• No results found

4. GEOCHEMICAL CHARACTERIZATION

4.2. PETROLEUM ANALYSIS

4.2.4. Depositional environment assessment

Em 2003 a política de patrimônio dava sinais, para além de uma relativa estabilização, de começar a obter alguma ressonância junto a população. Desde o início da década de 1980 os pedidos de tombamento partiram dos ideólogos do patrimônio local justificando sua iniciativa em nome de uma comunidade imaginada, justificada sob o discurso de uma memória sensível urbana ou de uma importância histórico/arquitetônica. Este é um dado recorrente nos vários projetos de preservação do patrimonio cultural. Em âmbito nacional Cecíla Londres sublinha que o inicio de uma participação social nos pedidos de tombamentos junto ao IPHAN data da década de 1980 (FONSECA, 1987).

168 São eles o conjunto arquitetônico paisagístico e o acervo do Museu Mariano Procópio; o conjunto arquitetônico e paisagístico das estações Central do Brasil, da Estrada de Ferro Leopoldina e o acervo do Núcleo Histórico Ferroviário; a sede do antigo Banco de Crédito Real e acervo do Museu do Crédito Real; Usina de Marmelos. Cabe notar que, a exceção deste último item, os demais bens englobam conjuntos que envolvem arquitetura, paisagem urbana e coleções museológicas.

126 Juiz de Fora não fugia a esta regra. Raras haviam sido iniciativas feitas por pessoas externas, da chamada comunidade. A primeira delas parece datar ainda de 1986. Refere-se ao pedido de tombamento da Igreja do distrito de Caeté. Foi encaminhado por meio de um abaixo assinado feito pelos moradores locais, destacando sua importância e centralidade para a comunidade local.169 A indicação foi acatada tendo sido o bem tombado em 1987.

No ano seguinte identifica-se o pedido de tombamento do edifício do Hotel Rocha, na esquina da R. Marechal com Rio Branco.170 O pedido havia sido enviado para a Comissão via vereador Julio Camargo. Partiu, no entanto dos locatários do imóvel, as lojas de comércio do térreo e o hotel. O prédio era propriedade da Cia de Seguros Aliança da Bahia. Esta havia pedido licença de demolição tendo sido a mesma autorizada pela prefeitura. Os citados locadores do imóvel, diante do risco de perder seus pontos comerciais, viram no pleito de tombamento, uma alternativa possível para que não ocorresse a demolição. A proposta não logrou êxito.

Em 1990 um novo pedido chega até a CPTC tratava-se do Presidente das Congregações Marianas, Sr. João Adário, solicitando o tombamento de uma espécie de cedro que teria significado simbólico, uma referência bíblica e que poderia se estender ao bosque onde estava situada a federação. Foi solicitado um levantamento para um biólogo sobre o caso, Márcio Brugger que afirmou em parecer: “a árvore nada tem a ver com o cedro-do-líbano, um gimnosperma muito citado na Bíblia, não sendo, portanto o cedro das escrituras.”171 O biólogo no entanto, recomendava o tombamento do bosque já que o

mesmo já havia sofrido considerável desmatamento. A iniciativa, no entanto chocava-se com um projeto de loteamento feito pela própria federação. Ao final tratou-se de outra iniciativa que não logrou êxito.

Também em 1990 foi encaminhado um processo de tombamento da estação ferroviária de Valadares. Foi feito a partir de um abaixo assinado da comunidade local com 950 assinaturas recolhidas. O projeto foi organizado pela então presidente da Associação de Bairro, Maura Lucia de Oliveira. Segundo a mesma “o prédio é muito importante para a comunidade, porque foi através da linha férrea que Valadares cresceu, sendo assim, faz parte da história do povoado.”172 Mais do que o tombamento, encaminhavam uma proposta

169 CPTC, ata da reunião de 12 de dezembro de 1986. 170 CPTC, ata da reunião de 12 de dezembro de 1988. 171 CPTC, ata da reunião de 7 de dezembro de 1990. 172 Idem.

127 de utilização do imóvel. Reivindicavam a instalação de um posto telefônico, a construção de uma praça na área em torno e que o prédio fosse utilizado como um centro cultural local. A proposta desencadeou a sugestão de um dos membros da CPTC que se tombasse não somente a estação de trem de Valadares, mas todas as estações da cidade. O levantamento foi feito e a proposta logrou êxito tendo sido tombada a estação de Valadares e as demais na sequência. A proposta de uso no entanto, não obteve o mesmo sucesso, pois o proprietário, à época a empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, afirmava ter outros planos para o local.

Dois anos depois chegava a proposta de tombamento do edifício que abrigava o Fórum da Cultura, de propriedade da Universidade Federal de Juiz de Fora. Partiu de uma funcionária da UFJF e, tal qual o caso da Cia. Bernardo Mascarenhas, envolveu uma discussão sobre a competência de o município tombar próprios da União. Ao fim, depois de longo diálogo, foi expedido decreto de tombamento do edifício do fórum da cultura.

Não obstante, em 2003 Neuza Marques – advogada e professora - encaminhou a solicitação de tombamento de sua própria casa na R. Santos Dumont, 85. Se os casos acima citados de encaminhamentos partindo da “sociedade”, referiam-se à um próprio de terceiros com intenções de uso social ou questões político-econômicas, esta era a primeira vez que identifica-se a ‘invenção” do patrimônio local a partir de sua própria propriedade. O pedido foi encaminhado no dia 21 de março nos seguintes termos, em carta redigida por seu filho:

“Eu, Leonardo Nunes Cruz Gouvêa, venho através desta carta requerer o tombamento do imóvel localizado na rua Santos Dumont, nº85, Granbery, em virtude da importância de sua arquitetura e do seu valor para o município de Juiz Figura 17 - Residência de Neuza Marques na r. Santos Dumont,

128

de Fora. A garantia da preservação constitui interesse público, pois representa uma tutela ao patrimônio cultura desta cidade.”173

O argumento apresentado pelo proprietário como justificativa ao tombamento ressalta o valor arquitetônico e estético do imóvel para a cidade. O edifício citado é uma casa de estilo arquitetônico eclético construída em 1932. Possui planta construtiva de centro de terreno, dois pisos, com seis cômodos em cada um deles e um jardim frontal. Havia sido incluída no Inventário do Patrimônio Cultural de 1996, porém não sendo recomendado o seu tombamento, indicando apenas a documentação do imóvel. Diante de um pedido partindo do próprio dono do imóvel a CPTC abriu um precedente contrário a indicação do Inventário. Este dado indica que se o Inventário era o norte da política de preservação local, não era uma ferramenta ortodoxa de trabalho. Quando o proprietário foi notificado da abertura do processo de tombamento, respondeu prontamente ressaltando novamente a importância do edifício: “esclarecemos que concordamos com a proposta de tombamento, pois Juiz de Fora tem que preservar características arquitetônicas especiais para que as futuras gerações possam conhece-las”.174 A justificativa destaca um projeto

pedagógico para o futuro. Para que os que virão pudessem conhecer a história da cidade (também) por meio daquele imóvel.

Visando complementar a documentação sobre o tombamento da casa, foi realizada uma entrevista com a proponente. As 22 questões colocadas à Neuza Marques ocupam três páginas do processo, divididas entre dados de identificação da mesma, informações sobre o imóvel e sobre a proposta de patrimonialização em pauta. Mais do que uma entrevista, trata-se de um diálogo entre dois sistemas de classificação sobre a preservação de bens culturais. Nos termos de Levi-Strauss (1989), o olhar do engenheiro e o do bricoleur; a do arquiteto que pergunta segundo normas aprendidas na academia e exercício de seu trabalho numa repartição pública e a de uma advogada e professora que opera com uma visão subjetiva e particular, formada a partir dos fragmentos que foi reunindo em suas viagens por cidades do mundo e que lhe permitiram organizar um pensamento sobre o que é preservação. No transcorrer da entrevista é possível notar o caráter técnico das perguntas e o aspecto sentimental de boa parte das respostas.175 Três delas valem a pena ser transcritas:

173PJF, processo 01238, folha 3 174(PJF, processo 01238, fla 6.

175 De algum modo pode-se afirmar que o olhar sobre o patrimônio cultural de Neuza Marque se assemelha ao de figuras como Nívea Bracher e Rachel Jardim desenvolvido na fase lírica da preservação do

129

“17 - Manteve a casa igualzinha à época da construção ou houve reformas que mudaram a característica da casa?

Resp: na fachada [não] houve alteração, somente na parte dos fundos da casa foram necessárias algumas adaptações para os sanitários e a cozinha. Na parte de dentro da casa também não houve alterações, pois conservei até as lajotas da varanda de entrada e o do banheiro do primeiro piso que são da Companhia Pantaleoni Arcuri. No quintal, preservei a característica de chácara de casas antigas conservando o pomar que já existia, como o pé de manga rosa, amora, além de laranja da terra, abacate, limão cravo, pés de urucum e posteriormente plantei pés de açaí, de cacau e cana caiana. Há também várias plantas como a planta ornamental rara cetro imperador. Mudei também a cor da casa bege para salmom para realçar melhor os seus bonitos detalhes.”

“19 – Como é morar numa casa que tem importância histórica para a sociedade, sendo bem diferente das atuais?

Resp: A casa antiga preserva um tempo importante da história da cidade. Ela parece ter alma. Há uma sensação de “retorno ao tempo perdido”, como dizia Proust, o grande escritor Frances. Morar numa casa que está fincada no passado é um desafio, pois é preciso assumir que é importante preservá-la para as outras gerações desfrutarem desse inefável bem-estar, conforto, amplitude e privacidade, e o ar que vem do vasto quintal de árvores frutíferas raras e os espaços laterais que mantém a distancia das propriedades vizinhas asseguram a luminosidade e a corrente de ar livre indispensável à salubridade de uma residência.”

22 “E porque a senhora acha que o seu imóvel deva ser tombado? Resp: Porque há uma certa amargura cidadã quando vejo o desaparecimento de casas e mansões representativas de um tempo histórico importante de Juiz de Fora. Poder-se-ia caracterizar como ato de vandalismo oficial a permissão para as demolições de prédios que marcaram uma importante fase da arquitetura da cidade. Testemunhei significativas construções virem abaixo para se transformarem em garagens cuja utilização precária e descuidada é bastante discutível tanto em termos sociais como urbanísticos. Muitos antigos sobrados e casarões são hoje estacionamentos que agridem a estética das ruas e incomodam os pedestres nas calçadas. É desalentador ter assistido a demolição do sobrado da rua Espírito Santo datado de mais ou menos de 1870 (junto ao Instituto de Educação) para tornar-se abrigo de carros! (...) Por isso quando se pleiteia o tombamento do sobrado da Rua Santos Dumont, 85 o que se tem em foco é a preservação de alguns significativos exemplos arquitetônicos da Juiz de Fora, pulsante das primeiras décadas do século passado quando, por sua industria têxtil crescente e vigorosa, recebeu o nome de Manchester Mineira. Estes casarões abrigaram a elite industrial dessa época relevante da história da cidade. Juiz de Fora merece esta homenagem!”176

A primeira pergunta transcrita esboça a preocupação do técnico de patrimônio com a questão da autenticidade do bem, sua aura singular e imutável. Para Richard Handler (1986) a noção de autenticidade está vinculada ao moderno ocidente e emergência do individualismo a partir do séc. XVIII. A ideologia do individualismo possessivo, associada a existência de uma coletividade imaginada como nacional – ou no caso, como citadino – depende da possessão de uma cultura autêntica. Neste caso ser Juiz de Fora estaria associada a ideia do ter um patrimônio cultural que lhes distingue enquanto tal. Ter a casa

130 tal qual era, adquire o sentido chancelar, de que aquele é um ícone do verdadeiro passado da cidade e uma dada forma de ser juizforano.

É interessante notar, no entanto, que a visão de Neuza indica um outro olhar sobre o ser juizforano e forma de ter este patrimônio. Em suas concepções estes elementos estão associados à uma formulação estética, do belo. O patrimônio é uma experiência autêntica na medida em que se pode melhor desfrutar de sua materialidade estética e de sua ambiência. Daí a preocupação em ressaltar o jardim e suas árvores frutíferas. É o olhar de quem compreende o patrimônio a partir do imóvel – de uma experiência cotidiana e biográfica com este bem – e não a partir de sistemas narrativos nos quais os imóveis são enquadrados para fazer parte.

Sobre morar numa casa histórica, o olhar de Neuza recorre à visão literária de Marcel Proust. Habitar naquele lugar é uma forma de subtrair-se a lei do tempo; presentifica-lo. É a sua “alma” – mesmo argumento utilizado para justificar o tombamento do CTC, “ a alma da cidade” – que torna possível essa operação. A casa objetifica o tempo, o passado, a história (HANDLER, 1985). Morar nela é uma forma de acessar esse passado; narrá-la uma forma de atualizar tais categorias. Trata-se da possibilidade de a cada olhar sobre um de seus cômodos vir a tona uma memória de sua vida, tal qual afirma Proust numa passagem:

E essas ruas de Combray existem em uma parte tão recuada de minha memória, adornada de cores tão diversas das que agora revestem o mundo para mim, que na verdade me parecem todas, bem como a igreja que as dominava da Praça, mais irreais ainda que as projeções da lanterna mágica; e em certos instantes, parece-me que poder ainda cruzar a rua de Saint-Hilaire, poder alugar um quarto na rua de I'Oiseau -a velha hospedaria do Oiseau Flesché, de cujos respiradouros subia um cheiro de cozinha que, intermitente e cálido, se ergue ainda em mim, em alguns momentos seria entrar em contato com o Além de modo mais maravilhoso e sobrenatural do que travar conhecimento com Golo e de conversar com Genevieve de Brabant. (PROUST, 2003:29)

Quando Neuza é perguntada sobre por que sua casa deveria ser tombada, apresenta um outro discurso. A resposta se assemelha ao mais racional dos arquitetos - e também jurista. É um contexto interessante para identificar como modelos teóricos, a despeito de serem “bons para pensar”, quando confrontados com situações específicas, tornam-se instáveis. Retomando Levi-Strauss (1989), neste momento Neuza faz uma apropriação do discurso do engenheiro em sua bricolagem sobre patrimônio cultural.

131 De posse deste conjunto de informações o jurista e membro da CPTC Wilson Jabour Júnior redige o relato de instrução do processo. No documento, o jurista ressalta que o imóvel encontra-se localizado em meio a um importante núcleo histórico da cidade, no bairro Granbery: ‘bem próximo à secular Igreja do Rosário e a apenas uma quadra do singular conjunto, hoje tombado, dos imóveis de propriedade da “Sociedade Beneficente de Juiz de Fora.”, situados na Rua Barão de Santa Helena, entre as ruas Antônio Dias e Sampaio.”177 Com base neste argumento opina favorável ao tombamento do imóvel. A

justificativa reside em sua localização somando-se a um conjunto de um bairro que possuía já alguns imóveis tombados. Não há menção, no entanto, quanto à origem do pedido e seus argumentos. A minuta do decreto é redigida advogando: “I – o valor histórico e cultural que envolve o bem; II – ser o referido bem imóvel integrante da história e formação do bairro Granbery; III – as características construtivas com elementos da arquitetura neocolonial; V (sic) – os termos e a documentação constantes ao processo da PJF Nº 1238/2003”178. No dia 12 de agosto de 2003 a casa era decretada tombada pelo município.

Se o processo é elucidativo quanto aos aspectos indicados administrativamente para o tombamento, é omisso quanto ao fato de que o encaminhamento havia sido feito por Neuza. Para além de suas relações arquitetônicas para com a cidade o pedido se fazia sobretudo, em função de sua biografia e história familiar. Neuza, atualmente com 80 anos de idade, nasceu no norte do Rio de Janeiro em Santa Clara: “uma cidadezinha que tinha 123 casas”.179 É a ‘caçula’ de quatro irmãs e mais velha do que os dois outros irmãos,

numa família de seis filhos. Na cidade em que nasceu os pais encontravam-se numa situação econômica difícil e decidiram se mudar, a convite de uma tia e seu marido para uma pequena cidade no Espírito Santo, acreditando ter melhores oportunidades. Lá montaram uma padaria, passando posteriormente a adquirir um pedaço de terra e trabalhar com café e depois comércio de madeira.

A ida para Juiz de Fora foi parte de um projeto familiar elaborado sobretudo pelo pai. No intuito de garantir um futuro e independência de suas filhas, queria que as mesmas estudassem e fizessem curso superior. Segundo Neuza essa era uma atitude pouco comum para a época, por volta da década de 1940, sobretudo numa cidade como a que viviam. Afirma que o pai não queria que ela e as irmãs fossem dependentes de possíveis maridos

177 PJF, Processo de tombamento 01238, flha 42. 178 IDEM. FOLHA 48.

132 ou mesmo fossem professoras, pois tratava-se de um cargo político. Eram os políticos locais que indicavam as vagas e nomes a ocupa-las no município. Em suas lembranças o pai, apesar de pouco ter estudado lia muito e gostava muito de economia: “papai era um visionário. Veja isso, nesse tempo, mulher estudando e ele gastando com menina, com mulher. Isso, absolutamente nessa época, não era prioridade de nenhuma família.”180

Em 1948 as mulheres da família – a matriarca Alaíde e as quatro filhas – partem para Juiz de Fora. Era a cidade mais próxima que dispunha de ensino superior. O pai havia conseguido informações sobre um casarão próximo à região central da cidade, das faculdades e do colégio Granbery. A intenção era alugar uma casa grande que servisse como residência da família e ao mesmo tempo, forma de sustento: “E então o papai mudou-se para aqui, alugou um casarão - esse casarão da Antônio Dias – e a mamãe dava pensão para estudantes universitários, pra poder nos sustentar.”181 O pai retorna para o

Espírito Santo para cuidar das terras da família e somente alguns anos depois vem se juntar com os filhos ao restante da família em Juiz de Fora.

Foi neste casarão na rua Antonio Dias que Neuza passou toda a sua adolescência e juventude. Lá viu sua mãe trabalhar na oferta de quartos de pensionato; suas irmãs se formarem; lá terminou o colegial e o curso de direito. Foi também nesta casa que conheceu Newton, seu esposo. Havia vindo para cursar a faculdade de farmácia. Recorda o início do namoro, o flerte pela janela de madeira, com pé direito alto e a calçada de pedras e o encantamento pelo rapaz que havia a pouco conhecido.

Com as formaturas vieram as separações. Cada uma das irmãs foi trabalhar numa cidade diferente. Neuza foi advogar no Rio de Janeiro. O namorado foi ser farmacêutico em Caratinga.

180 Idem. 181 Idem.

Figura 18 - Casa de Neuza Marques na r. Antônio Dias. Foto do autor, 2012

133 Algum tempo depois Neuza foi para a mesma cidade, passou a lecionar Português e se casaram. Foi no período em que ainda estava no Rio que Neuza começou, junto com suas irmãs, a cogitar a possibilidade de comprar a casa em que habitaram e que ainda moravam os seus pais. Recorda que o seu então proprietário encontrava-se doente e precisava vender o imóvel. Se cotizaram e adquiriram o imóvel. Com a morte dos pais, preocupada com destino que eventualmente poderia ser dado a casa, Neuza foi aos poucos comprando a parte de cada um dos irmãos:

... porque eu tinha medo exatamente que eles não tivessem a mesma visão que eu queria, não só porque sou apaixonada por monumentos históricos, porque eu os vejo como pegadas humanas de um tempo. Então essa casa nossa lá, ela registra uma época de Juiz de Fora e eu acho pra mim extremamente importante, não só o aspecto arquitetônico que você vai ver como ela é interessante – a lá da Antonio Dias – não só sob aspecto arquitetônico, como também sentimental. Foi ali que mamãe fez de nós todas mulheres independentes, mulheres capaz de