• No results found

9   BIBLIOGRAPHY:

9.2   Digital media

Utilizando a PCR quantitativa para verificar o nível de expressão do mir-1205,

mir-1206 e mir-1207-5p e usando o RNU44 e RNU48 como normalizador e a

1206 não apresentaram maior expressão do que o controle. Porém o miR-1207-5p

está mais expresso em algumas das linhagens celulares (Tabela 7).

Tabela 7: Valores de ΔΔCq do miR-1207-5p para as diferentes linhagens celulares.

Linhagem Celular Valor ΔΔCq K562 0,020 HEK-293 0,022 PH3R1 0,023 EW36 0,028 WAC 0,029 Daudi 0,047 THP1 0,047 Raji 0,049 T47D 0,060 Mec2 0,065 ALL-1 0,079 697 0,088 Mec1 0,104 BJAB 0,129 HL-60 0,179 Jurkat 0,544 HSB-2 1,985 CLL-SB 4,140 Meg-01 8,129

Das linhagens celulares LLA a que apresentou maior expressão do mir-

1207-5p foi a Jurkat (ΔΔCt 0,544). Outra linhagem celular de leucemia linfoide

apresentou expressão elevada, a CLL-SB (ΔΔCt 4,14) que é de leucemia linfoide crônica (LLC). Porém nos quatro pacientes de LLA ao diagnóstico e na recidiva não foi encontrado nenhum dos miRNAs estudados com expressão elevada em relação ao controle. A linhagem celular com maior expressão foi a Meg-01, que é de megacarioblasto de paciente com Leucemia Mieloide Crônica (LMC). A linhagem celular com menor expressão foi a K562, que é uma linhagem celular eritroleucêmica de LMC, seguida da linhagem HEK-293 que é de rim de embrião humano.

No ensaio de luciferase ouve diminuição da expressão do Dicer em 4,18 vezes na presença do miR-1207-5p em relação ao controle, de 1,14 vezes na presença do miR-1205, e de 3,6 vezes com o miR-1206. No Drosha ouve diminuição de 2 vezes na expressão quando transfectada juntamente com o miR-1207-5p, mas

não foi encontrada diferença estatisticamente significante na presença do miR-1205 e miR-1206. Esse resultado mostra que o miR-1207-5p pode alterar a expressão tanto do Dicer como do Drosha. Ambos possuem papel fundamental na biogênese dos miRNAs.

5.4 ESTUDO DAS EDIÇÕES DE RNA

É difícil prever novos sítios de ligação de miRNA, uma vez que não existe uma referência para controle. Usando os dados microrna.org e as sequências sem qualquer edição de RNA foi possível ter uma sequência de referência para a previsão do software.

Dos 5.102 microRNAs associados a sítios de ligação RDD, 2.202 deles (aproximadamente 43%) foram identificados por miRanda. O software não reconheceu 477 associações após a edição, que compreende 279 genes. Nenhum dos RDDs ocorre nos genes farmacogenéticos da Leucemia Linfoide Aguda previamente estudados. O gene mais afetado pela edição de RNA foi o CYLD (cylindromatosis (turban tumor syndrome)), que tem 18 sítios de ligação de miRNA localizados no local da edição. Nesse caso 15 dos sítios de ligação não foram mais reconhecidos com a edição, e os outros 3 sítios de ligação foram comprometidos pela edição de RNA.

O miRNA hsa-miR-449b* é responsável por regular a expressão em 369 sítios de ligação em genes humanos, sendo que 9 desses sítios são alterados pela edição de RNA, e todos os sítios com edição não foram reconhecidos pelo software miRanda. Foram identificadas 130 vias com genes que possuem pelo menos uma RDD que afeta sítio de ligação de microRNAs. As vias com maior número de sítios que sumiram por causa dos RDDs são as vias metabólicas (14), biossíntese de metabólitos secundários (8), fosforilação oxidativa (6) e vias de câncer (6).

5.5 ESTUDO DO TRANSCRIPTOMA EM PACIENTES COM LLA

Os dados de mRNA total (transcriptoma) dos pacientes com LLA foram obtidos no Illumina Genome Analyzer IIx. Foram obtidos para o paciente um 41 milhões de reads na amostra do diagnóstico, e 42 milhões de reads na amostra da recidiva; já para o paciente dois foram obtidos 41 milhões de reads na amostra do

diagnóstico, e 39 milhões de reads na amostra da recidiva. O transcriptoma possui cerca de 30Mb, tendo cobertura de cerca de 200x (NG et al., 2009). O genoma de referência utilizado é o GRCh75.p5.

As amostras de diagnóstico e de recidiva foram comparadas quanto ao padrão de expressão genica, e foram encontrados 8055 genes diferencialmente expressos nas duas fases da doença.

Os dados do diagnóstico dos dois pacientes foram considerados juntos para a análise da expressão dos genes, assim como os dados da recidiva. Na Tabela 8 e na Tabela 9 estão os 15 genes com maior variação entre o diagnóstico e a recidiva dos pacientes com LLA com valor de p<0,001.

Tabela 8: Os 15 genes com menor expressão ao diagnóstico que na recidiva. pvalue<0,001

Gene Posição Diagnóstico RPKM Recidiva RPKM Diferença Vezes de Descrição

TRBV6-5 7q34 237,524 2920,763 -4,299915 T cell receptor beta variable 6-5

IGHV3-19 14q32.33 1022,376 3956,484 -2,632007 Immunoglobulin heavy variable 3-19 (pseudogene) SRY Yp11.3 735,040 2549,595 -2,474087 Sex-determining region Y

MALAT1 11q13.1 4814,378 16228,100 -2,432787 Metastasis associated lung adenocarcinoma transcript 1 (non-protein coding) SNORD12B 20q13.13 941,252 2708,862 -2,204748 Small Nucleolar RNA, C/D Box 12B

CYorf15B Yq11.222 3340,971 7835,857 -1,909538 Chromosome Y Open Reading Frame 15B SNORD26 11q13 2241,102 5131,250 -1,874815 Small Nucleolar RNA, C/D Box 26

CYorf15A Yq11.222 1437,431 3258,423 -1,860395 Chromosome Y Open Reading Frame 15A P2RY11 19p13.2 1177,189 2664,936 -1,858469 Purinergic Receptor P2Y, G-Protein Coupled, 11 SNORD29 11q13 1682,006 3802,515 -1,856485 Small Nucleolar RNA, C/D Box 29

SNORD2 3q27 2082,947 4665,355 -1,843075 Small Nucleolar RNA, C/D Box 2

DDX17 22q13.1 2500,479 5431,566 -1,798878 DEAD (Asp-Glu-Ala-Asp) Box Helicase 17

TRBV5-6 7q34 2078,261 4182,975 -1,688866 T-Cell Receptor Beta Chain V Region CTL-L17 -Like TUG1 22q12.2 2207,939 4142,141 -1,587391 Taurine Upregulated 1 (Non-Protein Coding) SNORA4 3q27 1803,843 3280,302 -1,542469 Small Nucleolar RNA, H/ACA Box 4

Tabela 9: Os 15 genes com maior expressão ao diagnóstico que na recidiva. pvalue<0,001

Gene Posição Diagnóstico RPKM Recidiva RPKM Diferença Vezes de Descrição

IGHG2 14q32.33 10154,268 239,579 4,725728 Immunoglobulin heavy constant gamma 2 (G2m marker) IGHG4 14q32.33 7798,712 219,078 4,474009 Immunoglobulin heavy constant gamma 4 (G4m marker) IGLV2-23 22q11.2 3161,328 97,209 4,343585 Immunoglobulin lambda variable 2-23

IGHGP 14q32.33 2924,444 129,089 3,822013 Immunoglobulin heavy constant gamma P (non-functional) IGHG1 14q32.33 26273,341 1315,424 3,640286 Immunoglobulin heavy constant gamma 1 (G1m marker) IGKC 2p12 46830,944 2600,691 3,490782 Immunoglobulin Kappa Constant

IGLC2 22q11.2 35900,612 2548,226 3,136730 Immunoglobulin Lambda Constant 2 (Kern-Oz- Marker) IGLC1 22q11.2 13608,741 1045,128 3,023068 Immunoglobulin Lambda Constant 1 (Mcg Marker) IGLC3 22q11.2 35606,900 2759,697 3,009862 Immunoglobulin lambda constant 3 (Kern-Oz+ marker) IGHA1 14q32.33 6550,778 510,445 3,002125 Immunoglobulin Heavy Constant Alpha 1

IGHV3-23 14q32.33 3240,317 278,228 2,862081 Immunoglobulin Heavy Variable 3-23 HBA2 16p13.3 211994,543 18298,792 2,854493 Hemoglobin, Alpha 2

HBA1 16p13.3 185896,610 19611,748 2,564997 Hemoglobin, Alpha 1 HBB 11p15.5 178141,929 22647,502 2,295889 Hemoglobin, Beta

NAMPTL 10p11.21 3746,030 543,627 2,104959 Nicotinamide Phosphoribosyltransferase-Like

Foram considerados somente os genes que apresentaram valor de p<0,001. Alguns genes apresentaram variação maior entre o diagnóstico e a recidiva que os genes apresentados na tabela, porém apresentavam valores muito pequenos em uma das fases do tratamento e valor de p>0,001. Valores de RPKM pequenos, com menos de um read por milhão, não são considerados confiáveis, por isso os genes não foram considerados.

6 DISCUSSÃO

A ancestralidade encontrada em pacientes com LLA teve um maior percentual de contribuição europeia, com 51,7%, seguido pelo Africano com 32% e, finalmente de 16,3% de contribuição ameríndia. A ancestralidade encontrada na população brasileira é consistente com a encontrada em pacientes com LLA, com uma maior proporção de contribuição europeia e de acordo com a história da formação da população brasileira (ALVES-SILVA et al., 2000; CARVALHO-SILVA et al., 2001; LINS et al., 2009; PARRA, F. C. et al., 2003). Ao comparar cada subpopulação por região geográfica com os pacientes com LLA, observa-se que a freqüência da ancestralidade africana e ameríndia estão mais próximas da observada na região Centro-oeste, e ancestralidade europeia está mais próxima da observada do Norte (Tabela 6). O Hospital de apoio recebe e trata pacientes principalmente das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, sendo esse resultado esperado devido à origem dos pacientes. A frequência dos polimorfismos farmacogenéticos não difere entre a população brasileira e os pacientes com LLA.

As enzimas GSTs (glutianona S-transferases) são responsáveis pela desintoxicação de uma variedade de drogas (MOYER et al., 2008). O gene de

GSTP1 (glutianona S-transferases Pi) está localizado no cromossomo 11q13 e

contém 7 éxons. O GSTP1 está relacionado com duas drogas utilizadas no tratamento, o metotrexato e os glucocorticóides, sendo que o GSTP1 313 A>G altera a afinidade do substrato e diminui a atividade da enzima (DAVIDSEN; DALHOFF; SCHMIEGELOW, 2008). O polimorfismo estudado é o 313 A>G, e a substituição do genótipo A pelo G substitui uma Isoleucina (Ile) por uma Valina (Val) na posição 105 (ZIMNIAK et al., 1994). Um estudo tem associado o alelo G a um maior risco de desenvolver cancer de pulmão, bexiga e testículos (HARRIES et al., 1997); e maior risco de desenvolver LMA relacionado a quimioterapia em comparação com casos

de novo de LMA (ALLAN et al., 2001).

De todos os 19 polimorfismos farmacogenéticos estudados, somente o

GSTP1 313 A>G apresentou correlação com a taxa de sobrevida. Depois de 24

meses (2 anos), 100% dos pacientes com o genótipo GG está vivo, enquanto 60% (σ 0,094) dos pacientes com genótipos AA/AG estão vivos depois de cinco anos.

Estudos com este SNP são ambíguos, com alguns encontrando associação com o aumento do risco de CNS (sistema nervoso central) e toxicidade (KISHI et al., 2007), e outros mostraram que o risco recidiva é menor em pacientes com o genótipo GG, ocorrendo uma diminuição de 3x do risco de recaída em comparação com os genótipos AA/AG (STANULLA et al., 2000), e também o genótipo GG mostrou menor risco de recaída da leucemia no Sistema Nervoso Central (STANULLA et al., 2005). Existem estudos em que foi encontrada correlação entre o genótipo GG e maior risco de desenvolver LLA ou LMA (DUNNA et al., 2012), e também entre o genótipo AG/GG com maior risco de desenvolver a LLA quando ocorre juntamente com a o genótipo null do GSTM1 (SUNEETHA et al., 2008). Os resultados sugerem uma associação entre o genótipo GG do gene GSTP1 e uma maior taxa de sobrevida em pacientes com leucemia linfoide aguda. Não foi encontrada associação com maior risco de desenvolver a LLA como apontado por um estudo (SUNEETHA et al., 2008), as frequências alélicas do SNP não foram significativamente diferentes entre os pacientes com LLA e a população brasileira.

Os miRSNPs são SNPs relacionados aos microRNAs, que podem ocorrer na região de origem do miRNA ou na região alvo do miRNA, a região 3’UTR do gene. Alterações em uma única base na região 3’UTR do gene podem criar novos sítios de ligação de miRNA ou fazer com que o miRNA não reconheça mais o sítio. Com base nesse principio foram selecionados três importantes genes farmacogenéticos da Leucemia Linfoide Aguda para terem sua região 3’UTR resequenciada em paciente com LLA em busca de SNPs que pudessem criar ou modificar sítios de ligação de miRNAs.

Foi realizado o sequenciamento da região 3’UTR de três genes em 92 pacientes com Leucemia Linfoide Aguda. O genes GGH, GSTP1 e ABCC2 foram escolhidos por serem relacionados à farmacogenética da LLA e possuírem região 3’UTR com menos de 500 pares de base para garantir a qualidade da sequência e que toda a região pudesse ser sequenciada com um par de primers.

O GGH (gama-glutamil hidrolase) é uma enzima lissosomal que está relacionada à via do metotrexato, que está envolvida no metabolismo dos folatos anti-folatos. A enzima cliva cadeias gama-poliglutamadas que estão ligadas a folatos e anti-folatos após entrarem na célula (SCHNEIDER; RYAN, 2006). O GGH

metaboliza o metotrexato poliglutamato novamente em metotrexato, o que pode resultar em uma menor eficácia da droga, com uma relação inversa existente entre a atividade do GGH e o acúmulo de metotrexato poliglutamato em celulas LLA tipo B (CHENG et al., 2004). O SNP GGH 452C>T, selecionado no estudo farmacogenético, está associado com menor atividade catalítica e maior acumulação do metotrexato nos pacientes com LLA (CHENG et al., 2004).

O gene ABCC2 (ATP-Binding Cassette Sub-Family C) codifica uma proteína da superfamília de transportadores ATP-Binding Cassette (ABC), e está envolvida na resistência a diferentes drogas, como o metotrexato (CHEN, Z. S.; TIWARI, 2011; HAUFROID, 2011). O polimorfismo -24C>T está relacionado ao metotrexato em pacientes com LLA, sendo necessária uma dose maior em pacientes do sexo feminino que possuam o alelo T (RAU et al., 2006).

Não foram encontradas variações de sequência na região 3’UTR de nenhum dos três genes estudados. Posteriormente ao resequenciamento foi criado o programa miRdSNP, que é uma base de dados de todos os SNPs presentes em região 3’UTR dos genes e que alteram o sítio de ligação de miRNA. Utilizando essa ferramenta não foi encontrada novamente nenhuma variação na região 3’UTR dos três genes estudados, assim como não foram encontrados estudos na literatura mostrando SNPs na região 3’UTR de nenhum dos três genes. Isso indica que não existem variações na região 3’UTR que alterem sítios de ligação de miRNA, seja criando ou excluindo o sítio. Se existem variações nessa região, elas devem ser muito raras e por isso não foi possível observa-las devido ao tamanho da amostra ser de 92 pacientes com LLA. Foi encontrada um SNP (rs3217927) na região 3’UTR do gene CCND2 (gene super expresso em LLA tipo T) que aumenta o risco de desenvolver LLA na população chinesa (ZHANG, H.ZHOU et al., 2014). Isso mostra que apesar de não terem sido encontrados SNPs nos genes estudados, podem existir SNPs em outros genes relacionados à LLA e que tenham influência na doença.

Os miR-1205, miR-1206 e miR-1207-5p tem origem no loco PVT1 e MYC, que são regiões fisicamente ligadas localizadas na região cromossômica 8q24 (BARSOTTI et al., 2012; HUPPI et al., 2008). MYC e PVT1 possuem expressão alterada em diferentes tipos de câncer e várias alterações transcricionais descritas, e

os microRNAs podem ser suscetíveis as alterações dos seus locos de origem e ter sua expressão alterada (HUPPI et al., 2012).

Foi realizada qPCR em diferentes linhagens celulares a fim de verificar o nível de expressão dos três microRNAs selecionados. O miR-1205 e miR-1206 não possuem nível de expressão diferente do controle nas células estudadas, mas o

miR-1207-5p está mais expresso em algumas linhagens celulares de leucemia

linfoide. O miR-1207-5p também diminui o nível de expressão de Dicer e Drosha no experimento com luciferase. O miR-1205 e miR-1206 diminuíram a expressão somente do Dicer, mas em menor quantidade que o miR-1207-5p. Tanto Dicer quanto Drosha participam da biogênese dos microRNAs, sendo fundamentais nesse processo (GARZON; CALIN; CROCE, 2009). Alterações na expressão dessas duas enzimas tem potencial de afetar a expressão de diversos outros microRNAs, sendo mais experimentos necessários para elucidar como ele pode afetar outros microRNAs e o impacto que dessas alterações na célula.

No estudo de Li et. al, 2011, foram encontradas mais de 10 mil RDDs quando comparadas as sequências de RNA e DNA das células B de 27 indivíduos. A partir desses dados foram encontradas 5.102 associações entre os RDDs e sítios de ligação de microRNAs. Alguns genes e microRNAs foram mais afetados por essas edições.

O gene mais afetado pelas edições foi o CYLD (cylindromatosis (turban tumor

syndrome)), que possuía 18 sítios de ligação de microRNA em regiões com RDD, e

que após a edição perdeu 15 desses sítios. O gene CYLD possui atividade de desubiquitinação e regula diversos processos biológicos, desde resposta imune a progressão do ciclo celular, e tem papel importante na regulação de vias de ativação do NF-kappa-B, o que pode contribuir para seu papel de tumor supressor (KOVALENKO et al., 2003; TROMPOUKI et al., 2003). Outros 12 genes relacionados à ubiquitina, que tem função importante na regulação das proteínas, foram afetados pelos RDDs.

Outras vias interessantes afetadas foram a de fosforilação oxidativa e vias de câncer. A fosforilação oxidativa é uma via metabólica que usa a energia da oxidação de nutrientes para produzir adenosina trifosfato (ATP). Existem várias doenças associadas à fosforilação oxidativa, como doenças neurodegenerativas. Essas

alterações de sítios de miRNA provocadas por RDD podem contribuir ou reprimir a doença. Dois genes, ATIC e SHMT2, participam da via do folato, que possui papel importante na farmacogenética da LLA. Esses dois genes podem ter sua expressão alterada devido à perda de sítios por RDD.

O miRNA hsa-miR-449b* regula a expressão em diversos genes e possui 9 sítios de ligação que são alterados pelo RDD, fazendo com que nenhum desses sítios sejam reconhecidos após a edição. Estudos mostram que ele possui papel como supressor de tumor e está menos expresso em diferentes tipos de câncer (LIZE; PILARSKI; DOBBELSTEIN, ; MARTIN et al., 2013). O mir-449b foi recentemente associado com risco de desenvolvimento de LLA tipo B, sendo que quando um SNP está presente no microRNA existe menor risco de desenvolver a doença (GUTIERREZ-CAMINO et al., 2014).

O trabalho de Li et. al, 2011, recebeu críticas e sua metodologia foi contestada. A quantidade de eventos RDD foi considerada alta, e isso ocorreu por diferentes fatores. A técnica utilizada no estudo foi de RNA-seq short read, que é suscetível a erros, e erros podem ocorrer na hora do alinhamento com o genoma de referência. Existem também regiões complexas nas análises de sequenciamento, como regiões repetitivas, junções exon-exon e splicing alternativo. Com as novas análises estima-se que dos 10241 RDDs, aproximadamente 90% sejam de falsos positivos causados por alinhamento errado, SNPs e duplicação de genes (KLEINMAN; ADOUE; MAJEWSKI, 2012; LIN et al., 2012). Porém ainda existem aproximadamente 1173 RDDs, com quase 15% de edições do tipo A-G. Apesar da quantidade de RDDs encontrada ter diminuído consideravelmente, ainda foram encontrados todos os tipos de edição RNA-DNA (LIN et al., 2012). Porém cada um dos estudos apresentou uma metodologia diferente, por isso vários dos RDDs diferenciam entre os dois estudos.

Um estudo do transcriptoma mostrou que a grande maioria das edições RNA- DNA é do tipo A para I, com os outros tipos de edição sendo menos frequentes. Não se sabe como ocorrem essas edições, mas elas não foram afetadas pelo silenciamento do gene ADAR, que codifica a enzima responsável pela edição de A para I (BAHN et al., 2011). Esses resultados mostram que a edição de RNA de adenina para inosina é a mais frequente, porém não é a única. Devido aos

problemas metodológicos encontrados no trabalho de LI et. al (2011) é preciso realizar mais estudos para confirmar se realmente existe a edição RNA-DNA descrita no estudo. Para isso o ideal seria realizar sequenciamento e PCR real time de amostras a fim de verificar se a edição descrita no trabalho de LI et. al (2011), realmente é uma edição ou um erro.

O RNA-seq é uma ferramenta poderosa na análise do RNA. Com ela é possível sequenciar todos os mRNAs presentes na amostra. Foram sequenciadas utilizando o RNA-seq quatro amostras de dois pacientes com Leucemia Linfoide Aguda. Os dois pacientes apresentavam a LLA-T e foram utilizadas amostras de medula óssea coletadas ao diagnóstico e na recidiva. Com isso foi possível observar diferentes no padrão de expressão dos mRNAs nas duas fases do tratamento da doença.

O sequenciamento do mRNA total foi realizado no Illumina Genome Analyzer IIx, sendo obtidos aproximadamente 40 milhões de reads por amostra e cobertura de 200x. Foram quatro amostras, duas do paciente um e duas do paciente dois. Para a análise dos dados os dados dos dois pacientes ao diagnóstico foram unidos, assim como os dados dos dois pacientes na recidiva. O genoma da referência utilizado foi o GRCh75.p5.

Foi realizada análise dos mRNA e seu padrão de expressão em busca de genes diferencialmente expressos ao diagnóstico e na recidiva, sendo encontrados 8055 genes com expressão diferenciada entre o diagnóstico e a recidiva. Foram selecionados os genes com maior variação entre o diagnóstico e a recidiva, sendo separados em dois grupos. Um dos grupos contém os genes que apresentam maior expressão na recidiva do que ao diagnóstico.

O gene TRBV6-5 apresentou expressão 4,29 vezes maior na recidiva que no diagnóstico. Esse gene é um receptor de célula T variação beta. O receptor de célula T é encontrado na superfície de células T (ou linfócitos T) e é responsável por reconhecer antígenos, sendo composto por cadeias alfa ou beta (95% das células) ou gama e delta (5% das células) (ROWEN; KOOP; HOOD, 1996; SMITH-GARVIN; KORETZKY; JORDAN, 2009). O TRBV6-5 é paralogo do gene TRBV11-1, que está relacionado à sinalização CD28 de resposta imune, inibição do Erk (extracellular

apresentou expressão maior na recidiva. Não foi encontrado nenhum estudo mostrando correlação desse gene com leucemias, e ele também não possui nenhuma função farmacogenética descrita (PharmgKB).

Um dos genes com maior expressão na recidiva é o SRY. Esse gene é determinante do sexo masculino localizado no cromossomo Y. Os dois pacientes são do sexo masculino. A LLA é mais frequente em meninos do que em meninas, e ser do sexo masculino é um prognóstico ruim da doença, com maior chance de recaída (ONCIU, 2009; PUI; EVANS, 2013; PUI; ROBISON; LOOK, 2008). O SRY pode ter relação com esses fatos, sendo necessários mais estudos para investigar seu possível papel no desenvolvimento e recaída da doença. Não foi encontrado nenhum estudo relacionado o SRY a LLA, porém existe relação entre SOX e LLA. Proteínas SOX pertencem à família de proteínas HMG-box (grupo de alta mobilidade) de ligação ao DNA, mesmo grupo a que o SRY pertence. O SOX4 (Sex-

determining region Y-related high-mobility-group box transcription factor 4) está

relacionado a diversos tipos de câncer, sendo sua superexpressão relacionada à Leucemia Mieloide Aguda (FARR et al., 1993; ZHANG, H.ALBERICH-JORDA et al., 2014). Outros dois genes estão localizados no cromossomo Y, o CYorf15B e o

CYorf15A (chromosome Y open reading frame), com nenhum estudo encontrado que

os relacionasse com leucemia.

Entre os 15 genes selecionados com maior diferença de expressão, sendo mais expressos na recidiva, cinco deles pertencem à família de genes de RNA nucleolar pequeno (Small Nucleolar RNA - snoRNAs). SnoRNA é uma classe de pequenos RNAs que guiam a modificação de um local especifico do RNA, em sua maioria no RNA ribossomal (rRNA). Os snoRNAs podem ser divididos em duas classes: a C/D-box e H/ACA-box, que guiam pelo pareamento de bases, respectivamente, a metilação 2'-O-ribose e modificação pós transcricional de nucleotídeos do rRNA (BALAKIN; SMITH; FOURNIER, 1996; DIECI; PRETI; MONTANINI, 2009). Dos cinco genes relacionados a snoRNAs, quatro são da classe C/D-box e um da classe H/ACA-box. SnoRNAs estão mais expressos células T