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6 Oppsummering og diskusjon

6.1 Oppsummering og tolkning av funn

6.1.3 Det helhetlig bildet

Durkheim, no item I da conclusão de sua obra, demonstra a significação do sistema de símbolos culturais na vida de indivíduos e grupos, necessária à existência humana em sua realidade objetiva e subjetiva. São significativas as suas palavras:

Mas os crentes, isto é, os homens que vivendo a vida religiosa, têm a sensação direta do que a constitui, objetam que essa maneira de ver não corresponde à experiência cotidiana. Sentem com efeito, que a verdadeira função da religião não é nos fazer pensar, enriquecer nosso conhecimento, acrescentar às representações que devemos à ciência, representações de outra origem e de outro caráter, mas nos fazer agir, nos

ajudar a viver. O fiel que comungou com o seu deus, não é apenas homem que vê

verdades novas que o incrédulo ignora: é homem que pode mais. Ele sente em si força maior para suportar as dificuldades da existência e para vencê-las. Está como que elevado acima das misérias humanas, porque está elevado acima de sua condição de homem; acredita-se a salvo do mal, aliás, sob qualquer forma que se conceba o mal. O

primeiro artigo de qualquer fé é a crença na salvação pela fé. Ora, não se vê como uma simples idéia poderia ter essa eficácia. Uma ideia, com efeito, é apenas um elemento de nós mesmos: como poderia conferir poderes superiores que temos por nossa própria natureza? Por mais rica que ela seja em virtudes afetivas não poderia acrescentar nada à nossa vitalidade natural; porque ela não pode senão desencadear as forças emotivas que estão em nós, não pode criá-las nem aumentá-las. Do fato, de representarmos um objeto como digno de ser amado e procurado não segue que nos sintamos mais fortes; mas é preciso que desse objeto emanem energias superiores àquelas de que dispomos e, além disso, que tenhamos algum meio de fazê-las penetrar em nós e de integrá-las à nossa vida interior (DURKHEIM, 1989, p: 493-494)[grifo nosso].

Considerando-se a assertiva de Durkheim, o crente parece ser possuído de um poder que lhe dá sustentação no contexto de sua vida, principalmente em sua vida cotidiana. Um certo grau de posse do sagrado lhe garante uma estrutura plausível de mundo que uma vez internalizada lhe permite encontrar sentidos objetivos e subjetivos para o seu estar no mundo. Quando Durkheim afirma que o crente é aquele “que pode mais”, podemos verificar a efetiva posse de um poder que desencadeia ações que nosso autor de referência estabelece como emotivas, que estão na pessoa que é o crente, mas a posse do sagrado a potencializa.

Dificilmente, iremos encontrar crentes de uma dada instituição religiosa que não se sintam “diferenciados” dos indivíduos não crentes. A própria prática discursiva e não discursiva internalizada ou interiorizada permite a aquisição de uma forma de “verdade”, que assegura um sentido e um arcabouço moral que estabelece repertórios específicos de ações individuais e coletivas, pois a leitura religiosa do mundo permite solucionar, elucidar as próprias contradições que se encontram presentes no âmbito da realidade objetiva.

Ser crente de uma dada instituição religiosa envolve segundo Houtart (1994), uma “forma de apropriação subjetiva da realidade objetiva”. A crença não se encontra dissociada de um sentimento de impotência diante do mundo objetivo da realidade. É este sentimento de impotência do homem diante de seu mundo objetivo que leva à crença religiosa, a essa forma específica de objetivação do sentimento. Sem deixar de considerar Durkheim, entendemos que Freud, posteriormente, segue o mesmo caminho durkheimiano, pois na sua análise do fenômeno religioso, o valor especial das ideias religiosas, encontra-se relacionado com a condição de desamparo vivenciada por indivíduos e grupos. Faz-se necessário que através do religioso se processe a ressignificação do mundo, a conversão da impotência sentida em força e poder preenchendo, através desta substituição o vazio da existência humana porque permite

explicar o inexplicável, a fraqueza e desamparo humanos, principalmente diante da “morte que nos dissolve”.

E Durkheim afirma: “Ora, as crenças só são ativas quando compartilhadas (DURKHEIM, 1989, p:503).” Podemos mantê-las por algum tempo em nosso esforço pessoal, ou seja, podem ser individualizadas por algum tempo, mas nosso autor de referência já nos diz que não é individualmente que as crenças nascem e são adquiridas, elas são adquiridas coletivamente, compartilhadamente. Nos diz Durkheim: “De fato, o homem que tem verdadeira fé sente invencivelmente a necessidade de difundi-la; para isso ele sai do seu isolamento, aproxima-se dos outros, procura convencê-los, e o ardor das convicções por ele suscitadas vem reforçar a sua. Ela se extinguiria rapidamente se permanecesse isolada (DURKHEIM, 1989, p:503).” Esta é a essência da crença, a necessidade intrínseca e extrínseca de ser devidamente compartilhada e, neste compartilhar, também a necessidade de agregar indivíduos e grupos, para que se torne possível o desenvolvimento de dada forma de conceber o sagrado e, também o desenvolvimento de diferenciados padrões morais e éticos que sustentam subjetivamente indivíduos e grupos.

Ao referir-se à significação do culto, Durkheim o considera como instrumental do qual indivíduos e grupos se apropriam e estabelecem repertórios específicos de ações individuais e coletivas. Desta forma, o culto expressa sua eficácia de maneira objetiva e subjetiva. É no espaço do culto que se manifestam os traços marcantes dos universos de representações simbólico-religiosas, uma vez que é o instrumento no qual a consciência coletiva em sua objetividade expressará a relação de interdependência com as relações que os homens estabelecem na sociedade, criando e recriando sua fé.

Crenças, ritos (culto), em essência, são representações que costumam expressar a natureza do sagrado, os poderes a eles atribuídos e as próprias virtudes que contêm e da mesma forma a especificidade de sua relação com o mundo profano. Os ritos, evidentemente, são dependentes das crenças, pois significam regras de conduta que determinam como indivíduos e grupos devem se comportar diante das coisas sagradas (Hervieu-Léger, 2009). São diretrizes sempre necessárias ao ato de estar no mundo e vivendo em coletividade.

O rito e o culto são formas de compartilhar a crença religiosa. Neste sentido, não há religião que poderia expressar-se sem ritualística e sem o culto, expressões mesmas da coletivização dos fenômenos religiosos. Mas os ritos e os cultos, não se encontram isentos das determinações sociais, eles são reflexos mesmo do que se encontra presente na sociedade na qual estão contidos indivíduos e grupos. São expressões das representações sociais que são adquiridas coletivamente, em sociedade. Durkheim chama a atenção para o seguinte aspecto, quando aponta que:

Quando um rito serve apenas para distrair, não é mais rito. As forças morais expressas pelos símbolos religiosos são forças reais, com as quais devemos contar e das quais não podemos fazer o que nos apraz. Até quando o culto não visa a produzir efeitos físicos, mas limita-se deliberadamente a agir sobre os espíritos, sua ação se exerce em sentido diferente de pura obra de arte. As representações que tem por função despertar e manter em nós não são meras imagens, que não correspondem a nada na realidade, que evocamos sem nenhuma finalidade, apenas pela satisfação de vê-las aparecerem e se combinarem sobre os nossos olhos. São tão necessárias ao bom funcionamento da nossa vida moral quanto os alimentos para a manutenção da nossa vida física; porque é por elas que o grupo se afirma e se mantém, e sabemos a que ponto ele é indispensável ao indivíduo. Um rito é, pois, algo diferente de um jogo; faz parte da vida séria. Mas se o elemento irreal e imaginário não é essencial não deixa de ter papel de grande importância. Por um lado, entra naquele sentimento de reconforto que o fiel recebe do rito realizado; porque a recreação é uma das formas dessa renovação moral que é o objetivo principal do culto positivo. Uma vez que cumprimos os nossos deveres rituais, voltamos para a vida profana com mais coragem e ardor, não somente porque nos colocamos em contato com uma fonte superior de energia, mas também porque as nossas forças se refizeram vivendo, por alguns instantes, de vida menos tensa, mais cômoda e mais livre. Por isso, a religião tem fascínio que não é dos seus menores atrativos ( DURKHEIM, 1989, p: 455-456).

O fascínio do religioso para o homem encontra-se justamente na ritualística e no culto que este mesmo homem experiência em sua crença. Por mais que a ritualística e o culto possam ser descontraídos, é de seriedade que eles falam, uma vez que é criação do próprio “espírito” que traduz a realidade vivenciada por indivíduos e grupos. Estabelecem preceitos morais, hábitos e condutas que funcionam enquanto diretrizes para os comportamentos individuais e coletivos no contexto da sociedade real. É através do rito e do culto que as representações sociais se expressam e são organizadas e internalizadas, permitindo ao indivíduo crente não se encontrar ao acaso da realidade social envolvente.