4. Der Roman Krabat von Otfried Preußler
4.5. Die Personen im Roman Krabat nach Otfried Preußler
No primeiro momento, foram realizadas observações do contexto mais geral da Instituição e, em seguida, tais observações tiveram foco no grupo de crianças da turma. Ainda na fase inicial, se deu a realização das análises dos documentos orientadores da prática educativa na Instituição, o que proporcionou maior imersão no campo de estudo.
Para a realização da pesquisa, o processo de escolha da Instituição ocorreu durante o primeiro semestre de 2014 e sua localização foi um dos aspectos considerados na escolha do local para o desenvolvimento da pesquisa: ela deveria estar localizada nas mediações do trajeto residência-universidade da pesquisadora, possibilitando um fácil acesso ao local e, consequentemente, a presença no mesmo regularmente. Minha entrada no campo de pesquisa se deu na segunda semana do mês de setembro de 2014, após realizar contato com a direção da escola e receber a autorização da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED-BH).
Na primeira reunião com a direção da escola, para que se fizesse a exposição do projeto da pesquisa, fui apresentada à Karen, professora referência da turma que seria observada e ela concordou em me receber em sua sala. Já no meu primeiro dia na UMEI, fui encaminhada para a turma em questão. As crianças reagiram bem à minha presença e demonstraram interesse em me conhecer. Não houve um momento específico para que eu pudesse conversar diretamente com as
crianças e explicar o meu papel na sala. Como eu estava chegando ao ambiente e ainda estava sem intimidade com ele, não fiz nenhum tipo de solicitação à professora sobre como as apresentações deveriam ocorrer; preferi deixar que ela conduzisse da forma que considerasse mais conveniente. Ao adentrar pela sala, a professora me apresentou para as crianças. Disse o meu nome e informou que eu as acompanharia, como outra pessoa já havia feito. Nas palavras dela “vocês se lembram que eu falei que vinha uma pessoa ficar com a gente? Então, essa é a Elaine; Ela vai ficar aqui, igual a ‘Valesca’ ficou, lembram?” (Notas do diário de campo, 09/09/2014). A professora Karen começou a trabalhar na Instituição, desde que a mesma foi inaugurada, em 2011, e está acompanhando a maioria das crianças da turma, desde que estas tinham dois anos, quando foram matriculadas na UMEI, no primeiro ano de funcionamento da Instituição.
Para a realização da pesquisa, procurei construir um papel de adulto, o qual fosse diferente do papel desempenhado pelas demais pessoas adultas da Instituição. Convém refletir que, em se tratando de pesquisas com crianças, para que haja o estabelecimento de uma relação de confiança entre pesquisador e pesquisados, torna-se necessário que o pesquisador assuma uma postura ou conduta atípica, conforme mencionado anteriormente, de acordo com a posição adotada por Corsaro (2005; 2011) em suas pesquisas (CORSARO, 2005; 2011; SANTOS, 2013). Dessa forma, “é o adulto, que por assim dizer, se faz criança para melhor compreender o que é ser criança. Não é um retorno ao que o adulto foi um dia, mas uma forma de ele estabelecer um contato social diferente e, por meio dele aprender como se aprende sempre através da interação” (ADES, 2009, p. 128). Fazer- se criança indica uma inversão de uma concepção normalmente aceita, na qual é a criança quem adentra no universo do adulto, para apreender o conhecimento constituído (ADES, 2009). Em outras palavras, é o adulto que irá imergir no mundo da criança, para compreender o universo infantil a partir do contato direto e interativo com as próprias crianças.
Sendo assim, procurei realizar uma entrada reativa no campo de estudo, como aquela proposta por Corsaro (2005) em suas pesquisas. Tal atitude, segundo o autor, consiste em entrar no espaço onde as crianças brincam ou realizam suas atividades e ficar esperando que elas reajam à presença do pesquisador. Tentei assim me posicionar em locais onde as crianças estavam e esperar que reagissem à minha presença, tanto na sala quanto nos parquinhos, ou no refeitório, espaços mais utilizados pelas crianças. Alguns locais de muita frequência das crianças em suas brincadeiras, como uma casinha de concreto construída no chamado “parquinho da casinha”, que ficava ao lado do refeitório, não foi possível me posicionar, devido à limitação própria de um adulto com 7 meses
de gestação, pois estava grávida no período. Entretanto, a “barriga de grávida” despertou o interesse das crianças e se apresentou como mais um elemento que contribuiu para a aproximação. Tal processo de aproximação ocorreu de forma espontânea e, rapidamente, me envolvi com as crianças em conversas e fui convidada a brincar com elas.
Cabe ressaltar que assumir a postura de um adulto atípico constituiu-se como uma das dificuldades enfrentadas no processo da pesquisa. O sentimento enquanto pesquisadora se voltava para o de alguém que estava invadindo um espaço alheio. Ser pesquisadora na UMEI fazia com que eu me sentisse uma invasora dos espaços e tempos do ambiente institucional. A dificuldade relacionava-se em como desenvolver as ações necessárias para coletar os dados e alcançar os objetivos da pesquisa sem incomodar ou invadir os espaços-tempos da Instituição, da professora e mesmo das crianças. A superação desta dificuldade se deu a partir da Equipe de profissionais da UMEI, que foi receptiva e se mostrava sempre disponível em ajudar, e das próprias crianças, que não criaram barreiras para o estabelecimento da relação.
Outra dificuldade inicial enfrentada no processo da pesquisa foi o de coordenar a gravidez e as ações em campo, pois havia uma necessidade de cuidados enquanto grávida, que se contrapunham as necessidades enquanto pesquisadora, tais como assentar baixo junto com as crianças e andar rápido para acompanhá-las nos corredores e escadas etc. As crianças, por sua vez, se apegaram a barriga e ao bebê, e aos poucos se deu o estabelecimento de uma relação afetiva entre todos, possibilitando ultrapassar esta dificuldade. As crianças demonstravam cuidados para comigo e com o bebê. Elas se preocupavam em me oferecer água e bom lugar para assentar, por exemplo. Além disso, conversavam com o bebê na barriga e faziam planos para quando ele nascesse. As crianças não somente receberam a pesquisadora na turma, mas também o bebê que estava na barriga, como alguém que existia e fazia parte do cotidiano delas, junto com a pesquisadora.
Penso que consegui adotar uma postura atípica, uma vez que, em nenhum momento durante o trabalho de campo, fui solicitada pelas crianças para resolver conflitos ou dar permissões para ações. Apenas crianças de outras turmas, quando estávamos em espaços coletivos, fizeram algumas solicitações, como resolver conflitos, ou dar permissão para ir ao banheiro. Nos casos em que isso ocorreu, respondi, delicadamente, que deveriam conversar com suas professoras, pois eu não tinha autoridade para tal procedimento. Além disso, na turma observada, apenas em dois momentos fiz intervenção nas ações das crianças, pois temi que se machucassem em suas brincadeiras. Entretanto, tentei ser o mais branda possível, apenas alertando-as com as palavras “cuidado, que vocês podem
se machucar”. Além disso, mais que assumir uma postura ou conduta atípica, a gravidez possibilitou que eu realmente me tornasse um adulto atípico na Instituição. Durante o processo de imersão no campo, aos poucos, foi sendo construída uma relação de proximidade, onde as crianças me procuravam para conversar e brincar e definiam nossa relação como sendo de amizade. De acordo com as crianças, eu não era professora, mas amiga delas.
O uso das videogravações despertou muito interesse das crianças. As filmagens ocorreram no final do mês de outubro, durante o período de uma semana, buscando captar, além das interações estabelecidas entre as crianças, a rotina semanal das mesmas. Para captura das imagens, a câmera foi posicionada sobre um tripé fixo na sala, em um local que permitisse captar de forma mais ampla o espaço. Quando a turma saía para outros espaços da Instituição, o equipamento era manuseado por mim, a fim de fazer a captura das imagens. Ao todo, foram registradas em torno de 20 horas de gravação. Ao fim da pesquisa de campo, as gravações foram organizadas e transcritas por dia de observação, sendo somadas ao conjunto de dados coletados.
Buscando entender a dinâmica da rotina das crianças e a organização de suas interações, foram feitos registros da rotina diária em mapas, logo no início das observações, no mês de setembro, durante o período de duas semanas. Os registros nos mapas consideraram as atividades e sub-atividades realizadas, a duração das mesmas, bem como as interações percebidas. Esse mapeamento possibilitou um ordenamento das ações diárias das crianças na Instituição, quando somado ao conjunto total dos dados construídos.