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Conventional multi lane roundabout .1 Characteristics

5 DESIGN OF MULTI LANE AND TURBO ROUNDABOUTS

5.1 Conventional multi lane roundabout .1 Characteristics

Um achado bem estabelecido da economia experimental é que as instituições importam porque as regras importam, e as regras importam porque os incentivos importam. Mas os incentivos aos quais as pessoas respondem às vezes não são aqueles que se poderia esperar com base nos cânones da teoria econômica ou da teoria dos jogos. Acontece que as pessoas estão às vezes melhor, às vezes pior – ao alcançarem ganhos para si próprias e para outros – do que o previsto pelas formas padronizadas de análise racional (Smith, 1991).

A sociologia econômica é um ramo das ciências sociais que tenta unir duas disciplinas que davam as costas uma para a outra: a sociologia e a economia. Um dos estudiosos do tema, Philippe Steiner (2006), realizou um dos mais profundos estudos, buscando abordar os principais temas dentro da sociologia econômica.16 De acordo com o

16 É importante mencionar que não estamos buscando construir um texto sobre o que seria a sociologia

econômica e como ela trabalha, por isso mesmo, não usamos todos os autores engajados nessa linha de pesquisa. O nosso intuito é mostrar alguns aspectos da sociologia econômica que são importantes para esse trabalho. A saber, as noções de racional choise, de interesse, das escolhas, das preferências auto- interessadas e reveladas, do conceito de redes sociais, comportamentos marcados pelas paixões e o conceito de habitus. Ou seja, todos os

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autor, a sociologia econômica pode ser definida como uma ciência que tem como objeto de pesquisa os fatos econômicos, todavia, o olhar dado a esses fatos últimos é o olhar mais profundo e apurado da sociologia. Seu objeto central seria o de estudar a construção social das relações de mercado e a origem social dos fenômenos econômicos. Ou seja, dentro dos próprios mecanismos mercadológicos, são observadas as facetas de teor moral, axiológico, religioso ou mesmo legal. Ou nas palavras de Dequech:

O trabalho interdisciplinar que envolve a economia e outras ciências sociais aumentou de maneira significativa nas últimas duas décadas. Os economistas invadiram o território usualmente ocupado por outros cientistas sociais e – como reação a esse “imperialismo econômico”, ou não – alguns desses outros cientistas devotaram sua atenção a assuntos econômicos (Dequech, 2003, p. 510).

De acordo com Abramovay (2004), com o passar do tempo, a interdisciplinaridade entre economia e sociologia passou a ser algo importante e ambas deixaram de participar de uma disputa de campos, logo, a sociologia econômica é agregada temas diversos como confiança, instituições, organizações formais e informais, representações mentais dos atores sociais, tendo como base suas interações sociais, etc. Nesse sentido, para dar concretude às afirmações do autor, o mesmo cita Gary Becker (1976, p.8):

...a abordagem econômica é global, aplicável a todo o comportamento humano, envolva ele preços de mercado ou preços sombra imputados, decisões repetidas ou pouco frequentes, decisões maiores ou menores, fins emocionais ou mecânicos, pessoas ricas ou pobres, homens ou mulheres, adultos ou crianças, pessoas brilhantes ou estúpidas, terapeutas ou pacientes, políticos ou homens de negócios, professores ou estudantes.

Para dar embasamento teórico à definição da sociologia econômica, Steiner (2006) chama atenção para a tematização da sociologia econômica em alguns autores clássicos como Pareto, Durkheim e Weber17. Dando sequência ao arcabouço estudado pelos autores supracitados, Pareto contribui discutindo questões econômicas de forma mais complexa, ou melhor, traz à tona a importância da dimensão social aplicada à economia. Já Durkheim faz a tentativa de sugerir uma substituição da economia política (bastante criticada

conceitos discutidos concernem diretamente às discussões que serão feitas no presente trabalho, sendo que não há o interesse em se fazer uma revisão das teorias inseridas no tema da sociologia econômica como um todo.

17 É importante pontuar que a diferença entre a sociologia econômica francesa e a sociologia econômica alemã é

a de que os pressupostos da última encaminham-se de forma que a sociologia completaria o que falta à economia. já para sociologia francesa, a sociologia econômica deveria substituir os pressupostos colocados pela economia.

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no fim do século XIX) pela sociologia econômica. Weber e seu aluno Schumpeter colaboram assinalando o fato de que a sociologia econômica poderia dar maior completude aos pressupostos da economia política.

Atribuindo mais sofisticação às palavras anteriores, Pareto (1981) aponta em seus estudos que, embora o homem seja movido por considerações econômicas, o homo economicus possui paixões. Ou seja, existem outras ações que não somente as econômicas guiando a conduta dos homens, a saber, a corrupção, o lobby e várias outras dimensões da vida social como a política, religião, etc. Para o autor, as ações racionais (lógicas) constituem apenas um tipo de ação e caminham ao lado de ações não lógicas e estas, por sua vez, são mais importantes quando se tratam de explicar fenômenos sociais.

Em Durkheim (1893), a sociologia econômica deveria substituir a economia positivista, pois, a sociologia econômica demonstra que o comportamento egoísta propriamente dito é acompanhado de outras formas de comportamento que podem variar de acordo com momentos históricos e contextos distintos. Já a economia estuda as consequências de comportamentos essencialmente racionais sem considerar o meio social ou preocupações históricas. Para o autor, os estudos sobre funcionamento do mercado devem refletir sobre as instituições e representações sociais. Por isso, o autor se interessa por temas que tracem comportamentos egoístas e justificados por normas sociais ou mesmo pelas estruturas cognitivas dos indivíduos. Para melhor compreensão desse processo, recorremos a Mauss (1980), seu sobrinho, quando esse define melhor o que são as instituições. Essas, por sua vez, estão repletas de atos e ideias, ou seja, elas nada mais são do que fatos sociais durkheimianos. Ou melhor, como cita Vleben, “as instituições são hábitos mentais predominantes, são modos muito difundidos de pensar as relações particulares e as funções particulares do indivíduo e da sociedade.” (VLEBEN, 1899, p. 125). Já as representações sociais medem as dimensões dos comportamentos cognitivos, que se consubstanciam em noções como as de valor, moeda, preço, etc. As representações, para Durkheim (1893), são instituições propriamente ditas e são consideradas instituições também nos espaços marcados pela economia moderna, quando, por exemplo, J.K. Arrow (1974) atribuiu grande importância às instituições invisíveis como: a confiança, os princípios éticos ou morais (quando se trata de estudar organizações imersas ou não dentro dos mecanismos de mercado).

Max Weber, por sua vez, considera a existência de ações individuais carregadas de sentido e de motivações, as quais o sociólogo deve compreender através de diversas análises como estatísticas, psicológicas, etc. Nesse sentido, o autor considera os fatos econômicos como fatos sociais “na medida em que a procura de bens escassos obriga o agente

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a levar em conta os comportamentos dos outros agentes econômicos e o sentido que eles dão a sua ação.” (STEINER, 2006, p.13) Um exemplo disso é o fato de que, em sua obra L’éthique protestante et l’esprit du capitalisme, Weber (1995) demonstra que o comportamento racional econômico em toda a civilização moderna não deixa de ser uma construção social. Dessa forma, o autor considera uma racionalidade instrumental como a do homo economicus, mas, ao mesmo tempo, assinala a existência de uma racionalidade axiológica18, ou seja, uma racionalidade regida por valores. Para atribuir concretude maior a esse último conceito, Amartya Sen assinala que “a teoria econômica pode integrar os comportamentos altruístas com bastante facilidade, mas o mesmo não acontece com os comportamentos axiológicos em que, em nome de seus valores, o agente age racionalmente contra seu valor econômico” (SEN, 1987 apud STEINER, 2006, p. 25).

Max Weber (1965), por sua vez, propõe três aspectos importantes para serem considerados dentro dos estudos da sociologia econômica: 1) a análise das estruturas das relações socioeconômicas, 2) análise da formação histórica dessas relações, 3) análise da significação cultural que comporta as três dimensões mencionadas: analítica, histórica, cognitiva. Portanto, o autor acaba por atribuir importância a temas da sociologia econômica que enfatizem as instituições e ações econômicas.

Refletindo sobre as considerações dos autores sobreditos, percebemos que a sociologia econômica não recusa a teoria econômica propriamente dita e nem mesmo os comportamentos egoístas baseados no cálculo, do contrário, ela busca explorar os fatos econômicos e de mercado e, dentro deles, buscar comportamentos que ultrapassem essa lógica racional instrumental weberiana. No entanto, é importante buscar um equilíbrio em que não se exclua a existência de comportamentos racionais, como indica a batalha sociológica de Willian H. Swell, além de não se reter, simultaneamente, à racionalidade exacerbada de James S. Coleman19·. Quer dizer, faz-se necessário ultrapassar a batalha entre homo rationalis versus homo culturalis. É preciso enxergar as múltiplas racionalidades e entender o interesse como um dado arbitrário, ou seja, visualizar a possibilidade da existência de múltiplos interesses sempre determinados pela construção social no tempo e espaço específico, como assinalam Wacquant e Calhoun (1989).

18 É importante mencionar que essa terminologia é de Raymond Boudon (1988).

19 Essa discussão pode ser encontrada no artigo denominado Intérêt, racionalité et culture – A propôs d’um

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Tendo como ponto de partida as discussões supraditas pelos teóricos em estudo, iremos refletir sobre a presente pesquisa nos moldes da sociologia econômica e, em correspondência com as indicações de Pareto (1981), analisaremos comportamentos não estritamente racionais, antes, comportamentos marcados por paixões. Estudaremos a profissão do engenheiro, que por sua vez, nasce no seio do capitalismo produtivista com a revolução industrial e que, atualmente, se encaminha para posições mais econômicas e financeirizadas. Trabalharemos com a proposição de que as escolhas profissionais desses agentes não são estritamente marcadas pela maximização dos lucros, antes disso, se modelam de acordo com diferentes contextos históricos e sociais, como afirma Émile Durkheim.

Adentraremos, portanto, em um espaço de estudos no qual a teoria econômica não alcança, isto é, por trás das escolhas profissionais desses indivíduos visualiza-se uma gama de fatores de conteúdo valorativo que, talvez, seja inserida dentro do contexto de uma racionalidade axiológica, apontada por Raymond Boldo (1988).

Essa substância valorativa poderá ser observada a partir da trajetória de vida dos agentes sociais estudados e de suas representações sociais, ou melhor, provém do resultado de experiências que passam pelo filtro cognitivo dos indivíduos e dos grupos sociais. A saber, pelo mecanismo de transferência de herança (capital econômico), pelo arcabouço cultural dos indivíduos (capital cultural) e por suas relações pessoais com seus pares (capital social). Para isso, metodologicamente, perpassaremos pelos três aspectos importantes nos estudos de sociologia econômica que foram ressaltados por Weber. Buscaremos 1) uma análise das estruturas das relações socioeconômicas através das especificidades do capitalismo produtivo,da alocação dos profissionais estudados (engenheiros), dentro desse universo, e a transferência desses agentes para um capitalismo tipicamente financeiro, no qual poderemos vislumbrar as mudanças de suas escolhas e posicionamentos profissionais; 2) analisaremos a formação histórica20 dessas relações de forma macro a partir da história do capitalismo (produtivista-financeiro), em contextos mundiais, e posteriormente focaremos na história dessas relações no Brasil, voltando ao Brasil imperial e apontando rapidamente como a história social transforma as escolhas e os posicionamentos dos agentes estudados;21 3)

20 É válido ressaltar que devemos ter cuidado com a análise puramente histórica pelo mesmo motivoque Karl

Polanyi sofreu críticas em seus trabalhos ao usar o conceito de imersão social (embedded), pautado em uma interpretação puramente histórica. Tem-se que supor, como assinala Granovetter (2000), uma descrição mais original da sociedade e das relações mercantis.

21 Cécile Raud (2009) aponta uma questão ponderosa nos estudos da nova sociologia econômica (NSE):o resgate

das análises clássicas dos cientistas políticos brasileiros a respeito das relações históricas entre o empresariado nacional, internacional e o Estado brasileiro. É nesse intuito que faremos nosso resgate histórico posteriormente.

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Analisaremos a significação cultural dos indivíduos, ou seja, a construção social de seus filtros cognitivos através de suas representações sociais e de suas formas de pensar o mundo (instituições invisíveis)22 nos apoiando na teoria de Pierre Bourdieu (2008).

De acordo com Frédéric Lebaron (2001), Pierre Bourdieu avançou em relação aos seus parceiros na pesquisa francesa, já que os últimos ainda pontuam que a sociologia econômica deveria substituir os pressupostos da teoria econômica. Bourdieu (1968), porém, lançou suas ideias no sentido de pensar a ciência econômica a partir de uma sociologia do conhecimento. De acordo com o autor, o cientista deve deixar de lado as categorias sociais pré-existentes, romper com as pré-noções do senso comum através do processo de ruptura epistemológica e se esforçar para pensar em novos conceitos como os propostos pelo autor: habitus23 e campo. Dessa forma, Bourdieu (2005, p.17) afirma sobre a sociologia econômica que “[...] tudo o que a ortodoxia econômica considera como um puro dado, a oferta, a demanda, o mercado, é produto de uma construção social, é um tipo de artefato histórico, do qual somente a história pode dar conta.”.

Pierre Bourdieu (2000) também é um dos autores que faz uma forte crítica à teoria econômica e à noção de homo economicus, quer dizer, é contra as afirmações de que os indivíduos agem somente em função de uma ação econômica racional e, nesse aspecto, reivindica que os estudos culturais abrem portas para análises ainda não dimensionadas pela teoria econômica. A partir de seus conceitos e teorias, Bourdieu buscou reinserir o econômico no social. Logo, o autor afirma que “o cálculo estritamente utilitarista não pode dar conta completamente de práticas que permanecem imersas no não-econômico” (BOURDIEU, 2000, p.21).

Uma das dimensões estudadas pelo autor, que contribuiu muito para a presente pesquisa, é a noção de interesse. O autor assinala que “[...] há tantas formas de libido, tantos tipos de ‘interesse’, quanto há campos. Cada campo, ao se produzir, produz uma forma de interesse que, do ponto de vista de outro campo, pode parecer desinteresse (ou absurdo, falta de realismo, loucura etc.)” (Bourdieu, 1996, p. 149). Mas, simultaneamente, é válido reportar que o interesse mencionado pelo o autor é diferente do interesse estudado pela teoria

22 J. K. Arrow (1974)

23 O habitus pode ser pensado como um conceito que carrega em si uma noção menor de recionalidade,

contemplando questões simbólicas e a noção de ethos moral, que alicerçam a ideia da teoria do habitus. A ideia de ethos, advinda de Max Weber, toma outra roupagem a partir da noção de ethos de classe em Pierre Bourdieu, noção que contém toda a moralidade do cotidiano, toda uma ética incorporada, que é exteriorizada na forma de disposições práticas e cotidianas. Contudo, Phillipe Steiner assinalou, em palestra no Brasil, que o ethos, quando reportado ao corpo, não está mais presente nos estudos de Weber e sim nos de Bourdieu e Foucault.

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econômica, esse último, por sua vez, é visto de forma a-histórica, enquanto Bourdieu (1980) menciona que existe um lado social voltado para a noção de interesse. Essa afirmação pode ser confirmada quando a autor menciona as trocas, declarando que essas não possuem conteúdos estritamente econômicos. É dentro deste mesmo viés, que Swedberg (2004, p.26) pontua a importância de se estudar a noção de interesse dentro da sociologia econômica, uma vez que,

Vale lembrar, os interesses são sempre socialmente construídos e podem apenas se concretizar tipicamente por meio de relações sociais. Como sempre, a compreensão subjetiva dos atores é também central; e por nossa própria experiência todos sabemos o quão árduo é decidir em que consiste nosso interesse, seja em termos emocionais, políticos ou econômicos.

É meritório reproduzir também o pronunciamento que Max Weber sobre a discussão, em sua obra The metodology in social science, acerca da noção de interesse:

São interesses materiais e ideais, e não ideias, que governam diretamente a conduta dos homens. Não obstante, com certa freqüência as ‘imagens de mundo’ criadas por ‘idéias’ têm, como chicotadas, determinado as sendas pelas quais a ação foi sendo empurrada pela dinâmica do interesse (SWEDBERG, 2004, p. 27 apud WEBER, 1946, p. 280).

Voltando a Pierre Bourdieu (2005), devemos assinalar também que o autor rompe com a teoria econômica, uma vez que, para ele, os agentes que interagem entre si não são iguais, ou seja, eles possuem diferentes tipos de capitais, o que implica na ocupação de diferentes posições, no espaço social, que levam alguns indivíduos a dominarem e outros a obedecerem. Dentro desse contexto, é importante indicar que as estratégias de ação dos agentes sociais não se dão por si só, mas estão estruturadas dentro de um campo. Todavia, de acordo com a leitura de Boyer (2003), Bourdieu não pensa na reprodução do mundo social de forma completamente estática, pensa também em suas transformações e mudanças. Bourdieu (2005, p.38) afirma que “visto que as forças do campo tendem a reforçar as posições dominantes, podemos nos perguntar como verdadeiras transformações das relações de força no seio do campo são possíveis.”

Dentro dos conceitos do autor, que exploram a perspectiva do agente econômico também, está o conceito de habitus. Esse último não depende somente da posição social do agente, antes, de sua trajetória pessoal. Ou seja, o comportamento dos agentes sociais se dá menos pelas estratégias e pelo cálculo e mais por um jogo estabelecido entre diversos agentes

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sociais. O habitus marcará traços das ações cotidianas e, muitas vezes, tradicionais dos indivíduos em seu dia a dia (ações e costumes), e por isso, grande maioria das vezes, não são contidos no cálculo.24

Cabe mencionarmos também outros autores, dentro da nova sociologia econômica, (NSE) que contribuem significadamente para a presente pesquisa. Cabe lembrar que a NSE surgiu, em meados de 1980, como uma crítica à tradição neoclássica. Anteriormente a esse momento, a economia parecia cindida de outras disciplinas. Era muito forte a premissa de autores, como John Stuart Mill (1988), em assinalar que a economia era uma ciência separada que empregava o método dedutivo e se baseava no pressuposto de que os homens preferem uma quantidade de riqueza maior a uma menor. Nessa mesma linha de raciocínio, afirma John Nevilles Keynes (1999, p.14), e itera Abramovay (2004): “outros motivos além do desejo de riqueza operam em várias ocasiões, determinando as atividades econômicas do homem. Eles devem, entretanto, ser negligenciados [...] uma vez que sua influência é irregular, incerta e caprichosa”. Ou seja, essas afirmações apontam o fato de que os indivíduos agem de acordo com seus próprios interesses e esses se baseiam na maximização de seus resultados. Logo, o comportamento dos agentes sociais é totalmente previsível.

Essa abordagem pode se tornar ainda mais forte a partir de análises que se baseiam no conceito das preferências reveladas. Essas últimas carregam asserções bastante contundentes, a saber, as de que não importam de onde vêm e como se formam os gostos dos indivíduos. Ou seja, seus comportamentos devem ser explicados em concordância com seus comportamentos individuais e não em função de outras extrapolações explicativas de qualquer origem. Detalhamos ainda mais, segundo os apontamentos de Bianchi e Muramatsu (2004, p.34)

[...] a escolha da pessoa revela sua preferência, e qualquer elemento que possa desencadear ou manter certos cursos de ação é redutível ao denominador comum da utilidade. Torna-se assim possível prescindir de uma descrição acurada dos mecanismos e processos geradores do comportamento. O importante seria a consistência de escolha que se revela na hipótese de utilidade, manifesta nas alternativas efetivamente selecionadas pelos agentes, independentemente dos mecanismos psicológicos que as desencadeiam.

24 Não podemos esquecer que o habitus não está contido somente de ações rotineiras, mas também de inovações

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Dessa forma, a economia não necessita estudar a origem ou como se formam os gostos, pois, eles seriam advindos de escolhas racionais e essas se dariam de acordo com as curvas de preferências de cada indivíduo. Tais curvas obedeceriam regras invariáveis de comportamento, ou seja, não haveria espaço para a sociologia ou para a psicologia nas explicações de fenômenos econômicos pautados na ação dos indivíduos. Bianchi e Muramatsu (2004) assinalam que seria importante refletir sobre - um aspecto que a economia tem dificuldade de explicar - as escolhas que advêm de compromissos e planos. Esses últimos podem se referir a escolhas contrapreferenciais, pois, existe uma lacuna entre o que os indivíduos preferem e entre o que eles realmente escolhem, ou seja, muitos planos podem ir contra a perspectiva das preferências auto-interessadas.25

É seguindo essa lógica de pensamento, que David Gautier (1996) aponta que para além das escolhas determinadas pela razão, existem situações que ultrapassam as preferências