Single-lane roundabout Double-lane roundabout
5.2.2 Design elements
nos perfis da força de trabalho, abrem espaço para intensas mudanças dentro das empresas e, justamente devido a essas alterações do paradigma de produção taylorista-fordista, podemos assistir ao surgimento de novas exigências no interior das organizações. Todavia, antes de visualizarmos essas mudanças, é apropriado retomarmos algumas asserções e conceitos sobre o modo de produção fordista. Podemos dizer que esse modelo de desenvolvimento do pós- guerra continha uma padronização rigorosa em suas operações: trazia consigo a idéia de
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separação entre a concepção de fábrica e a execução manual, além de ter buscado uma racionalização que visava generalizar mais rápido o método mais eficaz e eliminar as hesitações sobre a distribuição das seções e suas possíveis disfunções.
O fordismo, na acepção de José Eli da Veiga (1997), é uma fase avançada de racionalização do trabalho industrial e evoca uma etapa do Taylorismo. O controle de cada etapa da divisão técnica do trabalho, executada no tempo socialmente necessário, é o que se denomina Taylorismo. Esse Taylorismo da manufatura coloca o taylorismo administrativo como meio de elevar ao máximo a exploração do trabalho. Taylor é a expressão científica de que o indivíduo deve trabalhar com a regularidade de uma peça de máquina. Ou seja, expressa um tipo de manufatura que racionaliza os tempos e movimentos, isto é, “realiza com a obsessão de uma neurose o que o sistema tende a produzir por sua própria natureza” (CIPOLA, 2003, p. 72).
Na manufatura, a aplicação do Taylorismo advinha do fato de que o princípio dominante do processo era o trabalho. A transformação da manufatura em esteira transforma o Taylorismo em uma imposição da prática tecnológica. Os tempos e movimentos adequados não são mais uma determinação externa ao trabalhador, mas uma necessidade de adaptação do próprio trabalho coletivo pela velocidade de transporte do produto em processo através dos trabalhadores da fábrica. Logo, quando o Taylorismo advém de um sistema mecânico, temos, portanto, o fordismo. A esteira se torna a mecanização do Taylorismo. Nesse momento, a esteira separa a prática do trabalhador do trabalho da gerência, ou seja, o primeiro plano de coerção se dá pela esteira. Por isso, caracteriza-se como um macrossistema de acumulação intensiva com regulação monopolista, sendo uma das características centrais das economias da década de 1950 e 1960.
Nesse sentido, Harvey (1989) afirma que o fordismo não é um conceito teórico e sim uma caracterização do modo de vida total do último auge cíclico do capitalismo. Esse, por sua vez, é um novo estágio de acumulação, no qual a classe capitalista procura gerir a reprodução da força de trabalho assalariada através de uma articulação estreita entre relações de produção mercantil por meio das quais os assalariados compram seus produtos.
Logo, o fordismo articula o processo de produção e o modo de consumo caracterizado pela produção em massa, que é conteúdo da universalização do assalariamento. De acordo com Druck (1999), o modelo fordista não se manteve por muito tempo e acabou entrando em crise. As principais razões para esse acontecimento foram a queda da produtividade no trabalho; a perda de competitividade econômica no mercado internacional; lutas e resistências nos locais de trabalho; o poder dos sindicatos de exigir a continuação nos
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ganhos de produtividade incorporados aos salários; há também uma rigidez na totalidade do padrão de acumulação, nos investimentos, no sistema de produção em massa, nos mercados de consumo e de trabalho e no estado de bem-estar-social, que exige uma forte arrecadação para manter políticas sociais. Esse por sua vez, passa a não responder mais as demandas sociais, razão pela qual há o esgotamento da forma de controle do capital sobre o trabalho.
Pontuava-se, portanto, duas saídas para a crise. A primeira delas seria através do Keynesianismo, que compactuava com a ideia do pleno emprego e altos salários que possibilitariam alto consumo. A outra seria a solução neoliberal que se afirmava através da ideia do livre mercado e da redução da participação do Estado como os principais objetivos para solucionar essa crise.
Nessa disputa prático-ideológica, vence a doutrina neoliberal, personificada na Inglaterra por Margareth Thatcher (1979) e por Ronald Reagan nos Estados Unidos (1980) simultaneamente. Ressaltamos, no entanto, que apesar do discurso da intervenção mínima do Estado na economia, o Estado adquire fortes influências que alicerçam os novos mercados emergentes. Juntamente a essa nova ideologia, que alavanca os mercados, surge também um novo modelo de empresa, a Toyotista. Nesse modelo, a forma de produção deveria ser mais flexível e isso implicaria até mesmo na maior flexibilidade do trabalhador dentro da empresa, na maior iniciativa do trabalhador nas decisões.33
É nesse sentido que um novo modelo aparecerá, o modelo japonês assumirá o lugar do fordismo, sendo composto pelas seguintes caraterísticas: 1) estabilidade no emprego; 2) promoção por tempo de serviço em que a antiguidade é importante na remuneração dos trabalhadores; 3) a administração não é atribuída a um posto de trabalho e sim para a empresa no geral; 4) é usado o sistema de organização Just in time, o sistema Kaban (sistema de informação de vários estágios da produção e dos estoques), é usada a qualidade total (QT) envolvendo os trabalhadores para melhorar a produção a fim de obter melhor produtividade, redução de custos e o trabalho em equipe com múltiplas funções.
O fordismo, anteriormente, inaugurou uma lógica de racionalidade econômica, social e política, que se difundiu internacionalmente até tornar-se hegemônica. Com as mudanças internacionais e com o advento da crise do fordismo, ocorreram alterações no campo do trabalho e das identidades coletivas dos trabalhadores, na representação da organização sindical e no papel dos dirigentes das empresas.
33 Não devemos esquecer que, dentro desse novo modelo, há um novo modelo de controle dentro das fábricas –
empresas onde o capataz que vigia os trabalhadores é substituído pelas câmeras de vigilância, pelos seus colegas de equipe e por si próprios.
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Essa passagem do modelo fordista para o modelo japonês é bastante apontado por Zilbovicius (1999). O autor afirma que tanto o modelo fordista quanto o japonês são representações da eficiência para lidar com situações dinâmicas e práticas. Os modelos apontam um rumo a ser seguido e oferecem legitimidade para algumas ações dos agentes que participam do processo de mudança.
Nesse caso, um modelo entra em crise ao ser confrontado com resultados melhores de práticas, que advêm de outro referencial e de outra representação de eficiência. Zilbovicius (1999) cita Segrestin (1993) e esse assinala que se há uma mudança real, também há uma mudança simbólica, ou seja, se ocorre uma transformação na eficiência produtiva real para outro tipo de modelo, há uma mudança na representação dessa eficiência produtiva por parte dos agentes, que intervém no mundo real munidos de um modelo que representa esse real.
Para percebermos essa metamorfose na representação simbólica dos agentes, devemos, primeiramente, acompanhar as modificações práticas e reais na passagem do modelo fordista para o modelo japonês. As novas práticas apontadas anteriormente pelo modelo japonês foram acompanhadas de mudanças macro, na tentativa de sanar a crise do sistema produtivo: a concorrência em escala mundial reverte o decréscimo da taxa de lucro (acompanha a queda do valor da força de trabalho devido ao excesso do exército da indústria de reserva), rebaixa o valor do capital constante34, contudo, não alcança bons resultados finais no aumento da taxa de lucro.
Devido a esse fato, resta não investir mais parte desses lucros na produção, buscando enristar, portanto, em operações virtuais de capital fictício (Chesnais, 1996). O interesse dos capitalistas em investir para receber dinheiro acaba prevalecendo sobre as condutas do capital produtivo, de modo que, se caracteriza, portanto, um capitalismo que se denomina propriamente financeiro. O último, por sua vez, tem como foz ou embocadura a centralização de capitais, a formação de oligopólios, as fusões (micro, pequenas e médias empresas), as redes de subcontratação, a terceirização, ou seja, é acompanhado por todo um contexto de dispersão de capitais.
Dentro dessa ideologia neoliberal, o Estado adquire um novo papel: o de dar sustentáculo para a lógica financeira de mercado. Pensando sobre o grande colaborador e legítimador dessa lógica financeira, nos Estados Unidos, Willian (2000) afirma que a
34 Karl Marx (1980), em sua obra “O capital”, assinala que capital constante é a parte do capital que se
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transição histórica, que ocorre após os anos 80, passa dos preceitos que anteriormente vigoravam: “reter e reinvestir” (reter capital e reinvestir na produção) para novos preceitos corporativos, como os de “reduzir e distribuir” (reduzir a força de trabalho e distribuir as receitas para os acionistas), o que define a nova era da financeirização.
A nova atuação das empresas e dos bancos passa a impor uma nova dinâmica aos mercados e, consequentemente, também ocorrem mudanças nas formas de gestão e organização do trabalho. O espaço industrial sempre foi um espaço marcado pela lógica da dominação e do controle, local no qual se confrontam diferentes visões de mundo. Nesse sentido, o papel dos sindicatos foi imprescindível no percurso dessas mudanças. Logo, percebe-se uma mudança na identidade coletiva desses trabalhadores.35 Todavia, vamos caminhar um pouco além dessas questões, refletindo sobre o fato de que as mudanças coletivas não se dão somente no nível dos trabalhadores fabris e operários, mas também para a classe dirigente dessas organizações industriais.
O movimento que modifica o espaço profissional de muitos trabalhadores fabris advém do processo de terceirização, que mantem contratos precários, reforçando a lógica do “mercado informal” de trabalho e que, por sua vez, também é aplicado (com formato diferenciado) às profissões de mando e gerência dentro das indústrias.36
Vamos verificar, a seguir, como esses gerentes (engenheiros) vão lidar com esse momento em que seus postos de trabalho serão colocados em suspenso e suas práticas cotidianas nas empresas sofrerão fortes suspeitas por parte dos investidores acionistas, os novos agentes sociais do capital fictício.
1.5 O agente social em questão: o gerente-engenheiro, o dirigente, a nova elite financeira