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513. Dimensjonering av veg med betongdekke

In document Vegbygging : normaler [Håndbok 018] (sider 145-149)

A Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizada em Medellín na Colômbia, entre 26 de agosto e 06 de setembro de 1968, é um marco histórico para os cristãos católicos da América Latina. O caráter progressista de suas conclusões deve ser entendido à luz dos avanços da modernidade católica com o Vaticano II e as doutrinas sociais de João XXIII e Paulo VI. Analisando a relação entre o Vaticano II e a Conferência de Medellín, Padre José Oscar Beozzo afirma que em muitos pontos esta vai alem, pois nela “emerge pela primeira vez a importância das comunidades de base, esboça-se a teologia de libertação, aprofunda-se a noção de justiça e de paz ligados aos problemas de dependência econômica, coloca-se o pobre no centro da reflexão da Igreja no continente” (BEOZZO, 1996: 118). Na abertura da Conferência Paulo VI destaca a missão da Igreja de resgatar os pobres de sua marginalização por “sistemas e estruturas que encobrem e favorecem graves e opressoras desigualdades entre as classes e os cidadãos de um mesmo país” (1977: 17), Mas a superação dessas estruturas de opressão não pode contemplar alternativas que impliquem a violência. Para Paulo VI ao optarem pela justa regeneração social, os cristãos católicos têm diversos caminhos, mas “não podemos escolher nem o do marxismo ateu, nem o da rebelião sistemática, nem muito menos o do derramamento do sangue e o da anarquia” (1977: 18). Ao propor a superação da miséria social por uma via pacífica, dentro da ordem, Paulo VI aponta para uma solução reformista que contemple “a paz entre as classes sociais na justiça e na colaboração” (1977: 18). Se o discurso papal reflete o pensamento de uma parte dos participantes, não é menos verdade que na Conferência há “uma tendência inclinada a

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considerar a conveniência de uma mudança mais radical, de uma revolução social” (RUBIO, 1983: 41). As Conclusões de Medellín alternarão as duas vias, a reformista e da revolução social, na transformação das estruturas sociais latino-americanas.

O documento sobre a Justiça denuncia a situação de miséria estrutural que marginaliza, do desenvolvimento econômico e social, as massas populares na América Latina. A superação dessa situação de violência institucionalizada não poderá vir nem da alternativa liberal capitalista, nem do marxismo revolucionário: “um porque tem como pressuposto a primazia do capital, seu poder e sua utilização discriminatória em função do lucro. O outro, embora ideologicamente defenda um humanismo, vislumbra melhor ao homem coletivo, e na prática se transforma numa concentração totalitária do poder do Estado” (JUSTIÇA, 1-10).

Na perspectiva de superação reformista, o episcopado convida os empresários a programarem uma política econômica condizente com a doutrina social da Igreja, de forma a se alcançar uma economia humanista. Isto não impede que uma minoria profética* denuncie não só uma

situação de dependência, e de neocolonialismo que submete as nações latino-americanas, mas também os monopólios internacionais e o imperialismo internacional do dinheiro que são a verdadeira causa dessa submissão: “os principais culpados da dependência econômica de nossos países são aquelas forças que, inspiradas no lucro sem freios, conduzem à ditadura econômica e ao ‘imperialismo internacional do dinheiro’” (PAZ, 2-9).

A denúncia do episcopado alcança não só o poder econômico, mas também o poder político e o poder militar que está a seu serviço. Ao se referir as elites, entendidas como “os grupos dirigentes mais adiantados, dominantes no plano da cultura, da profissão, da economia e do poder” o documento desmascara a postura dos que se utilizam da religião como forma ideológica de manutenção do status quo. Nesse caso se encaixam perfeitamente os

tradicionalistas ou conservadores que “manifestam pouca ou nenhuma consciência social, têm mentalidade burguesa e por isso não discutem o problema das estruturas sociais”. Esses setores estão mais preocupados com a manutenção de seus privilégios, se identificam com a ordem dominante, e sua atitude com relação à miséria social se limita ao paternalismo

assistencialista (PASTOTAL DAS ELITES, 1-6).

*“Minorias Proféticas”: RICHARD ao se referir ao papel das “minorias proféticas” na Conferência de Medellín

(1968) afirma que foi “uma ‘minoria’ que teve a capacidade de despertar a consciência do conjunto da igreja representada em Medellín. Uma minoria é ‘profética’ quando se torna medianeira entre uma totalidade histórica e uma totalidade eclesial. Uma minoria profética é completamente alheia ao ‘Vanguardismo’ ou ‘sectarismo’ das elites, pelo contrário, está completamente inserida na vida e na consciência das ‘maiorias’ (1982: 57).

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Em relação à elite progressista o documento aponta a preocupação desta com o desenvolvimento tecnológico, o planejamento econômico e a integração das massas na dinâmica do mercado capitalista como produtores e consumidores, ainda que na prática dêem “mais ênfase ao progresso econômico que à promoção social do povo” (PASTORAL DAS ELITES, 7). Os bispos denunciam os organismos econômicos internacionais que, a pretexto de ajudarem as economias nacionais, aprofundam a situação de dependência latino-americana. O documento tem um olhar positivo sobre o segmento das elites cristãs, composto por intelectuais, cientistas, estudantes e pesquisadores. Essa elite cultural quando assume uma perspectiva revolucionária o faz com o desejo de transformação radical das estruturas. Para os revolucionários cristãos “o povo é ou deve ser o sujeito dessa transformação, de modo a participar das decisões para o ordenamento de todo o processo social” (PASTORAL DAS ELITES, 8). Essa tese do documento propicia aos cristãos de esquerda destacar a acolhida positiva da Igreja ao engajamento na revolução social, ainda que os bispos advirtam quanto à

identificação unilateral da fé com a transformação social (RUBIO, 1983: 47).

Se considerarmos que o Documento de Medellín (1968) teve forte presença do episcopado brasileiro, torna-se por demais significativas suas referências ao poder militar e sua relação direta com a guerra-fria. Apoiando-se na Populorum Progressio condena a corrida

armamentista que desvia recursos que poderiam ajudar na superação da miséria dos países subdesenvolvidos: “toda corrida armamentista torna-se um escândalo intolerável” (PAZ, 13). Se o armamentismo é a face militar da guerra-fria, o anticomunismo é a sua face político- ideológica. O documento denuncia essa pratica repressora dos setores dominantes os quais “qualificam de ação subversiva qualquer tentativa de modificar um sistema social que favorece a permanência de seus privilégios” (PAZ, 5). A ordem dominante não é sinônimo de

paz: “A opressão exercida pelos grupos de poder pode dar a impressão de que a paz e a ordem estão sendo mantidas, mas, na realidade, não se trata senão de ‘germe contínuo e inevitável de rebeliões e guerras’” (PAZ, 14).

A Conferência de Medellín coloca não só o problema dos regimes ditatoriais como também das insurreições revolucionárias que os combatem. O episcopado, com base em Paulo VI, reconhece a legitimidade da insurreição revolucionária contra um regime ditatorial, ou uma situação estrutural de injustiça, mas pondera que “a violência ou revolução armada geralmente ‘gera novas injustiças, introduz novos desequilíbrios e provoca novas ruínas: nunca se pode combater um mal real pelo preço de uma desgraça maior’” (PAZ, 19). Os

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bispos admitem a legitimidade da revolução social, mas descartam a violência revolucionária. Reformistas preferem combater a violência institucionalizada conclamando “nossos governos e classes dirigentes a que eliminem tudo quanto destrói a paz social” (PAZ, 22).

O episcopado propõe a educação libertadora. Os bispos denunciam a marginalização da

cultura que privam as massas do direito ao saber, de modo que “sua ignorância é uma escravidão inumana”. O documento reflete a pedagogia libertadora de Paulo Freire quando aponta os limites da educação tradicional, conteudista, abstrata e formalista. Os sistemas educativos ao mesmo tempo em que excluem os filhos de camponeses e operários e, sobretudo os indígenas, “estão orientados para a manutenção das estruturas sociais e econômicas imperantes” (EDUCAÇÃO, 4). A educação tem de ajudar os homens a se libertarem dos preconceitos, das superstições, do fanatismo, do fatalismo, da passividade diante do mundo. Tem de ser libertadora, ou seja, transformar “o educando em sujeito de seu próprio desenvolvimento”, pois só ela é “o meio-chave para libertar os povos da toda servidão” (EDUCAÇÃO, 8).

A Conferência de Medellín, mesmo oscilando entre posições reformistas e libertadoras, é um marco histórico: ela é “o acontecimento mais importante da Igreja latino-americana do século XX” (DUSSEL, 1981: 63).

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