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2.1 Bertholletia excelsa Bonpl., Pl. Aequinoct. 1: 122-127, t 36. 1808. Fig. 3a-h

Árvores 12-45 m alt.; tronco cilíndrico, sem sapopemas, base cilíndrica; casca externa

acinzentada, fissurada, sem lenticelas; casca interna amarela. Folhas 12-33,5 x 8-14 cm, oblongas a levemente obovadas; glabras ou pubescentes na nervura principal da face adaxial; tricomas simples; com papilas na face abaxial; sem pontuações; cartáceas a coriáceas; discolores ápice arredondado a cuspidado; margem inteira a crenulada, ondulada; base arredondada, levemente decurrente próxima ao pecíolo; nervação broquidódroma; nervura principal impressa na porção basal e plana a proeminente na porção apical na face adaxial, saliente na face abaxial; nervuras secundárias 19–29 pares, proeminentes na face adaxial, salientes na face abaxial; nervuras terciárias reticuladas; com estrias longitudinais; pecíolo 17-36 mm compr., caniculado e alado, glabro a pubescente. Panículas espiciformes com 1 ordem de ramificação, terminais, 7- 23 cm compr.; raque angulosa, não lenticelada, pubescente. Flores zigomorfas, 3-3,5 cm de diâmetro; pedicelo 1-2 mm compr., pubescente; sépalas 2, 6,5-10,5 x 9-10,5 mm, largo-ovadas, gibosas, mucronadas, rígidas, fusionadas, valvares, pubescentes, verdes; pétalas 6, 22-33 x 12-14 mm, oblongo-ovadas, glabras, creme-amareladas; androceu com capuz ligeiramente espessado no ápice, não espiralado, com estames vestigiais amarelo-escuros voltados para dentro, 17-25 x 22-25 mm, glabro, porção basal creme, porção apical amarelo-escuro; lígula lilás no interior; anel estaminal simétrico; estames 106-116; filetes 3-5 mm compr., em forma de taco de golfe, cremes; anteras rimosas, amarelo-escuras a alaranjadas; ovário 4-5-locular; óvulos 6-8 por lóculo; cúpula do ovário glabra; estilete 4 mm compr., geniculado. Pixídios ca. 11 cm diâm., globosos; funcionalmente indeiscentes devido à abertura opercular ser muito menor do que as

49 sementes; pericarpo ca. 15 mm espessura, lenhoso, não costado, crustáceo; anel calicinal inconspícuo; opérculo com columela, mas ambos contidos dentro do fruto.

Sementes 3,5-4 x 2-3 cm, ovoides a fusiformes, triangulares em seção transversal, não

ariladas; testa 2-3 mm espessura, lenhosa, rugosa.

Distribuição geográfica e ecologia: florestas não inundadas da região amazônica na

Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela, Trindade e Tobago, e em áreas cultivadas fora de seu hábitat natural (Mori et al., 2010). No Brasil ocorre nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima (Smith et al. 2015). Na região de estudo foi encontrada em áreas de floresta de terra firme e em ambientes antropizados.

Material examinado: BRASIL. RONDÔNIA: Porto Velho, BR-364, sentido Acre,

“barraca do irmão”, 02.XI.2014, fl., F.S. Catenacci 58 (CEN, INPA); Porto Velho, margem esquerda do Rio Madeira, área da pedreira, 16.VII.2010, fr., G. Pereira-Silva 15638 (CEN); Basin of Rio Madeira, trail from Fortaleza, Rio Abunã 20 km above mouth to São Sebastião Mines, 15.XI.1968, fr., G.T. Prance 8467 (INPA).

Material adicional: BRASIL. AMAZONAS: Canutama, Km 59, BR-319, linha 2, lote

61, 25.VI.2010, fr., R.P. Esquerdo 1 (RON).

Bertholletia excelsa é a única espécie do gênero Bertholletia. Conhecida como “castanha do Brasil”, “castanha do Pará”, suas sementes são um recurso alimentar muito apreciado e comercializado pelas populações amazônicas. É muito cultivada nas áreas periurbanas e nas fazendas na área de estudo. É uma árvore de dossel a emergente,

50 facilmente reconhecida por seu tronco cilíndrico, casca externa cinza e profundamente fissurada (Fig. 3a), folhas grandes e oblongas com a face abaxial esbranquiçada devido à presença de papilas (Fig. 3b, h), presença de apenas 2 sépalas (Fig. 3g), flores grandes, creme amareladas e com as pétalas bem adjuntas ao capuz (Fig. 3c), capuz com estames vestigiais voltados para dentro sem formar espiral (Fig. 3d), estames em forma de taco de golf (Fig. 3e), ovário 4-locular (Fig. 3f), cúpula do ovário truncada com estilete muito longo e geniculado (Fig. 3g) e por seus grandes frutos globosos (chamados popularmente de “ouriço”) com sementes marcadamente triangulares e de testa muito lenhosa.

Os frutos desta espécie são os únicos pixídios que se desprendem das árvores com as sementes em seu interior (devido à abertura opercular ser muito menor que suas sementes). Espécies de cutia, Dasyprocta spp., são os principais agentes dispersores da espécie (Haugaasen et al. 2010).

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Figura 3 – Bertholletia excelsa Bonpl. a. casca externa e interna. b. folhas e inflorescência. c. flor. d. capuz em corte longitudinal. e. estames. f. ovário 4-locular. g. fruto muito jovem, nota-se o hipanto e cúpula truncados, as 2 sépalas e o estilete longo e geniculado. h. detalhe da face abaxial foliar evidenciando papilas. (a-h F.S. Catenacci 58. Fotos: de F. S. Catenacci).

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3. Cariniana Casar., Nov. Stirp. Bras. 4: 35-36. 1842. Figs. 4-6

Arvoretas a árvores 4,5-45 m alt., tronco cilíndrico, com ou sem sapopemas. Folhas 5-

13,5 x 3-7 cm, ovadas a elípticas, glabras ou pubescentes; tricomas simples; com domácias na axila da nervura secundária, sem pontuações na face abaxial foliar; nervação broquidódroma ou eucamptódroma na região basal e broquidódroma no restante da lâmina; nervuras secundárias14-32 pares; nervuras terciárias percurrentes, mistas, perpendiculares; nervuras de ordens menores reticuladas. Inflorescências paniculadas, espiciformes, com 1 a 2 ordens de ramificação, terminais ou axilares; raque lenticelada, pubescente. Flores não marcadamente zigomorfas, subsésseis; sépalas 6; pétalas 6, membranáceas, oblíquas a retroflexas; androceu com tubo estaminal expandido em apenas um dos lados, sem capuz, membranáceo; estames 50-105, dispostos na margem e sobre a superfície interna do tubo; filetes unidimensionais; anteras rimosas; ovário 3-locular; óvulos 5-10 por lóculo; cúpula do ovário pubescente; estilete ereto, com anel estilar. Pixídios obcônicos a piriformes; pericarpo coriáceo a lenhoso, lenticelado, com ou sem costas longitudinais; anel calicinal inserido próximo à abertura opercular; cálice caduco no fruto maduro; opérculo com superfície plana, sem umbo; columela triangular. Sementes aladas, marrons; núcleo seminífero basal, em forma de gota, semicirculares em seção transversal; testa lenhosa, rugosa; ala unilateral, membranácea, translúcida.

Distribuição geográfica e ecologia: florestas não inundáveis e áreas savânicas na

Bolívia, Brasil, Colômbia, Paraguai e Peru. No Brasil ocorre na região amazônica, no cerrado e na Mata Atlântica (Mori et al. 2010).