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5 Jobbmestrende oppfølging i Østfold

5.8 Deltakere

A partir do momento em que se opta por aplicar esta medida de promoção e proteção, todos os momentos são importantes para as crianças ou jovens. Trata-se de uma rutura drástica com a sua família, com os seus amigos, a sua escola e por vezes até com a comunidade envolvente. O momento em que a criança ou jovem é conduzida para uma Instituição de acolhimento será certamente um momento de grande angústia e ansiedade. Este vai para um espaço novo, vai conhecer pessoas novas, novos amigos, ou seja, tudo é uma novidade para esta criança ou jovem que está a atravessar um momento de mudança na sua vida. Por conseguinte é fundamental para a criança ou jovem estar acompanhada

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pelas pessoas de referências próximas, como por exemplo os progenitores. O entrevistado B- e1 explicou que, quando as crianças ou jovens chegam acompanhadas à Instituição por pessoas próximas sentem que a ansiedade diminui consideravelmente:

Agora costumam vir sempre acompanhados dos técnicos, pelo menos pelo técnico que encaminha, mas também já não são raras as vezes que os jovens chegam até nos acompanhados pelos pais, isso é muito, muito importante […]. O jovem tem um pai e uma mãe, ou promotores, família alargada, ou pessoas de referência próximas e num momento de divisão, quer dizer, em que ele sai da casa onde estaria habituado a estar e passa a residir numa outra, é um momento muito complexo, e de facto quando o jovem chega até nós e já vem acompanhados pelos pais, técnicos, ou seja pessoas de referência, sentimos que a própria ansiedade do miúdo é mais diminuta, cada vez mais isso começa a acontecer, ainda não são as suficientes […]. (B-e1).

Pela G.N.R. nunca aconteceu comigo, acontecia acho eu, anos atrás, era a G.N.R que ia busca-los à escola ou a casa, era assim mais violenta a retirada das crianças, nesta fase eu nunca apanhei nenhum caso desses, as crianças são chegadas pelas próprias técnicas que acompanham os processos quer nas EMAT quer nas CPCJ, e também pelas famílias, tivemos um caso de um jovem que foi acolhido por uma família de adoção, e foi a própria família que o trouxe […]. (A-e5)

Partindo da referência do último entrevistado supracitado, com a realização destas entrevistas constatei que o momento em que as crianças ou jovens chegam às instituições tem sofrido profundas alterações. Vários entrevistados referiram que no passado os jovens eram acompanhados pelas autoridades policiais, sem qualquer acompanhamento por parte dos Técnicos que encaminharam:

Estou a falar dos técnicos das CPCJ e das EMAT, nem sempre isso aconteceu no passado, já vi muitas situações de jovens que foram conduzidos até cá pelas autoridades, sozinhos, só com um saco da roupa, quando traziam o saco da roupa, mas felizmente essas situações já não se verificam há algum tempo e ainda bem, porque realmente se é um momento angustiante para todos os jovens que chegam até cá, quer dizer chegarem cá sozinhos é o pior. (B-e1)

Os primeiros meninos que nós recebemos ficou claro que nunca mais acolhíamos nenhum assim, naquela altura fomos contactadas que iam colocar cá, mandaram-nos uma carta que vinha no dia x, e veio a policia trazer, e eu recordo dois irmãos de ombros caídos, assustadíssimos, os miúdos ali, e a minha questão era “o que é que lhes vou dizer agora”; pronto, e achei que aquilo era muito bruto, acompanhado pela policia, tão pesado, esses dois irmão, um deles conta que ficou

52 muito admirado porque a casa não tinha grades nas janelas, ele disse-me isso, ele

achava que ia preso, porque a polícia foi buscá-lo, […]. Houve um outro que me trazia a mão fechada, trazia relva ainda, porque a policia agarrou nele à força e ele atirou-se para o chão porque não queria ir e trazia relva de se atirar ao chão, e o miúdo tem marcado esse dia, ele diz-me mesmo, agora brinca, já passou, mas demorou, foi um trauma esse dia, e o rapaz agora já brinca com a situação e felizmente já ultrapassou, agora disse-me assim, “foram precisos dois capangas, dois, para um puto de 9 anos”. (A-e6)

Na opinião deste entrevistado (A-e6) as retiradas de crianças com recurso às autoridades policiais devem ser evitadas ao máximo:

Eu sugiro sempre, eu vou aí busca-lo, a não ser que sejam retirados na presença dos pais, depois os pais começam aos gritos, pronto e às vezes é mesmo preciso a presença da G.N.R […] eu só reconheço a necessidade imagine que sabemos que os pais vão ser violentos, se não, não é preciso.

Este Técnico considera que é importante, no momento em que se vai transmitir à criança ou jovem que vai ser acolhido, possuir informação particular e especifica sobre os gostos e preferências do mesmo, para que seja possível criar um ambiente afável, permitindo assim a construção de uma relação empática entre o Técnico e a criança ou jovem. Contudo segundo a sua experiência considera que os Técnicos que encaminham as crianças e jovens para o acolhimento institucional desconheçam esses fatos, conforme se pode compreender no relato seguinte:

É assim pode-se tentar primeiro, levar um desenho, levar uma bola, levar um livro, é o que eu digo, o que é que a menina gosta de comer?, “ah nunca ninguém me perguntou isso”, ela gostava de ter algum presente?, não faço ideia, quem é a menina que vem para cá?, só sabem que é a menina filha de não sei quem, que a mãe não sei quê, que a miúda se queixa disto e daquilo, e pronto, mas gosta de chiclas?, gosta de chocolates?, oh pa sei lá, gosta do Star Wars, é fã do Justin Bieber, pronto por aí, também para levarmos um assunto, para não chegarmos mesmo ali a matar, e tentar de outra forma, acho que é preciso saber cativar. (A-e6)

Na opinião deste Técnico, os Técnicos das EMAT ou das CPCJ conhecem a história de família da criança ou jovem que despoletou este encaminhamento, mas sobre a criança ou jovem especificamente sabem muito pouco. Verbalizou mesmo que tem a sensação que informações mais particulares e individualizadas das crianças ou jovem, não têm lugar nos relatórios Sociais.

53 A última menina que nós acolhemos foi muito recentemente, não foi

possível ir lá a casa, falar com ela, não foi possível, porque mandaram-me o e-mail de manhã e queriam pô-la no fim da manhã-inicio da tarde, não nos deu grande espaço de manobra e mesmo assim nós fizemos questão de ligar, foi engraçado porque eu acho que isto nos processos não cabe, que é “olhe o que é que a menina gosta?”. Toda a gente sabe o que é que a mãe fez, o pai, o que é que aconteceu naquela noite, se fugiu, se não fugiu, se foi tarde (…), mas quando a gente pergunta mas o que é que ela gosta, normalmente não sabem, “ah nunca me colocaram essa questão”, por acaso foi a resposta que me deram no último acolhimento, “ah por caso nunca colocamos essa questão” […]. (A-e6)