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Designteori

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3.2 Mikroprosesser gjennom interaksjonsanalyse og designteori

3.2.2 Designteori

A peculiaridade mais importante dos trabalhos dos psicólogos soviéticos no campo da psicologia infantil é, antes de tudo, a superação das teorias naturalistas e “profundas” do jogo. Passo a passo, foi se cristalizando na psicologia soviética a abordagem do jogo como tipo especial de atividade da criança que dá forma, em si mesmo, à atitude do adulto em face da realidade circundante, sobretudo, em face da realidade social, e que possui seu conteúdo

específico e sua estrutura: um objeto, motivos peculiares de atividade e um sistema peculiar de ações (ELKONIN, 2009, p. 204-205).

O presente item apresentará a Teoria Histórico-cultural em linhas gerais, destacando sua origem e seus principais conceitos. Para isso, iniciamos com o papel de Lev Semionovich Vygotsky (1896-1934), fundador da escola soviética de Psicologia, que criou juntamente com um grupo de colaboradores, como A. N. Leontiev (1903-1979) e A. R. Luria (1902-1977) a Psicologia Histórico-cultural dos fenômenos psicológicos durante, sobretudo, as décadas de 1920 e 1930.

Mesmo com a morte precoce de L.S. Vygotsky, aos 37 anos em 1934, sua Teoria teve continuidade por outros teóricos e pesquisadores, revelando as importantes contribuições e buscando novos avanços.

L.S. Vygotsky é considerado por muitos teóricos como um pesquisador que esteve muito além de seu tempo, já que avançou com originalidade nas produções referentes a Psicologia em um curto período, mas talvez, a partir de suas próprias ideias, seria mais adequado afirmarmos que ele foi exatamente fruto do rico ambiente cultural em que viveu, conforme destacado por Smolka (2009).

Segundo Ivic (2010), L.S. Vygotsky nasceu em 17 de novembro de 1896 em Orsha na Bielorússia, país localizado ao leste europeu. Em 1911, com 15 anos passou a frequentar a escola, até esse momento teve seus estudos desenvolvidos por tutores particulares em sua casa.

Em 1913 ingressou na Universidade de Moscou (Rússia) cursando Direito, além de se envolver com as áreas de História e Filosofia. Já nesse período dominava várias áreas das Ciências Humanas, tendo como temas de interesses: o cinema, línguas, a literatura e suas teorias, entre muitos outros. Nesse período, aos vinte anos, escreveu um estudo sobre Hamlet38.

Ao terminar os estudos universitários e dedicar-se a diversos temas de pesquisa, em 1924, L.S.Vygotsky se aproximou da área de Psicologia, tornando-se nesse mesmo ano, colaborador do Instituto de Psicologia, em Moscou.

Em 1925 escreveu “Psicologia da arte”, no entanto, não houve publicação naquela época, sofrendo censura stalinista. No mesmo ano, iniciou a organização do Laboratório de Psicologia para Crianças Deficientes, que passou a ser chamado de Instituto de Estudos das Deficiências e por fim, Instituto Científico de Pesquisas sobre Deficiências da Academia de Ciências Pedagógicas (IVIC, 2010).

Em 1934, L.S. Vygotsky morreu vítima de tuberculose aos trinta e sete anos, ano da publicação de seu livro “Pensamento e linguagem” na antiga União Soviética, obra que foi publicada nos Estados Unidos apenas em 1962.

No Brasil, a primeira publicação de suas obras ocorreu em 1983, com o livro “A formação social da mente”, sendo no ano de 1987, publicado o livro “Pensamento e linguagem”.

Assim, percebemos que seus escritos foram redescobertos recentemente e ainda é escassa a produção traduzida em português. L.S. Vygotsky escreveu mais de duzentas obras, sendo que algumas delas foram perdidas. “Obras completas” é considerada sua principal obra, publicada em russo entre 1982 e 1984.

É consenso entre importantes pesquisadores, que L.S. Vygotsky foi o fundador da escola soviética de Psicologia, criando juntamente com seu grupo de colaboradores a Teoria Histórico- cultural dos fenômenos psicológicos.

A Psicologia Histórico-cultural surgiu, portanto, em um contexto social, político e ideológico de superação do capitalismo, ou seja, um contexto de revolução e de luta pela implementação do socialismo, para alcançar o comunismo. Segundo Arce & Silva (2011), nesse contexto de superação do capitalismo

[...] Vygotsky (2004) defendia a construção de uma nova sociedade (socialista), na qual pudesse ocorrer o desenvolvimento livre e completo do pleno potencial humano. Ademais, o autor buscava apoiado em Marx, o desenvolvimento omnilateral do homem e não o desenvolvimento unilateral e distorcido das capacidades humanas (ARCE & SILVA, 2011, p.08)

Assim, podemos afirmar que, L.S. Vygotsky desenvolveu na Psicologia a criação de uma Teoria sobre o desenvolvimento mental ontogenético, uma Teoria histórica do desenvolvimento individual, baseada no materialismo histórico-dialético proposto por Karl Marx. Tal Teoria, atribui importância para a dimensão histórica, os aspectos culturais e de interação social no desenvolvimento mental dos indivíduos. Desse modo,

Se houvesse que definir a especificidade da teoria de Vygotsky por uma série de palavras e de fórmulas chave, seria necessário mencionar, pelo menos, as seguintes: sociabilidade do homem, interação social, signo e instrumento, cultura, história, funções mentais superiores. E se houvesse que reunir essas palavras e essas fórmulas em uma única expressão, poder-se-ia dizer que a teoria de Vygotsky é uma “teoria socio-histórico-cultural do desenvolvimento das funções mentais superiores”, ainda que ela seja chamada mais frequentemente de “teoria histórico-cultural” (IVIC, 2010, p. 15).

Conforme apresentado por Arce & Silva (2011), é válido ressaltarmos que a base filosófica e epistemológica do materialismo histórico-dialético, da Teoria Histórico-cultural, é

fundamental para pensar a sociedade como um todo, sustentado por essa base teórica, o psiquismo humano é pensado a partir das “[...] relações entre o mundo psíquico com o mundo material” (ARCE & SILVA, 2011, p.14).

As contribuições dos estudos da Teoria Histórico-cultural adentraram o campo da Educação e vem sendo base de Teorias Pedagógicas. Porém, é válido destacarmos a presença de certo ecletismo na apropriação das ideias desses autores soviéticos no país, conforme apontado por Silva (2013a), talvez decorrente dos processos de traduções39 de suas obras, resultando em certas confusões e distorções teóricas.

Ao voltarmos para importantes conceitos da Teoria relacionados com a aprendizagem, vemos em Cedro et al (2010), a discussão sobre o modo como o conhecimento escolar é apropriado, identificando nesse processo quais são os tipos de pensamentos que serão contemplados, defendendo a ideia de que, apenas a apropriação dos conhecimentos científicos possibilitam a compreensão de novos significados para o mundo, permitindo a ampliação da percepção e a modificação das formas de interação com a realidade.

Assim, na apropriação do conhecimento científico haverá uma transformação na forma e no conteúdo do pensamento. Segundo Cedro et al (2010), o caráter científico do conhecimento, relaciona-se com a mudança do tipo de pensamento, atrelando o pensamento empírico ao pensamento teórico.

Para tanto, é preciso compreender que a Teoria Histórico-cultural entende que as determinantes do desenvolvimento psíquico encontram-se na cultura historicamente construída, desse modo, as operações com os signos estão na base da consciência humana. O psiquismo e, uma das suas principais expressões, o pensamento, surge na relação do indivíduo com a realidade externa e objetiva. Há, portanto, uma relação dialética entre o individual e o coletivo (CEDRO et al, 2010).

Percebe-se que a prática presente no cotidiano escolar expressa alguns traços, além das Teorias Pedagógicas, de outras áreas do conhecimento, como a da Psicologia. Dessa maneira, podemos afirmar, com base nos estudos da Teoria Histórico-cultural, que as Teorias Pedagógicas ancoradas em Teorias Psicológicas que entendem o desenvolvimento como natural, condicionado apenas por fatores biológicos do sistema nervoso, podem culminar em práticas educativas que concebem a aprendizagem estritamente dependente do indivíduo. Nessa

39 Zoia Prestes (2010) em sua Tese de Doutorado, ao analisar a atividade de tradução, demonstrou os equívocos

presentes nas traduções das obras de L.S. Vygotsky, o que leva a certas distorções e incompreensões de importantes ideias e conceitos da Teoria Histórico-cultural.

PRESTES, Z.R. Quando não é quase a mesma coisa: análise de traduções de Lev Semionovitch Vigotski no Brasil repercussões no campo educacional. 295f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de Brasília, 2010.

perspectiva, o processo de aprendizagem dependeria apenas das propriedades inatas particulares de cada indivíduo e de suas respostas aos estímulos do meio.

A partir das contribuições da Teoria Histórico-cultural, L.S. Vygotsky ao conferir importância à atividade social, afirma que a atividade individual derivará da atividade coletiva, havendo uma unidade entre a atividade externa (os processos denominados interpsíquicos) e a atividade interna dos indivíduos (processos denominados intrapsíquicos) (CEDRO et al, 2010).

É por meio da atividade social que os seres humanos relacionam-se com a realidade objetiva, tendo em vista satisfazer suas necessidades para melhor captar e dominar a realidade, nessa relação, processos mentais cada vez mais superiores e complexos tornam-se necessários.

Por essa via, os processos mentais complexificam-se dando origem ao que L.S. Vygotsky denominou de funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores. As funções psicológicas superiores são produzidas sob dadas condições de vida e de desenvolvimento, de condições materiais e objetivas que não dependem dos indivíduos isoladamente.

L.S. Vygotsky denomina como processo de internalização, a dinâmica do movimento em que o processo interpsíquico é traduzido para o intrapsíquico, por meio da apropriação de signos. Os signos, enquanto portadores reais da cultura humana, atuam como mediadores na relação entre os seres humanos com a realidade que o cercam.

Os signos permitem que as pessoas criem modelos mentais dos objetos da realidade e atuem com eles (e a partir deles) no planejamento e na coordenação da própria atividade. No processo de internalização, portanto, o indivíduo desenvolverá instrumentos psicológicos que mediarão sua relação com a realidade (CEDRO et al, 2010).

A compreensão Histórico-cultural do desenvolvimento psíquico será melhor detalhada no item a seguir. Até o momento buscamos apenas introduzir a Teoria Histórico-cultural e alguns de seus conceitos fundamentais, com a intenção de situar o leitor sobre a matriz teórica que o presente trabalho sustenta-se.

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