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Dei sosiale variablane

In document Universitetet i Bergen (sider 56-60)

Os romanos, principalmente os dirigentes políticos, tiveram a ideia de unir o império pela cultura (língua, direito) e também pelas vias. Estas facilitavam o comércio, permitiam a rápida deslocação do exército e, paradoxalmente, difundiram o cristianismo e permitiram a entrada dos bárbaros. A sua rede viária romana era de tal forma avançada para o tempo que alguns dos traçados foram usados até aos

nossos dias, mantendo uma forte ligação passado – presente. Responsáveis por unir o território e vencer os obstáculos naturais, as pontes foram importantes para a implementação dos modelos romanos, principalmente nos territórios de interior como é o caso de Chaves. Estas estavam integradas nas principais vias, mostrando – metaforicamente - as características do império: solidez, simetria, uso preferencial de silhares de pedra (como o granito) como material de base, ao frequentemente em aparelho rusticado ou almofadado e com marcas de fórfex. Nas pontes de xisto não existem, obviamente, as duas últimas características. Considerando o tempo, a pressão das águas e até o apetite que alguns exércitos mostraram pelas pontes, estas chegaram até ao presente bastante alteradas, exceto os arcos (Maciel, op. cit., 91). Através das suas construções, os romanos pretendiam dar uma ideia do que gostariam que fosse a sua civilização: forte, sólida e durável. Para além das pontes, há outras marcas da presença romana.

Uma outra importante herança e marca da presença romana é o urbanismo. Este está ligado à conquista e ocupação do território (ibidem,77) e ainda hoje são reconhecíveis marcas de urbanismo romano em várias cidades. As normas vitruvianas de urbanismo foram tidas em conta no território que é hoje Portugal, sendo o Forum o polo dinamizador da cidade romana (ibidem, 78). Não podemos olvidar o papel político atribuído à arte no império romano. A existência de normas semelhantes contribuía para a unificação do território e também facilitava a construção e a aplicação dos tratados. A arte era usada como propaganda política. Desta forma, os romanos reinauguraram as dimensões colossais na arte (Bell, 2009, 82), sugerindo que o seu império e o imperador tinham as mesmas dimensões. Como estratégia de reforço da mensagem política, a escultura tinha ligação à arquitetura como acontecia na decoração de templos (Maciel, op. cit.,92) ou na transformação de um elemento arquitetural como a coluna em elemento escultórico autónomo, mas de formas gigantescas.

Se os romanos não foram os inventores do traçado urbano ortogonal, aplicaram-no com frequência, seguindo a lógica do acampamento militar. O urbanismo romano desenvolvia-se segundo duas importantes linhas: o cardo e o

decumano. Curiosamente, a cidade que deslumbrou muitos – Roma – tinha um traçado desordenado e até caótico, fruto da organicidade do seu crescimento. No traçado das cidades não podemos esquecer que a topografia condicionava a planta da cidade (Fernández Vega, 1999, 19) e que muitas vezes os romanos se instalaram em locais onde já havia aglomerados urbanos e não ortogonais (ibidem, 22).

O interesse pela história romana é antigo em Portugal, pois o urbanismo romano esteve subjacente à conquista e ocupação do território (Maciel, op. cit.,77). Na vida rural também houve produção artística e urbanística, imitando os modelos urbanos (ibidem, 88). Na fase final do império, a arte ficou marcada pelo cristianismo e pelas invasões bárbaras (ibidem, 101). O certo é que o urbanismo romano perdurou para lá do império, uma vez que as suas muralhas ajudaram a definir o urbanismo medieval (p. ex: Conímbriga) (ibidem, 79). Se a muralha define o espaço, também o estrangula, impedindo alguma expansão e crescimento urbanos. As fortificações, em alguns casos, foram responsáveis pelo estrangulamento de espaços urbanos (ibidem, 102). No urbanismo romano havia preocupações variadas. Uma delas era a da higiene e salubridade da casa e a das vias (Fernández Vega, op. cit., 18). Aqui nota-se a influência de Vitrúvio e da sua interdisciplinaridade: defendia a formação do arquiteto em áreas como a medicina (salubridade, luz), a História da Arte e o desenho (ibidem, 57). O instinto regulador dos romanos também se sentiu noutras áreas do urbanismo como as normas sobre altura e dimensão dos edifícios (ibidem, 23). Também a preocupação com a iluminação e o arejamento (ibidem, 189) evidenciam a necessidade de higiene corporal e urbana que os romanos preconizavam. A preocupação dos romanos na organização do território e da sociedade era evidente. Também estavam presentes outras preocupações como os ideais de proporção e harmonia (ibidem, 61).

Não podemos esquecer que a cidade e os edifícios são demonstrações de poder. A este propósito, recordemos as cidades romanas com o nome “Emerita”.

A estrutura urbana acompanhava a política e organizacional: aquando da atribuição do direito latino pelos Flávios houve mudança de nome em algumas cidades ex: Aquae Flaviae. Houve também renovação arquitetural e urbanística que

ilustra a renovação dada pelo novo estatuto político. Estas marcas urbanas ainda hoje se mantêm em alguns casos. Segundo Teixeira e Valla – 1999 – (citados por Maciel, 2006,24), o século XIII e o início do XIV correspondem à plena ocupação do território nacional e à construção de cidades medievais planeadas segundo modelos regulares.

Uma outra indiscutível evidência da presença e herança romanas nas terras flavienses são as termas. Estas tinham variadas funções: sociais, sanitárias e higiénicas e também de negócio comercial. Em Portugal há termas alimentadas por aqueduto (ibidem, 82), principalmente naqueles locais em que não existiam águas termais naturais. Houve exploração de águas medicinais em vários locais como Chaves, Gerês ou S. Pedro do Sul (ibidem, 83). Tal como em muitas outras localidades, esta é uma das mais nítidas e continuadas presenças e heranças romanas. A prática do banho era generalizada na sociedade romana como o demonstram as várias termas edificadas por ordem de imperadores, governadores e até ricos proprietários. Havia as termas públicas e as privadas. As privadas tinham composição e configuração variada (Fernández Vega, op. cit., 219). Quando não havia águas termais, aqueciam-se. As termas privadas aparecem como ostentação no Alto Império e também denotam sentimentos de pudor pela exposição pública do corpo (ibidem, 221), sem dúvida impulsionados pela nova moral cristã. Contudo, as termas também poderiam ser “viveiros” de doenças (ibidem, 218). Normalmente eram constituídas por diferentes zonas: Balneum – parte com água; piscina e Thermae – as que tinham aquecimento (hipocausto, por exemplo) (ibidem, 220). O banho era também era um ato terapêutico (ibidem, 222) e também ritual, de negócio e de poder económico. Se a História da casa se cruza com a a da cultura, uma vez que a casa materializa o status (ibidem, 13), também a História das termas mostra muito do que era o pensamento e quotidiano dos romanos.

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