1
UNESA - Universidade Estácio de Sá [email protected] Objetivos
A anemia falciforme (AF) é uma doença hematológica com desordem genética da hemoglobina, causada por uma mutação que gera a hemoglobina S e afeta a função dos glóbulos vermelhos1,2,3,4,5. Tem alta prevalência no Brasil6,7,8. Apresenta elevada morbidade e mortalidade devidos aos episódios de vaso-oclusão, predisposição a infecções e desnutrição, sendo o diagnóstico e o tratamento precoces necessários9,10,11,12,13,14,15. Observa-se então, a necessidade de apresentar um serviço com padrão de qualidade11,16. Dessa forma, a nutricionista assume papel essencial no acompanhamento clínico dessa condição patogênica, devendo conhecer suas manifestações clínicas, fatores de risco e medidas terapêuticas necessárias17,18,19. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o perfil antropométrico de pré-escolares (de dois a seis anos de idade) com AF atendidos em um hemocentro no Rio de Janeiro (RJ)20,21. A unidade atende em média 2,5 mil internações por ano e 32 mil consultas ambulatoriais.
Métodos
Foi realizada uma pesquisa retrospectiva de coleta de dados com 29 dos atendimentos mais recorrentes. Utilizou-se um formulário estruturado de coleta de dados para a avaliação. Em seguida, a avaliação antropométrica teve base nas recomendações da World Health Organization (WHO) para avaliação em crianças. Foram verificados os índices de IMC/I (índice de massa corporal por idade), P/I (peso por idade) e A/I (altura por idade), descritos em percentil e escore-z (EZ) e com pontos de corte preconizados pelo National Center for Health Statistics (NCHS) e WHO (2006, 2007) de acordo com o Ministério da Saúde (MS)22,23,24.
Resultados
Os seguintes resultados foram obtidos: a maioria das crianças eram eutróficas segundo P/I. A prevalência de eutrofia foi de 93,10% (percentil) e 96,55% (escore-z). Confrontando os dados da avaliação nutricional entre percentil e escore-z (EZ), observou-se baixa prevalência de baixa estatura e magreza25,26. Resultado diferente de estudos que revelam que crianças homozigotos (SS), quando comparadas com crianças sem a doença em relação ao peso e à altura, possuem relação E/I, P/I e P/E, analisadas pelo EZ, significativamente menores15. A população estudada, predominantemente parda, apresentava indicadores antropométricos dentro dos limites de eutrofia27,28.
Conclusão
A avaliação nutricional deve fazer parte da rotina de cuidados dos pacientes pediátricos. A identificação de risco nutricional possibilita a intervenção precoce e a adequação da dieta, assegurando o suporte nutricional, o que possibilita a melhora o prognóstico clínico.
Referências
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Manual de doenças mais importantes, por razões étnicas, na população brasileira afrodescendente. Brasília, p. 1-37, 2001b.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de diagnóstico e tratamento de doenças falciformes. Brasília, 2002.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de condutas básicas na doença falciforme. Brasília, 2006.
4. GOMES, I. P.; NÓBREGA, M. M. L.; COLLET, N.; FERNANDES, M. G. M.; ARAÚJO, Y. B.; LIMA, K. A. Processo de enfermagem ao adolescente hospitalizado portador de anemia falciforme. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 15, n. 4, p. 461-464, dez. 2011.
5. FERRAZ, S. T. Acompanhamento clínico de crianças portadoras de anemia falciforme em serviços de atenção primária em saúde. Revista Médica de Minas Gerais, v. 22, n. 3, p. 315-320, ago./out. 2012.
6. WHO. World Health Organization. Sickle-cell anaemia. In: Fifty-Ninth World Health Assembly. Geneva, Switzerland, 2006. 7. ARAÚJO, A. S. Perfil nutricional de pacientes adultos com anemia falciforme. 88f. Programa de Pós-Graduação em alimentos, nutrição e saúde (PGNUT). Dissertação (Mestrado em alimentos, nutrição e saúde) – Universidade Federal Bahia, Salvador, 2009. 8. SOUZA, K. C. M.; ARAÚJO, P. I. C.; SOUZA-JUNIOR, P. R. B.; LACERDA, E. M. A. Baixa estatura e magreza em crianças e adolescentes com doença falciforme. Revista de Nutrição, Campinas, v. 24, n. 6, p. 853-862, nov./dez. 2011.
9. FERRAZ, S. T. Acompanhamento clínico de crianças portadoras de anemia falciforme em serviços de atenção primária em saúde. Revista Médica de Minas Gerais, v. 22, n. 3, p. 315-320, ago./out. 2012.
10. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 822, de 06 de junho de 2001a. Art. 1º Instituir, no âmbito do Sistema Único de Saúde, o Programa Nacional de Triagem Neonatal / PNTN. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2014.
11. MENDONÇA, A. C.; GARCIA, J. L.; ALMEIDA, C. M.; MEGID, T. B. C. Muito além do "Teste do Pezinho". Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 31, n. 2, p. 88-93, mar./abr. 2009.
12. SOUZA, R. A. V.; PRATESI, R.; FONSECA, S. F. Programa de triagem neonatal para hemoglobinopatias em Dourados, MS – uma análise. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, São Paulo, v. 32, n. 2, p. 126-130, maio 2010.
13. BONINI-DOMINGOS, C. R. Programa de triagem neonatal de hemoglobinopatias – uma reflexão. Revista Brasileira Hematologia e Hemoterapia; v. 32, n. 2, p. 99, 2010.
14. AMORIM, T.; PIMENTEL, H.; FONTES, M. I. M. M.; PURIFICAÇÃO, A.; LESSA, P.; BOA-SORTE, N. Avaliação do programa de triagem neonatal da Bahia entre 2007 e 2009 – As lições da doença falciforme. Gazeta Médica da Bahia, Bahia, v. 80, n. 3, p. 10-13, ago./out. 2010.
15. LEMOS, R. N.; BOA-SORTE, N.; AMORIM, T.; KYIA, M.; LEITE, E.; RIBEIRO, R.; FONSECA, S. F. Parâmetros clínicos e laboratoriais associados ao estado nutricional de pacientes com doença falciforme da triagem neonatal. Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal, Salvador, jun./set. 2010. Disponível em: < http://www.sbtn.org.br >. Acesso em: 28 fev. 2014.
16. CANÇADO, R. D.; LOBO, C.; ÂNGULO, I. L.; ARAÚJO, P. I. C.; JESUS, J. A. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para uso de hidroxiuréia na doença falciforme. Revista Brasileira Hematologia e Hemoterapia, out. 2009.
17. VILLELA, N. B., ROCHA, R. Terapêutica nutricional. Manual básico para atendimento ambulatorial em nutrição. Editora da Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.
18. BERQUÓ, L. T. A. P. P. O direito à alimentação e a insegurança alimentar de escolares no Brasil: as doenças falciformes e a vulnerabilidade dos afro-descendentes. Revista Direito e Desenvolvimento – v. 2, n. 4, jul./dez. 2011.
19. PINHO, L.; AZEVEDO, C. A.; CALDEIRA, A. P.; AMARAL, J. F. Perfil antropométrico e dietético de crianças com anemia falciforme. Revista Baiana de Saúde Pública, v. 36, n. 4, p. 935-950, out./dez. 2012.
20. MAGALHÃES, P. K. R.; TURCATO, M. F.; ÂNGULO, I. L.; MACIEL, L. M. Z. Programa de triagem neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. 445-454, fev. 2009.
21. MARQUES, V.; SOUZA, R. A. A. R.; RAMOS, L. J.; ZAN, R. A.; MENEGUETTI, D. U. O. Revendo a anemia falciforme:
sintomas, tratamentos e perspectivas. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 3, n. 1, p. 39-61, jan./jun., 2012.
22. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: norma técnica do sistema de vigilância alimentar e nutricional – SISVAN. Brasília, 2011.
23. WHO. World Health Organization. Growth reference data for 5-19 years. Geneva, Switzerland, 2007. Disponível em: < http://www.who.int/growthref/en/ >. Acesso em: 12 fev. 2014.
24. WHO. World Health Organization. Sickle-cell anaemia. In: Fifty-Ninth World Health Assembly. Geneva, Switzerland, 2006. 25. PEREIRA T. P., PIRES M. M., WAYHS M. C., STAHELIN L., TOYAMA R. P. Avaliação nutricional de lactentes e pré-escolares hospitalizados no Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago em 1995 e 2005. Revista da Associação Catarinense de Medicina, Florianópolis, Santa Catarina, v. 37, n. 2, p. 77-84, mar./jun. 2008.
26. SIMÕES, A. P. B.; PALCHETTI, C. Z., PATIN, R. V.; MAURI, J. F.; OLIVEIRA, F. L. C. Estado nutricional de crianças e adolescentes hospitalizados em enfermaria de cirurgia pediátrica. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 41-47, mar. 2010.
27. DIAS, J.; GIOVANETTI, M. R.; SANTOS, N. J. S. Perguntar não ofende. Qual é a sua cor ou raça/etnia? Responder ajuda a prevenir. São Paulo, Centro de referência e treinamento DST/aids, 2009.
28. MARTINS, P. R. J.; MORAES-SOUZA, H.; SILVEIRA, T. B. Morbimortalidade em doença falciforme. Revista Brasileira Hematologia e Hemoterapia, São Paulo, v. 32, n. 5, p. 378-383, 2010.
Palavras-chave: Anemia falciforme; doença crônica; estado nutricional; nutrição infantil; intervenção nutricional
ASSOCIAÇÃO DA CIRCUNFERÊNCIA DA COXA COM DIABETES MELLITUS EM MULHERES
Klauck, B; Brondani, R; Sulzbach C.C; Chagas, P1
UFSM - Universidade Federal de Santa Maria [email protected]
Estudar associação da circunferência da coxa (CCo) com a Diabetes Mellitus (DM) em mulheres Métodos
Estudo transversal. Participaram mulheres acima de 20 anos submetidas à densitometria óssea em uma clínica de imagem de Palmeira das Missões – RS, entre outubro de 2012 à dezembro de 2013. A presença de DM e os dados sociodemográficos (idade, estado civil, escolaridade e ocupação) foram coletados por entrevista seguindo um questionário padronizado. A circunferência da coxa foi realizada com fita métrica inelástica e inextensível e realizada logo abaixo dos glúteos.¹ Para a análise do Odds Ratio (OR) a CCo foi classificada em dois grupos: menor 60cm e maior ou igual a 60cm. Os dados foram analisados por meio do software estatístico Statistical Package for the Social Scienses (SPSS) versão 18.0 e foram descritos por média ± desvio padrão e percentuais. Para a comparação entre DM e a CCo foi utilizado o T Test. Para calcular a razão de chance entre DM e a CCo<60 cm e ≥60cm foi realizado o Odds Ratio. O estudo faz parte de um projeto maior aprovado pelo comitê de ética da universidade sob o número da CAEE 05494112.0.0000.5346 e todas as participantes aceitaram participar do estudo, assinando livremente o termo de consentimento livre e esclarecido.
Resultados
A amostra foi composta por 489 mulheres com idade média de 56,9 ±9,45 anos, sendo sua maior prevalência casada (n=337, 68.9%), com escolaridade de entre 4-8 anos de estudo (n=252, 51,5%) e aposentada (n=184, 37,6%). Do total da amostra 10,4% (n=51) apresentaram DM. A média da CCo foi de 58,37± 8,6 cm para mulheres sem DM e 54,85±7,9 cm nas diabéticas. Quando dividida a CCo em categorias, verificou-se que a Cco > 60cm reduziu a chance de DM, OR 0,4635 (IC 95% 0,24-0,89) p=0,021.
Conclusão
A CCo foi inversamente associada com a DM em mulheres. A CCo acima de 60cm foi protetora para a DM. Por ser a CCo uma medida de fácil e rápida mensuração, pode ser usada na prática clinica por profissionais da área da saúde.
Referências
1. 1. Heitmann B, Frederiksen P, Thigh circumference and risk of heart disease and premature death: prospective cohort study. BMJ 2009;339:b3292
Palavras-chave: diabetes mellitus; circunferência da coxa; mulheres