- Brukerstyrte plasser inngår ikke
Besvart 9. desember 2015 av kommunal- og moderniseringsminister Jan Tore Sanner
Em 1965, foi realizada uma ação de formação denominada “O diálogo e o aperfeiçoamento pedagógico”. No âmbito da formação contínua, reuniram-se seis professores do 1.º CEB para trocarem experiências sobre a sua prática profissional. Nesta formação, foram escolhidos alguns pontos de conversas, de entre os quais se destacam, entre outros, a iniciação à leitura e escrita, o ensino da redação, o trabalho por fichas, bibliografia, fontes didáticas. No fim de cada reunião era feita uma avaliação crítica para identificar o seu valor prático. Estes encontros eram feitos num clima de cooperação e humildade, onde cada docente submetia a sua experiência a todos os outros para um enriquecimento do grupo. A circular da formação referia o seguinte:
Cremos eminentemente na dinâmica de comportamentos que o grupo irá assumindo, pelo que nos iremos adaptando a novos modos de atuar, dentro da maior flexibilidade, quer no que respeita a programa, métodos e, eventualmente, até a objetivos. (Niza, 2012: 43)
Este foi o início discreto do Movimento da Escola Moderna (MEM), que só após a revolução de 1974, com a democracia, se oficializou. Este movimento investia, sobretudo, na formação dos seus docentes. O seu modelo de formação baseia-se na autoformação cooperada, onde impera a reflexão e a análise crítica sobre a prática pedagógica. De acordo com Nóvoa (2012: 19), “para
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Sérgio Niza, a reflexão cooperada é um modo de reconstituir e dar forma às vivências pedagógicas, é um modo de dizer e partilhar a profissão, acrescentando-lhe sentido social e diminuindo a insegurança tão presente no dia-a-dia dos educadores”.
Esteves (2007), numa recensão crítica sobre a tese de doutoramento de Pedro Francisco Gonzaléz, intitulada O Movimento da Escola Moderna – Um percurso cooperativo na construção da profissão docente e no desenvolvimento da pedagogia escolar, faz uma síntese da história e da ideologia deste movimento, que surgiu da necessidade que os professores sentiam de mudança, entre 1969 e 1974. Segundo o autor (Esteves, 2009), este movimento assenta em fundamentos pelos quais se regem todos os docentes que a ele pertencem: organização do trabalho com os alunos, trabalho diferenciado, autonomia, as experiências dos alunos e a intervenção destes no seu meio. A “organização participada no trabalho” na sala de aula é a palavra-chave do modelo pedagógico do MEM, e o envolvimento dos alunos na sua própria aprendizagem é a questão essencial para os professores deste movimento. A educação, no MEM, possibilita ao aluno a sua participação na vida da turma, tendo este sempre opiniões e sugestões para a sala de aula, o que lhe permite desenvolver a autonomia e a autoconfiança, dando-lhe, deste modo, um maior desafio no desenvolvimento das suas aprendizagens (Esteves, 2009).
Todo o trabalho pedagógico gira à volta das vivências, necessidades e interesses das crianças. Falar e negociar sobre tudo o que diz respeito à gestão da sala de aula permite um envolvimento destas nas suas próprias aprendizagens. O programa, os recursos, os materiais, o tempo, a avaliações são itens discutidos e partilhados em grupo/turma. (Esteves, 2009: 193)
Segundo Ramos do Ó (2012), os escritos de Sérgio Niza “estão cheios de considerações práticas no sentido de fazer cada um dos alunos um escritor” (Niza, 2012: 30). Sérgio Niza defende que a tarefa essencial da escola é tornar os cidadãos “verdadeiramente letrados, isto é, pessoas que conheçam a necessidade e prazer da língua escrita” (Esteves, 2009: 34). O trabalho pedagógico mais notório no MEM é o desenvolvimento, na sala de aula, de momentos coletivos de escrita, partindo de primeiras versões individuais e do confronto de ideias entre alunos. No entender do autor, a expressão escrita só deve ser trabalhada quando se torna imprescindível e relevante para o aluno. Niza (2012: 36) afirma que “é a atividade de escrever que constrói a leitura”.
A essência educativa do MEM começa com a planificação do trabalho, onde os alunos planificam a semana e, subsequentemente, o dia. Esta organização apresenta-se em torno de áreas
Capítulo I. Enquadramento Teórico
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específicas: apresentação de projetos pessoais; trabalho de projetos; tempo de estudo autónomo; os livros e a leitura; Língua Portuguesa/trabalho de texto; Matemática coletiva; visitas de estudo; sessões coletivas de expressão artística.
A Figura 1, a seguir apresentada, exibe de forma esquemática o modelo de organização geral do modelo pedagógico do MEM, tendo em conta a gestão e organização da turma, a organização espacial e a organização semanal do trabalho.
Figura 1. Organização geral do modelo do MEM (Ferreira, 2011: 54)
De um modo geral, podemos explicitar que o esquema de organização geral do MEM gira em torno de três eixos: gestão e organização da turma; organização espacial e organização semanal do trabalho.
Quanto à gestão e organização da turma, é feito o planeamento, que pode ser diário ou semanal, em torno de projetos ou planos individuais de trabalho. É também necessária a construção de instrumentos de pilotagem de trabalho, tais como: mapas de tarefas; registo de avaliação dos conteúdos programáticos; fichas de registo de projetos, de leituras e de produção de textos. Relativamente à avaliação, ela é contínua e periódica, podendo ser realizada com uma periodicidade diária ou semanal.
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No que concerne à organização espacial, a sala de aula está dividida em áreas de trabalho, tais como: área da organização e pilotagem do trabalho; área da Matemática; área da experimentação em Ciências; área da escrita e leitura; e área da expressão artística.
Relativamente à organização semanal do trabalho, esta faz-se no conselho de cooperação, a planificação do trabalho pode ser coletiva, em pequeno grupo e entre pares. O trabalho é apresentado em comunicações e atividades de extensão coletiva de expressões.