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DELSPØRSMÅL 2: Har alderen til besøksvennene betydning for hva som er

Este é um estudo sobre Fortaleza feito sob o princípio do desenvolvimento sustentável, o ideário proposto pelo documento da ONU Nosso Futuro Comum, mais conhecido como Relatório Brundtland (COMISSÃO MUNDIAL..., 1991), assumido pela 2ª Conferência Mundial sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro (Rio 92).

A história de Fortaleza mostra que, de sua formação até hoje, os requerimentos externos ditam seus passos, como aqui se explicita. A cidade foi fundada pelos holandeses, embora ―tal fato pareça-nos sem maior importância‖, conforme o arquiteto Liberal de Castro, para quem aquele povo não tinha a intenção de aqui se instalar em definitivo. Por essa razão, eles se conformaram em instalações precárias em Vila Velha, hoje Barra do Ceará, e no forte Schoneborch nas margens do riacho Pajeú. (CASTRO 1977, p. 20).

Nas imediações do atual centro da cidade, Pero Coelho de Souza erguera, em 1603, o Fortim de São Tiago. Nove anos depois, Martim Soares Moreno erigiu o Forte de São Sebastião, próximo ao rio Ceará. Dessas duas edificações não

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Canção ―Mucuripe‖, composta por Raimundo Fagner. Disponível em

<http://www.cifraclub.com.br/fagner/mucuripe/>. Acesso em 11.07.11. 23 José de Alencar, romance Iracema.

restaram registros arquitetônicos. Com o domínio de todo o Nordeste pelo reino da Holanda, aqui aporta Matias Beck que constrói o Forte Schoneborch (1649). Ao retomarem o poder, os portugueses deram-lhe por nome Forte N. Sra. da Assunção. Hoje, reformado, o prédio sedia a 10ª Região Militar. (BEZERRA, 2009; Foto 4).

A cidade teve, portanto, a sua origem vinculada à necessidade de proteção do território, na perspectiva do interesse colonial português ou holandês. Essa sua função confere-lhe pouca importância nos primeiros séculos, quando disputa a primazia com Aracati e Aquiraz. Esta última foi elevada a Vila em 1699, enquanto Fortaleza só ascenderia a esse status em 1726. Longe da orla e sem um porto, Aquiraz sofreu derrota na disputa. Escolhido o porto de Fortaleza para o escoamento da produção, Aracati, que também competia, igualmente perdeu importância.

Foto 10 – A cidade perdeu a nascente do Riacho Pajeú para a urbanização

Fonte: Tomada pelo autor, na pesquisa de campo.

Nota: O Riacho Pajeú (canalisado entre a piscina e o estacionamento) teve sua nascente sufocada,

Fortaleza nasceu e se expandiu inicialmente às margens do Riacho Pajeú (Fotos 4 e 10), com o formato de meia lua voltada para o mar, como a maioria das cidades coloniais da América Latina, por necessidade de defesa. (SOUZA, 2011). O Centro, na foz do riacho Pajeú, é ponto de origem das vias que conduzem para o interior, conforme o trabalho de Costa (1998), no qual o breve relato que aqui se faz está fundamentado. O povoamento da cidade ocorre, de início, ao longo desses caminhos, perceptíveis até hoje, e que mantêm o caráter radial de seu sistema viário: caminho do Mucuripe e da Precabura, de Aquiraz, de Messejana, de Aronches (Parangaba), de Soure (Caucaia) e de Jacarecanga.

Mediante clara influência da Europa, Fortaleza abandona seu traçado ecológico de crescimento respeitando as margens dos riachos e lagoas, para seguir o modelo quadrangular adotado no Velho Mundo, por estratégia dos donos das terras das cidades que se expandiam, no alvor da revolução industrial. (MUNFORD, 1961).

Na trajetória de mera fortificação até destino turístico (inter)nacional, Fortaleza vê sua população crescer em decorrência das invasões, ora por flagelados das secas, ora por desabrigados das chuvas. A mais traumática talvez tenha sido aquela decorrente da seca de 1877, quando a cidade saltou de 25.000 para 114.000 habitantes (SAMPAIO, et. al., 2009) e ainda foi açoitada por uma epidemia de varíola, tragédia narrada por Rodolfo Teófilo em ―A Fome‖. (TEÓFILO, 1979). Também as cheias deslocaram vagas de migrantes do interior para a Capital, em sucessivas ocasiões.

Além dos fenômenos climáticos, fatores antrópicos contribuíram para a ocupação desordenada da cidade, sempre sob a égide do capital. Um fator de expulsão foi a capitalização e a quimificação da agricultura em todo o Brasil, causa da metropolização da maioria das capitais brasileiras no século XX, Fortaleza incluída. Dessa história restam marcas consolidadas na ocupação dos espaços de Fortaleza – visivelmente dividida com o leste para as classes média e alta, e o oeste destinado à classe empobrecida ou ao proletariado. Em toda a periferia, favelas assemelham-se a campos de refugiados.

Durante quase dois séculos Fortaleza permaneceu como cidade meramente administrativa, militar, com a função primordial de defesa do território, uma capital sem economia. Conforme a divisão da História do Brasil proposta por

Oliveira (2008 apud OLIVEIRA, 2011), foi a fase de isolamento relativo24. Cidades do interior tinham posições mais importantes, dada a característica da ocupação do sertão cearense, subordinada à criação de gado, quando Aracati e Icó abasteciam os mercados da zona canavieira.

Russas, Limoeiro do Norte e Morada Nova despontaram como polos regionais, floresceram e se consolidaram, notadamente, no ciclo do algodão, matéria-prima requerida pela revolução industrial. O mesmo ocorreu com Sobral e Camocim, ligadas por via férrea, constituindo a sub-região norte. Fortaleza exportava algodão, via Recife, para a Europa, que experimentava a revolução industrial, como também para os Estados Unidos, por causa da Guerra da Independência (1776).

Quando o Ceará se separou de Pernambuco (1799), cresceu a importância do porto da Capital, pois na época o Brasil fornecia 10% do algodão que a Inglaterra importava de todo o mundo. (CISIAS, 2009). Fortaleza recebeu as primeiras Casas de Inspeção de Algodão (1802). A estrada de ferro Baturité- Fortaleza, inaugurada em 1876, catalisava a produção do centro da província para a capital e desbancava Aracati. A capital consolidou sua hegemonia com a instalação das ferrovias Cariri-Fortaleza (1926) e Sobral-Fortaleza, em 1934 (COSTA, 1988), além da Rodovia Transnordestina, hoje BR 116.

A abertura de seu porto para o mundo e as mudanças ocorridas na segunda metade do século XIX têm efeito também na cultura local. Paris passa a educar os filhos da elite. De lá eles trazem influências que vão se corporificar na literatura e em outras artes, com a Padaria Espiritual, e na urbanização de Fortaleza. No Velho Mundo, ―o movimento do capital se especializara em multiplicar-se tirando proveito do processo de urbanização decorrente da revolução industrial que buscava mão de obra no campo‖. (MUNFORD, 1961, p. 571). Aqui, Antônio José Silva Paulet, a convite do governador da província, Cel. Manuel Inácio de Sampaio (1812- 1820), fez o primeiro plano urbanístico da cidade. Neste, abandonou a tendência de crescimento ao longo do riacho Pajeú e adotou o estilo quadrangular, de inspiração europeia.

Mais tarde, em 1875, tomando como modelo a planta de Paris, Adolfo Herbster estabeleceu como limites do Centro da cidade o Boulevard da Consolação

24 Fase que consolida o complexo econômico nordestino, com segmentos exportadores aliados ao mercado interno, representado especialmente pela pecuária e as atividades de subsistência.

(atual Avenida D. Manoel), Boulevard Duque de Caxias e Boulevard do Imperador. (COSTA, 1988). Limites estes prevalecentes por cerca de 100 anos25, após o que começou um processo de que resultou a atual cidade multipolar, com o parcial abandono do Centro. Observando agora a planta da cidade, nota-se que, em suas linhas gerais, sua expansão seguiu o plano urbanístico de Silva Paulet. Cumpre fazer rápida resenha dessa expansão.