Chapter 5 Results and Discussion
5.2 Presentation and interpretation of results
5.2.1 Determinants of LFP: Results from logistic model
O Museu do Homem do Nordeste, situado na Avenida Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte, foi fundado em 1979, por Gilberto Freyre, a partir da junção de três museus (coleções) existentes: do Açúcar, de Antropologia e de Cultura Popular. É ligado à Diretoria de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco e tem a missão de pesquisar, documentar, preservar e difundir o patrimônio cultural, material e imaterial, do Nordeste, constituindo-se um dos mais importantes espaços histórico-antropológicos do país.
O acervo representa a formação histórica, étnica e social da atual região Nordeste, com cerca de 15 mil peças de origens indígena, europeia e africana. Podem-se encontrar as mais variadas obras: materiais de construção dos séculos XVIII e XIX, ex-votos; objetos de cultos afro-negros; bonecas de pano; brinquedos populares; cerâmicas de Vitalino, Nhô Caboclo e outros; tecnologias do trabalho no açúcar, entre outras. O visitante pode conhecer um mural da vida cotidiana nacional na exposição de longa duração “Nordeste: territórios plurais, culturais e direitos coletivos”.
Hoje, o museu se tornou uma referência na museologia contemporânea em virtude de
22 Fontes: a) FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO. O Museu. Recife: Fundaj. Disponível em:
<http:www.fundaj.gov.br/índex.php?option=com_conten&view=article&id=250&Itemid=238>. Acesso em 20/mai/2012; b) Folders.
sua atuação na área educativo-cultural, o que consolida sua integração com a sociedade. É uma oportunidade, ao visitá-lo, para descobrir e conhecer a formação do Homem nordestino. O espaço funciona de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 13h às 17h.
Foto 17 - Acesso ao Museu do Homem do Nordeste
Fonte: SILVA, Elisane Pereira de, 2012.
Na primeira categoria, é identificado como outro exemplar de atrativo histórico- cultural da cidade, ligado às informações da formação do povo nordestino. A memória (categoria II) é formada de maneira subjetiva e voluntária, uma vez que o passado é exposto por meio de práticas de recordação e de forma intencional.
A partir da análise elaborada na categoria III, também pode ser considerado um lugar de memória típico, por conta das memórias ali expostas e fixadas. Os valores cognitivo, afetivos e pragmáticos são os mais visíveis; o valor formal tem uma menor força. As informações ali apresentadas foram reunidas ao longo dos anos e representam o sentimento de propriedade sobre a origem do Nordeste brasileiro. O valor de uso aparece tanto no contexto da exposição como nas ações educativas realizadas em suas dependências. O valor formal está representado pelo acervo exibido com obras de grande importância artística e histórica.
O Museu do Homem do Nordeste é caracterizado como tradicional e mais um equipamento do patrimônio material e cultural da cidade. Da mesma maneira que os outros dois museus da Zona Norte analisados, este espaço possui um médio grau de atratividade (categoria IV), mesmo não aparecendo nos roteiros turísticos tradicionais do Recife. Dentre os três, o Museu do Homem do Nordeste goza de melhor desempenho nas visitações e pode alcançar maior grau de atratividade.
5 CONCLUSÃO
O entendimento dos lugares de memória como atrativos turísticos foi a principal motivação para o desenvolvimento deste estudo. De que forma os museus e as igrejas da cidade do Recife podem ser entendidos como “lugar de memória”? Qual o aproveitamento dessas edificações como um atrativo capaz de atrair turistas durante a estada na cidade? Partindo desses primeiros questionamentos, iniciou-se o caminho da pesquisa a fim de compreender a relação entre lugar de memória, atrativo turístico e patrimônio e, consequentemente, a adoção do conceito de lugar de memória na valorização de atrativos na cidade do Recife.
Após o processo analítico do corpus ampliado e do corpus restrito, em especial, consolidado pela construção da estrutura teórica referente aos pressupostos necessários para a compreensão do problema e resposta à pergunta de pesquisa enunciada, chegou-se a conclusão que definir um atrativo turístico como um lugar de memória pode contribuir para seduzir o turista a visitar esse local e também para perpetuar a noção de patrimônio nos museus e igrejas de uma cidade, em particular no Recife.
Entretanto, para essa percepção final, foi necessário a priori ordenar um percurso a fim de perceber a importância do turismo para o desenvolvimento das cidades. Essa apreensão foi possível estabelecer nos pressupostos teóricos, em particular, nos números relativos aos movimentos turísticos no mundo, no Brasil e no Recife. Como apresentado, o turismo é, hoje, uma atividade com importante presença na economia mundial, contudo, no tocante à cidade, ainda não goza do devido destaque econômico. O Recife possui inúmeros atrativos, sejam eles naturais ou artificiais, mas não os dispõe de maneira a aumentar a circulação e a permanência dos turistas na cidade. Em continuidade à trajetória estabelecida para encontrar as respostas necessárias, era essencial analisar os conceitos de memória e lugar de memória como
elemento formador de um atrativo turístico. Essa análise foi construída nos referenciais teóricos apontados ao longo do trabalho, contribuindo, assim, para depreender que lugar de memória, enquanto local onde a memória se cristaliza e os vestígios do passado aparecem em virtude da desritualização do mundo, é um conceito capaz de fomentar um atrativo turístico. Essa constatação comprova o proposto nos objetivos específicos em virtude de ser possível adotar o conceito de lugar de memória para os atrativos turísticos, bem como servir para o desenvolvimento e fortalecimento da atividade.
Ainda no curso para a averiguação dos objetivos específicos, era pertinente o entendimento das igrejas e museus da cidade do Recife como lugar de memória e, para essa finalidade, foi efetuado um levantamento das principais edificações existentes na cidade a fim de estabelecer quais seriam arquétipos do estudo proposto. Ao estabelecer uma relação entre os objetos de investigação e a atratividade turística, foi verificado que as igrejas e os museus nacionais são exemplos da interação entre os conceitos de lugar de memória, atrativo turístico e patrimônio. As primeiras, principalmente as erguidas nos séculos XVII e XVIII, são detentoras de importantes passagens e lembranças da estruturação da sociedade e do povo brasileiros; é um modelo da memória histórica. Os museus, também uma amostra da memória histórica, são depositários de elementos formadores da história e da cultura do país.
No Recife, esse fator fica evidente nas cinco igrejas analisadas e que estão localizadas nos sítios primários do surgimento da cidade, ou seja, nos bairros do Recife, Santo Antônio e São José. Esses espaços apontam a direção do crescimento da cidade, da região do primeiro porto para o centro, e as igrejas erigidas nessas localidades representam o fortalecimento da sociedade e a marcante presença da Igreja Católica na época. Percebe-se que ao se afastar da área original da cidade – a região do porto (hoje, Bairro do Recife) – as igrejas ostentam uma riqueza maior de detalhes e obras, isto é, demonstram uma pujança econômica maior da sociedade. Foi possível verificar que as igrejas do Recife, em particular as constantes no
projeto Circuito das Igrejas, incorporam a noção de patrimônio e, dessa forma, estão inseridas em alguns roteiros turísticos realizados na cidade. Porém, ainda não entendidas como lugar de memória pelos gestores responsáveis pelo turismo na cidade e nas igrejas estudadas.
Em relação aos museus analisados, foi possível identificar as seguintes situações: i) as instituições diretamente ligadas à história da formação da cidade, do estado e da região. São elas: Museu da Cidade do Recife, Museu do Estado de Pernambuco e Museu do Homem do Nordeste; ii) as organizações que inicialmente eram construções de caráter religioso e foram requalificadas para funcionar como espaços museológicos. Nesse caso, tem-se a Sinagoga Kahal Zur Israel e a Capela Dourada e Museu Franciscano de Arte Sacra; iii) e, os museus ligados às artes, às pessoas e aos movimentos culturais. Nessa categoria, incluem-se a Casa do Carnaval, o Museu de Arte Popular, os Memoriais Chico Science e Luiz Gonzaga, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães e a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre. Nos documentos examinados, não há menção dos museus investigados como atrativos turísticos, no entanto alguns exploram a condição de lugar de memória, ou seja, são detentores das recordações e lembranças de um grupo específico, como a Sinagoga Kahal Zur Israel, ou das histórias de uma pessoa, situação explorada pela Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre. Vale destacar que os espaços museológicos localizados no Pátio de São Pedro – Casa do Carnaval, Museu de Arte Popular, Memoriais Chico Science e Luiz Gonzaga –, apesar do apelo cultural, ainda não dispõem da capacidade de atrair isoladamente o turista para visitá- los. A atratividade está relacionada essencialmente ao conjunto histórico do Pátio e à Igreja de São Pedro dos Clérigos. Outra situação a ressaltar é o caso do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) que, embora tenha uma importante representatividade para as artes plásticas pernambucanas e nacionais, não desenvolve um volume de visitação e nem de atração aos turistas; isso é explicado, em parte, pela ausência de uma exposição permanente de seu acervo. Os outros espaços museológicos analisados cumprem sua missão de apresentar
as lembranças e as recordações, isto é, as memórias a que se propõem. De todos os museus avaliados e visitados, a Sinagoga Kahal Zur Israel e a Capela Dourada, no sítio histórico do Recife, e Museu do Homem do Nordeste, na Zona Norte, são os que possuem maior dimensão no número de turistas visitantes, em virtude da localização ou da representatividade. Os museus estudados, embora incorporem a noção de patrimônio, ainda funcionam como meros depósitos de informações do passado, pois, conforme Dib (2012, p. E1), “o formato clássico do museu como dispositivo estático e desconectado do aqui/agora ainda prevalece na capital”. Em duas circunstâncias, há uma preocupação em expor de maneira mais atual os acervos permanentes, permitindo, assim, uma interação entre o visitante e as memórias ali relatadas e mostradas. Este fato foi identificado no Museu do Homem do Nordeste e no Museu do Estado de Pernambuco, em menor escala.
A partir das categorias de análise estabelecidas, foi possível estabelecer o cenário representado pelo Quadro 2 abaixo.
Quadro 2 - Cenário Geral dos Museus e Igrejas a partir das Categorias de Análise
Espaço Categorias de Análise
I II III IV
Bairro do Recife
Sinagoga Kahal Zur Israel Histórico-cultural Subjetiva Voluntária Valores: afetivo e pragmático cognitivo, Médio Igreja da Madre de Deus Histórico-cultural
Objetiva Subjetiva Voluntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Médio para Alto Bairro de São José
Museu da Cidade do Recife – Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas
Histórico- cultural Subjetiva Voluntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Médio
Casa do Carnaval Cultural Subjetiva Involuntária
Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático
Médio
Espaço Categorias de Análise
I II III IV
Memorial Chico Science Cultural Objetiva Subjetiva Voluntária
Valores: cognitivo,
afetivo e pragmático Médio
Memorial Luiz Gonzaga Cultural
Objetiva Subjetiva Voluntária
Valores: cognitivo,
formal e afetivo Médio Concatedral de São Pedro
dos Clérigos Histórico- cultural Objetiva Involuntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Alto Convento e Basílica de Nossa Senhora do Carmo
Histórico- cultural Objetiva Subjetiva Voluntária Involuntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Alto
Igreja de Santa Tereza de Ávila da Ordem Terceira do Carmo Histórico- cultural Objetiva Involuntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Médio Bairro de Santo Antônio e da Boa Vista
Capela Dourada e Museu
Franciscano de Arte Sacra Cultural
Objetiva Involuntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Alto Museu de Arte Moderna
Aloisio Magalhães – MAMAM
Cultural Objetiva
Voluntária Não Identificada Baixo Zona Norte Museu do Estado de Pernambuco Histórico- cultural Subjetiva Voluntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Médio Casa-museu Magdalena e Gilberto Freyre Histórico- cultural Objetiva Subjetiva Voluntária Involuntária Valores: cognitivo, formal, afetivo e pragmático Médio Museu do Homem do Nordeste Histórico- cultural Subjetiva Voluntária Valores: cognitivo,
afetivo e pragmático Médio Fonte: O autor, 2012
Após esse percurso, foi possível verificar que os objetivos específicos definidos para essa pesquisa foram alcançados uma vez que os conceitos de memória e lugar de memória podem ser associados à definição de atrativo turístico, em particular na cidade do Recife. E, assim sendo, o objetivo geral proposto – analisar as igrejas e museus como lugar de memória
e formador do patrimônio e aproveitamento como atrativo turístico – foi alcançado. É factível que as igrejas e museus da cidade do Recife estudados são ou podem ser lugares de memória e, dessa forma, serem mais aproveitados como atrativos turísticos.
Vale ressaltar que a trajetória do estudo foi pautada pela ideia de fortalecer a importância da pesquisa bibliográfica e documental como fonte aglutinadora de valores para a inquietude científica, aquietada a partir dos resultados encontrados, e para fomentação de políticas de gestão de atrativos turísticos.