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2.2   Nevrologisk  sykdom

2.2.2   Det  kognitive  aspekt

Como dito anteriormente, Maria já havia proposto projetos na escola em que a literatura e a abordagem crítica estavam presentes. Por isso, perguntei a respeito desses pontos em sua prática docente durante a entrevista inicial. Ao descrever sua rotina nas aulas de inglês, a professora relatou:

Eu entro na sala de aula, cumprimento os alunos, começo a prepará-los para o conteúdo a

ser ministrado, bato um papo informal de uns cinco minutinhos. E dependendo da atividade

eu já começo imediatamente a dar minha atividade. Trabalho com gramática, trabalho com

texto, trabalho com letra de música. Então, cada aula tem uma administração diferente, né?

Em um segundo momento da entrevista, perguntei à Maria:

E que tipo de atividades você prioriza na sua sala de aula?Eu gosto de..eu sempre dou a

teoria, mas sempre tento também, de certa forma, dar atividades relacionadas à música..letras de música, pra poder dinamizar um pouco, né. Pra não ficar preso só à gramática. E também em alguns bimestres eu alterno, eu faço com que eles apresentem trabalho, pra coisa ficar um pouco mais dinâmica também.

Como observado no trecho acima, a literatura e o aspecto crítico do ensino de línguas não foram mencionados, não sendo considerados, então, como parte da rotina da sala de aula da professora. Porém, quando esses tópicos foram citados por mim, a professora os insere como parte de sua prática docente, como a seguir:

E você já fez alguma coisa na escola que você considera trabalhar com o aspecto crítico da língua?

Eu acho que na área de teatro, literatura, a gente acaba desenvolvendo a visão e o senso crítico do aluno, né?

E você já fez algum trabalho com literatura?

Já, já fiz. Sempre faço. Já tem uns três anos que com as turmas do Ensino Médio... O projeto de literatura já vem sendo desenvolvido há três anos. As minhas turmas de ensino de médio, nós trabalhamos com autores ingleses e norte-americanos. Eu deixo que os grupos escolham as obras que eles mais prefiram, e a partir daí eles criam, dentro daquela escolha, uma apresentação, que tem que acontecer até o final do ano. E tem tido muitos bons resultados, né? Percebo que todos os alunos leem as obras, que eles começam a me questionar a respeito das obras e dos autores... então eles começam a interagir realmente com a literatura em si, né?

Ao responder sobre a presença do aspecto crítico da língua, Maria menciona a literatura como uma área onde o senso crítico do aluno será desenvolvido. Percebemos então uma visão da professora de que a literatura pode ser uma oportunidade de promover discussões de natureza crítica, assim como o teatro. Também durante as observações em sala, a professora lembrava com frequência aos alunos dos projetos já realizados na escola, usando- os como exemplos de discussões sobre temas dentro de uma perspectiva crítica. Quando falávamos sobre as questões de cor, por exemplo, Maria se remetia a outros autores de obras de literatura de expressão inglesa que foram abordados em seus projetos e os temas que haviam sido discutidos a respeitos de suas obras.

Outro elemento da fala de Maria na entrevista inicial deve ser considerado durante a análise das atividades. Quando questionada sobre o conceito de LC, Maria diz não conhecer o termo:

Já ouvi Letramento, letramento em língua portuguesa. Não tinha escutado ainda em língua inglesa.

Além de não conhecer o termo, Maria difere o conceito de letramento do português para o inglês, e diz ter ouvido apenas o termo em português. Quando pergunto sobre quando ouviu o termo, Maria acrescenta:

Não, não me lembro.

Contreras (2002, apud BORELLI; PESSOA, 2011, p. 23) salienta que

a reflexão crítica não deve ser vista como um saber determinado que é compartilhado por todos, tampouco como um ponto privilegiado de onde os teóricos são capazes de identificar problemas e propor soluções. Ao contrário, refletir criticamente significa atuar em busca da compreensão dos fatores que interferem nas práticas de todos os participantes (...), como a posição social que ocupam.

Borelli e Pessoa (2011) acrescentam que o professor crítico deve pensar além dos limites da sala de aula, entendendo o contexto educacional mais amplo como pertencente à sua prática e, segundo as autoras, isso é uma ação política. Diante disso, acredito que, mesmo não tendo conhecimento teórico relativo às pedagogias críticas, Maria é capaz de refletir criticamente sobre sua sala de aula, sua prática e seu contexto de docente pertencente a uma estrutura institucional.

Também foi de interesse no questionário inicial, compreender a relação da prática de Maria com os cursos de formação continuada de que participava. Para isso, foi incluída a seguinte pergunta:

Você já aplicou algo dos cursos de formação continuada que você participa em suas aulas ou pretende aplicar o que aprendeu?

Pretendo aplicar. Tem muita coisa boa, muita coisa boa no Concol12. Muita coisa

sensacional. Nossa, Aprendi muita coisa na Federal. Nossa, demais! Pretendo aplicar, não apliquei ainda não.

Percebe-se um grande entusiasmo da professora em relação ao curso de formação continuada e uma motivação em aplicar o que lhe foi apresentado no curso à sua prática docente. A motivação da professora Maria em relação às teorias de pedagogia crítica e às propostas de atividades apresentadas a ela durante a pesquisa foi frequente durante todo o processo de coleta de dados, o que contribuiu muito para sua participação na aplicação das atividades.

Durante a pesquisa, também me interessou muito conhecer um pouco do percurso dos alunos em relação à língua estrangeira, além das suas experiências de sala de aula. Por isso, analiso a seguir os dados fornecidos através de questionários e entrevista, a fim de compreender quem eram os alunos participantes das atividades aplicadas em sala de aula.