Considerando o tipo de material de infra-estrutura, a mesma ordem de valores de resistência foi observada para as barras monolíticas e para as PPFs, sendo que o sistema YZ apresentou o melhor desempenho. Alguns estudos também observaram valores de carga de fratura superiores para PPFs confeccionadas com infra-estrutura de YZ em comparação a outros sistemas cerâmicos (Tinschert et al., 2001; Luthy et al., 2005; Wolfart et al., 2007; Beuer et al., 2008). Tinschert et al. (2001) avaliaram a carga de fratura de PPFs totalmente cerâmicas e encontraram melhores resultados quando a YZ foi utilizada como material de infra-estrutura. Neste estudo, o sistema IZ e uma cerâmica à base de dissilicato de lítio (IPS Empress II) obtiveram valores de carga de fratura intermediários. Os menores valores de carga de fratura (abaixo de 1000 N) foram encontrados para a In-Ceram Alumina e uma cerâmica vítrea à base de leucita (IPS Empress). Outro estudo com PPFs de quatro elementos mostrou um valor médio de carga de fratura para infra- estruturas de YZ 1,5 vezes maior (706 N) do que o valor obtido pelas infra-estruturas de IZ (470 N) e 2,7 vezes maior do que as infra-estruturas à base de dissilicato de lítio (260 N). Segundo esse estudo, a probabilidade de fratura das PPFs de dissilicato de lítio, IZ e YZ, quando submetidas a uma carga de 500N, é 100%, 53% e 5%, respectivamente (Luthy et al., 2005).
Os valores médios de carga de fratura do grupo YZ16 foram superiores aos do grupo YZ9, indicando que o tamanho de conector tem influência no desempenho mecânico das PPFs. Esses resultados estão de acordo com a literatura, que reporta um aumento da resistência à fratura das PPFs com o aumento do tamanho e do raio de curvatura do conector (Oh; Anusavice, 2002; Larsson et al., 2007; Plengsombut et al., 2009). Quando o tamanho do conector é aumentado, as tensões são distribuídas em uma área maior. Além disso, existe uma alteração da geometria da PPF, sendo que o ângulo das ameias também é maior, diminuindo a concentração de tensões nessa área. Esses fatores influenciam diretamente nos valores de resistência à
fratura. A carga de fratura de PPFs totalmente cerâmicas com diferentes tamanhos de conector foi avaliada após ciclagem térmica e mecânica com carga entre 30 N e 300 N durante 104 ciclos e freqüência de 1 Hz. Os valores de carga de fratura foram diretamente proporcionais ao tamanho do conector. Exceto para os grupos com diâmetro de conector igual a 2,0 mm e 2,5 mm em que todas as fraturas ocorreram durante a ciclagem mecânica (Larsson et al., 2007).
Entretanto, Wolfart et al. (2007) observaram uma influência do tamanho do conector para infra-estruturas à base de dissilicato de lítio mas não para infra- estruturas de YZ. Esses resultados foram observados porque o lascamento da porcelana foi considerado um tipo de fratura. Portanto, para PPFs construídas com um material com alto valor de tenacidade como a YZ, ocorre fratura da porcelana antes da infra-estrutura, ou seja, a porcelana controla o mecanismo de falha. Nesses casos, o tamanho do conector não afeta de maneira significativa o modo de falha. No presente estudo, foi evidenciada a influência do tamanho do conector porque a carga de fratura registrada corresponde à fratura total da PPF, não ao lascamento, apesar disso ter ocorrido em PPFs de todos os grupos.
Os estudos clínicos relatam uma maior taxa de lascamento da porcelana de recobrimento das PPFs em comparação à taxa de fratura da infra-estrutura (Della Bona; Kelly, 2008), concordando parcialmente com os resultados do presente estudo. Porém, é possível realizar o reparo dos pequenos lascamentos sem a necessidade de remoção da prótese (Scherrer et al., 2007). Portanto, esse tipo de fratura pode ser caracterizado como uma falha parcial da restauração. A falha de infra-estrutura é mais crítica, pois resulta na remoção e substituição da PPF. O ideal seria obter, no ensaio laboratorial, o valor de carga de fratura das duas camadas que compõem a PPF, infra-estrutura e porcelana. No entanto, não foi possível detectar esses dois picos de carga de fratura através da metodologia de ensaio utilizada no presente estudo.
Não houve diferença nos valores médios de carga de fratura entre as PPFs de YZ com conector de 9 mm2 (YZ9) e as PPFs com conector de 16 mm2 confeccionadas com os outros materiais de infra-estrutura (IZ16 e AL16). Esses resultados estão de acordo com as indicações do fabricante, que levando em consideração as propriedades mecânicas dos sistemas cerâmicos, recomenda para PPFs posteriores (distância entre os pilares de 10 mm) um conector maior (16 mm2) para infra-estruturas de IZ do que para infra-estruturas de YZ (9 mm2). A cerâmica
AL só é recomendada para confecção de PPFs anteriores, porém obteve valores de carga de fratura semelhantes à cerâmica IZ. Levando em conta as dificuldades clínicas da confecção de PPFs com conector muito grande, o sistema YZ seria mais apropriado para esse tipo de restauração, já que é possível obter as mesmas propriedades mecânicas dos outros sistemas cerâmicos utilizando um tamanho de conector menor.
Studart et al. (2007) avaliaram o comportamento de crescimento subcrítico de trincas de estruturas em camadas com o objetivo de estabelecer um protocolo seguro de confecção de PPFs totalmente cerâmicas. Foi estimado um diâmetro mínimo de conector para reduzir as tensões na superfície da camada de porcelana. Para porcelana feldspática combinada com infra-estrutura de YZ ou IZ, a probabilidade de falha da camada de porcelana é pequena para PPFs de três elementos quando utilizado um diâmetro de conector igual ou maior do que 4 mm. Segundo os autores, a confecção de PPFs com um diâmetro maior do que o valor mínimo recomendado pode garantir que o risco de fratura da porcelana por SCG seja menor do que 5% dentro de um período de 20 anos. No caso de PPFs com mais de três elementos, a dimensão de conector preconizada (6 a 7 mm de diâmetro) é maior do que o tamanho clinicamente aceitável. Portanto, para PPFs muito extensas é provável que ocorra falha da porcelana em um período inferior a 20 anos.