM DE ESTUDANTES
COM BAIXO APROVEITAMENTO ACADÊMICO”17.
Portanto, considerando o exposto, no caso específico da área de língua japonesa, acreditamos que será relevante promover o reconhecimento bem como os conhecimentos sobre as crenças e ações relacionadas à autonomia na aprendizagem de japonês que se inserem tanto no contexto das Atividades Livres bem como das Atividades Obrigatórias.