3: Metode
4.3 Del 2: Hvilken lederatferd ønsket de ansatte fra sin leder under endringen?
Kinzo explica que o regime militar brasileiro foi estruturado sobre alicerces singulares, destacando‐se a natureza das instituições políticas sob as quais o regime funcionava:
Por um lado, tratava‐se de um regime tipicamente militar no sentido de que as Forças Armadas, enquanto instituição, passavam ... a dirigir o país. ... Por outro lado, tratava‐se de uma situação que manteve em funcionamento os mecanismos e procedimentos de uma democracia representativa: o Congresso e o Judiciário continuaram em funcionamento, a despeito de terem seus poderes drasticamente reduzidos e de vários de seus membros serem expurgados; manteve‐se a alternância na presidência da República; permaneceram as eleições periódicas, embora mantidas sob controles de várias naturezas; e os partidos políticos continuaram em funcionamento, apesar de a atividade política ser drasticamente limitada. Em síntese, era um arranjo que combinava traços característicos de um regime militar autoritário com outros típicos de um regime democrático KINZO, , p. .
Assim, com o golpe, aumentaram‐se os poderes do Executivo e deixaram de existir os partidos que surgiram no fim do Estado Novo e que representavam as diferentes opiniões públicas. Estabeleceu‐se o sistema bipartidário, que agrupou na Aliança Renovadora Nacional ARENA os partidários do regime e no Movimento Democrático Brasileiro MDB , os da oposição FAUSTO, .
O período militar também marcou a ocorrência do chamado "milagre econômico", que ocorreu entre e , e produziu expressivo crescimento econômico entre e a taxa média anual de crescimento foi de , % com taxas relativamente baixas de inflação. O milagre deveu‐se a uma ampla disponibilidade de recursos internacionais o que elevou significativamente a dívida externa , ao aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil e ao crescimento da importação de bens de capital e petróleo
HERMANN, , p. .
Fonte: HERMANN, Jennifer, Reformas, endividamento externo e milagre econômico ‐ , In: GIAMBIAGI et al, Economia brasileira contemporânea ‐ , Campus, , p. .
Contudo, o milagre econômico não perdurou durante todo o regime. Em meados da década de passam a se evidenciar os limites do modelo de desenvolvimento promovidos nos anos anteriores. As dificuldades ocorrem diante de um cenário internacional conturbado, marcado por eventos significativos: os dois choques do petróleo caracterizados pelo forte aumento do insumo em e e o aumento da taxa dos juros dos Estados Unidos entre ‐ . Frente à forte dependência externa da economia brasileira, seja à importação do petróleo, seja à captação de recursos externos, esses eventos afetaram diretamente o seu desempenho e colocou em xeque o modelo adotado HERMANN, , p. .
Esse cenário promoveu a deflagração da crise da dívida , que dominou a realidade econômica não apenas do Brasil, mas da maioria dos países latino‐americanos. O lançamento do II Plano Nacional de Desenvolvimento II PND em representa a resposta do então presidente, Ernesto Geisel, aos efeitos da crise. Seu objetivo principal era ampliar a produção de insumos básicos e de bens de capital e priorizar o aumento da capacidade energética FONSECA & MONTEIRO, , p.
Entre as estratégias do II PND para reduzir a dependência externa da economia brasileira ao exterior, situa‐se o investimento na capacidade interna de produção de insumos combustíveis, capazes de substituir a importação do petróleo. É neste contexto que o Proálcool é formulado.
O II Plano Nacional de Desenvolvimento II PND foi, provavelmente, o mais amplo programa de intervenção estatal de que se tem notícia no país, e que transformou significativamente o parque industrial brasileiro com a implantação de um polo de insumos básicos e de bens de capital
MANTEGA, , p.
Ademais, evidenciava‐se um modelo de desenvolvimento assentado na expansão industrial por meio do apoio ao capital privado nacional. Segundo Fishlow :
Em dezembro de os países membros da OPEP Organização dos Países Exportadores de Petróleo promoveram o primeiro choque do petróleo , gerando um aumento significativo do preço do insumo, que saltou de US$ , em para US$ , em . Um segundo choque ocorre em , de modo que o preço do barril no mercado internacional saltou para US$ , em e para US$ , em . E, em decorrência dos efeitos deste novo choque do petróleo, os bancos centrais dos países industrializados elevaram as taxas básicas de juros HERMANN, , p. .
Anunciava‐se que o novo estilo de expansão industrial mantinha as empresas privadas em situação favorecida, deliberadamente em detrimento das empresas estrangeiras. A capacidade do capital privado nacional de participar de empreendimentos de grande escala seria fortalecida FISHLOW, , p. .
Com isso, inicia‐se um importante processo de aproximação entre o governo e o empresariado nacional, que passa a receber o foco das atenções e investimentos governamentais. Segundo Mantega , o II PND fortaleceu a posição dos empresários brasileiros, dando‐lhes um lugar ao sol no setor de bens de capital MANTEGA, , p. . Como será visto na seção seguinte, essa aproximação com o empresariado irá fortalecer as redes de interesses entre o setor empresarial e o governo, dando o tom da dinâmica de intermediação de interesses do período militar.
O governo Geisel, além de representar o início da crise do milagre econômico, marca também o início da abertura política do Brasil e do aumento da insatisfação popular contra o regime, intensificados pelos efeitos da crise. Com efeito, é diante desse cenário de crise que crescem as pressões pela democratização.
Com o aumento brusco das taxas internacionais de juros acompanhado da elevação do preço do petróleo, perdeu‐se o alicerce que sustentava a economia brasileira, o que criou um ambiente econômico no qual era praticamente impossível controlar os ímpetos da população, já expressos por meio de protestos e greves expressivas, e adiar o processo de democratização. É, portanto, também sob o governo Geisel que se inicia a abertura política, chamada de distensão, que visava à liberalização política de maneira controlada.
Em é aprovada a lei que restabeleceu o pluripartidarismo no País. A ARENA mudou seu nome para Partido Democrático Social PDS e o MDB acrescentou a palavra partido a sua legenda, passando a ser PMDB. Muitos outros partidos surgiram, o que refletia as diferentes facetas da oposição: foram fundados o Partido dos Trabalhadores PT , liderado pelo sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, e o Partido Democrático Trabalhista PDT sob a liderança de Leonel Brizola. Em foi criada a Central Única dos Trabalhadores CUT , identificada com os ideários políticos do PT. E em ocorreram as primeiras eleições diretas a governadores de Estados que, conforme
Abrucio , modificaram a estrutura de poder do país ... , passando da liberalização à democratização ... ABRUCIO, , p. .
É durante o próprio regime militar que começaram a se reorganizar as forças sociais fora do eixo corporativista: o novo sindicalismo, as comunidades eclesiais de base e os movimentos sociais urbanos emergem como representantes autônomos da sociedade civil, atuando como fonte das mudanças que serão feitas pela Constituição de . É neste contexto que em iniciou‐se o Movimento das Diretas Já , com a participação ativa da oposição e com grande apoio popular. Porém, para a sua realização, era necessário que a emenda Dante de Oliveira, que garantiria as eleições diretas para Presidente, fosse aprovada pelos congressistas, o que não ocorreu. Dessa forma, a escolha do novo presidente coube novamente ao Colégio Eleitoral, por meio do voto indireto, fazendo uso do sistema eleitoral desenhado pelo regime autoritário. Finalmente, a oposição chegava ao poder, com a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, e de José Sarney para vice, em de janeiro de . No entanto, o novo presidente eleito não tomou posse: Tancredo adoeceu e acabou por falecer no dia de abril de . Assim, Sarney tornava‐se o novo Presidente do Brasil. Em , aprovou‐se uma nova Constituição para o Brasil, que restabeleceu os princípios democráticos. E em ocorreram as eleições diretas para Presidente.
2.3.2. Entre o oficial e o oficioso: o corporativismo bipartite e os aneis