De acordo com o Manual APQP (1997), a principal meta do APQP é facilitar a comunicação entre todos os envolvidos a fim de assegurar que todos os passos estabelecidos no cronograma sejam completados dentro do prazo. A efetividade do planejamento da qualidade do produto depende do compromisso da alta gerência da empresa, que deve estar alinhada com os esforços requeridos para se atingir a satisfação do cliente.
Algumas das vantagens de aplicá-lo são: (a) direcionar recursos para satisfazer o cliente, (b) promover a identificação antecipada de alterações necessárias, (c) evitar alterações de última hora e (d) oferecer um produto de qualidade dentro do prazo ao custo mais baixo. O método APQP se divide nas seguintes fases:
a) Planejamento do Processo de Desenvolvimento de Produtos; b) Projeto e Desenvolvimento do Produto;
c) Projeto e Desenvolvimento de Processo do Produto; d) Validação do Produto e do Processo;
e) Feedback, Avaliação e Ação Corretiva.
As próximas seções descrevem detalhadamente cada etapa. A divisão das fases e das tarefas foram feitas para otimizar o processo, não existindo assim uma seqüência que obrigatoriamente deva ser utilizada. Além disto, como pode ser visto na Figura 3.1, as fases acontecem simultaneamente com outras, cabendo a cada empresa adaptar seu processo ao método APQP.
Fonte: Adaptado de Manual APQP (1997)
Figura 3.1 - Fases do Planejamento Avançado da Qualidade do Produto. (a) Planejamento
(b) Projeto e Desenvolvimento do Produto
(c) Projeto e Desenvolvimento do Processo
(d) Validação do Processo e do Produto
Produção
(a) Planejamento
(e) Feedback, Avaliação e Ação Corretiva
Conceito Inicial/Aprovação
3.3.1 Planejamento do Processo de Desenvolvimento de Produtos
Esta primeira etapa tem como objetivo entender as expectativas e necessidades dos clientes para que as mesmas possam ser atendidas, e para isso o programa de qualidade deve ser bem definido e planejado. Ou seja, o foco deve ser sempre o cliente e com isso, fornecer a ele melhores produtos e serviços que a concorrência (TOLEDO et al, 2006).
Esta etapa é responsável por analisar (1) a viabilidade do projeto, (2) os riscos, (3) a escolha da equipe, (4) o cronograma, (5) os dados de entrada do projeto e também onde é feito (6) o fluxograma preliminar do processo de produção da peça. Representantes da área comercial, qualidade e engenharia da empresa participam geralmente desta etapa de desenvolvimento.
Toledo et al (2006) citam que os inputs desta etapa são (a) a voz do consumidor através de reclamações, (b) recomendações, (c) dados e informações obtidos dos clientes através de pesquisa de mercado, (d) experiência do time, (e) informações de qualidade, (f) plano do negócio com custo, investimento, posição do produto e recursos disponíveis, (g) a estratégia de mercado que compreende consumidor alvo, pontos de venda e competidores chave, (h) dados da concorrência do produto e do processo, (i) características, inovações técnicas disponíveis e materiais avançados e (j) estudos de confiabilidade do produto.
Os outputs desta etapa fornecem (i) metas de projeto, (ii) metas de qualidade e (iii) metas de confiabilidade baseadas nas expectativas dos consumidores, (iv) fluxograma preliminar do processo e (v) lista preliminar das características do produto e processo (TOLEDO et al, 2006).
3.3.2 Projeto e Desenvolvimento do Produto
Segundo Toledo et al (2006), as características do projeto já são melhores definidas e especificadas nesta etapa a ponto de dar início à construção de protótipos, os quais são utilizados para verificar se o produto ou serviço alcança as expectativas dos consumidores. Ou seja, um bom projeto já deve conter nesta fase a informação dos volumes de produção e prazos, de modo a atingir requisitos de engenharia através dos termos de qualidade, confiabilidade, custo de investimento e objetivos de tempo.
Nesta etapa, a ferramenta (1) DFMEA (Análise de Modo e Efeitos de Falha de Projeto) é utilizada, no caso da empresa ser responsável pelo projeto do produto. Além disto,
faz-se (2) a análise crítica do projeto, (3) as especificações de materiais a serem utilizados no produto, (4) as especificações e requisitos para novos equipamentos, ferramental e instalações, caso necessários no novo projeto. Participam geralmente desta etapa representantes das áreas de engenharia de processo e produto, qualidade, planejamento, controle de materiais e, algumas vezes, produção.
3.3.3 Projeto e Desenvolvimento do Processo
Esta etapa tem como objetivo assegurar que os requisitos e necessidades do cliente sejam alcançados e para isso, é necessário o desenvolvimento de um sistema de manufatura efetivo, que tenha algumas características definidas, de modo que um plano de controle da qualidade dos produtos possa ser elaborado e efetivamente cumprido (TOLEDO
et al, 2006).
Nesta etapa, são definidos (1) o padrão de embalagem, (2) a análise crítica final do produto e do processo, objetivando a prevenção de falhas, a partir do fluxograma do processo e da metodologia de Análise de Modo e Efeitos de Falha do Processo (PFMEA), (3) a folha de instrução do operador de montagem e, entre outras definições, (4) o Plano de estudo preliminar da capabilidade do processo.
Os representantes da etapa de Projeto e Desenvolvimento do Produto geralmente participam desta etapa também, assim como as áreas de manutenção, automação, planejamento e controle de produção e engenharia de segurança do trabalho. Representantes da área de produção e/ou manufatura são fundamentais nesta etapa, já que o processo será desenvolvido e, nesta etapa, as chances dele ser modificado e melhorado através das sugestões dadas ainda são plenamente possíveis.
3.3.4 Validação do Produto e do Processo
Nesta etapa é realizada a validação do processo de manufatura através da corrida piloto, que é utilizada para verificação e aprovação do plano de controle e do fluxograma de processo pelo time de trabalho. Desta maneira, o time de trabalho pode acompanhar e verificar se os documentos elaborados estão sendo corretamente seguidos e garantindo assim que os produtos atendam os requisitos dos consumidores (TOLEDO et al, 2006).
As principais atividades desta etapa são (1) a corrida piloto de produção, (2) a Avaliação do Sistema de Medição para as características críticas de controle do produto e (3) avaliação de embalagem, (4) o estudo Preliminar da Capabilidade do Processo, além de se definir (5) o Plano de Controle da Produção com as características críticas que devem ser controladas. Fazem parte desta etapa as áreas de qualidade, engenharia do produto, processo e segurança do trabalho, produção e/ou manufatura e manutenção.
3.3.5 Feedback, Avaliação e Ação Corretiva
Esta etapa avalia, através do plano de controle da produção, o quanto o plano de qualidade do produto proposto foi efetivo logo após a validação e instalação do processo produtivo. Ou seja, esta etapa tem como objetivo a redução de variabilidade no processo, verificando se todos os passos do produto atendem às necessidades do cliente e assim, garantir a resolução de problemas e a melhoria contínua. Após isso, o processo segue com a produção propriamente dita e o início do fornecimento de peças para os clientes (TOLEDO et al, 2006).
Nesta etapa ocorrem (1) a avaliação do cliente no processo e controles considerados, e também (2) as ações corretivas, com o intuito de garantir a satisfação do cliente. Podem participar desta etapa todas as funções que participaram nas etapas anteriores, mas geralmente participam a área de engenharia do produto e do processo, qualidade, planejamento e controle da produção e de materiais, manutenção, produção e/ou manufatura, além do representante do cliente.
O número e funções dos participantes que vão contribuir com cada fase dependem da complexidade do projeto, do conhecimento e recursos disponíveis na empresa, cabendo aos representantes da fase (a) Planejamento do Processo de Desenvolvimento de Produtos defini-los. Assim como os participantes, a duração de cada fase depende do grau de complexidade de cada projeto. Ou seja, o APQP aplicado a um carro pode levar em média três anos e aplicado a uma rede elétrica, do limpador de pára-brisa do automóvel, durar, em média, 1 ano.