4. Analysis
4.1. The Order Process – Definition, Description and Analysis
4.1.4. Part deliveries
A cultura material da Congada merece algumas linhas neste capítulo por apresentar uma grande quantidade não só de informações, mas de elementos simbólicos que permitem uma melhor compreensão acerca dos objetos que fazem parte das manifestações religiosas da cultura negra.
A partir da década de 1920, o destino dos objetos da cultura material dos africanos e seus descendentes eram os museus de polícia, onde deveriam ser realizados estudos para provar através dos objetos, a inferioridade do negro. Os lugares que visavam a memória coletiva dos negros no Brasil neste período, eram igrejas, senzalas, quilombos, praças e cemitérios, e remetiam ao cotidiano dos tempos da escravidão. No entanto, a cultura material do negro não estava restrita somente aos objetos usados nos rituais religiosos, existiam esculturas, instrumentos musicais, acessórios, vestimentas, e mais uma infinidade de objetos usados por pessoas que não detinham poder econômico e social.
Mesmo após a renovação da história com novas metodologias e o auxílio de outras ciências como a lingüística e a arqueologia, os estudos priorizavam uma história onde eram preservados objetos não registrados na escrita. Bloch (1941) citado por Le Goff (2003), já declarava que a diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita, sendo para ele, tudo o que homem disse ou escreveu, possibilidades de investigação do historiador.
Apesar de o Brasil possuir uma longa tradição nos estudos sobre a cultura material das populações indígenas, a cultura africana foi deixada de lado, pois a história priorizou o uso dos documentos escritos. Segundo Márcia Oliveira (2006), no caso dos utensílios da cultura africana, as informações ainda são escassas, ou porque não sabemos o suficiente ou porque são poucos os objetos que restaram.
Em minhas conversas com os congadeiros da Lapa, em especial com o embaixador Ney Manoel, percebi que o grupo possui uma pequena quantidade de elementos materiais do auto popular, pois muitas roupas e acessórios foram doados a museus do estado e da
cidade, e as fotos antigas quando emprestadas, não foram devolvidas. Entre as lembranças guardadas, estão reportagens, fotos, algumas vestimentas e poucos adereços.
Ao contar sobre a história da família Ferreira na Congada, Ney lembra que o vestuário devido a fatores econômicos e sociais, influenciou na decadência do auto a partir da metade do século XX. Olhando algumas fotos em preto e branco, o embaixador comparou a mudança realizada nos trajes desde o tempo de seu avô até hoje. Conforme Ney, anteriormente todos os membros dançavam duas horas e meia com uma botina pesada, depois com um sapato da marca “conga” e logo com uma sapatilha azul. Hoje, as sapatilhas são feitas manualmente e usadas durante uma hora no máximo e os congadeiros sentem que ainda são pesadas por causa do solado leve que toca bruscamente o chão.
Entre os objetos utilizados pelos congadeiros, instrumentos musicais, vestimentas, jóias e objetos de adorno podem fornecer informações seja para compreender as transformações executadas no interior do grupo, como as maneiras encontradas para confeccionar roupas com um material mais barato, seja para compreender os elementos da linguagem simbólica, como a utilização das cores nas vestimentas indicando as hierarquias sociais.
Com relação aos instrumentos, não existem muitas informações sobre quais foram utilizados nas primeiras danças. Neste sentido, não ocorreu uma presença variada de instrumentos no decorrer da Congada. Em algumas épocas, o auto popular contava com tambores, rabeca e sanfona, em outras, com violão, bumbo, atabaque e chocalho. Nas descrições de outras congadas, os folcloristas não levaram os instrumentos em consideração, existindo apenas referências aos seus tipos.
Ao explorar as práticas culturais através dos instrumentos africanos e afro- brasileiros com um enfoque etnomusicológico, Salomão Silva (2005) aponta que há uma relativa ausência de referência na historiografia quando falamos em culturas musicais africanas no Brasil do século XIX, mas a iconografia devido aos registros dos viajantes registrou tais musicalidades, sendo as festas e os eventos religiosos os mais retratados.
A música, enquanto fenômeno a ser estudado, remete a um objeto impreciso em sua definição, imaterial, sujeito às inflexões dos sentidos, de difícil observação, especialmente quanto a sua descrição e sobre o qual se colocam ainda associações aos efeitos do mundo espiritual, místico e sagrado (OLIVEIRA, 2006:249).
São constantes as litografias dos viajantes onde os negros retratados estão tocando ou levando consigo algum instrumento musical. Conforme Silva (op. cit.) a presença do atabaque, do tambor, da marimba e do matungo, instrumentos que entraram no Brasil com os primeiros escravos negros vindos da África, mostram a importância dos instrumentos na cultura africana, pois ocupavam lugar de destaque nas práticas cotidianas e nas formas de religiosidades.
Na Congada da Lapa, a maioria dos instrumentos é executada sob o ritmo de percussão, isto é, obtendo o som batendo no objeto com as mãos ou com varas de madeira. Usada para dar ritmo à Congada, a música decorrente das batidas varia de acordo com as encenações e dá o tom na apresentação condicionando os gestos e indicando momentos como a guerra e a prisão do embaixador. O estudo de Fernandes (1951) aponta para uma influência predominante dos membranofones evocativos dos batuques da África. Partindo de informações obtidas com um velho congadeiro, o folclorista salienta que nas antigas congadas da Lapa também era tocado um instrumento africano chamado uricongo52.
Com a revitalização da Congada foram proporcionadas aos músicos, aulas de rabeca, canto e percussão, viola, violão e gaita. A rabeca, em especial, foi encomendada a um artesão do litoral do estado e recebeu cuidados à parte por ser incluído no projeto, o resgate de sua música original. Além dela, viola e violões foram incorporados aos instrumentos que hoje contam com o auxílio de um equipamento de som de alta tecnologia para propagar a sonoridade da música executada pelos onze congadeiros53.
É costume na Congada da Lapa que um dos membros seja o maestro da festa, marcando com um sinal dado através de apito, os passos da dança, o sinal das evoluções e o momento em que os músicos tocam seus instrumentos.
Anteriormente, os músicos não possuíam uma indumentária própria, apenas uma modesta jaqueta com uma manta e um capacete adornado de penas, deixando todo o espetáculo das cores e adereços para as roupas do embaixador, do rei, da rainha e dos fidalgos. Hoje, os músicos usam sapato e calça preta, camisa de mangas compridas cor-de- rosa com uma fita dourada na manga, colete vermelho enfeitado na barra com fita – a mesma da camisa – e franjas pretas penduradas, chapéu de abas largas com penas vermelhas na frente e fitas verdes e vermelhas penduradas de cada lado.
52 Chamado também de urucongo, ricungo e urucunju, o uricongo é classificado como um instrumento
cordofone e é semelhante ao berimbau. Possui um arco de madeira tendo um arame retesado, ao qual está adaptada uma cabaça que funciona como caixa de ressonância de som obtido pela percussão da corda.
Nas últimas congadas realizadas, entre os instrumentos presentes estava o bumbo, a sanfona, o chocalho e a rabeca54. No bumbo, são pintadas formas geométricas de triângulos e quadrados e linhas horizontais. As cores predominantes são o preto, o vermelho e o amarelo, podendo também ocorrer o verde. Já os chocalhos, são adornados com contas rosas, azuis, pretas e vermelhas.
Segundo Braudel (1978), o mundo simbólico também deve ser levado em conta, pois os quadros mentais também se inserem no enfoque da longa duração. As cores para os africanos têm um significado especial e possuem uma simbologia que remete tanto aos orixás e aos elementos da natureza, quanto aos valores hierárquicos encontrados nas tribos de origem. Incluídas em suas concepções de arte e de religiosidade, as cores estavam ligadas às vestimentas, aos rituais e as crenças. Na religiosidade, as cores se uniam aos sabores, à indumentária e as formas geométricas com uma simbologia ligada diretamente as histórias dos mitos e dos deuses, presentes na terra mãe.
Os primeiros estudos sobre vestimentas, surgiram com Bogatyrev em 1971. Ao pesquisar a indumentária folk moravia, Bogatyrev observa que a vestimenta é uma coleção de sistemas de diferenças, onde são expostas categorias culturais como a profissão, a classe, o sexo ou o status marital. Para McCraken (2003), o vestuário é um código conservador, que se assemelha à linguagem por oportunizar o exame da diversidade social e ideacional. Segundo o autor,
(...) o vestuário às vezes é a confirmação da mudança e, às vezes, aquilo que dá início a ela. Algumas vezes é um meio de constituir a natureza e os termos de um conflito político; outras, um meio de criar consenso. Algumas vezes é instrumento de uma tentativa de dominação; outras, o arsenal da resistência e do protesto (McCRAKEN, 2003:88).
Após testar uma metodologia na qual eram apresentados slides que retratavam pessoas usando determinados vestuários, cujos informantes deveriam interpretar, McCraken concluiu que o vestuário não possui as mesmas características da linguagem como a seleção e a combinação. Segundo ele, não há uma leitura linear da roupa, pois não existe um código que fornece regras de combinação como na linguagem, que possui uma imensa liberdade combinatória. A versão de Jean-Marie Pezes (1978) se assemelha a de McCraken ao ponderar o vestuário como um signo social. Pesez aponta que o vestuário é
54 Instrumento usado com freqüência na Idade Média, a rabeca era importada do norte da África. No Brasil,
foi usada em autos populares como o fandango, folia-de-reis, dança-de-são-gonçalo e congadas. Na Congada da Lapa, o som fanhoso e doce da rabeca faz falta em algumas apresentações, pois o único rabequeiro do grupo trabalha nos finais de semana e não é liberado do serviço para compor o grupo de músicos.
um signo do supérfluo e do ordinário, pois retém diferenças e influências que podem ser econômicas, sociais, psicológicas, sexuais e políticas.
Na Congada, a vestimenta do rei, da rainha, do reizinho e do embaixador sempre mereceu maior destaque nas descrições, indicando a importância e o status social dos personagens. Em segundo lugar, eram descritas as roupas usadas pelo príncipe, secretário, marquês, duque e porta-bandeira, denotando que na hierarquia, esses homens eram considerados como braços direito55 do rei. Quanto aos conguinhos, caciques e os demais vassalos, suas vestes eram pouco mencionadas. Por serem iguais, essas vestimentas remetem aos fardamentos56 usados pelos reinos em guerra.
Presente em grande parte na iconografia do século XIX, a história do vestuário possui dados abundantes nas descrições sobre a aristocracia. Preocupados em resgatar informações sobre o vestuário usado nas manifestações da cultura popular, um grande número de folcloristas observou e escreveu sobre os detalhes que envolviam a indumentária das danças, fornecendo as cores das roupas, dos chapéus e os adereços usados.
Aristóteles dizia que a cor é um fenômeno subjetivo e individual, sendo uma propriedade dos objetos onde a simbologia não está ligada à racionalidade humana. Os estudos sobre as cores remontam a Idade Média e foram influenciados por concepções psicológicas e culturais que vão desde a teoria de que as cores que enxergamos afetam diretamente o centro das nossas emoções influenciando nosso componente físico e mental, até a teoria onde as cores são pronunciamentos biológicos como as cores das estações do ano.
Através desta pequena análise sobre o uso das cores nos objetos da Congada, é possível perceber uma relação entre a simbologia que envolve cores, festas e rituais realizados no território brasileiro, pois para os africanos as cores podiam indicar além de atributos funcionais e estéticos, valores positivos ou negativos.
55 Suas funções são notadas segundo as cores variadas das capas e das penas dos chapéus.
56 Para elucidar o uso do fardamento militar, utilizo aqui três partes do texto “Dia Solene” de 1951 e uma
parte atualizada em 2004, onde é possível perceber que, tanto os conguinhos quanto os vassalos do rei, estão vestidos com roupas de guerra: a) ao notar a chegada da embaixada da Ginga ao reino do Congo, o secretário diz ao rei que uma grande tropa armada está a caminho; b) no momento em que o embaixador é perseguido pelos fidalgos do rei, este chama o cacique e os conguinhos de nobres guerreiros e ferozes soldados; c) ao implorar por sua liberdade, os conguinhos chamam os fidalgos de camaradas militares; d) os conguinhos após libertos cantam: “o nosso batalhão foi colocado na prisão, mantendo prisioneiros general e capitão”.
Rica em cores e adereços, a cultura material da Congada oferece uma série de elementos simbólicos. Por exemplo: para os africanos o branco e o preto representavam os opostos como dia e noite, homem e mulher, vida e morte. Já o azul usado na capa do embaixador e nas antigas capas do rei e da rainha, era considerado uma cor oficial, utilizada somente por monarcas, denotando triunfo e promovendo devoção e fé. O amarelo usado pelos conguinhos, representa esperança e jovialidade e o vermelho encontrado nas capas da rainha, do rei e do reizinho, é relacionado ao sangue, ao fogo, e conseqüentemente, à luta e a força, encontrado também, na bandeira e nos combates, e presente nos rituais.
Os trajes e adereços do rei Congo sempre mereceram atenção dos folcloristas, por representar o chefe e a autoridade maior do auto popular. Anteriormente, o rei possuía duas capas: uma azul e outra vermelha enfeitadas com galão dourado. Como aponta Fernandes (1951), sua coroa dourada era revestida de papelão e seu manto tinha particular significado protocolar.
Com a revitalização dos trajes e adereços, que deram maior vivacidade a dança, o monarca representado por Miguel Ferreira, apesar da baixa estatura se faz grande quando veste usa a roupa real. Calçando sapatilha marrom e meia branca trançada com uma fita vermelha, o rei veste calça branca enfeitada nos joelhos com fitas pretas e douradas. De um lado da calça, existem cruzes bordadas e do outro, há pequenos sininhos pendurados. Sua camisa branca também possui bordados nas mangas, além de ser acompanhada por um colete com fitas vermelhas e douradas. A longa capa vermelha, possui franjas e sobre ela, há uma menor de cor branca, feita de organza. Entre os adereços57 que demonstram o
poder real, estão luvas brancas, anéis, cetro, coroa, espada e uma arma de fogo.
Personagem importante na sucessão real, o reizinho sentado ao lado esquerdo do monarca, veste quase a mesma roupa do rei, com exceção do cetro real, dos anéis e da arma. No vestuário do pequeno menino, a cor dourada é menos intensa, sendo substituída pela vermelha.
Em contrapartida a grande quantidade de descrições sobre o rei, a personagem menos citada nas descrições é a rainha. Como sua presença em Dia Solene é recente, os congadeiros ao ouvirem sobre a rainha Ginga, acharam que seria interessante colocá-la na encenação. Apesar da rainha da Congada da Lapa ser quase que uma figurinista, a rainha
57Jóias e objetos de adorno estão presentes constantemente na cultura africana. Os colares, também chamados
de guias, eram objetos de proteção para o corpo e levavam símbolos como a estrela, o machado ou santos populares.
Ginga mencionada no texto, era conhecida por ser uma grande estrategista militar e combatente destemida. Segundo Fernandes, em 1951 a rainha usava uma capa com galão58 dourado e um longo vestido branco bordado, chamando a atenção de quem assistia o auto pela grande quantidade de anéis colocados sobre as luvas brancas e o enorme colar de pérolas e pedras preciosas vermelhas. A coroa e a capa vermelha bordada com flores brancas proporcionavam à menina sentada no trono, ar de realeza.
Representante da rainha Ginga, a vestimenta do embaixador de Metícola também mereceu algumas descrições. Usando uma grande capa azul ou vermelha, saiote vermelho ornado com galões, flores, estrelas em papel prata e fitas coloridas, a roupa do embaixador variou durante as apresentações da Congada. Em 1977, sua saia era composta por cores vistosas e a capa em geral, descia até a panturrilha. Com uma espada na cinta, o embaixador confrontava o rei Congo em busca de cumprir o objetivo de sua missão. Hoje, o embaixador usa sapato marrom e meias azuis com uma fita verde transpassada. Sua calça preta com franjas azuis na barra, possui desenhos geométricos brancos e fitas largas em amarelo e vermelho. Sob sua blusa branca bordada, há uma capa azul comprida e uma menor branca de renda nos ombros, completados com um colar de pedras azuis. No chapéu preto de abas largas, existem penas verdes na frente e estrelas penduradas, com duas pequenas cruzes nas laterais.
Além dos títulos de monarcas que o rei, o reizinho, a rainha e o embaixador possuem, há um objeto que os une, colocando-os em um mesmo nível: a cadeira. Associada a liderança e autoridade, a cadeira segundo Deetz (1996), mostrava aos súditos que aquele era um lugar de destaque. Ao relacionar o uso das cadeiras nas famílias e no governo, o autor aponta que assim como o marido sentava em um objeto sendo realçado diante da família, o rei sentado em seu trono se sobressaía frente aos seus súditos.
Burke (1997) aponta que os conteúdos da casa tampouco foram negligenciados pela historiografia, pois eram considerados superficiais ou triviais. Na década de 1930, Gilberto Freyre ao refletir sobre a história cultural da rede e da cadeira de balanço, afirmou que tais objetos, eram símbolos da voluptuosa ociosidade dos brasileiros. Braudel na década de 1960 escreveu passagens famosas sobre a história social de cadeiras e mesas.
O uso da cadeira para o simples propósito de sentar, teve início conforme Deetz (op. cit), somente entre os séculos XVI e XVII. Antes disso, de acordo com os inventários
58 O galão era uma fita ou tira entrelaçada usada como arremate ou enfeite em peças de vestuário, de pano ou
ingleses da antiga cidade de Plymouth, datados de 1630, as cadeiras eram raras, e as famílias possuíam uma única peça, destinada ao patriarca. O restante da família sentava em baús ou almofadas, objetos onde era possível sentar mais de uma pessoa, em uma espécie de cadeira-conjunto, o que chamamos de banco nos dias atuais. Com a separação dos ambientes nas casas e com a divisão das atividades da família, o número de cadeiras começou a aumentar, deixando de ser um objeto quase que exclusivamente, da pessoa mais importante da casa ou do reino.
Há de se salientar, que na Congada atual, a cadeira do rei é a mais alta, seguida pela cadeira da rainha. Ambas possuem formato de trono, contam com apoio para os braços e na cabeceira, há um máscara africana em tons de dourado. A cadeira do reizinho e do embaixador, apesar de possuir a mesma medida, é mais simples, sem apoio para os braços e sem nenhum ornamento.
Chamada de fardamento, a roupa dos pequenos conguinhos é descrita em seu canto: “Minha gente venha ver/ os conguinhos a dançar/ vestidinhos de amarelo/ com brinquinhos de sinhá”. Anteriormente, os conguinhos usavam na cabeça capacetes enfeitados com penas e suas roupas eram confeccionadas com tecidos de qualidade inferior e sem brilhos.
A roupa dos meninos passou por várias transformações, e na última, o saiote vermelho cor de vinho foi substituído por um azul com uma larga fita amarela e desenhos em forma de “X” com flores de fuxico vermelhas no meio. A jaqueta amarela ainda continua, e seus detalhes bordados acompanham os desenhos do saiote. O cocar vermelho é enfeitado com flores ladeadas por uma corrente prata, uma pena verde no meio e ao lado, há fitas coloridas penduradas.
Depois da roupa do rei, a vestimenta dos fidalgos mereceu grande riqueza de detalhes nas descrições por apresentar uma variedade de cores e modelos. Fernandes (1951) relata que os fidalgos vestiam uma calça que trazia pequenos guizos presos em sua extremidade inferior, meias compridas, uma jaqueta que levava no peito o aplique de um grande coração feito de papelão forrado de cetim, além de broches, pingentes e medalhas. Em cima da jaqueta, era usada uma bolsa59, uma capa debruada com galão dourado e
59 Lendo o relato de Loureiro sobre o uso das bolsas pelos fidalgos do rei, procurei na iconografia da
Congada imagens que fornecessem melhores informações sobre este objeto, mas infelizmente, isso não foi