Kapittel 4: Resultater og analyse
4.1 Deskriptive resultater av spørreundersøkelsen
A literatura caracteriza quase unanimemente o contexto ou ambiente organizacional de modo bastante vago, como estável-turbulento ou simples-complexo. O próprio Mintzberg (1999b) caracteriza as dimensões do ambiente por meio das categorias: estabilidade, complexidade, diversidade e hostilidade. Os manuais de administração, inclusive os bons como o de Daft (2005), caracterizam o ambiente como ambiente geral (com as dimensões: econômica, tecnológica, internacional, sociocultural, político-legal) e ambiente operacional (com os setores: clientes, fornecedores, concorrentes e mercado de trabalho); este último, claramente fundamentado em Porter (1986). E Porter (1986), como já visto neste trabalho, não faz uma contextualização dos fenômenos socioeconômicos, faz mais propriamente um “blecaute no que toca às concepções de tradição mais conflituais e mais materialistas no que respeita à dinâmica da economia e das sociedades” (AKTOUF, 2004, P.97).
Um exemplo comum na literatura administrativa em que “o dinamismo ambiental é caracterizado pela incerteza resultante do crescimento rápido, tendências de
ambiente heterogêneo é caracterizado por um leque amplo de clientes e competidores e diversidade no tipo de métodos de marketing e produção necessários para atender a segmentos diferentes de um mercado” (LUMPKIN e DESS, 1995, p.1392). O dinamismo e a heterogeneidade ambiental são forças “divinas” acima das relações de dominação e acumulação de capital; são fatores solucionados com “competência”.
Os autores de Administração têm permanecido “cegos, surdos e mudos” com relação ao contexto das pequenas empresas quando se trata da produção e circulação da riqueza, sabendo que “toda riqueza produzida passa pelo mercado, pelas relações de troca [...] os meios de controle do mercado parecem como fontes de apropriação do excedente. Quem controlar o mercado pode aumentar ou diminuir, a seu favor, entre custos e preço de uma dada mercadoria” (MONTAÑO, 1999, p.40).
Portanto, não é possível falar da pequena empresa sem se referir ao seu contexto, como diz Rattner (1985, p.36): “a dinâmica e o problema da “sobrevivência” das PME devem ser inseridos no, e relacionados com o processo de acumulação – centralização e dispersão do capital, efetuado, hoje, em escala mundial. Novas PME, capital-intensivas, surgem e crescem à sombra dos conglomerados internacionais, dos quais são tributárias e subordinadas, ou complementares e relativamente independentes”.
Souza (1995) traça as trajetórias possíveis para as PME em conseqüência das reestruturações econômicas, tecnológicas e sociais da década de 90 do século XX e, também, da re-emergência dessas empresas na sociedade. A autora desenha quatro trajetórias para as pequenas empresas:
1) “Mercados competitivos: Aqui, flexibilidade e estratégia competitiva associam-se a menores custos de mão-de-obra, como salários e benefícios sociais. Os diferenciais no custo do trabalho podem encorajar as grandes a usar as pequenas como “amortecedores” em relação à flutuação da demanda, por exemplo, via aumento da subcontratação. As pequenas empresas freqüentemente só têm condições de permanecer em estruturas de mercado com menores barreiras à entrada; bem afastadas, portanto, dos setores mais oligopolizados, líderes da economia;
2) Estruturas industriais dinâmicas: Formadas por empresas cujo surgimento, continuidade e desempenho estão bastante associados às características de seus empresários que, sob determinadas condições, conseguem “perceber” e reunir os elementos necessários para explorar novos “nichos” de mercado;
3) Inserção no mercado em forma cooperativa: É necessário que essas comunidades de PME sejam mais que simples aglomerações geográficas e setoriais. O ponto fundamental é que as ações conjuntas e coordenadas permitam obter ganhos e vantagens que, de outra forma, seriam inacessíveis a uma pequena unidade individual;
4) Inserção no mercado em forma de coordenação: Incluem-se todas as PME que interagem com as grandes empresas, fazendo parte de suas estratégias e ficando, portanto, de alguma forma, sob seu controle. A tendência de crescente desintegração vertical “para trás” das grandes tem ampliado os espaços para esse tipo de interação; 4.1) Empresas “satélites”: Totalmente submetidas ao comando das contratantes e, portanto, empresas que se beneficiam passivamente do privilégio de estar sob o “guarda-chuva” de uma grande empresa, e cuja funcionalidade é tão alta que adquirem forte poder de barganha;
4.2) Empresas especializadas: As relações de “exploração” entre capitalistas – isto é, aquelas ligações em bases acentuadamente desiguais a favor das grandes empresas – tendem a ser menos usuais quanto mais dinâmicos e intensivos em tecnologia forem os setores; ou seja, quanto mais as PME desempenhem papel relevante como determinantes da competitividade das grandes. Isto se dá em particular quando a sub-contratação é de especialização” (SOUZA, 1995, p.47-57).
Essas quatro trajetórias da pequena empresa não são excludentes e nem permanentes; de forma geral, se combinam e mudam. Contudo, é possível identificar uma relação dominante que expresse a natureza das relações da pequena empresa no mercado e seu papel na sociedade. A partir das formas de relações estabelecidas por Souza (1995), é possível visualizar no quadro 15 o papel histórico das pequenas empresas como complementares às grandes na estrutura econômico-social.
Os estudos sobre pequena empresa que incluem a variável contexto não podem tratar apenas de classificações de ambiente geral e operacional; ou de dinamismo ou heterogeneidade. A forma de inserção da pequena empresa na estrutura de mercado e o grau de dependência com relação às grandes são de fundamental importância para avaliar sua capacidade de desempenho “acima da média”, ao gosto dos estrategistas.
Quadro 15 – Complementaridade das pequenas com relação às grandes empresas Fonte: Souza (1995), elaboração própria
Nicho Competitiva (sub-contratação Cooperação Coordenação Individualizada Coletiva Inserção no mercado Relativa Dependente Autonomia com relação às