Finite Types and Symmetric Monoidal Structures
5.2 Deloopings of Symmetric Groups
A formação dos solos tropicais na Amazônia (que engloba basicamente todo o norte do Brasil, mais o norte do estado do Mato Grosso e o oeste do Maranhão), apresenta algumas peculiaridades genéticas que a distingue das demais ocorrências deste tipo de solo.
Um abrangente estudo das formações lateríticas na Amazônia foi feito por Costa (1991), tendo ele generalizado a denominação para “lateritos”. Os estudos
importância de aprofundamento dos estudos, tendo em vista o grande potencial de aplicação econômica do material.
Outro estudo conduzido por Vertamatti (1988) investiga mais profundamente as propriedades geotécnicas dos solos amazônicos, destacando a diferenciação destes solos em detrimento de outras ocorrências em território nacional e enfocando a necessidade de buscar melhor entendimento das características geotécnicas dos solos desta região. Após tais estudos Vertamatti (1988) sugeriu um ábaco modificado para classificação MCT, que ele denominou de MCT-M, conforme será detalhado mais adiante, e que se propõe a ser mais abrangente que o ábaco original visando o universo de solos tropicais.
Vertamatti (1988) cita o trabalho desenvolvido no início do século XX na construção de ferrovias na região amazônica como a Estrada de Ferro de Bragança (EFB), a Estrada de Ferro do Tocantins (EFT) e a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), destacando o fato de que tais projetos utilizaram solos aluviais e residuais nos aterros, mas nada se registrou sobre problemas geotécnicos decorrentes da construção de tais empreendimentos, não se podendo afirmar se em tais projetos foram empregados solos lateríticos para a construção das respectivas vias férreas.
Destaca-se ainda que por volta de 1950, a Estrada de Ferro Serra do Navio- Porto de Santana no Amapá de propriedade da mineradora Icomi, teve seu lastro construído com a utilização de concreções lateríticas lavadas, porém sem maiores estudos visando tal aplicação (VERTAMATTI, 1988).
O professor Jacques de Medina, da COPPE/UFRJ, em 1961, após ter vivenciado uma experiência com a construção das rodovias BR-22 no Pará e BR-21 no Maranhão, já alertava para a necessidade de maior alocação de recursos para se obter o domínio brasileiro sobre o tema, relatando inclusive sugestões de revisão nas normas vigentes e casos similares na BR-316 no Pará (MEDINA, 1961).
Guimarães (2009) destaca que os “lateritos” amazônicos, são materiais ricos em Fe e Al e pobres em Si, K e Mg se comparados à sua rocha matter, tendo uma coloração variando entre vermelho, violeta amarelo, marrom, e até branca. Sua composição mineralógica envolve: óxidos e hidróxidos de Ferro (goethita e hematita),
óxidos e hidróxidos de Alumínio (gibbsita), óxidos e hidróxidos de Titânio (anatásio), óxidos e hidróxidos de Manganês (litiofirita e todorokita) e argilominerais.
As chamadas lateritas para pavimentação, denominadas na região amazônica de “piçarras”, constituem o horizonte concrecionário das lateritas imaturas. Daí a importância do conhecimento de seu perfil de ocorrência. Por outro lado, as lateritas maturas estão associadas a depósitos minerais de elevado valor econômico (principalmente de bauxitas lateríticas), fato que explica os extensos estudos realizados sobre estas ocorrências (GUIMARÃES, 2009).
A figura 2.9, representa o perfil típico de lateritas imaturas autóctones da Amazônia, onde se observam três horizontes característicos: horizonte ferruginoso (petroplintito), horizonte argiloso e horizonte pálido ou transicional. Segundo Costa (1991):
a) Horizonte Ferruginoso (petroplintito): Ocorrendo na parte superior do perfil e exibindo pelo menos uma das seguintes características: i) Nódulos, concreções, esferólitos e fragmentos compostos de óxi-hidróxidos de ferro em matriz argilosa e terrosa; ii) Uma crosta composta pelos elementos acima, cimentados por filmes microcristalinos ou por cimento microcristalino gibsito- caulinítico; iii) Uma crosta formada de óxi-hidróxidos de ferro entrelaçando porções argilosas amareladas; e iv) A cor predominante do horizonte ferruginoso é a marrom-avermelhada, onde a matriz/cimento, se presente, é branca- amarelada ou cinza.
Nódulos, concreções, esferólitos e plasmas são as estruturas dominantes, seguidas por colunas, canais em forma de raízes e vermes, entre outras, e aquelas resultantes de lixiviação, como as cavernosas, esponjosas e porosas (GUIMARÃES, 2009).
b) Horizonte Argiloso: Ocorre imediatamente abaixo do ferruginoso, em contato quase abrupto. É composto principalmente de argilominerais, apresentando as seguintes feições, estritamente relacionadas com a natureza da rocha matter: i) Zona mosqueada/amarelada (plintito) que constitui a feição mais característica do horizonte argiloso, quando derivado de rochas ígneas ácidas e
intermediárias e de sedimentares. Trata-se de um horizonte de arguas intempéricas manchadas irregularmente de vermelho e violeta. Na parte superior do horizonte argiloso as manchas se transformam em nódulos ou colunas, ou mesmo desaparecem, originando uma zona nodular amarela ou marrom; e ii) Zona saprolítica que consiste em um termo empregado para descrever o intemperismo de rochas cristalinas no estágio de argilominerais no qual aparecem fragmentos de rochas parcialmente alteradas, desde a escala milimétrica no topo a centimétrica na base.
Guimarães (2009) destaca que no horizonte argiloso, texturas e estruturas reliquiares são abundantes in situ. Estruturas neoformadas estão representadas por manchas marrom-avermelhadas, colunares ou irregulares, entre outras, com espessura variando de 7 a 15 metros (sobre rochas sedimentares e ígneas félsicas ou máficas), podendo ser muito espessa sobre rochas ultramáficas e metamórficas.
c) Horizonte Pálido ou Transicional: Ocorre imediatamente abaixo do horizonte argiloso, em contato direto com a rocha matter, numa espécie de base de saprólito. Apresenta uma coloração mais pálida relativa à cor da rocha matter, graças a decomposição dos minerais máficos, dos sulfetos e da massa orgânica, sem que ainda tenha ocorrido a formação de óxi-hidróxidos de ferro.
Tal camada é formada fundamentalmente por argilominerais complexos, em convivência desequilibrada com minerais primários instáveis ao intemperismo, representando assim o estágio transicional entre a rocha matter e o horizonte argiloso. Apresenta ainda uma grande abundância de fragmentos de rocha original envoltos por pálidas auréolas de intemperismo, em restrita matriz terrosa e argilosa (GUIMARÃES, 2009).
As pesquisas publicadas por Costa sobre a geologia das lateritas amazônicas tem sido uma referência inicial para diversos pesquisadores na área de pavimentação, como, por exemplo, Amaral (2005), que pesquisou misturas asfálticas com agregados de laterita do Pará.
Figura 2.9 – Perfil geológico simplificado da formação laterítica imatura autóctone da Amazônia (COSTA, 1991).
A figura 2.10 proporciona um exemplo de uma feição típica de um solo laterítico brasileiro com algumas concreções na região oeste do estado do Maranhão (região de abrangência da Amazônia brasileira).