O pensamento enxuto consistiu, e consiste, basicamente na identificação e eliminação ou redução das atividades que não agregam valor ao processo, ou seja, desperdícios (WOMACK e JONES, 2004).
Este pensamento surge de um projeto de pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sobre a indústria automobilística mundial. O estudo revelou que a Toyota havia desenvolvido um novo e superior paradigma de gestão nas principais dimensões dos negócios como manufatura, desenvolvimento de produtos e relacionamento com os clientes e fornecedores.
Womack e Jones (2004), buscando divulgar o conhecimento a respeito deste sistema de produção japonês, definem o Lean Thinking, para isso chegam a cinco princípios lean (Valor; Fluxo de valor; Fluxo contínuo; Produção puxada; Perfeição), esses princípios são utilizados por vários autores em seus estudos (WOMACK e JONES, 2004; LIKER e
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KAISHA, 2004; JOOSTEN et al, 2009; DE SOUZA, 2009; MAZZOCATO et al, 2010; WICKRAMASINGHE et al, 2014).
Embora se tenha o conhecimento dos princípios que balizam esta filosofia, na busca de deslindar o pensamento enxuto, baseando-se nos autores (Womack e Jones, 2004; Poppendieck e Poppendieck, 2007; Hansen and Olsson, 2011) tem-se que o pensamento enxuto, é enxuto porque é uma forma de fazer cada vez mais com cada vez menos; menos esforço humano, menos equipamento, menos tempo e menos espaço; e ao mesmo tempo, aproximar-se cada vez mais de oferecer aos clientes o que eles desejam.
Autores como, Tyagia et al, 2015; Gallardo et al, 2015; Pillon et al, 2015; Hasle 2014; Costa et al, 2014; Thakkar, 2014; Leite e Barros Neto, 2014, desenvolveram estudos com resultados expressivos dentro desta linha da filosofia Lean, como pode ser observado abaixo.
Tyagia et al (2015) propuseram em seu estudo um conjunto de dez ferramentas e métodos enxutos para apoiar a melhoria e a eficiência do processo de criação do conhecimento voltado a definir estruturalmente um processo de criação e práticas no desenvolvimento de produtos.
Com o estudo, concluíram que somente a aplicação das ferramentas não é suficiente para a sustentação e utilização eficaz do conhecimento criado, para isso é necessário que a mentalidade Lean faça parte da cultura da organização.
Gallardo et al (2015) buscaram por meio de seus estudos maior estabilidade e ganhos de produtividade nos processos e fluxo de produção em uma empresa de pré-moldados. Como resultado entenderam que mesmo com a implementação do Lean, se a estabilidade do processo for negligenciada, pode pôr em risco os resultados levando a perdas quanto aos esforços na busca da melhoria continua.
Em suas conclusões salientam a importância da equipe estar engajada para que resultados e ganhos na produtividade possam ser mais concretos.
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Pillon et al (2015) tiveram como objetivo de estudo, aplicar o pensamento enxuto na gestão de processos da Educação a Distância (EaD) de uma Instituição de Ensino Superior.
Em suas conclusões notaram que as ferramentas do pensamento enxuto são de grande importância, de forma especial o mapeamento de fluxo de valor (VSM), por se tratar de uma representação das tarefas, fluxos de informações e material do processo atual, possibilitando assim a avaliação de melhorias futuras. Sendo as informações advindas do VSM juntamente com o mapa de processo institucional, pode-se ter indicações importantes para otimizar os processos e consequentemente buscar a melhor satisfação dos alunos da instituição.
Hasle (2014) em seus estudos procura dar um novo foco a utilização Lean, para ele é um conceito contestado, pois embora existam boas evidências para a linha de produção; quando a atenção é voltada para relação do sistema Lean e o trabalhador os efeitos são adversos.
Para o autor existe uma necessidade de estudos que possibilitem outras analises quanto ao uso das ferramentas Lean, onde estas sejam combinadas com os profissionais em seus respectivos locais de trabalho e que os resultados possam ser mais favoráveis aos funcionários.
Costa et al (2014) apresentam uma compilação e avaliação com base em pesquisas empíricas sobre as métricas mais usadas pelos gerentes de projetos durante a gestão de desenvolvimento de produto, com a abordagem Lean. Ao finalizar o estudo relataram, dentre as contribuições de seu trabalho, a proposta de um novo quadro de categorias para as métricas utilizadas na visão Lean, ou seja, métricas ligadas ao valor e os benefícios das partes interessadas; objetivo do programa e seus requisitos; o produto resultante de processos e pessoas.
Thakkar (2014), apresenta um estudo piloto sobre a sensibilização e a implantação Lean usando dados coletados em 32 indústrias situadas na região ocidental e oriental da Índia.
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O autor tem como conclusão de seu trabalho que cerca de 30% das indústrias estão no estágio mais elevado quanto à consciência e implantação Lean, 20% estão a um nível inferior em ambos os estágios.
Destaca que 80% das indústrias são do setor de manufatura, embora o número seja relevante, quanto as indústrias manufatureiras, ele chama a atenção quanto a necessidade de ampliar os esforços dos industriários para melhorar a implementação Lean em áreas- chave, assim como dar mais atenção aos funcionários.
Dentre as condições mais relevantes, direciona a atenção para à necessidade de melhoria nas escolhas das ferramentas Lean, mais adequadas, assim como a má aplicação de ferramentas estatísticas que visam a análise da melhoria e das incertezas dos processos.
Desta feita, observando os autores citados e suas conclusões, assim como para Pillon et al, (2015) nota-se que o pensamento enxuto tem sido elencado em diferentes âmbitos de atuação como uma notável ferramenta de processo.
Em acordo com a afirmativa de Pillon (2013); França (2013) sustenta que o método Lean é uma cultura de eliminação de perdas e otimização dos sistemas operativos, que nasceu no “chão de fábrica” e está orientada para empresas industriais, onde o desperdício e as ineficiências são facilmente detectados.
Assim, por meio do levantamento feito, pelo autor desta pesquisa em vários trabalhos analisados, foi possível perceber também que o pensamento enxuto é composto por um conjunto de princípios que fundamentam a organização, ou seja, é uma filosofia organizacional da área de gerenciamento de processos.
Autores como Thakkar (2014); e Hasle (2014), vão além da condição do uso do Lean Thinking na linha de produção como foco exclusivo nos processos. Para eles existe uma necessidade latente de estudos onde o Lean também possa ser voltado às pessoas envolvidas na produção.
Neste sentido, vale salientar Gallardo et al (2015) que realçam a “importância da equipe” no processo Lean, assim como Tyagia et al (2015) que se referem à cultura
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organizacional, “a mentalidade Lean deve fazer parte da cultura da organização ou somente as ferramentas, podem não ser suficientes” para se chegar aos resultados esperados.
Outra constatação feita pelo autor da tese são divergências entre os precursores e os pesquisadores contemporâneos, ao longo da evolução Lean.
Precursores como Charles Allen (1940), Eiiji Toyoda e Taiichi Ohno (1950), Theodore Levitt (1972), Jonh Kraficik (1988), e James W. Womack e Daniel T. Jones (1990) tinham seus focos voltados as melhorias ligadas ao produto e/ou a linha de produção. Até mesmo sob a ótica de Theodore Levitt (1972), que buscou adaptar o Lean às áreas administrativas, seu objetivo era melhorar a produção.
Esta visão voltada somente as melhorias ligadas ao produto, e/ou a linha de produção, começariam a sofrer alterações com Lauri Koskela (1992) e D. Tapping e T. Shuker (2003), tornando-se mais latente nos estudos e observações feitas pelos pesquisadores contemporâneos citados neste item.
Ao cotejar suas pesquisas é possível notar que em seus estudos é manifestado a importância das pessoas no contexto Lean. A preocupação deve existir com a linha de produção, mas também com a mão de obra responsável por ela.
Embora exista divergência entre os autores contemporâneos e precursores quanto a utilização Lean é possível notar a convergência deles, quanto ao âmago desta filosofia estar ligado a busca de melhorias.
Contemporâneos como Pillon (2015), relata que é comum encontrar organizações dos mais variados ramos, que têm aplicado os princípios do pensamento enxuto. A escolha por esta abordagem justifica-se pelo fato da mesma ser considerada notável para a identificação do valor e eliminação de desperdícios, aumentando a capacidade de concorrência das organizações que a adotam.
Freitas et al (2014) chamam atenção dizendo que técnicas desenvolvidas previamente em outros setores vêm sendo adaptadas. Dentre estas, o conceito do Lean Thinking, considerado um novo paradigma, não só de produção, mas de negócio, envolve
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também desenvolvimento de produto, relação com fornecedores, estratégia de venda e gestão de pessoas.
Diante de todas as inferências neste tópico, fica clara a importância do Lean Thinking para a melhoria dos setores produtivos, assim como fica claro a sua pouca utilização nos setores administrativos, ou seja, o Lean aplicado às empresas com o foco também nos recursos humanos.
Isso não significa o rebaixamento de seu uso na produção, mas sim que haja um complemento entre linha de produção e a mão de obra, seja ela na produção ou administração.
Ocorrendo esta fusão entre produção e recursos humanos o ciclo seria fechado de forma consciente, podendo atender não só a linha de produção, o “chão de fábrica”, mas também os setores administrativos, sobretudo as pessoas que fazem parte da geração do produto no âmbito das empresas ou no setor público.
Esta possibilidade de fechar o ciclo, e ter os setores da produção e da administração contemplados, é algo proposto neste estudo. Mas além de estudos e pesquisas outro fator de extrema importância neste contexto, inclusive abordado por Akabane e Sinkunas (2014), é a capacidade dos líderes das empresas neste processo.
Para os autores, o verdadeiro sucesso em longo prazo, depende da capacidade dos líderes das empresas, em apoiar a construção de uma organização de aprendizagem; a não utilização do potencial humano é referida como um dos principais desperdícios a serem eliminados.
Os autores, em comento, continuam dizendo que o Sistema de Produção Lean, é caracterizado por uma extrema dependência das pessoas, sejam elas do nível gerencial ou operacional, pois são elas que como hábeis pensadoras e solucionadoras de problemas, garantem o desempenho do sistema de melhorias e o crescimento sustentável da empresa. A sustentação do sistema de produção enxuta requer uma mudança organizacional para cooperação diária entre trabalhadores e líderes, ou seja, é a racionalização do processo global tomando as decisões corretas na hora certa, com o mínimo de consequências ou
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interferências nas decisões futuras; é reduzir o desperdício e aumentar o valor para os diferentes atores do processo; é entender o valor e identificar quais atividades e recursos são absolutamente necessários para criar esse valor.
O pensamento enxuto é uma forma de especificar esse valor, alinhar na melhor sequencia as ações que criam valor, realizar estas atividades sem interrupção toda vez que alguém as solicita, e realizá-las da melhor forma; cada vez mais eficaz (WOMACK e JONES, 2004).
Constata-se que o pensamento enxuto é um conjunto de princípios que fundamentam a organização, ou seja, é uma filosofia organizacional, que tem como principal objetivo combater e evitar o desperdício.
E é baseando-se nos princípios que compõem o Lean Thinking que o autor deste trabalho busca a melhoria dos processos e soluções para eliminar os desperdícios dos recursos nas licitações de obras públicas em suas fases preliminares. Desta feita, os princípios do Lean Thinking saem do ambiente industrializado, onde tem sua origem, e passam a ser aplicados nos processos licitatórios de obras públicas.