Security in Automotive Systems
2. Description of the Two Approaches
Morin (2000) traz uma reflexão em que diz que o pensamento complexo não esgota a surpresa, que vive e se surpreende e que sua surpresa não é mais somente infantil: ‘O que é isto? ‘Por que o carro anda?’ ‘Por que o sol brilha?’ É também e, sobretudo, uma surpresa da consciência, despertando para o desconhecido do conhecido e descobrindo que quanto mais evidente é o conhecido, mais profundo é seu desconhecido.
Para Almeida e Petraglia (2006), Edgar Morin é um pensador contemporâneo transdisciplinar, autor da epistemologia da complexidade, termo que originou da cibernética, e ele se contrapõe ao pensamento linear, reducionista e disjuntivo, pois percorre as áreas, proporcionando o diálogo entre as ciências e a busca das relações entre os vários tipos de pensamento. Apresenta um pensamento que une e não separa todos os aspectos presentes no universo, e considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes. Para Morin, torna-se relevante que o educador possua conhecimento e percepção das diferenças entre as concepções de sujeito e de indivíduo, assim como das características que o distinguem enquanto sujeito complexo. Tem-se que ser humano não é somente um ser biológico ou um ser cultural, pois sua natureza é multidimensional.
À luz de uma outra perspectiva, ele é, também, trinitário pelo fato de fazer parte da espécie homo sapiens, torna-se membro de uma sociedade e é um indivíduo, neste sentido, Edgar Morin (1991, p.78) ressalta que “há algo mais do que a singularidade ou que a diferença de indivíduo para indivíduo, é o fato de que cada indivíduo é um sujeito”. Então é na relação com o outro que o sujeito consegue se superar, com modificações e ao seu meio em um processo de auto-eco-organização, por meio de sua dimensão ética que reflete seus valores, escolhas e percepções de mundo. Corroborando com o tema, Capra (2004, p.14) define haver a necessidade
de um novo paradigma e afirma "uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores”.
Ainda, Morin (2000) compreende por homo complexus, que o ser humano se baseia em um ser racional e irracional com capacidade de medida e desmedida; possuidor de afetividade intensa e instável, pode sorrir, rir, chorar, mas sabe também conhecer com objetividade; é sério e calculista, como também ansioso, angustiado, gozador, ébrio, extático; é um ser de violência e de ternura, com amor e ódio; é um ser invadido pelo imaginário e pode reconhecer o real, que é consciente da morte, mas que não pode crer nela; que secreta o mito e a magia, mas também a ciência e a filosofia; que é possuído pelos deuses e pelas ideias, mas que duvida dos deuses e critica as ideias; nutre-se dos conhecimentos comprovados, mas também de ilusões e de quimeras.
Diante deste olhar de Morin, a complexidade pressupõe também o emprego de diversas linguagens na educação, com o objetivo de se facilitar a aprendizagem, pois visa considerar as diferenças e peculiaridades de cada sujeito, e diz da importância em se perceber que há vários tipos de inteligência, hábitos, facilidades, dificuldades e perspectivas dentre os integrantes dos grupos. Assim, deve-se considerar as inúmeras experiências e possibilidades em uma sala de aula, em que a heterogeneidade demonstra a necessidade de se desenvolver diversificados atividades e métodos com a finalidade de se atingir o maior número de estudantes. Neste momento, percebe-se a influência do pensar complexidade no desenvolvimento do Modelo desta pesquisa, pois surgem desafios contemporâneos:
o desafio da complexidade se intensifica no mundo contemporâneo, já que nos encontramos numa época de mundialização, que prefiro chamar de era planetária. Isto significa que todos os problemas fundamentais que se colocam num contexto francês ou europeu o ultrapassam, pois decorrem cada um, a seu modo, dos processos mundiais. Os problemas mundiais agem sobre os processos locais, que retroagem, por sua vez, sobre os processos mundiais. Responder a esse desafio contextualizando-o em escala mundial, quer dizer globalizando-o, tornou-se algo absolutamente essencial, apesar de sua extrema dificuldade (MORIN, 2002, p. 62).
Na dialogia, que é uma característica presente na vida, surge a possibilidade da reflexão sobre a compreensão do papel do sujeito, a partir de suas características de homo complexus no universo escolar, e neste pensar é importante ressaltar a importância do conflito, levando-se em consideração que as diferentes tendências nas práticas e nos discursos podem ser antagônicas e outras vezes complementares, sendo que isso necessita ser valorizado, em virtude de se favorecer o desenvolvimento do processo educacional. Percebe-se que o consenso, que faz estabelecer a aparente ordem, muitas vezes, cala o sujeito em seus sonhos, aspirações, criatividade, criticidade e desejos. O ensino educativo solicita competência, técnica, arte, fé e amor, e cujos pontos essenciais são, entre outros: o fornecimento de uma cultura que permita distinguir, contextualizar, englobar os problemas multidimensionais, globais e fundamentais; preparar as mentes para enfrentar as incertezas, promovendo nelas a inteligência estratégica e apostando num mundo melhor; educar para a compreensão humana entre os próximos e os distantes (MORIN, 1999a). Assim o ensino educativo pode contribuir para tornar os seres humanos melhores, se não mais felizes, e fazer com que se passe a assumir com mais gosto a parte prosaica e a viver, mais intensamente, a parte poética de suas vidas.
Pode-se dizer que o desafio da complexidade se dá no duplo desafio da religação e da incerteza, pois é necessário se religar o que era considerado como separado. Paralelamente, torna-se preciso aprender a fazer com que as certezas interajam com a incerteza. Tem-se que o conhecimento é, com efeito, uma navegação que ocorre em uma oceano de incertezas, salpicado de arquipélagos de certeza, sendo este o desafio da complexidade que se intensifica no mundo contemporâneo, pelo fato de se estar em uma época de mundialização, a era planetária. (MORIN, et. al., 2002).
Este capítulo apresentou alguns paradigmas educacionais, as concepções empirista / instrucionista, racionalista e interacionista / construtivista. Passou por aspectos relacionados à tecnologia na educação. Também dissertou sobre a Aprendizagem Significativa e a grande contribuição de Ausubel, e realizou seu fechamento com o olhar para a complexidade, que traz uma rica reflexão para qualquer pesquisa.
3. OBJETOS DE APRENDIZAGEM E REPOSITÓRIOS: