O processo orgânico da educação na América Latina revela uma falta de unidade e continuidade. Sofreu frequentes choques de obstrução. Devia ser progressivo, devia ir verte-brando uma tradição pedagógica mas a falta de continuidade deixou-o em situações de perplexidade nos momentos em que perdeu seu próprio horizonte, que alguma vez chegou a entrever. E para retomar o tempo perdido e para se dar a ilusão de um progresso, lançou-se à tarefa de importar idéias, teorias. e técnicas que, pelo acelerado de sua adoção, não chegaram a filtrar-se pelas malhas de nossas organizações. Ficavam su- perficialmente. E sua simples justaposição não agia senão horizontalmente. Não desconhecemos o importante papel da imitação como instrumento de aprendizagem. Mas para que a imitação alcance frutos estimáveis é indispensável que adquira hierarquias reflexivas. A imitação instintiva, que também é útil, mas insuficiente no campo das exigências superiores e complexas, foi por infelicidade a forma comum de imitação consagrada pelo uso. A imitação reflexiva implica um conhecimento prévio da individualidade local e nacional. Tem diante de si materiais diversos do ambiente próprio. Considera o quê, o quanto e o porquê, do influxo de fora, requerido como estímulo, como ensino, já que esta reserva contorna sempre uma aprendizagem livre, consciente e responsável. Quando os povos, em vez de confiarem primeiramente em si mesmos, esperam todas as salvações possíveis do exemplo de outros — quaisquer que sejam — para segui-los precipitada-mente porque obtêm caria de naturalização em outra parte (c
se esquecem de si mesmos), os povos começam então a andar pelo tato entre sombras tenazes. Isto foi o que ocorreu à América Latina por seguir irrefletidamente a Europa. De modo contrário, quando os povos querem contar cada vez mais consigo mesmos, utilizam-se da imitação circunstancialmente. As escolas e os animadores de doutrinas novas em que elas se sustentaram, não produziram na América Latina senão um efeito superficial e passageiro, e se voltaram sempre ao princípio, refazendo indefinidamente obras frágeis, quando não as abandonaram com despeito. A imitação reflexiva é a capacidade para criticar primeiro a própria obra; sistema de comparações fundamentais, depois, para identificá-la, e habilidade para superá-la sempre. A imitação consciente — imitação como recurso de aprendizagem inteligente — permite que os homens e os povos estejam sempre por cima de suas obras, que saibam descobrir o processo que se deve seguir em sua direção e de- senvolvimento e que se possam interessar por novas técnicas que os defendam da rotina.
A ausência de uma maturação natural e progressiva das instituições docentes e dos métodos que elas empregam, trouxe à América Latina a urgência febril de compensar o atraso com a cópia, com a repetição de nomes, com a reprodução que se tornava muitas vezes caricatural.
A América Latina não quis seguir um processo seu. Trabalhou com produtos, com coisas elaboradas, com resultados, com fórmulas, com receitas. A adaptação verdadeira segue um processo biológico, executa
uma função assimiladora natural. E foram poucas as vezes em que a América Latina decidiu — e conseguiu — fazer uma adaptação séria e profunda, estudada e sistemática. As adaptações foram de detalhes, unilaterais, contraditórias. Parece ter havido tão somente o desejo de procurar complicação, de acariciar o alarde e a notoriedade. Neste ponto o artificio teve formas singularíssimas. Muitas vezes, o prurido de seguir o novo fez pôr de lado a obra modesta e necessária que tinha a colaboração de elementos propícios para seu desenvolvimento. Quando há serenidade reflexiva na imitação admite-se que no velho e no novo há uma hierarquia de qualidades que é preciso descobrir e utilizar.
Porque a lula deve ser f e i t a menos contra as gerações, ordenadas cronologicamente, do que ser d irig id a para o estudo das qualidades e pontencialidades das gerações. Será sempre necessário condenar o injusto, o insincero e o feio de todos os tempos. A imitação, na América Latina, oferece a contradição entre duas atitudes: a que se adota de cima. na política, inclusive na educacional e a que se assume de baixo.
rumos e certas atitudes são adotados para que se opine e se critique, e outros para atuarem. A falta de coordenação dessas atitudes com estes obedece à desorientação pelo afastamento da realidade devido aos abusos imitativos.
Ratificamos nossos conceitos sobre a importância c a necessidade do impulso imitalivo. Mas o queremos dignificado, em nível alto de julgamento e de responsabilidade. Hoje mais do que outrora, porquanto os modelos se inferiorizaram e se apoucaram. O segui-los, o reproduzi- los seria atentatório à majestade e à integridade da América como grande pátria da humanidade.
Nesta hora inaugural da América Latina, como unidade continental, em que começa a descobrir seu destino, a reco-nhecer-se no tempo e no espaço, inicia também sua era de cultura autêntica, pois no passado mais
se preocupou em olhar o mundo, em viver fora de si mesma, em civilizar-se. Pela civilização os povos se universalizam, mas pela cultura se definem como personalidades autônomas e caracterizadas.
E afluem com suas energias ricas na grande torrente do mundo. dando- lhe tudo o que têm de profundo e específico. A cultura e a civilização
devem caminhar relacionadas. Quando falta a visão do mundo se incorre em regionalismos agressivos, e quando falta o exame dos próprios destinos, se destroi a personalidade. A América Latina foi aluna e não discípula na grande escola do mundo. O discípulo sabe interpretar e o aluno simplesmente repetir. O sistema de repetições tornou os indivíduos formalistas, mais apegados à letra do que à essência. O fundo permanece arcaico c rotineiro enquanto a superfície tem vernizes de modernismo. Sinal lisonjeiro de que a América Latina encara os deveres da c u l t u r a é o aparecimento da epopéia na novela, uma novela que descobre realidades dramáticas e verdadeiras. Além disso. hoje preocupa mais a América Latina seu idioma do que sua gramática, tendo em vista que o idioma é o conteúdo e a gramática sua regra. Por outro lado, a legislação social da América Latina é substancial. Começa a interessar-se pela gente humilde e por seus direitos. A América Latina está passando da memorização dos códigos calcados à definição de seus direitos inconfundíveis. A legalidade branda que iguala os cidadãos na letra, vai cedendo lugar à lei que oferece garantias para que as desigualdades sejam menos atormentadoras. Tudo isto produz inúmeros reflexos em direção do professor e da escola na América Latina.
Também o professor começa a abrir os olhos para perceber as coisas do seu ambiente, sem renunciar à condição de ei-
dadão da A m é r i c a . Os governos se esforçam por passar da simples função de gabinete para o caminho dos campos múltiplos de sua jurisdição. .!á se percebe, ainda que não seja para assoluções radicais, que é necessário trazer a ação do governo desde os rincões nacionais e não levá-la até eles.
A RESPONSABILIDADE EDUCADORA DA AMÉRICA LATINA E A AMPLITUDE DO SERVIÇO ESCOLAR
Observando o panorama da educação latino-americana consegue perceber-se o grande detrimento que sofre a cultura pelo abandono de extensas zonas rurais que vivem ignoradas pela nacionalidade e pela pátria.
Vivem muitos milhões de habitantes proscrítos em sua própria terra. Só intervém nos assuntos públicos minorias que aprenderam a ler e escrever e que não transformam estes instrumentos de cultura em ferramentas para construir o bem-estar. O problema quantitativo da
educação latino-americana é pavoroso. E' necessário criar muitas dezenas de milhares de escolas primárias para a t a c a r pela base o dano causado pelo analfabetismo. Necessitamos de uma escola que leve a todas as partes a mensagem de afeto e de interesse dos dirigentes da política. Com estradas, com granjas, com escolas e com uma ação cooperativa em ampla escala temos que construir a América de hoje. O problema está tão disseminado que requer medidas imediatas. Com um tipo de escola rural que tenha caráter flexivel e vital, que ensine a viver, a trabalhar, a gozar e a ter a t i t u d e para tomar posição na direção dos negócios coletivos, criaremos estímulos para a vida no campo. Outro grande problema da América Latina consiste na obrigação de amenizar a vida rural. Raquítica e empoeirada hoje, é ela um grito diário que impele os camponeses, em grande massa, para as cidades, em busca de empregos insignificantes. O professor de que necessita a época atual deve ler uma formação cultural e pedagógica fundamental e rápida mas atualizada e criadora. Deve estar convencido do dever de ser um promotor da pátria. Muitas coisas ensina a experiência laboriosa e fecunda. Os melhores amadurecimentos se produzem ao influxo dos agentes naturais. Da lógica da ação tiramos valiosos princípios — e também teorias — cuja elaboração não esquecemos jamais. Há mais de 50% de crianças que, estando em idade escolar, não freqüentam escolas e é muito grande a percentagem dos que não terminam o curso primário. Na Indoamérica o problema da extensão do serviço educativo torna-se complexo pela presença de vários milhões de índios. No esquecimento cultural
em que se mantém o indio, ligado à postergação econômica de que é objeto, persiste a vigência da colônia.
Os orçamentos de educação na América Latina, sobretudo depois de 1930, têm aumentado em favor da criação de centenas e até milhares de escolas rurais. Em alguns países faltou um esforço econômico progressivo. Não foram raras as vezes em que a um impulso gigantesco sucedeu a apatia e até mesmo a mão destruidora. Até pôr nos trilhos o serviço educacional primário, a política escolar tem que ser intensamente trabalhosa no sentido de incrementar os orçamentos para este plano educacional. Quase todos os problemas da educação primária exigem uma base econômica. Edifícios escolares, seleção de professores, melhoramento da capacidade profissional dos que lecionam, distribuição ampla de material escolar, doação de órgãos anexos às escolas, supõem, além da intervenção técnica, orçamentos mais compreensivos e amplos.
São problemas complexos os que têm que afrontar as campanhas da educação popular na América Latina. Entre estes se encontram os de natureza política, os sociais, os biológicos. os culturais, os de administração escolar e os docentes. Em extensas zonas da geografia escolar dos países latino-americanos não falta entusiasmo aos pais de família para matricular seus filhos na escola primária e até para garantir uma freqüência regular. A posição do Estado é contraditória: estabelece a obrigatoriedade do ensino primário, mas. constrangido pela solicitação de escolas, por parte dos pais de família, recorre a soluções transitórias ou fica na fórmula da oferta que não se cumpre. No primeiro caso cria professorado para as escolas ou funda escolas, geralmente rurais, cuja dotação orçamentária consiste no soldo do professor e no aditamento insignificante para o arrendamento do edifício. A uma nova escola rural vai, quase sempre, um professor que não dá esperança de se converter num futuro agente da cultura local. Os lugares remotos e pouco hospitaleiros, os climas insalubres, os transportes de tipo primitivo, conspiram contra a escola por diversos modos. As escolas rurais afastadas das vias de trânsito regional têm professores descontentes. Trabalham com a superfi-cialidade dos que pensam mais na partida do que na permanência. Suas bagagens têm sempre rótulos para a nova viagem. Com esta espécie de professores as trocas e os trânsitos são in- cessantes. E' verdade que também há pais de família obstinados contra o cumprimento do dever de educar. Mas isto ocorre somente entre os grupos miserrimos dos campos e das cidades. E isto não obedece à falta de compreensão deste dever, mas à dureza da vida, que os põe na contingência de converter os
Filhos, prematuramente, em fatores de economia, isto é, em elemento de trabalho. Para esta classe de agrupamento, deu resultados satisfatórios a organização da jornada diária em um só turno e a confecção de programas especiais.
A defesa biológica da criança deve ser uma tarefa prévia c também paralela à escolar. Que proveito tira da escola, de má escola em geral, uma criança desnutrida, débil enferma? A deficiência dos escolares é devida quase sempre à má nutrição e às péssimas condições da vida no lar. Os serviços niédico-es-colares exigem um novo conceito a propósito do futuro das na-cionalidades. Ao pensar nas condições biológicas dos escolares, sentimos que o porvir dos povos latino-americanos se apresenta trágico. Parece assistirmos aos sinais de uma etapa de desa- parecimento. As cifras da mortalidade infantil são fantásticas em toda parte.
As escolas noturnas para adultos tomaram incremento notável em quase todos os países. Está se concedendo um interesse maior ao princípio psico-pedagógico de que toda idade é útil para a aprendizagem. 0 que é inadiável é levar esta conquista até a escola rural. Essa tarefa não pode ser desenvolvida simplesmente com o apostolado do magistério que trabalha nas escolas diurnas.
Afinal, para que serve o alfabeto? A escola em seus exemplos mais fortes e nobres cria o apetite cultural. Onde o sacia o povo? Há muita gente desgraçada que sabe ler e escrever. Nossos povos estão quase saturados de homens e mulheres que se sabem ler c escrever são inábeis para abrir caminhos pelas estradas da vida. A posse destes instrumentos de cultura coloca os cidadãos cara a cara com angústias mais definidas e com dores mais fundas. E' necessário humilhar-se, por exemplo, para ter um cargo, e, certamente, com a consciência da humilhação. Chegam à convicção, por este caminho, de que a liberdade supõe a base de uma certa ilustração mas que esta não serve para nada se não está sustentada pela liberdade econômica. As obrigações contemporâneas da educação são graves, encaradas desde as funções políticas até os novos princípios didáticos se é que queremos fazer uma escola viva e salvadora.
A EDUCAÇÃO SE APOIA NA DEMOCRACIA NOVAS OBRIGAÇÕES DA DEMOCRACIA
A maior parte da América Latina recebeu a inspiração pol í t i c a da Revolução Francesa.
A organização educacional corresponde ao regime demo-crático e já superado em orientação social em algumas parles.
São suas condições sociais: o laicaismo, a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário.
A [gratuidade é extensiva à secundária e à superior. Este regime destruiu a teocracia e seus poderes absolutos. Funda-se no respeito à soberania, à personalidade e na formação do homem e do cidadão. Destaca a soberania do povo. Procura sustentar-se na livre determinação dos cidadãos. Garante as liberdades e direitos individuais. Há tendência para criar um ambiente de discussão sobre os problemas nacionais e respeitar a formação de partidos políticos pretendendo alcançar uma alternância deles na direção da política, de acordo com a vontade popular, de tal forma que os partidos representem um concurso permanente de capacidade ideológica e prática. Este regime não pode cumprir seu programa pela falta de uma estruturação econômica da democracia. Indubitavelmente não se deve procurar o erro na legislação escolar.
Com grande prazer assinalamos que vários países não adiaram o desenvolvimento de certos deveres sociais da democracia no que se refere à educação. E por este caminho é possível que cheguemos a conquistas dignas da História.
OS PROBLEMAS DO ENSINO SECUNDÁRIO E VOCACIONAL
São problemas correlatos. Os "liceus", os ginásios c os colégios são freqüentados por uma classe melhor dotada do que a que freqüenta tão somente a escola primária. Investigada a procedência social dos alunos da escola secundária, a maior parte deles provém de pequenos e grandes proprietários, de funcionários públicos que se encontram em situação média ou superior, de industriais, cujos proventos permitem uma vida desafogada, fácil. E como as classes dominantes economicamente determinam o rumo das idéias políticas em que se amolda o ensino, as escolas secundárias dão quase unicamente uma formação acadêmica. Em seu término estão submetidos ao ingresso nas carreiras liberais. 0 estudo acadêmico se inclina a exercer pressão sobre a escola primária e de fato a sujeita a uma série de coerções que perturbam o desenvolvimento de sua função específica. A Universidade, por sua vez, está pedindo ao colégio que se adapte a ela. E de fato lhe impõe soluções legais. O surpreendente que há nesta cadeia de desconfianças e imposições em que cada século de ensino faz valer sua hierarquia — que é devida ao lugar e ao tempo — é que os conflitos que tais imposições suscitam são lançados contra terceiras pessoas: alunos e pais. Neste círculo de desconfianças, não nos esqueçamos de que os movimentos têm em mira a co-
modidade pessoal dos professores e o desejo de produzir o menos possível. Por isto a responsabilidade é jogada sobre o vizinho. A universidade é a acusadora oficial do ginásio, e este da escola primária.
O ensino vocacional não prosperou na América Latina porque o trabalho manual não tem ainda dignidade superior. Temos escolas secundárias sem oficinas, sem pequenas indústrias, sem pequenas fábricas. Desde o colégio se deprecia no estudante a criação plástica. O colégio ensina-o a falar das coisas mas não o ensina a fazê-las. 0 colégio estabelece a pugna entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, sem compre-ender que ambas as formas de trabalho contribuem para uma aprendizagem de possibilidades mais fecundas e que se integram na formação do homem atual. A psicologia da mão é decisiva para a criação de um mundo novo. O cultivar isto somente as técnicas do falar, mutilando a educação, nos deu homens mancos ante a realidade.
A economia da nação, o desenvolvimento da técnica, necessitam de mãos inteligentes, de mãos que sirvam à cooperação social.
O verbalismo dos colégios não nos conduz senão às portas das universidades. Não serve para compreender o mundo. Põe os alunos na periferia dos problemas. Transporta-os apenas para as humanidades, crendo encontrar no ensino do grego e do latim o fundamento de uma cultura integral, esquecendo-se de que a essência da questão filosófica e pedagógica não está no humanismo.
Tanto as matérias científico-naturais como as científico-culturais em que concorrer para este fim. 0 ciclo de formação comum, geralmente com quatro anos está significando, no ensino médio, um esforço de unificação. Compreende-se que a cultura ajuda a ver claramente a especialização, um trabalho parcelado, uma determinada tarefa técnica. Graças à cultura o homem se mantém superior ao produto de seu trabalho e o melhora e aperfeiçoa sem escravizar-se. No entanto o que falta é que a especialização se vigorize, se amplie e se enriqueça em variedade e frutos.
SENTIDO DA UNIVERSIDADE CONTEMPORÂNEA
Fernando de los Rios disse com exatidão: "O problema da universidade de hoje é o problema da reintegração do homem e da reconquista de sua unidade: o homem como cientista. o homem como elemento emocional, o homem refinado em seu querer, o homem não só capaz de sentir a poesia mas
que possua avidez para lê-la, para ouvir um trecho musical; o homem que saiba descobrir nas linhas de uma estátua uma harmonia, um tema de prazer íntimo; este sim, este é o homem que c preciso reconquistar, e aí reside o grande problema da universidade de hoje."
O problema universitário está sendo apresentado em algumas de suas configurações fundamentais. Palavras d e s c r i t i v a s e sugestivas ao mesmo tempo, encontram uma aplicação plena na universidade latino-americana. A reconquista da unidade do homem é o primeiro objetivo da universidade. Reconquista. Mas, já se alcançou esta unidade em outra época? O homem esteve sempre jogado entre tendências simplistas e opostas. O homem foi — e é — uma presa em disputa. Recentemente nos demos conta da necessidade de um equilíbrio dos influxos. A universidade contemporânea tem que ser o que jamais foi: uma totalidade para o homem; uma totalidade em que caibam a universidade acadêmica, a universidade técnica e a universidade de trabalho. Universidade que ofereça um alto conceito sobre o mundo e a vida, e ao mesmo tempo constitua um observatório e um laboratório para julgar e apreciar a realidade nacional. Universidade que aprofunde a obra do cientista e estimule a capacidade especializada afirmando a compreensão e o amor para o trabalho dos demais.
Garantida a função cultural, a universidade deve ser eminentemente investigadora. O domínio dos dados sobre a realidade, o respeito à verdade, o espirito de sacrifício adquire o jovem por meio da investigação. Os princípios e a prática têm uma ligação potente e inseparável no processo da investigação. Sem investigação superior não pode, não deve existir universidade. Nossas universidades por infelicidade, não introduzem em seus deveres a investigação. Os laboratórios não são incrementados ou não funcionam.
Os maiores incentivos para a investigação são encontrados fora da