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3.3 Kvalitativt forskningsintervju

3.3.1 Intervjuguide

a ambiência digital como o meio do webjornalismo – em que a decisão de informar sobrepõe as regras tácitas da notícia, e assim, decisões individuais parecem se contrapor às opiniões públicas de modo que público e privado parecem se confundir – com o con- ceito de Esfera Pública segundo os preceitos de Jürgen Habermas para analisarmos como as comunidades constroem suas opiniões públicas e como podem se apropriar de tanta informação dispo- nível em prol do bem estar social.

Sinteticamente, Habermas define Esfera Pública como uma estrutura intermediária existente em sociedades complexas entre a opinião pública e o Estado – dimensão do espaço de vida social humana que permite a formação de uma opinião pública sobre assuntos de interesse geral (HABERMAS, 2003). Antes de qualquer coisa, é pertinente lembrar que em sua obra Mudança

estrutural da Esfera Pública escrita em 1962 ele propõe inicial-

mente um conceito diretamente ligado à sociedade burguesa do século XVIII, ou seja, a uma realidade definida de determinada época, o que impossibilita o uso genérico em outros contextos.

Previamente, essa discussão pressupõe a diferenciação entre o público e o privado. Enquanto um trata de temas rele- vantes para a coletividade, o outro diz respeito a assuntos mais particulares e de cunho íntimo. Isso não quer dizer, entretanto, que um tema privado não possa vir a ser debatido publicamente e a ganhar relevância pública.

Dentro desse contexto, a Internet introduz outra dimensão mesclando as esferas pública e privada (MARTINO, 2014). O car- dápio do nosso almoço, por exemplo, antes dizia respeito mais à nossa intimidade, hoje ao postar um foto do seu prato em uma rede social4 isso deixa de ser algo reservado e passa a ser compar- tilhado coletivamente.

Ao longo dos tempos, esse conceito inicial atribuído por Habermas ganhou novas significações a partir de contribuições de vários críticos e do próprio autor que posteriormente acrescentou

4 De acordo com o conceito desenvolvido por Boyd & Ellison (2007 apud RECUERO, 2008) são sistemas que permitem a construção de uma persona através de um perfil ou página pessoal, a interação através de comentários e a exposição pública da rede social de cada ator. Seriam softwares sociais com aplicação direta para a comunicação mediada por computador. A gran- de diferença entre sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a arti- culação das redes sociais, a manutenção dos laços sociais estabelecidos no espaço off-line.

novos elementos à teoria. Martino (2014), com base nos estudos do alemão e de outros autores, propôs um esquema da transfor- mação da Esfera Pública ao longo do tempo desde o conceito clás- sico do século XVIII, passando pela concepção mercadológica e capitalista do século XIX até a Esfera Pública conectada dos sécu- los XX e XXI.

Após algum tempo, o próprio Habermas, tendo sido objeto de muitas críticas e diante de novas reflexões, reviu o conceito de Esfera Pública e sua aplicação em um contexto atual. Aspectos da concepção original de Esfera Pública são relevantes e precisam ser destacados: Esfera Pública burguesa é uma categoria típica de uma época e não pode ser pensada ou deslocada para uma análise que fuja dos contextos da sociedade burguesa. Portanto, Esfera Pública está inicialmente limitada por seu caráter de categoria histórica.

Habermas considera inicialmente que somente portado- res de “opinião pública” têm capacidade de fazer parte de uma Esfera Pública. A ‘burguesia’ é o suporte deste público, caracteri- zado fundamentalmente como o público que lê. A partir de então o surgimento da imprensa, dentre outros acontecimentos, cria- ram as condições ideais para a formação de uma esfera na qual os sujeitos fossem capazes de construir e manifestar uma opinião sobre assuntos de interesse geral (HABERMAS, 2003).

É relevante apontar que esse conceito inicial de Habermas traz algumas características peculiares que são criticadas. A pri- meira delas diz respeito à igualdade dentro da Esfera Pública, como se todos estivessem no mesmo nível de condições no debate, quando diversos fatores condicionam essa equidade. Outro ponto é a ideia de que há apenas uma Esfera Pública, ou seja, apenas um espaço de debates hegemônico, enquanto há quem defenda que há inúmeras esferas. Além disso, critica-se também a ausência de debates dentro das esperas públicas sobre questões privadas que

não façam referência ao bem comum e, por fim, a separação clara entre sociedade civil e Estado para garantir o funcionamento independente da Esfera Pública.

De acordo com o Dicionário Houaiss de Comunicação e

Multimídia, Esfera Pública é o lugar no qual a opinião pública

se articula com o propósito de influenciar decisões sociais. Para Neiva (2013), o argumento usado por Habermas em sua obra mos- tra que, em uma democracia, a esfera pública tem como função mediar as relações entre sociedade civil e Estado.

Ao escrever Mudança estrutural da esfera pública Habermas tinha por propósito oferecer uma alterna- tiva ao ceticismo negativista da escola de Frankfurt. Tal livro distinguia-se de tudo o que fora produzido até então pelos pensadores frankfurtianos a respeito da mídia. Não apenas por sua recusa em postular uma visão amargamente negativa da comunicação de massa, mas também por sua interpretação de base histórica. Habermas reconhece a origem da esfera pública moderna no desenvolvimento europeu da indústria jornalística. O jornalismo independente e produzido em pequena escala na época criou uma nova forma social, onde o indivíduo burguês podia criticar, discutir, questionar e influenciar a autori- dade pública (NEIVA, 2013, p. 187).

Em meio às mudanças que ocorreram ao longo dos tem- pos e propondo-se a oferecer uma teoria que transcendesse a his- tória, Habermas aprimorou seus conceitos, inclusive admitindo que dentro de uma mesma esfera há desigualdades e mecanismos de poder que podem desvirtuar a ideia proposta, e apresentou posteriormente a obra Teoria da ação comunicativa que descreve abstrata e atemporalmente as condições constitutivas do processo

democrático. Escrita na década de 1980, a publicação é conside- rada por muitos como sua obra-prima.